Notas iniciais
Gente desculpa pela demora e deu um problema com o e-mail do nyah mais já está tudo bem e aqui saindo um capítulo fresquinho pra vocês.

Fortes braços envolvem minha cintura e me erguem quase dois metros do chão. Forço meu corpo para cima e fico ereta, pisando firme em dois pares de mãos, fazendo um elevador. Estico os braços para cima. Um impulso me atira para trás , rodopio e Caio em braços potentes que me colocam de volta ao tatame. Estico os braços para cima finalizando a apresentação.

Ofegante, meu peito sobe e desce em ritmo apressado , mas, pelo sorriso no rosto da treinadora , meu salto básico foi executado com perfeição.

– Dispensados! — ela diz.

Ruby é uma mulher forte e robusta de cabelos curtos e pele chocolate, com mais ou menos trinta anos. Sabemos que ela já ganhou alguns prêmios quando concorria na Liga Nacional de Cheerleading, mas é fato que essa mulher muito a nos ensinar.

Batemos palmas. A equipe de animadores se dispersa. Antes que eu possa me aproximar da borda e pegar minha toalha ao lado da Valéria, sou atingida por um jogador do time de futebol americano como se eu estivesse segurando a bola. Vou ao chão.

– Aí Jorge! — reclamo. Jorge sobe em cima de mim , rindo. Se eu ficar roxa ou me machucar , estarei algumas semanas afastada do time , e é tudo que Margarida quer.

Margarida e Jorge terminaram há três meses ; todos fingem não saber o motivo, mas durante as semifinais municipais ela foi vista agarrando-se ao mascote do time adversário. Jorge se aproximou de mim, começamos a sair e Margarida disse para todo mundo que eu o roubei dela.

Dá pra acreditar nessa mentirosa? Pior que muita gente acreditou! Margarida levou sua versão distorcida da história tão a sério que, no mês passado, Marcelina e Carmen me deixaram cair de propósito em um salto, o que rachou o time de animadores. Alunos foram suspensos , eu peguei quinze dias de licença médica e Margarida foi punida e perdeu o posto de capitã, que está aberto. Não preciso dizer que ela acha que a culpa foi minha e, portanto, está louca por vingança, certo? Como se eu não já tivesse bastante problemas!

– Você fica uma gracinha nesse uniforme e é impossível resistir. — Jorge me aperta e me beija na bochecha com o rosto todo suado.

–Aí! Jorge! — Eu o empurro, mas estou rindo, e ele me aperta mais. Bato as mãos em seus ombros cobertos pela proteção. O uniforme dos garotos é inverso do nosso, com camisa do time negra e calças brancas. — Isso machuca!

Jorge não dá bola, aperta-me mais e beija minha boca. Hmmmm. Podem falar o que quiser , mas Jorge beija muito bem e tem o poder de me deixar amolecida em seus braços, toda vez que seus lábios encostam nos meus . É como um sonho que se tornou realidade , e, pensando bem, faz muito sentindo já que eu sempre fui a fim dele. O único defeito e Jorge fazer isso todo suado do treino, pegajoso e quente.

– Vou me trocar — ele anuncia ao me soltar com um sorriso de me derreter inteira. Estica a mão para me ajudar a levantar do tatame. — Quer carona para casa?

–Eu e Valéria combinamos de comprar sapatos novo para a festa de sexta-feira. — Abroum sorriso enquanto me ergo, forçando os joelhos.

–Festa?- Jorge revira os olhos azuis para cima pensando por um instante. — Ah, sim, na casa do Davi. Passo para te pegar às sete. Vamos juntos, certo?

– E quanto à Valéria? — Faço bico e cruzou os braços.

– Ela não pode ir com alguém? Ou sozinha? Só para variar? — Jorge diz com um suspiro .

Outro defeito de Jorge: estar sempre querendo dar um jeito de se livrar da minha amiga. Eu gosto de que ela queira passar um tempo comigo, mas detesto com ele a joga para escanteio.

– Sério? Ela é minha melhor amiga.

– Você me vê todo dia grudado com Paulo?

– Er... não.

– Maria Joaquina...- Jorge me segura novamente, desta vez mais manhoso, envolvendo minha cintura. Ele se inclina e beija minha bochecha. — Valéria é sua amiga, mas acho que merecemos um tempo só nós dois , como namorados.

Não gosto desse tom dele. É um pouco... hum, como vou me expressar? Sábado demais! Como se estivesse tramando algo a mais, Como desviar o curso da festa e me levar direto para sua cama. Quer dizer, não seria tão ruim, mais estou saindo com Jorge apenas há dois meses e sou virgem, portanto, esse tipo de conversa me assusta.

Eu sei, ninguém acreditaria que eu, com dezesseis anos, quase dezessete, seria (ainda ) virgem e uma cheerleader, mas é verdade. Meus pais são cheios de regras , um pouco conservadores nesse aspecto, e esperam que eu cumpra os protocolos que eles valorizam.

Aos catorze anos , tive meu primeiro namorado, filho de um amigo do meu pai. Quando ele me visitava em casa, mamãe nunca nos deixava sozinhos na sala e, se subíamos para meu quarto , a porta precisava ficar sempre aberta. Esse tipo de atitude acaba deixando os meninos sem graça em tentar alguma coisa a mais. Mas agora eu não sou mais criança, vou a festas, namorada fora de casa, não há meus pais para inibirem Jorge. O que de certto forma um alívio e também um pouco assustador. Estou por minha conta, e somente por minha conta, quando estivermos sozinhos.

Eu gosto de Beijar Jorge, de como se uma voz fininha sussurasse ao meu ouvido as recomendações de minha mãe " Time cuidado com os garotos; eles só querem abusar de você " , e coisas desse tipo. Estou soando paranóica, Valéria já me disse mil vezes que precisa relaxar. Talvez ela tenha razão.

–Tudo bem.- Seguro o rosto de Jorge com as duas mãos e beijo rapidamente sua boca antes de me afastar. — Às sete, não se atrase!

–Pode crer!- Jorge sorri e se afasta, partindo na direção do vestiário masculino.

Ando até Valéria, que já me espera na borda da quadra segurando minha toalha cor-de-rosa. Ela também me oferece um goleiro de água gelada , que eu topo rapidamente.

– O que ele queria? — Valéria pergunta interessada. Seus olhos se arregalam.

– Jorge quer me levar para festa do Davi, só nós dois. Mas não sei... — respondo e bebo um grande goleiro de água refrescante. Meu corpo recebe o líquido com sede , em uma sensação confortável. Seco minha testa .

– Como não sabe? Isso é ótimo! — Valéria dá pulinhos enquanto bate as mãos, empolgada. — Talvez ele esteja planejando te pedir em namoro!

–Hm? — Levo um susto. Aí será? Eu aqui pensando coisas ruins de Jorge e talvez ele só esteja planejando algo realmente romântico. — Foi isso que Paulo disse a você?

– Paulo por acaso fala comigo depois do que aconteceu? — Valéria cruza os braços e bufa, torcendo a boca aborrecida. — sabe que ele anda evitando até estar no mesmo recinto que eu? Se eu entro por uma porta do laboratório de ciências, ele sai pela outra ! A única hora que ele topa dividir o ar comigo é quando estamos no ônibus da excursão para algum jogo, MS só porque ele não tem ou fazer opção.

– Você nunca me contou o que realmente aconteceu. — Eu a encaro com dor. Sinto-me culpada pelo o que houve.

– E não vou contar. — Valéria cruza os braços. — Esqueça isso.

Valéria só deu em cima de Paulo para me ajudar a chegar até Jorge, o que não deu certo na época, já que Jorge e Margarida ficaram em um namoro bem sério, mas deu certo para Valéria e Paulo. Eles namoraram por alguns meses até que Paulo deu um pé na banda da ilha amiga. Ela nunca me contou realmente o que aconteceu, o que só agrava a sensação de que foi muito sério.

– Não sei se devo; fico com a sensação de que é algo perigoso

– Paulo não é perigoso, ele é um babaca! — Valéria revira os olhos escuros como se eu fosse uma maluca por pensar essas coisas , mas estou no escuro nessa situação toda. Enquanto ela não me disser nada, só me resta imaginar coisas.

– Ande; vamos nos trocar e ir ao shopping!

Valéria segura firme em meu braço, puxando-me da borda da quadra em direção ao vestiário feminino.

– Você sabe que eu estou sem mesada e provavelmente só possa comprar um sapato na liquidação, não sabe?

– Liquidação? Oh, menina! Isso é o fim do mundo. — Valéria revira os olhos de novo, eu sacudo os ombros.

Não há o que fazer. Meus pais me deixaram de castigo até que minhas notas melhorem, tarefa que já considero impossível de cumprir.

Notas finais
Nos vemos no próximo capítulo Tchau e Beijos.