Notas iniciais
Cala eu não sumi apenas uns probleminhas mais nada que conseguisse resolver. Aqui pra vocês um super capítulo. Boa Leitura.

Abordagem estratégica em três... Dois... Um!

Respiro fundo e me aproximo do armário L129 nas pontinhas dos pés. Não acho que Cirilo Rivera conseguirá ouvir o barulho dos meus saltos bem quando o corredor está cheio de gente falando alto e rindo (a menos que ele tenha audição biônica ), mas espero que não me perceba chegando. Decidi que de hoje ele não me escapa!

Encaro na parte de dentro da porta do armário, vermelho e de ferro, um adesivo esquisito pregado com dois imãs pretos : um copo com dizeres separando em " metade água " metade ar ", e em cima letras garrafais anunciam " tecnicamente o copo está sempre cheio "

– Uau, bela filosofia — digo sinceramente. Nunca parei para pensar que o copo em vez de estar vazio, estaria na realidade cheio de ar. Se bem que, quando a gente come um pastel e há ar dentro, não é nada legal, pois todo mundo prefere que ele esteja cheio de queijo!

– O que é que você quer? — Cirilo bate a porta do armário com força e mais lança raios lasers através do olhar .

Credo! Por sorte, eu já contava com essa recepção cheia de raiva e não me abalo nem por um instante, sorrindo como se estivesse no meio de uma apresentação de animação de torcida e segurando pompons.

– Que você me dê aulas de matemática — vou direto ao ponto, afinal, ele costuma ser bem discreto e acho que apreciará a falta de enrolação.

– Já disse que não vou estudar com você. — Ele revira os olhos castanhos e me dá as costas, pronto para ir para para a sala de química.

Observo a parte de trás da jaqueta verde — escura e pisco duas vezes. Anda, Maria, mexa — se! Dou uma risadinha enquanto o sigo, caminhando ao lado dele como se fôssemos bons amigos. Cirilo olha para mim.

– Inacreditável. -Ele bufa — Vai me seguir?

– Temos o mesmo período. — Encolho os ombros e enrolo uma mecha de cabelo, pendendo a cabeço para o mesmo lado. Carrego meu livro de química no braço e confesso que estou chateada por ele não ter reparado antes.

– Não tenho escolha — sentencia enquanto percorre meus braços e checa meu livro, analidando-me.

Tomo a frente por alguns instantes e paro na porta, com um dos braços esticado, impedindo — o de entrar.

–Pedagio! — anúncio divertindo — me, meio rindo.

Cirilo para de andar segundos antes de se chocar contra mim, travando o maxilar. Vejo quando ele perde a paciência, estreitando os olhos e colocando a língua no canino. Acho que o tirei do sério, mas, em vez de ficar com medo, lanço um sorriso enorme para ele.

– Sai da frente, Maria Joaquina.

– Só depois de você me dizer que vai me dar aulas particulares.

– Garota, você não podia ser mais cara de pau. — Cirilo suspira, empurra meu braço para cima.

Torço a boca e dou um passo para trás, enquanto ele passa por mim. Um menino da turma de química dá uma risadinha, prestando atenção no fora que levei, mas não ligo. Mando um beijinho para ele no ar e é nitro na classe seguindo Cirilo. Ele já se sentou em uma das cadeiras no canto de uma bancada de laboratório onde Ko-kokimoto está. Eu caminho até eles e me sento bem ao lado de Cirilo.

– Olá, Ko-kokimoto — aceno para o japonês.

Noto que Ko-kokimoto crava os olhos amendoados no decote " V " da minha blusinha preta, fica vermelho e abaixa a cabeça para olhar o que eu acho que é um videogame portátil em suas mãos.

– Você tá de palhaçada? — Cirilo resmunga, olhando para mim com espanto.

– Não, Duuuuh! — respondo fazendo cara de besta e mantendo um sorrisinho. — Estou tentando persudi-lo a me ajudar.

– Que surpresa você conhecer um palavrão tão complexa! — Ele me alfineta, forçando um sorriso de deboche.

Que raiva! Que garoto irritante! Ele fica todo ofendido por eu chamá-lo de nerd, mas adora me chamar de burra o tempo todo! Eu não sou burra! Bom, pelo menos não assim tãaaaaaao burra como ele faz parecer.

– Minhas notas em linguagem e comunicação não são ruins. Só as notas exatas. Especificamente em matemática e tudo que envolva cálculos complexos. — Suspiro e solto os livros em cima da bancada, apoiando meus dois cotovelos por cima deles. Seguro meu rosto e viro para Cirilo, que está me observando — -Então? Vai me ajudar?

–Não! -Cirilo bufa, incoformado. Ko-kokimoto dá uma risadinha.

Aí, ele está se fazendo de difícil. Melhor eu começar a oferta irrecusável.

–Jaime Palilo vai dar uma festa na sexta; que tal se eu conseguisse um convite VIP para você e Ko-kokimoto?

–Kokimoto -Ele me corrige, repousando a mão em cima do Seja livro de química, abrindo a capa devagar. Enxergo de novo aquela pulseira:Faith. Sinto incômodo. Queria saber quem é Faith e se ela é mais bonita que eu. Deve ser, o que explica todo o azedume de Cirilo sobre mim.

–Sei que os garotos do time de futebol americano pegam no pé de Ko-kokimoto; posso pedir para não mexerem com ele.

–Kokimoto! O nome dele é Kokimoto! -Cirilo quase desmancha em incredulidade na minha frente, fechando o livro em um movimento brusco, dramático, e virando para mim com os olhos arregalados. Acho que ele está realmente abismado.

–Desculpe, eu achei qu...

–Este é o problema com garotas que nem você :acham que têm sempre razão.

–Não comece com ofensas pessoais! -Cruzo os braços -Estou tentando levantar a bandeira Branca entre nós, não começar uma guerra!

Cirilo separa os lábios, expulsando todo o ardo corpo. Ele tira os óculos de nariz, empurrando -os na direção da testa,e fica ereto na cadeira.

–Certo. Quer levantar a bandeira Branca? Comece acertando o nome do meu amigo e pedindo desculpas pela confusão que você foi armar no meu serviço -Cirilo propõe, enquanto uma sobrancelha se ergue.

Ufa, pelo menos uma brecha. Considerando que estávamos basicamente nos matando nós últimos encontros, acho que avancei um passo, e minha estratégia de insistir e implorar até ele ceder deu certo.

–Claro. Desculpe, Kokimotopor errar seu nome.

–Não tem problema. É um nome difícil. Pode me chamar de Koki. -Ao contrário de Cirilo, seu amigo é muito simpático comigo e me lança um sorriso, mesmo que seu nome não seja tão difícil assim.

–Pois bem, Koki -Lanço um sorriso em resposta para ele, que fica vermelho de novo e enterra a cabeça no videogame. Viro para Cirilo, que ainda me envia olhares fulminantes por detrás dos óculos de armação pesada, e respiro fundo, descruzando os braços -Desculpe pelo incidente no seu trabalho, eu não quis causar problemas, o esfregão escapuliu da minha mão.

–Tudo bem -Ele estica as duas sobrancelhas para cima e abre novamente o livro de química.

Tudo bem? É só isso que ele tem para me dizer depois de forçar tanto meu pedido de desculpas? Se eu imaginava que ele era temperamental, agora tenho certeza.

O professor entra na classe com os últimos alunos e uma grande comoção se forma, com vozes e arrastar de cadeiras preenchendo o silêncio da sala. Mordo a boca e abro meu livro. Estico os olhos para conferir a página que tenho que abrir (eu não presto muito atenção na aula ) e passo algumas folhas para chegar à lição correta. Koki guarda seu videogame no bolso da jaqueta colorida e quadriculada e puxa uma caneta preta.

O professor explica uma matéria enorme e chata sobre contagem de elétrons nos átomos, temos que fazer uns cálculos malucos e passa uma enorme lista de exercício. Eu não entendo por que preciso aprender coisas tão complicadas sobre átomo, mas tento fazer os cálculos. Espio os exercícios de Cirilo, não entendo nada, mas aposto com vocês que estão certinhos. Comparando os resultados, eu errei tudo!

Ele me percebe olhando e puxa o caderno mais para o lado, tirando — o do meu campo de visão. Eu disfarço tossindo e me concentro em fingir que sei o que estou fazendo. Apago tudo o que errei com uma borracha no formato de uma banda de melancia (fofa e cheirosa ) e começo a refazer os cálculos. Já me perdi. Olho para a lousa, tentando acompanhar o raciocínio do professor. Mordo a boca e tento novamente preencher meu exercício chato demais. No meio do cálculo, um lápis preto entra no meu campo de visão e paro de escrever.

Viro a cabeça para Cirilo, que se concentra em arrumar o meu cálculo e rabisca um "-7" Onde coloquei um "-9".

Humm, faz mais sentido agora. Lanço -lhe um sorriso.

–Legal! -Fico contente. -Você vai me ajudar a estudar agora?

–Não — Ele revira os olhos e vira a cara para o outro lado.

Mas Cirilo acabou de me ajudar! Ele nem ao menos percebe isso é tão injusto! Encho as bochechas de ar e Cruzo os braços. O que ele quer? Que eu implore mais? Lembro — me de Jorge dizendo — me que todo mundo tem seu preço; com certeza estou errando nesse cálculo também. Talvez minhas ofertas estejam sendo bem fracas, talvez Cirilo Rivera, o mestre Nerd, precise de um incentivo maior.

– O que preciso fazer para você topar me dar aulas?

– Você deve estar mesmo desesperada por notas — Ele comenta, inclinado — se um pouco na minha direção, rindo de canto. Debochado!

– Estou — admito, sacudindo os ombros. Mordo meu lápis cor-de-rosa enquanto penso em alguma coisa.- Diga — me seu preço.

– Que preço?

– O preço para me dar essas aulas!

– Porque não pede para outra pessoa?

– Eu tentei pedir para outras pessoas, mas um certo Cirilo Rivera me colocou na lista negra de todos os alunos inteligentes do colégio!

Ele ri, em deleite por me ver falar dele assim. É sério! Parece até que ele gosta de me ver sofrer. Ah, talvez seja isso!

– Você quer que eu me humilhe em troca das aulas?

– Quê? — Ele faz cara de bobo, e adora essa reação.

– Posso ficar carregando seus livros em todas as aulas, seu armário não é muito longe do meu — ofereço — Ou talvez, quando eu estiver torcendo para o time do colégio deva pregar um papel escrito " Cirilo " nas minhas costas?

– Tá louca?

– Não, apenas me ocorreu que você queira me ridicularizar na frente de todo mundo e encontrei maneiras de fazer isso.

– Ao contrário de você, eu não faria isso com uma pessoa — Ele diz convicto, esticando o canto direito da boca em sinal de desgosto.

– Então me diga seu preço! Com certeza existe algo de que você precisa...- Ei, peraí claro que tem! De repente eu me lembro das coisas que ele disse para a Srta. Johnson, como pude me esquecer delas? Se nenhuma outra proposta o apeteceu, com certeza está será certeira! — Dinheiro! Você quer dinheiro?

– Desista, Maria Joaquina. — Ele se ofende e vira o rosto na direção dos exercícios de química, todos já bem resolvidos e com respostas corretas no caderno.

– Ahhh, é dinheiro, não é? De quanto você precisa? Estou sem mesada, mas com certeza posso pagar as aulas particulares! Pense bem, você precisa de dinheiro com o lance da sua irmã e depois que perdeu o empreg...

– Quê? — Cirilo vira para mim, os olhos pegando fogo. As sobrancelhas grossas e escuras descem por sobre os olhos dele.- Como você sabe disso? Quem te contou isso?

Notas finais
Ihhh. A Maria Joaquina entrou numa enrascada só vai piorar a situação dela com o Cirilo. Será que ele irá lhe ajudar? No próximo capítulo veremos. Beijos e Tchau.