Aon
11 Terra Nova
O bater das ondas na proa do barco e o movimento contínuo e repetitivo do balanço já havia embrulhado estômago demais, já era o quarto mês em alto mar em busca das terras dos antigos Dragões do Mar. Todos haviam partido em direção a essa batalha, primeiro seria feito um reconhecimento nas terras e depois, à busca de possíveis ameaças ao povo de AON. Glauber encontrou-se em poucos momentos dentro do navio, havia jogos e bebidas, só lhe faltava mulheres o que havia se tornado uma provação nesses últimos meses, Sadi amaldiçoava sempre que possível ter seguido os amigos para essa nova terra, preferia mil vezes voar sobre as costas de um do seus Dragões do que ficar embalados pelas ondas no barco.
Paloma e Carol ficavam em uma cabine a popa do navio, a sala era espaçosa com uma grande janela ao fundo com enorme visão para o oceano, as peças que compunham o local eram ornamentadas em madeira rústica e de beleza única, Victor se mantinha sempre a porta mantendo guarda dia e noite. Guilherme se juntou aos marinheiros brutos e rudes no andar mais baixo da Fragata, lá havia apostas e torneios de força. No alto do mastro principal no “cesto da gávea”, estava Haourin recostado sobre a haste de madeira sentindo a brisa salgada, de onde estava conseguia acompanhar tudo o que acontecia no convés superior de onde podia observar todos os que se movimentavam, Sadi parecia impaciente como de costume andando de um lado para o outro checando as cordas e os parapeitos de madeira, Patrícia por incrível que pareça e de certa maneira estranho não estava agarrada a nenhum homem o que levou a Haourin pensar que realmente ela não se atracou a nenhum homem desde que iniciaram a viagem, talvez navegar a deixasse incomodada, ela estava à proa do navio debruçada sobre o parapeito com um olhar distante.
Karina estava acima da cabine da embarcação sentada sobre o parapeito para a parte do convés, ao lado do timoneiro, o homem a fitava inúmeras vezes, mas, a garota apenas o ignorava enquanto brincava com três esferas. Karina sabia que se Guilherme visse a cena aquilo se tornaria uma guerra, mas ele estava bem ocupado nos últimos andares da fragata. Uma águia voava ao longe e em alta velocidade o bater rápido das asas e o leve planar sobre o ar chamava a atenção para a bela águia, que em questão de segundos ela alcançou a embarcação e pousou sobre a beirada de onde Haourin estava e ficou o encarando, O elfo estava de olhos fechados recostado sobre o mastro de braços cruzados e perguntou a águia sem se movimentar.
- Achou terra? Ou algo interessante em sua viagem?
— Não, não achei terra ainda, talvez estejamos muito distantes de achar o outro continente. Respondeu a águia.
— Entendo, Duda pode voltar a sua forma normal e desça para comer algo, estas nesta forma por muito tempo.
— Pode deixar tio. Disse se desfazendo da forma de criatura e desceu a escadaria.
Aquele dia seguiu monótono como os outros, até a noite seguiu silenciosa somente com o barulho do bater das ondas no casco do navio e a festa que rolava nos andares mais baixos da embarcação. O dia havia se levantado a algumas horas e Sadi continuava deitado, ainda estava incomodado com o movimento do barco o que o deixava extremamente irritado e cansado, já estavam assim a meses e surpreendia não terem encontrado terra até aquele momento. A comida e água já estavam começando a ser racionalizados com medo de que se levasse mais tempo para chegar até terra firme, Sadi se levantou percorreu os corredores mal cheirosos do barco e subiu até o convés vazio e decidiu subir até o cesto da gávea onde Haourin passava a maior parte do tempo esperando por Eduarda voltar com noticias, levou no máximo dois minutos para subir os degraus de madeira até onde Haourin estava. Como de costume o elfo estava recostado sobre o mastaréu de gávea com os olhos fechados sentindo a brisa marítima sobre seu rosto.
— Haourin! Disse Sadi.
— Diga, Karnos! Disse Haourin sem se movimentar.
— Haourin, algo está estranho não acha? Estamos há muito tempo em alto mar e nada de terra ainda e venho tendo um pressentimento estranho. Disse o sulista enquanto debruçava sobre a amurada.
— Sim, também percebi que algo estava estranho por isso pedi para que Eduarda fizesse um voo diferente hoje.
— O que tem em mente? Perguntou Sadi virando-se para Haourin.
— Ainda não tenho certeza, mas, acho que fomos induzidos a algum tipo de miragem, talvez, já tenhamos aportado, ou estejamos parados em alto mar.
Os dois passaram algumas horas observando o horizonte até Eduarda retornar, a ave fez um contorno sobre eles posou sobre a amurada e tomou a forma élfica novamente sentando-se sobre a amurada.
— E então? Perguntou Haourin.
— Você estava certo tio, estamos presos em um espaço tempo diferente, não há mudanças no mar e por mais longe que eu vá eu sempre volto rapidamente até a embarcação.
— Sadi, se possível você consegue usar seu olhar dragônico? Perguntou Haourin.
— Claro, mas por que você quer que eu o use?
— Ande logo apenas use-o.
— O que eu deveria ver de especial? Perguntou Sadi olhando para todos os lados.
— Dentro da Ilusão nada, mas feche os olhos e imagine como se sua alma estivesse saindo do corpo, imagine-se quebrando uma barreira, assim que destruí-la diga-me o que vê!
Sadi fez como Haourin lhe dissera, fechou os olhos e se concentrou por um tempo, até que materializou-se uma parede em sua frente e começou a destruí-la assim que terminou de derruba-la um novo mundo apareceu em sua mente, estavam aportados e cercados por outros dois navios eram piratas com símbolo dos Dragões do mar. A ilha era pequena, mas com grandes construções e o movimento era continuo na embarcação todos estavam desmaiados no convés e vários homens descarregavam a embarcação.
— Se estamos tão a mercê deles, por que eles não nos matam e retiram nossos corpos do navio? Perguntou Sadi enquanto observava a movimentação no local.
— Por que se eles nos tocarem nós despertaremos e eles não gostam de matar, são uma pequena vila apenas assaltam navios depois os colocam novamente em seu caminho. Disse Patrícia surgindo do nada próximo aos dois.
— Era por isso que estava tão estranha ultimamente? Perguntou Haourin se virando para a garota.
— Ah... sim, estava vagando por ai investigando a cidade! Respondeu a Elfa Shaman.
— Alguma chance de conseguirmos escapar dessa ilusão? Perguntou Sadi.
— Sim, mas tenho uma ideia melhor! Que tal os fazermos experimentarem o gosto de caírem em uma ilusão?
— Ótima ideia, mas, acha que consegue atingir a ilha toda? Perguntou Haourin.
— Sim, mas não poderei despertar ninguém além de nós três tudo bem? Respondeu a Elfa enquanto fazia seu cajado surgir em suas mãos.
Sadi e Haourin responderam que sim com um movimento de cabeça, Patrícia fez um movimento de mão em frente ao rosto dos dois e eles despertaram, Haourin estava no cesto da gávea o ultimo lugar onde ele havia ficado antes de cair na ilusão feita pelos piratas. Sadi estava caído próximo a saída do convés onde os homens da ilha carregavam as provisões da embarcação e por fim patrícia estava sentada a popa da fragata como se estivesse dormindo ficou acompanhando a movimentação dentro do barco. Um assobio estridente se fez do alto da fragata e todos dentro do navio pararam para investigar o que era e muitos homens se reunirão ao pé do mastro principal, quando um dos homens começou a subir algo se jogou lá do alto e caiu no meio dos homens, sete no total. Haourin derrubou todos com grande facilidade, uma grande demonstração de habilidade e leveza nos movimentos o elfo fazia que os homens acertassem uns aos outros com golpes apenas se esquivando de cada ataque e derrubou apenas dois inimigos no máximo com as próprias mãos.
Muitos homens começaram a subir pelas madeiras ligada a embarcação e Sadi fez com que todas caíssem derrubando todos os inimigos no mar, quando uma grande quantidade de inimigos começou a se direcionar a fragata uma forte névoa tomou conta do local, era Patrícia de pé sobre a cabeça da estátua a popa da embarcação liberando magia de manipulação mental de seu cajado. Os homens que corriam em direção ao barco pararam no mesmo instante e caíram em terra, Haourin e Sadi aproveitaram a oportunidade para acorda toda a tripulação e muitos queriam saber o que estava acontecendo, os elfos disseram que explicariam mais tarde e começaram a correr para recuperar os mantimentos roubados também aproveitaram para recolher mais provisões para enfrentarem o mar. Enquanto os marinheiros roubavam a ilha os moradores locais estavam presos na ilusão de Patrícia à garota espalhou varias versões dela mesmo por toda a ilha imaginaria que ela criou, onde os homens eram atacados e derrotados e sofriam jogos psicológicos. Levou no máximo meia hora para conseguir pegar tudo o que precisavam e partiram, Patrícia liberou a magia somente após entrarem em alto mar, tudo parecia ter voltado ao normal e a viagem seguiu segura por aquele dia.
Algumas semanas à frente e tudo ainda se mantinha tranquilo até aquela madrugada, grande parte dos marinheiros estavam descansado e não esperavam pelo ataque Sadi acordou desesperado com uma bola de canhão atravessando as paredes do seu quarto e mal se arrumou para subir ao convés superior, os homens estavam perdidos sobre o que acontecia o capitão da embarcação gritava ordens a seus marinheiros para prepararem os canhões para o ataque. Karina estava no alto do cesto da Gávea usando sua magia de transição temporal e evitava que os ataques atingisse a embarcação, mas estavam cercados por muitos outros navios de guerra, o tempo no mar estava mudando uma tempestade havia começado junto com a batalha e a navegação havia ficado mais difícil, porém isso ajudava a fragata dos seres de AON, Sadi aproveitou do momento correu para a lateral estibordo do navio e criou uma bola de fogo e a cuspiu em um dos navios atingindo área de reserva de pólvora explodindo grande parte do casco da embarcação inimiga e fazendo o entrar em chamas, Guilherme de forma impressionante segurava algumas bolas de canhão que passavam pela barreira protetora de Karina, o jovem Yankee concentrava sua força e as lançava de volta destruindo mastros e outras partes do navio inimigo a bombordo. Uma das embarcações conseguiu se aproximar da fragata e os homens começaram a aportar dentro do navio e uma batalha no convés superior se iniciou, Guilherme estava feliz havia arranjado uma ótima briga com vários guerreiros. Haourin havia se esgueirado pela popa do navio e se jogou até o outro, escalou a lateral das janelas e matou o timoneiro foi atrás do capitão que lutava dentro do próprio convés, havia vários materiais caídos e as ondas haviam dobrado de tamanho fazendo com que tudo rolasse para os lados dificultando a movimentação sobre o convés. Haourin observou procurando como se aproximar do capitão inimigo e um raio acertou um dos mastros o ligando até o timão na parte mais alta do convés, Haourin correu por ele se jogou em uma das cordas que prendia as velas balançou até a base alta do outro mastro e de lá se jogou encima do capitão o matando, vários homens o cercaram e mais uma batalha se desenrolou.
Eduarda voava sobre o convés fazendo rasantes capturando inimigos com suas garras afiadas e os lançava ao mar, Sadi estava impaciente e usava muita magia dragônica para acabar com seus inimigos. Patrícia caminhava tranquilamente em meio à batalha e quando vários inimigos se aproximavam para ataca-la caiam a poucos metros antes de toca-la, quando chegou à proa da Fragata ergueu o cajado e a tempestade piorou os raios começaram a cair sobre os navios inimigos e os homens que estavam mortos começaram a se levantar e lutar contra seus próprios amigos os raios pareciam ter vida própria e corriam por cima das ondas de um navio a outro as ondas aumentaram novamente fazendo com que a embarcação se desprendesse da outra e empurrando as pessoas para as bordas do navio, Guilherme que estava mais preocupado em continuar socando alguns inimigos fora lançado para fora da embarcação, Karina ao ver o gigante se afundar rapidamente nas águas turvas se jogou atrás do companheiro, conseguiu alcança-lo rapidamente e liberou uma magia de barreira retirando toda a água e os elevando quando estavam quase alcançando o navio um disparo de canhão os atingiu em cheio, veio de um navio mais distante a batalha já a havia terminado somente este faltava, Dante havia conseguido segurar a bola de fogo que passou pela barreira e proteger Karina, que havia ficado possessa de ódio, mas sem mudar a expressão, Patrícia havia criado uma ponte de água evitando que os dois caísse no mar novamente. Karina afastou Guilherme de seu caminho e abriu os braços, fazendo isso quatro esferas surgiram em sua frente e seu corpo ficou envolto por uma energia branca, a esferas se dissiparam e surgiram envolta do navio que disparava contra eles.
— Rekin’li. Pronunciou Karina.
Tudo que estava dentro da área criada pelas esferas que se interligaram por linhas de magia, até mesmo a água do mar desapareceu fora consumida por aquela magia e a garota desmaiou, mas antes que caísse Guilherme a pegou nos braços e a levou novamente para o navio. O lugar estava um caos de aparente destruição, homens de ambos os lados estavam mortos foram varias perdas naquela batalha, mas ainda conseguiriam seguir em frente, atravessaram os escombros de outros navios enquanto patrícia acalmava a tempestade.
Os dias foram passando e uma semana depois já cansados daquela longa viagem, com fome, sede e precisando de um bom banho, ouviram o primeiro anuncio de terra, as gaivotas já começavam a cercar o navio por todos os lados, Eduarda aproveitou para se transformar em águia e voar junto delas, todos subiram ao convés para ver o surgimento da terra por entre o fraco nevoeiro da manhã.
— Graça aos Deuses não aguentava mais navegar. Disse Sadi.
— É pensei que não passaríamos daquela batalha. Disse Carolina surgindo por de trás do elfo.
— Pelo que eu me lembro senhorita Carolina, vocês, Paloma e Victor estavam dormindo enquanto a batalha acontecia no grande convés. Resmungou entre dentes Sadi.
— Que culpa eu tenho nenhum de vocês me avisaram que haveria uma batalha.
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