Aon
12 A Bruxa
“Diário Sadi”
Primeira semana em terras desconhecidas onde mal entendemos a língua do povo desse lugar e por sorte trouxemos um tradutor das vias mercante marítima que sempre vem por aqui e também passa por AON, os costumes são bem diferentes roupas diferentes e pelos Deuses como essas terras são quentes tivemos que trocar nossas roupas de imediato quando aportamos. Ainda não sei como Haourin e Eduarda conseguem ficar com aquela cabeça de animal, deve dar mais calor ainda, mas acho que vai ser melhor eles retirarem para que possam manter os disfarces. Conseguimos nos instalar em um tipo de pensão, bem suja e mal cuidada por sinal, mas fazer o que? Foi o melhor que nós achamos no limite da pequena cidade. Hoje decidimos que vamos viajar adentro das terras a procura de sinais dos antigos Dragões do Mar, em uma decisão meio infantil com os palitinhos eu acabei tendo que ir com a Paloma a Carol vai com a Karina e o Glauber vai com Patrícia. Haourin, Eduarda e Guilherme ficarão na pensão e vão procurar informações dentro da cidade, será nossa base nesse país diferente. Tivemos que deixar Eduardo guardando o castelo dos Oito Reinos, apesar de que ele deve ter ficado muito irritado com isso.
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O sol começava a trazer a manhã e os guerreiros de AON já se levantavam, os elfos do grupo faziam o que costumavam fazer pela manhã, Carol estava no restaurante da pequena estalagem experimentando algo chamado de café com um forte gosto amargo, mas a dona da estalagem colocou açúcar em seu copo e o café ficou mais fácil de tomar, a jovem gostou tanto que levou para todos experimentarem. Haourin foi o que mais se apaixonou pela bebida e tomava sempre que possível. Eduarda conseguira um mapa da cidade e um geral das terras. Estavam em Portshield nas terras de K’naan. Haourin aproveitou do mapa para criar pontos de busca dentro da cidade e o grupo de exploração marcou quais cidades nós iríamos investigar. A luz do sol fazia uma faixo de luz na janela iluminando uma mesa com quatro cadeiras onde Haourin estava sentado tomando seu café com o mapa em mãos, Sadi e Eduarda se juntaram a ele a espera de informações sobre as cidades as quais deveriam se dirigir o grupo. O garoto usava pena e nanquim para fazer as marcações. Ele já não usava mais as roupas pesadas de AON, Eduarda havia lhe comprado roupas de acordo com o povo daquelas terras.
— E então? — Perguntou Sadi.
Haourin apenas levantou os olhos para o elfo e lhe virou o mapa, mostrando três cidades marcadas com “x” ao redor de Portshield, a mais distante ficava ao norte atravessando uma parede de montanhas dentro de um vale chamada de “Háchura”, ao sul a poucos dias de distância da cidade portuária ficava “Néblin” e a leste a ultima cidade marcada por Haourin estava “Tehamera” o caminho até lá ainda tinha três pequenas vilas que também deveriam ser investigadas. Sadi e Paloma deveriam se dirigir até Tehamera, Karina e Carol até Néblin e Glauber e Patrícia até Háchura a fim de procurar informações sobre os antigos dragões do mar. Uma semana se passou e o grupo estava pronto para partir, como de costume Victor decidiu acompanhar Paloma onde quer que ela fosse, mas Haourin o advertiu que seria melhor ele não fazer isso desta vez pois iria suportar um inferno em conviver no mesmo local que Sadi e Paloma, mas o garoto não deu ouvidos e foi assim mesmo. Karina e Carol haviam partido pelo amanhecer e Glauber e Patrícia partiriam um pouco mais tarde, pois estavam atrás de cavalos e suprimentos para seguirem até Háchura.
Subindo os grandes montes por uma velha estrada lamacenta, sombria e solitária, que exalava um fedor tão desagradável que era capaz de fazer as pessoas desistirem de seguir viagem por aquele caminho, encontrava-se Háchura, a vila ao norte de Portshield, encrostada a trezentos metros adentro de uma montanha, com um povo de poucas roupas e desconhecidos até mesmo para o reino de K’naan. O caminho até a vila estava abandonado e a mata começava a se apossar da estrada que ali existia. Glauber e Patrícia se perderam em uma escuridão fedorenta, uma névoa pairava até a altura de seus joelhos e chapinhavam na lama, com algumas horas de caminhada adentro daquele local não era mais possível dizer se era dia ou noite, pois a luz do Sol não era capaz de atravessar as grandiosas arvores. Os cavalos se assustaram já na entrada da floresta e fugiram, deixando os dois sem locomoção e alimentos. Glauber conseguiu manter para si uma bolsa com dois cantis de água e alguns pães.
- O lugar meio que ficou sombrio não acha Patty? — Perguntou Glauber.
- Está com Medo Glauber? — Perguntou Patrícia em meio a um sorriso!
- Claro que não idiota, só estou dizendo que o lugar é sombrio e parece abandonado. Será que essa cidade ainda existe? — Disse o garoto enquanto caminhava.
- É o que eu venho me perguntando desde que a estrada sumiu, estamos caminhando a algumas horas e nada de civilização ou pessoas em direção a essa cidade. Olhe ali tem uma área de terra firme vamos acampar ali, a noite já deve ter caído e precisamos descansar. — Disse a garota acelerando a caminhada para chegar à terra firme e sair da lama.
- Não creio que seja uma boa ideia Patty, melhor continuarmos a caminhada até sairmos desse pântano.
Enquanto isso o grupo de Karina e Carol seguiam tranquilas até Néblin, a temperatura havia ficado mais amena, sem aquele calor escaldante. A estrada era movimentada, de tempos e tempos encontravam com fazendeiros e até carruagens de pessoas ricas, mercantes eram o que mais cruzavam seu caminho e até ofereciam algumas de suas mercadorias. Karina tinha quase que surrar Carol para evitar que ela gastasse seu dinheiro de forma compulsiva. Algumas horas de cavalgada e um grupo de guerreiros jovens as cercaram, as cortejaram, mas elas não deram atenção a isso e continuaram cavalgando, mas os guerreiros foram insistentes e Carol perdeu a paciência. Sua fúria derrubou doze homens em poucos minutos, parecia uma raio baixinho cortando entre os mesmos.
O Grupo ao leste era cômico, a estrada era perigosa cheia de ladrões, mas nenhum bandido tentava se aproximar do trio de estranhos que passavam por ela. Um Elfo de pele queimada com algumas escamas sobre o corpo e alguns traços de uma tatuagem branca que percorria algumas partes dos braços, um guerreiro de armadura completa que andava um pouco atrás do elfo e da bela garota que caminhava ao seu lado, os dois discutiam a viagem inteira por qualquer coisa e Victor se perguntava por que não dera ouvido a Haourin e deixado os dois virem sozinhos, Sadi e Paloma pareciam crianças de oito anos brigando por um brinquedo ou comida.
Dois dias haviam se passado e os jovens ainda estavam na estrada. Patrícia e Glauber conseguiram sair do Pântano e começavam a subida das montanhas rochosas ao norte, um lugar extremamente perigoso. As pedras rolavam constantemente, fazendo com que fosse necessário que eles se desviassem e exigia ainda mais cautela para subir. O frio chegava aos ossos mais intenso que o frio de AON, o ar rarefeito piorava a situação. O cantil de água havia acabado a subida estava cansativa e os dois ofegantes, o peso sobres os joelhos havia amortecido as pernas, os passos se arrastavam sobre o chão áspero e quando parecia que já não mais suportariam subir encontraram um pequeno córrego de água cristalina, Patrícia usou sua magia para identificar a pureza da água para que eles bebessem. A água quase congelava sua boca, mas a sede era tanta que a dor causada sobre seus dentes não importava e eles encheram seus cantis, Glauber se recostou sobre uma pedra e tentou se abraçar pra manter o calor do corpo e quase adormeceu, porém despertou com um barulho de algo caindo na água e correu para socorrer Patrícia, mas ao chegar ao local do barulho Patrícia estava se banhando em um fonte termal que havia encontrado.
- Quando me avisaria que achou uma fonte termal? — Perguntou o garoto irritado.
- Eu chamei, você não ouviu. Agora pare de reclamar e entre logo para aquecer seu corpo — Disse Patrícia antes de afundar.
Glauber ficou somente com as partes de baixo da roupa e pulou na fonte, a água era quente e acolhedora a ponto de dar vontade de permanecerem ali e isso se fixou em seus pensamentos ambos não queriam sair dali para nada, nem mesmo para cumprir a missão que lhes foram passados. A sensação de aconchego estava iludindo Glauber e Patrícia quase caiu na tentação de se manter presa aquela fonte termal, mas ao sentir uma presença maligna liberou uma magia que agitou as águas e invocou um totem. Este lhe permitia detectar magias de invisibilidade e uma criatura se revelou parada a beira da fonte. Tinha a forma humana, mas a língua era de um lagarto e também possuía escamas pela face, as mãos pareciam garras, a criatura era magricela e parecia estar pronta para o ataque. Glauber ainda não havia a percebido, ainda estava saindo da ilusão e achou estranho ver Patrícia conversando com alguém a beira da fonte.
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Sadi, Paloma e Victor ainda estavam nas discussões diárias como sempre. Já haviam passado pela primeira vila e nada encontraram, nem em tavernas ou em guildas. Um pouco mais distante haviam varias carroças paradas com um grande numero de guerreiros. Estes estavam rodeando alguém, não era possível ver quem, mas Sadi decidiu se aproximar e ver o que estava acontecendo. Os homens esbravejavam algumas coisas sobre as leis do Reino quanto ao uso de magias e a violação das mesmas e por isso a mulher deveria ser queimada. O jovem elfo aproximou-se e passou por entre alguns guardas e pode ver uma bela jovem com um corselete negro, uma saia de mesma cor, que ia até os joelhos e uma bota de couro ¾. A voz da garota soou como melodia aos ouvidos do elfo e ele se encantou por ela, iria tomar alguma atitude sobre os soldados, mas não fora preciso a garota liberou um encantamento que causou certa explosão no local. Sadi e Victor foram protegidos por Paloma que pela primeira vez usou alguma magia para ajudar o grupo. Sadi ficou impressionado com o poder da misteriosa garota e foi em direção a ela, mas outro grupo de soldados se aproximou. Sadi parou à frente dela e sacou sua lamina e encarou os soldados.
O que esta fazendo? — Perguntou a garota misteriosa.
Te protegendo! Não é o óbvio? – Dissera Sadi, ele havia se adaptado bem a língua daquele povo.
Não preciso de sua ajuda, você só irá me atrapalhar – A garota respondeu rispidamente, passando à frente do garoto e indo em direção aos soldados.
Os homens dispararam suas flechas e jogaram tochas em direção a jovem, mas ela fez com que tudo se tornasse pó. Sua sombra tomara forma e atacou o grupo de soldados. Ela derrubava um grupo atrás do outro sem nem mesmo suar. Sadi havia desistido de lhe ajudar e apenas observava, ela parecia dançar enquanto se movimentava para usar a sombra, os movimentos eram delicados e concentrados pareciam ter uma regra de perfeição e a sombra a obedecia por aquilo, quando o grupo de guerreiros aumentou ela os congelou, os queimou. Havia muita magia de natureza envolvida em seu poder, mas também havia uma certa magia sombria que rodeava seu corpo e parecia tornar-se uma casca ressecada junto a sua pele. Quanto mais ela usava magia mais seus olhos, antes cor de mel se tornavam brancos e sem vida. Um grupo de quatro homens usando túnicas brancas e algemados apareceu fazendo com que ela cessasse o ataque.
- Han’ahary[1] entregue-se e teremos piedade.
Não dava pra definir de quem era a voz, parecia que ela estava em todo o lugar.
- Piedade? O que vocês sabem sobre isso? — Disse a garota com certo ódio no olhar.
- Bruxa! Entregue-se logo! Tanto faz a piedade, você só merece a morte! — Disse um soldado caído no chão.
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Enquanto isso, ao sul, Karina e Carol pareciam não se preocupar com o tempo para realizar as missões, estavam bem tranquilas em uma estalagem tomando um belo de um banho. Em Portshield as coisas estavam bem tranquilas Eduarda ajudava Haourin em suas pesquisas, os dois já haviam estudado certa parte da história do reino de K’naan. O quarto onde estavam mantinha certa pilha de livros, mapas, pergaminhos e a bebida negra que Haourin havia se apaixonado. A pequena Valkariam estava sentada a beira da janela observando o céu estrelado de Portshield, podia ver todas as galáxias dali parecia que o céu naquela noite havia aberto uma janela para o universo, mas seu olhar foi desviado para um pequeno dragão que pousou com certo estrondo em seu colo a derrubando para dentro do quarto.
- Valkariam se está cansada vá dormir, eu posso continuar lendo os livros sem você. Disse Haourin sem tirar os olhos da leitura.
- Ai... – disse enquanto coçava a cabeça — não tio... algo me acertou! – Levantou-se e bateu a poeira do corpo.
- O que te acertou? Acho que está sonhando pequena! O elfo se aproximou dela e achou o dragão caído embaixo da mesa.
- O que é? O que é?!? — Perguntou a menina eufórica ao ver o tio puxar algo debaixo da mesa.
- Um dragão de interação.
Haourin o aproximou do rosto e seus olhos ficaram vermelhos. O Elfo pode ver toda a cena que acontecera com Sadi, Paloma, Victor e uma garota estranha um grupo de quatro homens de túnicas e algemados usavam magias desconhecidas para atacar os guerreiros de AON. Sadi não conseguia se aproximar e Victor defendia a maioria dos ataques que vinham em sua direção sem conseguir direcionar nenhum aos inimigos. Paloma havia perdido a paciência e liberou seus poderes até então escondidos, seu corpo fora rodeado por uma luz dourada e ela sacou uma espada de luz que surgiu a sua frente, uma armadura de metal formou-se em seu corpo e ela ganhou grande velocidade e força. Seus golpes continham grande efeito contra os seres de túnicas e eles recuaram dando a oportunidade de fuga para o grupo, mas um ultimo golpe de Paloma quebrou as correntes da algema que prendia um dos seres fazendo-o entrar em colapso e tudo ao redor deste explodiu. Haourin perdeu o contato do dragão de interação e voltou à realidade.
- Tio o que aconteceu? — Perguntou a elfa.
- Sadi e os outros estão com problemas, precisamos partir. Envie um pássaro mensageiro aos outros, peça que Karina e Carol retornem a Portshield e mande Glauber e Patrícia seguirem para leste.
[1] Han’ahary – Florescer das trevas.
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