Anything But Ordinary
1 Eu lhes apresento minha prisão Pessoal
Notas iniciais
Ok, talvez eu mude esse titulo depois.
Capítulo ficou meio vago, acho, mas foi só pra dar introdução na história mesmo, nha~♥
QUEM AÍ JÁ LEU SANGUE DO OLIMPO? QUERO FALAR SOBRE, QUERO FALAR, QUERO FALAR! /tiro
Tudo bem, esqueçam essa merda que eu falei e leiam logo a história -qq
Às vezes as pessoas tem a ideia errada sobre a Nobreza. Quer dizer, não sei como as coisas são exatamente com os outros Nobres, mas no meu caso é uma chatice. As pessoas imaginam Nobres muito bonitos cercados de pessoas também muito bonitas e que sempre estão com roupas bonitas e em frente a uma mesa muito bonita (E deliciosa), mas a minha realidade nobre é totalmente diferente. A entrada no castelo é proibida para qualquer tipo de visitante que não seja convidado de meu Pai, os jantares são na maioria das vezes servidos no quarto para evitar contato social, e é claro, eu sou proibida de sair do castelo e sou obrigada a ter aulas particulares com um professor ridículo que usa uma camiseta também ridícula que deve de ter sido feita no século passado. Acho que outra coisa importante para se dizer é que meu professor com certeza sabe dar gritos muito irritantes, daqueles que dão para se ouvir do outro lado do mundo, ou então, do castelo.
_ ONDE AQUELA MENINHA INSOLENTE SE METEU? – Soltou meu prefessor, a voz falha e rouca, não combinando nada com a voz fina dele. Soltei um rizinho enquanto observava a cena a minha frente se desenrolar por entre os arbustos: Um professor se descabelando — e revelando ainda mais a sua grande falha capilar que tanto tentava esconder — e a dupla Mary Ann, duas criadas gemêas, tentando acalmá-lo inutilmente com chá. Chá, Eca. Odeio Chá. Ok, agora você deve de estar se perguntando: não gostar de Chá na terra do Chá? Na Inglaterra? Epa Neném, como você sobrevive sem ser excomungada? Bom, agora eu simplesmente digo a você: Pessoas podem sobreviver muito bem só de batatas. Quer dizer, ou não.
Acho que acabei saindo de meu esconderijo por causa de Ann. Tudo bem, eu gostava de Mary também, mas ela era muito mandona e bem, Ann não. Ela era o mais próximo de uma Amiga que eu tinha nesse castelo (Que mais me parece uma prisão), e com certeza não merecia ter que aguentar o Sr. Nervosinho ali. Então eu pulei do meio dos arbustos com pressa, tapando os ouvidos para evitar que a voz de Mittford me deixasse surda.
_ Olá – Cumprimentei-os alegremente, com uma pequena reverencia e um sorriso de canto. Era estranho fazer aquilo de vestido, com os pés e as pernas se enroscando deliberadamente no forro exagerado da roupa, mas acho que consegui fazer algo no mínimo apresentável. – Ora Sr. Mittford, isso lá são modos para se portar diante de damas como Ann e Mary? – Perguntei, mantendo uma falsa surpresa na voz.
Se ele parecia espantado por me ver sair do meio dos Arbustos, a vergonha e a raiva logo suprimiram esses outros sentimentos. Ele avançou até a mim e por um instante eu me encolhi pensando que ele iria me bater, mas ele apenas parou com a mão no ar, como um aviso dado pela silenciosa cara vermelha.
_ Você! Como você se atreve a faltar mais uma aula? Suas aulas de etiqueta estão super atrasadas! Mocinha, eu juro que se você me fazer de bobo assim outra vez... – Ele foi interrompido por Ann, que soltou uma risadinha por eu ter feitos caretas do tipo “Blá blá blá, aham, aham, não me importo não garotinho”. Ele e Mary a encararam, então ela rapidamente retomou a compostura, e eu também. Acho que fui longe demais. Assim, só acho.
Eu gostaria de falar que ele não poderia me dar aula de etiqueta, por que ele havia acabado de perder sua própria etiqueta! Mas acho que ele iria ficar muito bravo mesmo com isso, e com certeza não queria apanhar – e muito menos vê-lo descontar isso em Ann depois. Eu sabia que ele descontava nela e em Mary. Sabia que ele às vezes lhe dava tapas e até mesmo Chicotadas por eu não respeitá-lo, mas isso só me fazia querer mais ainda cuspir na cara dele. Você deve de estar pensando que eu sou burra por provocar ele desse jeito, se eu sei que ele pune Ann e Mary pela minha má educação depois, mas será que eu sou a única que faz coisas erradas sem pensar direito nelas antes de fazer? Veja bem, eu passei todos os meus doze anos de vida praticamente sozinha. É um hábito tentar ser grossa para conseguir um pouco da atenção dos outros; Um hábito que às vezes eu nem quero praticar, mas que antes que eu perceba já escapou tudo pela minha boca.
_ Kells. – Mary me chamou, sua voz quebrando o vazio do silêncio. – Você não pode dar continuidade as aulas do Sr. Mittford desse jeito, quer dizer, olhe só pra você! Está toda suja! Vamos subir imediatamente, você precisa tomar um banho! – E ela falou isso com tanta intensidade que eu sequer hesitei para começar a acompanhar ela e Ann castelo adentro até o meu quarto. Mittford não nos seguiu, mas eu senti seu olhar em nossa cola até não estarmos mais visíveis para ele.
Grande Mary, sempre nos salvando de encrenca... Definitivamente amava essa garota.
Assim que saímos da vista de Mittford, Ann me olhou com espectativa.
_ Hey Kells! – Soltou Ann, sorrindo para mim. – Hoje você durou mais tempo do que o normal, onde estava?
_ Ora, no meio do jardim como sempre. Vocês sabem que eu sempre me escondo por lá. – Sorri de volta, andando um pouco mais a frente a eles em um ritmo saltitante. — Inclusive, ultimamente tem sido mais difícil se movimentar por que ele agora fica me procurando sem descanso com aqueles gritos agudos. – Fiz bico, ignorando Mary que olhava de cara feia para nós. Eu realmente tinha orgulho da minha habilidade de se esconder, e quase me senti culpada quando um outro sorriso preencheu meu rosto de orelha a orelha, mas eu já tinha me esquecido completamente da expressão de Mittford, e esperava que ele também.
_ Cara, realmente, aquele Senhorzinho é um saco. – Ela bufou, rodando os olhos. – Na boa? Eu realmente compreendo o porquê de você ignorar as aulas dele todos os dias.
“Cara”, “Na boa”... Eu realmente amava o jeito que Ann falava. Era tão simples, tão... Casual. Me parecia muito mais bonito que o jeito que eu tinha que falar perto dos outros, quando eu era obrigada a fingir que era bem educada. Soltei um risinho, mas antes que pudesse responder chegamos ao quarto.
Mary me olhou com expectativa, e Ann também. Eu conhecia esse olhar e sabia que elas estavam pedindo permissão para me ajudar. Eu não sou nenhum tipo de pessoa intocável – ao contrário até, me acho uma pessoa muito sociável – mas não gosto que elas me ajudem muito com meu dia a dia, sinceramente? Tenho medo de que se eu me entregar inteiramente à elas eu iria desaprender até mesmo de andar. Mas eu estava me sentindo muito bem hoje, então eu simplesmente resolvi acatar o mimo e ergui os braços, para que Mary me ajudasse a tirar o vestido. Ann bateu palminhas e correu para o banheiro da suíte, para arrumar a banheira.
Por um instante, enquanto elas cuidavam de mim, senti como se realmente tivesse uma mãe. Senti como se tivesse um pai que ligasse para mim. Eu sabia que lá no fundo isso era uma esperança idiota e falsa. Eu sabia que minha mãe estava morta e eu sabia que meu Pai me ignorava ainda mais que eu ignorava o Sr. Mittford, mas é claro, eu sou humana. E como uma boa humana que eu sou, eu me agarrei desesperadamente nessa minha falsa esperança de que eu tinha uma família e deixei a dupla Mary Ann me arrumar inteiramente para o jantar.
*****
O fato de hoje ser domingo significa que vamos jantar com convidados, o que também significa que eu não posso jantar em meu quarto, o que também significa que eu tenho de por um desses vestidos cheios de enfeites e forros que eu definitivamente odeio. Qual o problema que essas pessoas têm com damas usarem calças? São muito mais confortáveis, dão muito mais liberdade e certamente são muito mais seguras que vestidos, por que com certeza aqueles pedaços de panos compridos e infláveis me fazem tropeçar toda hora.
_ Ei, Ann... Você não pode mesmo me ajudar a descer a escadaria? – Choraminguei, antes de entrar no campo de vista das pessoas da sala de jantar. O corredor a minha frente parecia infinito, e eu sabia que os convidados iriam observar todo meu caminho até a mesa. Seria falta de educação se eles não olhassem.
_ Oh, Kells querida, você sabe que hoje eu não posso – Ela falou, com um tanto de preocupação na voz. – Seu pai irá tratar de negócios, e não quer ninguém além dos patrões na sala... Além disso – Ela me dirigiu um sorriso confiante – Tenho certeza que dessa vez você não vai tropeçar nenhuma vez no seu forro, encurtei ele só para isso!
Eu sabia que ela estava mentindo, sabia que eu sempre tropeçava no maldito forro, mas eu apenas fiz um bico e dei-me para andar lentamente para frente, tomando o cuidado de olhar somente para os meus pés — Se eu olhasse para todos lá embaixo antes de chegar à escada, ah, aí sim eu tinha certeza de que iria cair um tombo em tanto.
Acho que vocês devem de estarem curiosos quanto ao meu vestido, mas eu não posso descrevê-lo, até por que eu não conseguiria fazer tal coisa. Sério, essas coisas de modas e roupas realmente não são comigo. Tudo que posso informar a vocês é que ele é de um tom azul vivo e também muito, muito quente.
Enquanto descia as escadas soltei o meu melhor sorriso, só que agora encarando os convidados. Mittford estava ali, com a sua camiseta bufante e brilhante acompanhada de uma grande quantidade de gel no tufo de cabelos castanhos e sebosos. Um outro homen que eu não conhecia também estava à mesa, exibindo o que provavelmente era seu melhor smoking. Também havia uma mulher. Ela tinha a face alongada e uma pele bronzeada com algumas poucas rugas, emoldurada perfeitamente em uma cascata de cabelos castanhos presos por um chapéu do mesmo vermelho que o vestido cheio de brilhantes. Ela não era nova, muito menos perfeita, mas ela simplesmente exalava uma aura... Nobre? Não sei exatamente a palavra a qual a descreveria melhor.
Ao lado da mulher havia um menino e uma menina, e quando os vi, meu sorriso se alargou para algo realmente verdadeiro. Era quase impossível pessoas da minha idade aparecerem aqui, e tudo bem, eles deviam de ter uns quatorze anos – o que faria deles dois anos mais velhos que eu – mas mesmo assim, a aparição deles era quase que perfeita. O garoto tinha um cabelo loiro e bagunçado, olhos grandes e azuis e um rosto delicado com as feições curvas e pequeninas. A garota tinha a mesma face delicada e os mesmos olhos azuis também, mas o cabelo era comprido e mais arrumadinho, de um tom perfeito de rosa. Rosa! Meu Deus, nunca havia visto um cabelo rosa antes, e confesso que por um segundo senti inveja da garota por ter um cabelo tão chamativo e bonito assim.
Sem desgrudar os olhos dos dois, andei até ao meu pai e lhe dei um beijinho na bochecha. Aquilo era tão falso que chegava a me dar nojo, mas eu precisava fazer aquilo, a não ser que eu quisesse sofrer as consequências depois.
_ Boa noite – Cumprimentei com um sorriso, fazendo uma pequena reverencia para todos. O rosto de meu Pai estava impassível como sempre.
_ Já que estamos todos aqui... Vamos começar as apresentações. – Ele falou, assim que eu me sentei em meu devido lugar. – Essa jovem que acabou de chegar é a minha filha: Kelsey Hayes, como vocês já devem de saber. Professor Mittford, Kelsey, essa semana nós teremos o imenso prazer de receber a família Taker. Eles vieram para Cambridge para tratar de negócios, então irão ficar aqui por um tempo. – Ele explicou. A voz exalava algo como um tom orgulhoso, mas ele me olhava com um tom de aviso, como se dissesse: Comporte-se. – Esses são Rebecca e Joseph Taker, e seus filhos: Will e Alyss Taker. Espero que se deem bem. – Ele sorriu, falsamente.
Todos à mesa fizeram uma mesura, então rapidamente as criadas entraram com os pratos de aperitivos.
Eu olhei para Will, então para Alyss. Eles me olhavam com os seus olhos grandes e curiosos, e todo o meu ser gritava para eu puxar um assunto, mas eu sabia que não podia. Era falta de respeito crianças falarem a mesa.
Foi o jantar mais longo de minha vida.
Notas finais
Comentem pfvr~♥
~Kah Rainha Das Potatos Sai da Sala~
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