Anything But Ordinary

2 Eu conheço a pior Mãe do Mundo


Notas iniciais
*Kah Rainha das Potato entra na Sala* Hellou Pipou o/ Eu demorei muito com esse segundo capítulo? Demorei né? Eu sei, não me matem -qqq/tiro Vou tentar postar com mais frequência, tipo com um intervalo de três dias mais ou menos, mas não prometo nada >.< Enfim, espero que gostem do capítulo e... QUE COMECE A AÇÃO O/

_ Seus avós têm cabelo rosa ou coisa assim? – Perguntei a Alyss, assim saímos da sala de jantar.

Todos já haviam terminado de comer, e como meu pai também já devia de ter falado tudo que gostaria de falar acabamos sendo dispensados. Eu fiquei com a tarefa de mostrar a área do castelo para os filhos do Sr. Taker, e não é como se eu tivesse odiado a ideia.

Alyss faz uma cara intrigada, como se não tivesse entendido direito a pergunta, mas depois de um pouco de hesitação ela abre um risinho.

_ Não que eu saiba... Quer dizer, como assim?

Dessa vez é Will quem solta uma pequena risada. Sem entender o motivo dos dois estarem rindo, os encaro por um segundo, a cabeça inclinada levemente para o lado. Eu não sabia exatamente para onde estávamos indo porque eu não prestava realmente atenção para onde meus pés se direcionavam, estava apenas deixando eles se movimentar para qualquer lugar, até por que eu não tinha ideia do que mostrar exatamente para os irmãos. Que a sorte nos levasse aonde tivéssemos que ir, ué.

_ Bom... É que para você ter cabelo rosa, algum parente seu deve de ter cabelo rosa também certo? – Continuei, olhando encantada para o seu cabelo. Eu não era muito fã de rosa, mas a cor realmente lhe caía bem, e por um instante me imaginei com o mesmo cabelo. É, acho que ele fica melhor em Alyss mesmo.

Os dois riram novamente, dessa vez mais abertamente e com menos hesitação. Eu gostei do som.

_ É que... Não é Natural entende? Ela pintou o cabelo – Will explicou, e dessa vez era ele que me olhava com curiosidade enquanto Alyss apenas acenava com a cabeça.

_ Nunca havia visto alguém de cabelo pintado antes? – A rosada perguntou.

_ Ora, não que eu saiba! Quer dizer, eu acho que mesmo que eu já tenha visto, nunca teria descoberto que é um cabelo pintado – As palavras saíram de minha boca como um segredo, o que eu achei muito legal. – Seu cabelo é pintado mesmo? Dá pra pintar de azul?

Alyss pensou por um instante.

_ Acho que sim, mas você não pensa em pintar o seu pensa? – Ela falou a palavra no mesmo tom que eu falava. Eu gostei dela ter me imitado, e também gostei do fato de que ela também tentava manter a conversa, me fez sentir... Agradável, acho.

_ Bom... Talvez só uma parte como... Sei lá, a franja? – Dei um sorrisinho constrangido, encolhendo os ombros. Ela sorriu de volta, então por um tempo caminhamos em silêncio em direção a nenhum lugar em especial.

Olhei de soslaio para Alyss, depois para Will. Eles realmente estavam engolindo cada pedaço do castelo, olhando maravilhados para cada pintura ou para qualquer outra coisa que estivesse espalhado por aí. Eu nunca havia de fato prestando atenção em tudo isso, por que para mim, bem, assim como uma roupa continua sendo uma roupa não importa quão chique ela é, uma mobília sempre vai ser somente uma mobília.

Will se vira para mim, provavelmente sentindo que está sendo observado, sustenta meu olhar. Sinto como se ele estivesse me avaliando, tentando decifrar a mim mesma, então eu desvio o olhar e faço um biquinho, constrangida.

_ Então... Para onde estamos indo? – Ele pergunta, sem conseguir esconder sua curiosidade. Ele está um pouco atrás de mim, e eu realmente gostaria de me virar para ver que tipo de expressão ele está exibindo agora, mas eu não faço isso. Eu apenas olho para os lados, tentando rapidamente identificar onde estamos. Eu realmente não estava controlando meus pés corretamente. Mas eu tenho sorte, e percebo que o jardim está praticamente a vinte passos de nós.

Viro um corredor para esquerda, depois um para direita e BUM! O corredor se abre em um pátio florido, com arcos completando perfeitamente a arquitetura do lugar.

_ Ora, para o jardim é claro. – Exibo um sorriso orgulhoso por ter pensado nisso tão rápido, colocando as mãos na cintura em uma pose também orgulhosa.

_ Uou! – Exclama Alyss, andando rapidamente para minha frente. – Vocês realmente tem esse tipo de coisa aqui?

Ela abre os braços, fecha os olhos e dá uma rodadinha. Um sorriso gigante aparece em seus lábios, e por causa disso, eu acabo sorrindo também.

_ Bom, vocês não tem isso na sua casa também? – Pergunto, com o sorriso ainda em meus lábios.

Will pigarreia ao meu lado.

_ Ér, digamos que a Sra. Tak... Nossa mãe não liga muito para jardinagem. – Will fala, torcendo os lábios. O gesto não combina com ele, e eu solto um risinho.

_ Bom, e para o que ela liga?

Ele pensa por um instante.

_ Ela se importa com o seu trabalho, é claro. – Ele faz uma careta. Eu reconheço o olhar, é o mesmo olhar que eu faço quando me perguntam sobre meu pai. Nojo. Ele sente nojo pela mãe dele. Será que ela também o prende no castelo? E Alyss? Será que está na mesma situação? Eu quero perguntar sobre a vida dele, mas sei que seria mal educado demais até para mim, considerando que eu mal o conhecia.

_ Ora, mas é claro – Bufei – Sempre os negócios na frente de tudo. Isso é um saco.

Ele acena com a cabeça, os olhos perdidos em um ponto à frente. Eu novamente percebo o que ele está fazendo. Ele está se remoendo e pensando no que ele pode de ter feito de errado para merecer tudo que tem agora; mas acima de tudo também está medindo as possibilidades, pensando se vale a pena tentar fazer algo arriscado, pensando se vale a pena se revoltar. Quantas vezes eu já não havia pensado nisso? Fugir de casa por um exemplo, isso era uma coisa que eu já havia decidido há tempos. Eu vazo desse lugar infeliz assim que Mary e Ann forem embora, e eu sei que um dia elas irão embora porque ambas são novas e extremamente talentosas. Tenho certeza que um dia elas irão conseguir montar algo como um negócio próprio, ou então casar com alguém muito capaz.

Esse pensamento me sufoca, e para não estragar o resto da noite com essas coisas se remoendo em minha cabeça, eu afasto-as de minha mente e me espreguiço. “Isso Kelsey, pare de ter esses pensamentos trágicos sobre o futuro e tente ordenar seu próprio presente primeiro.” Penso, fazendo cara feia para mim mesma.

Estico a mão para pegar o pulso de Will e começo a andar na direção que Alyss sumiu, o arrastando junto.

_ Vamos lá, vamos achar Alyss. – Falo, exibindo um meio sorriso.

Ele sacode a cabeça, fazendo os cabelos loiros se bagunçarem ainda mais.

_ Ah certo, desculpe, eu acho que me distraí um pouco aqui. – Ele falou, meio constrangido. Dessa vez me permiti olhar para trás, constatando que ele inconscientemente havia levado a mão à nuca, em um gesto envergonhado.

Eu sorri.

_ Relaxe, a mais distraída daqui foi a rosada ali – Apontei para Alyss, que agora estava a nossa frente, ainda sorrindo.

Ela se virou para nós, como se tivesse acabado de sair de um torpor.

_ Ah me desculpem! – Ela exclamou, corando levemente. – É que eu sempre quis ter um jardim e... Eu acabei me distraindo – Ela falava tudo muito rápido, como se estivesse realmente envergonhada com tudo aquilo.

_ Ora, vocês pedem desculpas demais. – Fiz bico, levando as mãos à cintura. – Sabem que não precisa de tudo isso certo? Não é como se tivéssemos que nos portar verdadeiramente como nobres toda hora – Bufei, porque isso sim seria um desastre.

Alyss me deu um sorriso fraco, e eu sorri de volta.

Decidi que realmente gostava dos dois.

********

_ Ér... Não quero ser estraga prazeres, mas já é mais de meia noite – Will falou, enquanto olhava para o relógio. Ele levantou o olhar para Alyss, e os olhos que antes demonstravam curiosidade e inocência agora revelavam angústia e pavor. A rosada compartilhava o mesmo tipo de olhar.

Eu não via problema algum em ser mais de meia noite, mas pelo visto, para eles isso era muito importante.

_ Eu posso... — Comecei, sem saber exatamente como reagir a reação dos dois. Reagir a reação dos dois. “Deus, isso é engraçado” Pensei, quase chegando a abrir um sorriso antes de lembrar-me da situação dos dois irmãos.

_ Nós precisamos que você mostre pra gente onde fica o nosso quarto – Alyss falou, com um tom de suplica na voz enquanto esticava as mãos para segurar a minha.

_ É tipo, agora. Correndo. – Will incrementou, com a voz no mesmo tom suplicante de sua irmã.

Ok, acho que eles realmente haviam se metido em uma encrenca.

Sem responder, comecei a correr de volta para a parte interna do castelo – ainda segurando a mão de Alyss, e – guiando-os rapidamente pelo que eu achava ser a passagem mais rápida para a ala dos quartos.

Eu acabei caindo no chão na escadaria que dava acesso ao corredor dos quartos, e por um momento lembrei-me de Ann me falando que eu não iria cair, por que ela havia diminuído o forro consideravelmente. Tive vontade de chegar nela e dizer: “Pff, por favor, não há nada que possa impedir Kelsey Hayes de cair pelo menos uma vez enquanto usa um vestido. Nada”. Já estava imaginando o bico que ela iria fazer quando eu lhe falasse isso e mostrasse o vestido com o pequeno rasgo no joelho.

Will esticou a sua mão para mim.

_ Desculpe – Murmurei, enquanto o loiro me ajudava a levantar.

Ele ergueu uma das sobrancelhas, sorrindo de canto.

_ Quem está pedindo desculpas desnecessárias agora?

Abri a boca para retrucar, mas desisti e simplesmente voltei a correr, pulando os degraus de dois em dois e dois até chegar ao topo. Virei à esquerda, depois abri a terceira porta do corredor, também à esquerda.

Alyss praticamente se jogou para dentro do quarto, e depois de uma breve olhada no local suspirou de alívio. Percebi que quando ela olhou o quarto, dessa vez ela não estava contemplando as coisas, ela estava procurando por algo.

_ Will, acho que chegamos antes dela! – Ela exclamou, com os olhos brilhando de satisfação.

... Ou Alguém.

_ Caham. – Tossiu uma voz no fundo do quarto.

Uma figura alta se levantou de uma das poltronas – precisamente da poltrona cujo lado em que hm... Nós nos sentamos não estava visível de onde estávamos – e logo eu reconheci a Sra. Taker parada em frente a nós, exibindo novamente aquele ar de... Superioridade.

Will recuou um passo, e surpresa, eu segui seu exemplo. Algo na expressão de Rebecca Taker estava realmente me assustando, e assustava ainda mais a Alyss. A coitada havia se agachado no chão e coberto a cabeça com as mãos, e eu não conseguia ver sua face, mas de alguma forma eu sabia que ela estava de olhos fechados, apenas esperando seu castigo. Ela era tão má assim?

O que essa infeliz fazia com esses dois irmãos para eles ficarem com tanto medo? Ela iria bater neles? Mesmo comigo aqui? Senti a raiva preencher meu corpo, e eu dei um passo pra frente. Ainda que impotente, era um ato de teimosia e com certeza de desrespeito. Apontei para ela e abri a boca para falar alguma coisa, qualquer coisa, mas ela já não estava mais perto da poltrona, ela estava logo ao meu lado, com uma expressão de desprezo no rosto.

_ Poupe-me disso Srta. Hayes – Ela falou, com ironia, abaixando minha mão e fechando minha boca, que ainda estavam paralisadas no ar. Eu acho que minha cara deve de estar demonstrando muita surpresa, porque ela dá um sorrisinho irônico e toca meu nariz com a ponta do dedo antes de se virar para Will e lhe jogar um rosnado. Tipo, um rosnado mesmo. Eu pessoalmente não sei outra palavra para descrever o som que ela fez.

Dei-me um tapinha no rosto, ainda num estado de torpor. Cerrei os olhos, agora brava comigo mesmo por ter ficado tão pasma. Mas é óbvio que depois daquilo eu estaria surpresa! Como uma velha coroca como ela conseguia se mover tão rápido como aquilo?

_ Eu pensei que tinha te dado uma ordem. E eu dei mesmo, não é fedelho? – A voz dela estava firme, assim como o olhar. Will se encolheu. – Voltar para o quarto antes da meia-noite, não foi isso que eu falei?

Will engoliu em seco, e afirmou com a cabeça.

A porta se fechou sozinha. Em minha cabeça, imaginei Mary falar: “Não. Ela não se fechou sozinha, foi só o vento. Kells pare de imaginar coisas.” Mas não estava ventando, isso eu tinha certeza.

Será que... Ela iria bater em mim também? Se alguém me perguntasse isso por perguntar, eu teria rido da cara da pessoa, mas agora, vendo a expressão feroz de Rebecca eu estava quase caindo no chão por causa das minhas pernas, que estavam moles de medo.

Ela irradiava um... Um ódio terrível. Era quase como se ela estivesse se controlando para não pular em nossas gargantas e esganar-nos ali mesmo. Ela estava com tanta raiva só por causa de um horário infringido? Eu acho que não.

Com o coração batendo forte, fui até Alyss. Ela continuava agachada no chão, e agora eu conseguia ouvi-la chorar baixinho, murmurando vários não’s seguidamete.

_ Então... POR QUE VOCÊ NÃO CUMPRIU MINHAS ORDENS? – Ela explodiu, o tom mudando de autoritário para nervoso, cruel. Eu não me atrevi a olhar para trás, precisava ajudar Alyss a sair daqui, e depois daria um jeito de voltar e pegar Will. E Deus, eu juro que vou denunciar essa mulher pro Ibama. Quer dizer, para o conselho tutolar. Não mentira, tutelar.

_ Ei Alyss... É a Kelsey. – Eu toquei seu ombro, tentando manter um tom calmo, mas quando a toquei ela só se encolheu ainda mais. – Eu... Eu não vou deixar ela te bater ok? Quer dizer, ela bate em vocês não é? Isso... É desumano! Vocês não fizeram nada. Eu vou... Vou dar um jeito de denunciar ela, eu vou... Vou fazer algo ok? – As palavras saiam da minha boca muito rápido e ela não deveria de estar entendendo quase nada, mas mesmo assim eu sentia que ela se encolhia um pouco menos agora. – Eu... Por favor, me de sua mão para mim te levar para algum outro lugar e...

A rosada levantou um pouco o rosto, que estava encharcado de lágrimas e pavor.

_ Eu... Você precisa sair daqui. Você é o alvo. Nós aguentamos. Aguentamos meio ano, então somente um dia vai ser moleza – Ela disparou as palavras em mim, agora se balançando no chão. De novo, eu não tive tempo para responder. – Ela disse que quando ela conseguisse pegar você iria soltar a gente. Mas... Eu sei que ela está mentindo, ela é cruel. Eu não consigo mais fugir, eu não tenho coragem suficiente, mas você tem não tem? Você ficando aqui ou saindo daqui... Dá na mesma, mas não é melhor pelo menos você sair? Vá falar com um dos empregados, se você for buscar ajuda, ela com certeza vai fugir, ela não... Não quer se revelar pra ninguém.

Se eu entendi alguma coisa do que ela disse? Ér, não. Porque simplesmente não tinha sentido alguém querer a mim. Se ela queria me sequestrar pra pedir resgate, certamente não iria funcionar porque meu pai certamente não iria pagar nada; se ela queria me queria pra me por em um bordel, também não tem sentido, porque eu não tenho exatamente um corpo bonito. Então por qual outro motivo ela...

Um estrondo soou atrás de mim. Por instinto, eu recuei e olhei para trás. Will estava jogado em cima da penteadeira, que havia tombado para trás e agora estava caída no chão. Sua camiseta havia rasgado, assim como seu colete. Havia marcas de unhas, não, marcas de garras em seu ombro, e também havia sangue. Sangue.

Alyss gritou. Quase que podia vê-la se encolhendo atrás de mim novamente. Mas agora eu também queria me encolher.

_ Isso... Isso... O que você...? – Murmurei, apavorada. Paralisada. Assustada. Me virei para ela, agora certa de que ela com certeza não era só uma Mãe Ridícula. Ela era uma assassina, no mínimo.

Mas acontece que quando eu me virei, encontrei algo muito mais terrível que uma assassina. Na verdade, quando eu vi... Aquilo, eu tinha certeza que preferia ter que estar cara a cara com um assassino do que estar com aquela... coisa.

A primeira coisa que notei foram as pernas. O vestido vermelho agora estava rasgado ao meio, e deixava as panturrilhas a mostra, e por mais incrível que pareça, isso não era o mais escandaloso. O mais escandaloso era que as pernas... Não eram exatamente pernas. Quer dizer, uma delas era, só que não uma perna de humana, era uma perna de burro. Agora, a outra? Bem, a outra era de ferro.

O cabelo castanho e ondulado de Rebecca Taker agora estava pegando fogo, e flutuava drasticamente acima de sua cabeça.

_ O que exatamente você é? – Perguntei, a voz fina e falha. Meus olhos estavam arregalados. – Um demônio? Eu não... Não acredito nessas coisas! Fantasmas até que vai mas...

Ela olhava as suas gigantes garras, como se estivesse incomodada por elas estarem suja de sangue.

_ Eu pretendia lidar com você somente depois Kelsey Hayes. Mas como você já está aqui... – Ela desviou o olhar das unhas para mim e deu um sorriso maroto. – Vamos aproveitar a oportunidade, certo?

Ela exibiu as presas. Eu gritei. Ela avançou. Mas não a tempo. A porta explodiu primeiro, lançando todos nós – inclusive Will – para trás.

Notas finais
Ficou muito confuso? A Sey ficou muito bipolar? Argh, gente, começar uma fic é definitivamente uma bosta :c Se eu pudesse começar do meio direto... ;^; ENFIM, TEORIAS SOBRE O PRÓXIMO CAPÍTULO? FAÇAM SUAS APOSTAS CRIANÇAS RÇRÇ Quem comentar e acertar ganha um bolo, rçrç Bai bai procêis o/ *Kah Rainha das Potato Sai da Sala*