Notas iniciais
Oie :)
espero que gostem

Pov. Quinn:

Já estava começando a escurecer e eu estava à procura de um taxi para ir para a audição da Rachel. Vi um se aproximando e dei sinal para ele parar.

“Clifton Hall, por favor”. Falei assim que entrei.

“É a escola de musica, não é?”. O motorista me perguntou me olhando pelo retrovisor enquanto dirigia.

“Isso mesmo, tem uma audição hoje”. Respondi meio entediada.

“Sua namorada é musicóloga?”. Eu olhei para ele quando me perguntou isso.

“É isso aê”. Falei abaixando a cabeça, me lembrando das brigas de hoje.

“E você esta com problemas na vida amorosa”. Ele não perguntou e sim afirmou.

“E como é que o senhor sabe disso?”. Perguntei o desafiando.

“Assim como o barman, os taxistas sabem dos problemas dos outros”. Eu fiquei quieta depois disso, então, ele continuou. “Qual é o seu?”.

“Eu não estou a fim de falar sobre isso”. Desconversei.

“É uma boa ideia, talvez assim o problema se resolva sozinho”. Ele disse sabiamente.

“Eu não consigo fazer ela feliz”. Decidi falar depois de algum tempo em silencio. “Como é possível amar tanto alguém e sem saber como... como se deve amar?”.

“Então você a ama?”.

“Sim, amo muito”. Exclamei.

“Esse é o problema”. Ele falou, mas eu não entendi.

“Ela vai viajar amanhã, por duas semanas e quer me levar também”. Continuei falando, eu me sentia a vontade com aquele cara.

“E se ela não voltar?”. Ele perguntou.

“O que você quer dizer com isso?”. Perguntei confusa.

“Vamos lá, imagine. Vocês se despedem, ela entra no avião e você nunca mais a vê”. Meu peito doeu. “Poderia viver assim?”. Ele me perguntou.

“Não, seria impossível viver sem ela”. Respondi de cabeça baixa.

“Já sabe o que fazer”. Eu fiquei calada esperando ele continuar. “Aprecie o que tem. Apenas ame-a”. Ele falou e parou o taxi.

“Ainda faltam dois quarteirões”. Falei confusa.

“Não pode ir de mãos vazias”. Ele respondeu apontando para uma floricultura do outro lado da rua. Eu sorri para ele e sai do taxi comprando um lindo buque de rosas vermelhas.

...


Pov. Rachel:


“Sabe, se ela comprou a passagem para ir comigo, isso é muito bom. Talvez a Quinn esteja mudando”. Falei esperançosa.

“Assim espero, você merece. Se ela não sabe disso, é uma estupida”. Mercedes me respondeu com um sorriso.

“Você sabe mesmo o que dizer”. Eu a abracei apertado.

“Detone essa noite Rachel”.

“Obrigada”.


Pov. Quinn:


O lugar estava cheio e eu estava sentada ao lado da Mercedes assistindo o espetáculo. Eu nunca fui muito próxima da dela, mas eu gostava da amizade que ela tinha com a Rachel porque eu sabia que a Mercedes sempre estaria lá por ela.

...

1 hora depois.

“Oi”. Rachel me disse assim que me viu.

“São para você”. Estendi o buque sorrindo.

“Obrigada, elas são lindas”.

“Esta pronta para ir?”. Eu estava cansada, havia sido um dia cheio.

“Estou sim, nos vemos depois Cedes”. Ela disse abraçando a Mercedes.

“Tenha uma ótima viagem”. Ela respondeu olhando de relance para mim. Rachel sorriu e segurou a mão que eu estava lhe oferecendo.

“Charlie, você veio”. Ela exclamou feliz quando um garotinho abraçou as suas pernas.

“Esta brincando? Ele não perderia isso por nada”. O pai do garoto falou.

“Ela é a melhor. Eu amo a senhorita Berry, todos nós amamos”. O menininho disse se declarando para a minha namorada. Rachel riu voltando a abraçar o garoto.

“Isso é para você”. Charlie falou a entregando um cartão com alguns desenhos.

“Obrigada lindinho”.

“Quinn olha só, esse cartão não é lindo?”. Ela me perguntou sorrindo.

“É lindo sim. Vamos embora”. Sussurrei a ultima parte. Ela ficou meio sem graça, mas se despediu dos dois.

...

(No tantra restaurante)

“Foi um desastre, todos ficaram uma fera e eu me ferrei”.

“Ai meu Deus, me desculpa Quinn...”. Eu a interrompi

“Esquece tudo bem”. Ela ficou quieta por alguns minutos, o silencio já estava começando a ficar desconfortável. “Eaê, o que você me conta?”. Tentei melhorar os ânimos.

“A Mercedes tem uma exposição em uma grande galeria amanha e eu a ajudei essa tarde...”.

“Parece divertido”. Eu não queria soar tão ignorante assim, mas a minha cabeça estava estourando. Ela perdeu o sorriso e abaixou a cabeça.

“Escuta, você não quer dançar?”. Ela me perguntou com um meio sorriso.

“Quando é que você me viu dançar?”. Perguntei.

“Onde foi essa tarde depois da reunião? Eu liguei um milhão de vezes”. Ela mudou de assunto.

“O celular estava desligado, eu não queria falar com ninguém. Passei o dia inteiro pela cidade andando e pensando”. Respondi indiferente.

“Em que?”.

“Pensando se nós estamos nos dando bem”. Fui sincera. Seus olhos começara marejar e eu percebi que ela pode ter entendido errado. “Não, não é isso, você não entendeu”. Ela me olhou, esperando que eu me explicasse. “Acontece que eu não tive uma boa manha e que a reunião é... bom, eu pensei no que fazer e eu peguei um taxi e conversei com o taxista”.

“Um taxista? você conversou com um taxista sobre nós duas...”.

“Eu sei que é estranho, mas foi bom. Me fez perceber que mesmo com os problemas, você e eu dividimos as coisas e eu percebi que acima de tudo e apesar de hoje eu... eu te adoro”. Eu não sei por que hesitei no final da frase. Rachel abaixou a cabeça com lagrimas nos olhos.

“Não”. Escutei ela falando baixinho depois de alguns minutos.

“Não o que?”. Franzi a testa.

“Eu não quero continuar”. Eu fiquei completamente sem palavras. “Olha Quinn se fosse para ficar em Londres seria por você, por nós. Eu faria isso sem pensar duas vezes, se pensasse que somos especiais”.

“Nós somos”. Eu falei.

“Mesmo? Você nunca me diz como se sente ou sobre você, não quer ver a minha família, esqueceu a minha formatura, correu dos meus alunos como se eles tivessem alguma coisa contagiosa. Quinn eu sei que você tem boa intenção, mas eu sinto que... eu sinto que eu estou em segundo plano na sua vida. E isso machuca, o pior é que eu estou me acostumando com isso”. Ela estava chorando na minha frente, despejando todo o que parecia estar entalado em sua garganta há tempos.

“Eu não estou entendendo Rach”. Meus olhos já estavam começando a marejar, eu não queria que tudo terminasse.

“Eu sei e isso esta me matando. Se tivesse só um dia Quinn, um dia em que nada importasse além de nós duas”. Rachel estava cada vez mais alterada e eu não sabia o que falar para fazê-la se acalmar.

“Rach eu te adoro, eu...”.

“EU NÃO QUERO SER ADORADA!”. Sua voz subiu algumas oitavas. “Eu quero ser amada”. Sussurro se levantando e foi em direção à porta do restaurante. A única opção que ficava era segui-la.

“Aonde você vai?”. Perguntei confusa.

“Eu vou passar a noite na casa da Mercedes e amanhã eu vou direto para o aeroporto”. Respondeu sem me olhar. Eu fiquei parada olhando ela se distanciar ainda mais. Ela parou e me olhou voltando alguns passos.

“Eu te vi na agencia de viagens hoje. Aonde você vai?”. Ela parecia esperançosa esperando a minha resposta, mas eu não entendi o porquê.

“Nova York a trabalho”. Respondi mesmo assim. Ela assentiu chorando ainda mais e saiu correndo até a saída e eu fui atrás dela.

“Rachel espera, por favor,”. Implorei enquanto ela entrava em um taxi. “Por favor, você não pode fazer isso, não pode. Você não pode me deixar”. Eu não conseguia mais segurar minhas lagrimas. Ela não disse nada apenas ficou me olhando enquanto chorava.

“Você vem ou não”. O taxista perguntou depois de alguns minutos de completo silencio. Eu olhei para ele e percebi que era o mesmo cara que havia me levado até a audição da Rachel. “Vai entrar ou não menina? É só escolher”. Eu fiquei em silencio sem saber como fazer a Rach mudar de ideia, olhei de relance para o relógio que havia no taxi e vi que já eram onze horas da noite. Rachel soluçou alto e fechou a porta que eu estava segurando.

Quanto mais o taxi se distanciava, mais o meu peito doía, parecia que alguma coisa havia sido arrancada de dentro de mim. O taxi parou no farol e eu vi que não conseguiria seguir em frente sem ela.

“RACHEL ESPERA!”. Gritei enquanto corria até ela. “RACHEL!”

Foi tudo muito rápido, enquanto eu corria, o farol abriu e o taxi entrou em movimento, um carro desgovernando atravessou o sinal vermelho batendo em cheio no carro onde a Rachel estava. Minhas pernas petrificaram, eu não conseguia me mover enquanto percebia que várias pessoas olhavam em direção ao acidente.

“NAAAOOOO! RACHEELLL. MEU AMOR POR FAVOR. MEU AMOR, NÃO. AMOR! AMOR...”.