Ante Mortem / Post Mortem - Interativa
9 Capítulo 9 - O que Fomos e o que Somos III
Notas iniciais
̶ Meu Deus! – Exclama Roxanne, é perceptível que a clínica está tomada por mordedores.
̶ Nunca vamos conseguir passar por essa porta! Merda! – Lamenta Kate extremamente irritada.
O barulho pressionando a porta principal segue alto, os mordedores a empurram enquanto grunhem e arranham. O som é aterrorizante.
̶ Vamos andando, esse lugares não tem só uma entrada, talvez a urgência e emergência estejam livres.
Kate e Roxanne começam a dar a volta na clínica, mais um mordedor é avistado, sendo eliminado sem dificuldades por Kate. Ao seguirem a parede lateral, as duas avistam uma segunda entrada, onde outra ambulância encontra-se estacionada, porém dessa vez intacta. Roxanne a olha e diz um tanto receosa:
̶ Mesmo com essa entrada livre, esse lugar desse estar repleto dessas coisas... – Ela suspira – Nós podemos...
̶ Não podemos hesitar! – Exclama Kate a interrompendo – Temos que arriscar, a Des depende de nós!
As duas caminham até a entrada, que se encontra livre. Uma porta de vidro com uma faixa em vermelho escrito: “Urgência e Emergência”, Roxanne empurra a mesma de leve, na tentativa de fazer barulho. A porta se abre, as duas adentram e passam a caminhar cuidadosamente, medindo muito bem os próprios passos. Elas estão em um corredor, as luzes que permanecem acesas por conta de um gerador, se encontram fracas, piscando constantemente.
̶ Onde podemos encontrar essa coisas? – Sussurra Kate pra Roxanne.
̶ Se aqui é a ‘urgência e emergência’, acho que é um bom lugar pra procurarmos.
Após avançar um pouco mais pelo corredor, as duas tentam abrir a primeira porta que encontram, porém não conseguem, ela se encontra trancada. Elas então seguem a passos leves dando continuidade a caminhada no corredor. As duas se deparam com mais uma porta, Kate gira a maçaneta e a abre.
Elas adentram em uma espécie de consultório, ou talvez uma sala de pronto atendimento. Há uma mesa e uma cadeira, além de uma maca e diversos produtos e matérias médicos. Na cadeira há um corpo, um homem de jaleco, provavelmente um médico, há bastante sangue em suas roupas, e seu rosto e dorso encontram-se recostados sobre a mesa, aparentemente ele está morto.
̶ Vamos! – Kate retira do bolso a lista escrita à mão por Emily – Vamos pegar essas bandagens! – Diz ela apontando para uma quantidade enorme de bandagens, gazes e outros produtos para curativos.
Roxanne começa a pegar os materiais ditos por Kate, olha para o lado e avista uma mochila próxima ao corpo, se desloca até ela e a toma nas mãos.
̶ Boa ideia! Vamos colocar tudo nessa mochila! – Diz Kate se deslocando até um pequeno armário de medicamentos e procurando pelo que Emily pedira.
Um grunhido é ouvido, o corpo que até então permanecia inerte diante delas, desperta-se e se levanta, esticando os braços. O que antes fora um médico, agora não passa de mais um mordedor tentando desesperadamente conseguir alimento. Roxanne puxa sua arma e sem pensar direito atira na testa do monstro, provocando um forte estrondo que parece ecoar por toda a clínica.
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̶ Acorda! – Exclama Benjamin dando um leve tapa no rosto e retirando o saco que estava sobre a cabeça de Rich. O homem permanece ali, amarrado na mesma árvore que fora deixado outrora.
Rich tosse, tenta abrir os olhos, mas apenas um é aberto, o outro encontra-se tapado por um enorme edema de sangue, seu rosto ainda se encontra bem feio.
̶ Cara, se você quer me matar... – Rich começa a falar com dificuldade – Coloca logo o cano dessa arma na minha boca e dá um tiro, mas não... Não me deixa morrer de fome e sede... Isso é muito cruel!
̶ Isso não vai acontecer! – Exclama James revelando-se, ele esperava um pouco mais atrás, fora do campo de visão de Rich.
̶ James... – Rich tosse mais uma vez.
James se aproxima, ele trás nas mãos uma tigela com um pouco de comida e outra com água. Ele se agacha e coloca um pouco de água da boca de Rich, seus lábios já se encontravam ressecados, e a caminho para uma desidratação.
̶ Você está com ele? – Pergunta Rich deixando um pouco de água escorrer pelo canto da boca.
̶ Só viemos conversar... – Responde James.
Ben se aproxima um pouco mais, tenta manter a serenidade e pergunta encarando o acusado:
̶ O que aconteceu na noite da morte do Dave?
Rich respira fundo e começa a falar:
̶ Eu acordei e precisava ir ao banheiro... Tava tudo escuro, eu mal sabia o caminho pra sair do dormitório! Tentei não fazer barulho e sair de lá... Acabei pegando o caminho errado e seguindo o corredor... Não dava pra ver nada! – Ele tosse mais uma vez – Eu ouvi uma discussão, eram duas vozes...
̶ De quem eram as vozes? – Indaga Benjamin interrompendo-o.
̶ Eu não consegui identificar... Não sei dizer... – Rich faz uma breve pausa – Eu comecei a voltar, indo na direção da discussão... Por isso eu saquei a arma, não sabia o que tava acontecendo! Foi quando eu ouvi o tiro... Quem atirou correu, e eu fiquei ali... Parado, não conseguia fazer nada... – Ele olha para Ben – O resto você já sabe!
James se aproxima, retira um pedaço de carne e dá na boca de Rich, que devora com ferocidade. Benjamin volta a perguntar:
̶ Você não consegue identificar quem era essa pessoa?
̶ Só o Dave... – Responde ele ainda engolindo – O outro eu não sei quem era...
̶ Eu te falei... – James volta-se para Benjamin – Eu vi a Deschen e o garoto asiático chegando depois de todo mundo! Foi um dos dois!
̶ Já ouvi demais por hoje!
Após exclamar, Ben coloca o saco novamente na cabeça de Rich, que se debate e grita:
̶ Não pode me deixar aqui! Pode aparecer um mordedor a qualquer momento!
̶ Então é melhor parar de gritar...
Benjamin começa a caminhar de volta para o galpão, James levanta-se e o segue a passos largos, assim que o alcança, indaga:
̶ Essa é a prova! Não foi o Rich! Deve ter sido a... – James o interrompe:
̶ O único problema nessa história James, é que apenas eu tenho acesso as armas e as guardo em um local que ninguém mais conhece... Nem o Kanato e nem a Deschen teriam como ter uma pistola naquele momento!
̶ Então é isso?! Vai simplesmente matá-lo?!
̶ Eu dei a ele a chance de defesa e essa história não me convenceu! Assim que Roxanne e Kate retornarem, eu resolverei isso de uma vez por todas!
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Kate ainda tapava os ouvidos por conta do eco que o tiro naquele recinto fechado fizera, ao olhar para Roxanne, pode ver a expressão de arrependimento que a mesma demonstrava. Ela sabia que fizera algo errado e as duas, mais do que nunca, precisariam ser rápidas para sair dali com vida.
̶ Desculpa Kate, eu...
̶ Não há tempo! Rápido, pega o que puder! – Exclama Kate.
As duas recolhem rapidamente diversos materiais e medicamentos prontos para serem diluídos. Kate praticamente pegou todos os frascos do armário, já que não havia tempo hábil para verificar qual seria o certo.
̶ Do que ainda precisamos? – Indaga Roxane.
Kate abre rapidamente a lista e diz:
̶ Bolsas para diluir o medicamento, garrote, agulhas, seringas...
Roxanne consegue encontrar o que fora dito e joga tudo de forma desesperada dentro da abarrotada mochila. Ela olha para Kate e pergunta novamente:
̶ Acabou?
̶ Ainda precisamos de um respirador e oxigênio!
As duas começam a procurar ao redor e nada encontram. Ao mesmo tempo passos bem próximos da porta começam a ser ouvidos. Os mordedores foram atraídos pelo som do tiro.
̶ Não tem isso aqui! – Exclama Roxanne.
̶ Vamos que ter que continuar!
̶ Você quer dizer... Adentrar mais ainda nessa clínica?! – Questiona Roxanne assustada.
̶ Não tem outra saída... – Lamenta Kate, que prossegue – Prepara sua pistola, chegou a hora de usá-la!
Roxanne coloca a mochila nas costas e saca sua pistola, posicionando-se para o tiro. Kate gira a maçaneta e posiciona o seu rifle, após isso ela grita:
̶ Agora! Vamos!
As duas avançam na direção da porta, cerca de dez mordedores as aguardavam. Kate dá dois tiros certeiros, abrindo caminho para que as duas deixassem a sala. Roxanne atira outras duas vezes, eliminando mais duas criaturas. As duas avançam pelo corredor, deixando para trás outros monstros que passam a segui-las.
̶ Pra onde vamos agora! – Exclama Roxanne.
̶ Aqui, entra aqui! – Responde Kate apontando para outra porta.
As duas adentram, batem a porta e com dificuldades, empurram um armário, dando mais proteção à porta, já que o lugar vai estar cercado por mordedores em pouco tempo.
O lugar é mais uma sala de atendimento, talvez a sala de sutura, pois a mesma está repleta de matérias para curativos. Ao fundo do lado direito, elas avistam os cilindros de oxigênio, há pelo menos três deles. Kate começa a fuçar no meio de todos os materiais espalhados pelo chão e consegue encontrar o respirador, completando a lista.
̶ Conseguimos! – Exclama Roxanne – Agora só precisamos sair daqui...
̶ Esse é o problema... – Lamenta Kate enquanto ouve o barulho da porta sendo empurrada por pelo menos uma dezena de mordedores.
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̶ Alguma mudança no estado dela? – Pergunta Juliet, no dormitório estão além dela, Emily, Nae e Kanato.
̶ Até agora nada... – Suspira Emily – Os batimentos estão fracos, mas constantes, e eu não tenho como medir a pressão dela, apenas quando as duas voltarem...
̶ Isso... – Nae ainda parece transtornado – Desde um fato que aconteceu na estrada, nós nunca mais tínhamos tido tantas tragédias... Nós perdemos o Nagatomo, mas foi diferente... Em pouco tempo o Dave morreu e a Des ficou desse jeito...
̶ Sinto muito... – Diz Juliet.
Kanato, que permanecia com o rotineiro olhar perdido, muda de assunto bruscamente, como se nada demais estivesse ocorrendo:
̶ O seu bebê é menino ou menina?
Emily se surpreende com a pergunta, mas responde ainda assim:
̶ É uma menina...
̶ Eu sempre quis uma irmã... – Diz Kanato ainda olhando para o nada.
Ninguém compreende muito bem sua atitude, porém a mesma parece aceitável pelos problemas mentais que o mesmo aparenta ter. Emily volta-se novamente para Des e antes que pudesse verificar seu pulso novamente, dá um breve gemido.
̶ O que foi Emily? Tá tudo bem? – Pergunta Juliet preocupada.
̶ Sim... – Emily começa a sorrir e põe a mão na barriga – Eu senti ela chutar! Nesse instante...
A alegria de Emily é interrompida por um mal súbito em Deschen, a mesma começa se debater na cama, tendo tremores por todo o corpo.
̶ O que é isso?! – Exclama Nae extremamente assustado, Juliet levanta-se e Kanato permanece imóvel.
̶ Ela está convulsionando! – Responde Emily – Temos que deixar passar por si só!
Os tremores intermitentes duram cerca de dez segundos, após isso o corpo de Des deita-se bruscamente na cama. Emily se desloca até ela e começa a verificar seus sinais vitais, ela confere mais de uma vez e diz assustada:
̶ Ela tá sem pulso! Ela teve uma parada!
Rapidamente Emily começa a realizar a manobra para tentar ressuscitá-la, massagem cardíaca seguida de respiração boca a boca. Juliet e Nae se encontram em desespero, Emiliy insiste na manobra, repetindo-a uma, duas, três vezes. Porém, Deschen não responde aos estímulos.
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