Notas iniciais
Mais um capítulo...

Rapidamente Emily começa a realizar a manobra para tentar ressuscitá-la, massagem cardíaca seguida de respiração boca a boca. Juliet e Nae se encontram em desespero, Emily insiste na manobra, repetindo-a uma, duas, três vezes. Porém, Deschen não responde aos estímulos.

Emily prossegue em mais duas tentativas, mesmo sem obter resposta ela insiste, parece decidida, não quer perder Des dessa maneira. Na quinta tentativa todos são surpreendidos por um longo e desesperado suspiro, Deschen ressuscitara.

̶ Ela voltou! – Exclama Emily, que passa a verificar os sinais vitais da moça.

̶ Como ela está? – Indaga Nae.

̶ Ela está entrando em colapso, o corpo não vai se sustentar por muito tempo... Precisamos de uma transfusão de sangue ou então outras paradas virão... – Responde Emily ainda ofegante após tanto esforço.

Nae e Juliet ainda observam a tudo pasmos, apenas Kanato seguira ali sem ser afetado pelos momentos de desespero que se seguiam. Emily senta-se ao chão, segurando de leve a barriga e tenta recuperar o fôlego, a reanimação de Deschen exigira bastante da estudante de enfermagem.

.

.

.

.

̶ Eles devem ser muitos... – Suspira Kate.

Ela encontra-se sentada ao chão, segurando os cilindros de oxigênio nos braços e o rifle nas costas. Roxanne sentou-se na mesa do pequeno consultório, com a mochila nas costas e a pistola nas mãos. As duas se encontram em uma situação muito complicada.

̶ Quantas balas você tem? – Pergunta Roxanne. Os mordedores ainda esbarram e pressionam a porta tentando transpassá-la.

Kate verifica o seu rifle e responde:

̶ Três... E você?

̶ Cinco... – Ela dá um breve sorriso – Não vai dar nem pro começo...

A porta segue sendo pressionada, os grunhidos se tornam cada vez mais altos e o armário utilizado como barreira, começa a dar sinais de que não irá suportar por muito tempo.

̶ Vamos ter que dar um jeito... – Diz Roxanne que se levanta, aparentemente decidida.

̶ Qual o plano? – Pergunta Kate.

̶ Segura esses cilindros, me dá o rifle e corre o mais rápido que conseguir!

̶ Estilo Mad Max? – Ironiza Kate.

̶ Não tem outra forma, temos que tentar sair daqui – Ela tira a mochila das costas – Leva a mochila e os cilindros, vem no meu vácuo que eu te darei cobertura!

Kate pega a mochila, entrega o rifle a Roxanne, que ainda conclui:

̶ Temos que levar essas coisas pra Des, portanto, se alguma coisa acontecer... Não olha pra trás, entendeu Kate?

Kate responde positivamente com a cabeça. Ela era quem geralmente tinha as ideias e bolava os planos, porém, naquele instante pode perceber a importância de Roxanne dentro do grupo, e que, sem ela saber, também apresentava um grande espírito de liderança.

̶ Puxa o armário, assim que a porta se abrir eu vou começar a atirar! É aí que você corre! – Exclama Roxanne, ela mantém-se extremamente decisiva e concisa.

Kate começa a afastar o armário até o mesmo sair completamente de fronte a porta, Roxanne posiciona a pistola nas mãos enquanto Kate prepare-se para correr. Os mordedores se alvoroçam cada vez mais, empurrando a porta que já começa a ceder. Em pouco tempo eles estarão ali dentro.

.

.

.

.

Benjamin e James adentram o galpão e se dirigem rapidamente ao dormitório. Ben abre a porta com certa truculência, e se depara com Juliet observando Des em seu estado crítico.

̶ O que aconteceu? Onde está a grávida? – Ele parece extremamente estressado.

̶ Emily foi até a cozinha... – Responde Juliet – Foi tomar uma água, já deve retornar...

Imediatamente Bejamin sai do local, James caminha até Juliet e senta-se a seu lado, olha para Deschen e afirma em meio a um suspiro, quase um desabafo:

̶ Olha tudo o que aconteceu desde que chegamos... – Juliet passa as mãos em seus cabelos – Estamos em meio a um inferno, quase tivemos que voltar para a floresta, uma pessoa morreu... E ainda tem o Rich...

Juliet o encara e pergunta um tanto receosa:

̶ Ele vai viver?

̶ Eu não sei querida... Seja o que for que tenha acontecido naquela noite... Começo a pensar que ele está mesmo envolvido. Só não sei se o Benjamin terá coragem de ser o carrasco...

Os dois fazem um breve silêncio, James então voltando-se para a inconsciente Des, pergunta:

̶ E ela? Vai sobreviver? – Juliet balança a cabeça negativamente e ainda com um ar choroso, responde ao marido:

̶ Eu não sei... A Emily disse que ela vai precisar de uma transfusão, eu sinceramente não sei se ela terá a capacidade de salvá-la... Esse lugar é muito precário!

̶ Amor... – Juliet o olha – Eu sou sangue O negativo, sou doador universal...

.

.

.

.

A porta começa a praticamente contorcer-se, os ferrolhos que a prendiam começam a cuspir os parafusos, já é possível ver as mãos e braços podres dos mordedores, tentando a todo custo ultrapassar essa última barreira que os separa de suas presas. Kate começa a chutar a porta, incitando-os ainda mais.

̶ Tá pronta? – Pergunta Kate, Roxanne responde que sim.

Kate se dirige até a porta e gira a maçaneta, fazendo com que a mesma se abrisse, cinco mordedores se espremem entre a abertura tentando entrar.

̶ Corre! – Grita Roxanne.

Ela se utiliza da pistola para disparar três vezes, eliminando os primeiros que adentraram a sala. Em um pulo Kate saiu do local e teve tempo para sair correndo pelo corredor, sem olhar para trás. Ela apenas se concentrava em sair dali, e ouvia a todo o momento as palavras de Roxanne, dizendo para que a mesma não olhasse para trás.

Kate segura os dois cilindros de oxigênio firmemente nas mãos, e passa a correr se utilizando de todas as suas forças. Dois tiros são ouvidos, mas ela não para, já que pode ser alcançada por um mordedor, e sem arma alguma acabaria sendo pega e fazendo com que todo o esforço fosse em vão.

Um tiro mais alto é ouvido, seguido de outros dois, Kate reconhece que foram disparados pelo rifle, ela percebe também que a munição terminara. O fim do corredor se aproxima, e com ele a saída. Apesar da escuridão ela consegue avistar a porta de vidro, que naquele momento se substitui por uma passagem para a vida, por assim dizer.

Kate sai da clínica, está a salvo, junto dela carrega o necessário para salvar a vida de Deschen. Ela segue correndo, precisa chegar até o furgão, porém, lembra-se de Roxanne, dos tiros e do término da munição, ela então para, está a cerca de vinte metros da porta que acabara de ultrapassar.

A tarde as deixara e a noite começa a se mostrar diante daquela pequena cidade. Kate está ofegante, correra bastante, olha para trás e se depara com a porta do local, da mesma maneira que a deixara. No fundo ela ainda tem esperanças de que a amiga saia dali com vida, porém, passam-se alguns segundos, e a resposta que ela esperava obter acaba não vindo.

Uma lágrima escorre do rosto de Kate, ela vira-se e segue caminhando. Ainda se encontra aliviada por estar viva e por conseguir coletar os materiais necessários para ajudar Des, mas ao mesmo tempo sente um vazio, vazio proporcionado pelo sacrifício de Roxanne.

Ela caminha mais alguns metros, cerca de dez, suas perna doem, seus joelhos parecem vidros moídos e uma certa fraqueza começa a tomar conta de si. Kate ouve um barulho, seguido de passos, se vira bruscamente, pois pensa ser um mordedor. O que ela vê diante de si é uma figura coberta de sangue, roupas sujas, cabelos desarrumados, com um vasto sorriso no rosto.

̶ Roxanne! – Exclama Kate.

̶ Achou que eu fosse te deixar levar o mérito sozinha? – Responde ela.

.

.

.

.

Benjamin caminha até a cozinha, lá se encontram Issa e Emily, ele olha para a grávida e pergunta sem muita emoção nas palavras:

̶ Tá tudo bem com você e com o bebê?

Emily dá um breve sorriso e responde:

̶ Sim... Eu me senti um pouco mal, mas a Issa me ajudou.

̶ Como ela está? – Indaga Benjamin novamente.

̶ Eu não vou mentir, ela está bem mal... E com essa demora das meninas... – Ela olha diretamente nos olhos de Ben – Vocês tem que se preparar para o pior, talvez isso aconteça mesmo que a Roxy e a Kate tragam o que eu pedi...

Ben suspira, olha para Issa e volta a perguntar mais uma vez:

̶ Onde estão o Nae e o Kanato?

̶ Lá fora... O Kanato está ‘naqueles dias’ dele, e sem a Roxanne por perto...

Benjamin vira as costas e começa a sair da cozinha, Issa se espanta um pouco com sua atitude e pergunta antes que o mesmo deixasse-as:

̶ Onde vai?

̶ Espairecer...

Após dizer tais palavras, Benjamin saiu em definitivo da cozinha, dirigindo-se até o lado de fora do galpão. Ao passar pela entrada principal, gritou praticamente a plenos pulmões:

̶ Merda! Porra!

Um balde que se encontrava a sua frente fora chutado para longe com ferocidade. Ele olhou para o céu e viu que o sol não se fazia mais presente, começou a passar as mãos com rapidez pelo cabelo. Sua mente ainda se encontra extremamente confusa, ele puxa sua pistola da cintura e verifica se a mesma está carregada. Olha na direção da floresta, fecha os olhos e diz sussurrando:

̶ Me perdoa, mas eu tenho que resolver isso...

Benjamin, com a arma na mão, começa a caminhar mata adentro.

Notas finais
"Dias de Agonia" será uma das passagens mais marcantes da história, estou pensando em dividi-la em seis partes... Ainda há muito por vir! Nos vemos nos comentários! Nahuel! Valeu cara! Muito obrigado mesmo por recomendar! Dedico esse capítulo a vc!