Another Point of View - Bea's POV
12 Disposta a enfrentar o mundo
— Bea, não acho que essa seja uma boa ideia. – Jessica me disse, batendo sua caneta na mesa nervosa.
Eu não conseguia entender. Se não fosse por estarmos no meio da biblioteca, esse seria o momento em que eu aumentaria minha voz exigindo uma resposta, mas para todos ao redor, nós estávamos discutindo sobre a Literatura Romena no século quinze.
— Como assim você não acha uma boa ideia? Nós já estamos nesse relacionamento há meses! Gwen já sabe, Dane já sabe, não vejo por que não contar para todos!
Jessica prendeu os lábios e olhou ao redor.
— Eu não me sinto pronta para isso. As pessoas vão falar! Tem noção de quantas pessoas vão tentar por minha cabeça numa bandeja se a gente assumir?
— Bem, se você não inventasse boatos e espalhasse comentários maldosos por aí, não teria tata gente querendo isso!
— É, mas não é o caso. – ela disse simplesmente.
Nós ficamos em silencio por um tempo.
— E então, como vai ser? Vamos continuar naquele quartinho? Nos encontrando em segredo? Porque você tem medo que todo o mal que você espalhou retornem em dobro para você? – eu soltei.
Ela largou a caneta na mesa e cruzou os braços.
— Se não for o suficiente para você, não há muito que eu possa fazer quanto a isso. – ela disse e então pegou seus livros, sua mochila e saiu, me deixando sozinha.
Eu apoiei meus cotovelos sobre a mesa e segurei minha cabeça como se quisesse amassar meu crânio. Justamente quando eu decido jogar tudo para o alto e assumir meu relacionamento com Jessica, ela que assume que tem medo do que as pessoas vão falar. Incrível.
Eu fiquei ali sentada na mesa sozinha por tempo suficiente para perceber que alguns Moroi estavam jogando aviõezinhos e bolinhas de papel em Dylan e que isso já estava machucando, fazendo pontos vermelhos em suas orelhas e nuca. Ele então juntou suas coisas e se levantou, mas logo os garotos foram atrás dele, era claro que essa seria mais uma sessão de tortura para o pobre coitado.
Mais uma vez eu xinguei minha incapacidade de “deixar para lá” e saí atrás de Dylan.
— Onde esta indo, Dylan? – eu ouvi Henry Disick falar, na hora em que eu dobrei para esquerda e pude vê-lo segurar a mochila de Dylan, puxando para trás e o derrubando no chão.
Ele era o Moroi que mais fazia uso dos negócios de Wick, o dhampir que trabalhava negociando bebidas e o colega de quarto que Dylan tinha entregado para Kirova.
Os outros começaram a fechar um cerco rindo que logo eu quebrei me aproximando.
— E ai, garotos? Atrapalho?
Os meninos, cerca de seis divididos entre Morois e dhampirs, viraram para me olhar e foram se silenciando aos poucos.
— E ai, Bea? Sabe que só estamos cuidando das coisas, pondo tudo no seu devido lugar... Você sabe o que acontece com quem fala demais por aqui. – disse Wick como se isso fosse algo natural.
Eu confirmei, embora já estivesse fechando os pulsos, respirando fundo.
— O problema é que o traidor aqui está comigo. Faz um tempo, na verdade. – eu disse, estendendo a mão para Dylan levantar. Felizmente, ele entendeu o que eu estava planejando e se levantou, indo para trás de mim.
— É sério? Todo esse tempo, esse era o seu tipo? – perguntou Henry, que agora eu lembrava, insistia em correr atrás de mim depois da primeira e única vez que ficamos.
— O que eu posso fazer? – eu dei de ombros. – Então... deem uma folga para ele, okay? Eu vou tentar convence-lo a não entregar vocês para Kirova por terem enchido ele hoje, mas não garanto nada, ele é rebelde.
Eu concluí segurando a mão de Dylan, entrelaçando nossos dedos e pondo seu braço ao meu redor.
— Vejo vocês depois, garotos.
Eu comecei a andar pelo corredor parecendo relaxada, mas estava preocupada que Dylan desmaiasse de nervosismo. O coração dele estava próximo ao meu ombro e eu estava com medo que seu peito explodisse e ele caísse no meio do carpete. Suas mãos suavam e assim que dobramos novamente, eu o soltei.
— Ob--Obrigada. – ele disse limpando as mãos nas calças e encostando na parede.
— De nada. Hoje eu consegui salvar você, mas você precisa fazer alguma coisa sobre isso. – eu disse, passei a mão em seu cabelo, bagunçando. – Você precisa reagir, Dylan. Se resolver lutar contra isso e conseguir manter a postura, eles vão parar de te encher e talvez até te respeitem por isso.
Ele confirmou acenando e eu saí. A quem eu queria enganar, Dylan tinha muito a aprender e não seria em um passe de mágica que ele se tornaria uma pessoa a ser temida ou respeitada.
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