Another Point of View - Bea's POV

13 Tirando um peso de dentro de mim


— Você tinha que descontar sua frustração nela, não é? – eu perguntei a Jessica, enquanto estávamos na sala de Alberta.

Eu sabia que era uma má ideia por Ana e Jessica em dupla novamente, mas tinha que ter feito isso. Para meu azar, foi algo que explodiu mais rápido do que eu podia imaginar e logo que Jessica foi cutucar a ferida aberta do término de relacionamento de Ana e Dane, Ana tinha explodido e lhe derrubado com um soco e não fosse outros alunos segurarem ela, Jessica talvez tivesse ido parar na enfermaria.

Eu tinha chamado Jessica para o escritório de Alberta para que pudesse limpar seus ferimentos e – pelo menos diante dos olhos dos outros alunos – para conversar sobre o que tinha acontecido. Alberta tinha viajado e me deixado comandando sua aula, o que me fazia ter de tomar decisões que eu não queria. Como a de mandar Ana para a diretoria, quando Jessica foi quem saiu em busca de confusão e Ana só perdeu a cabeça.

— Eu apanho e tenho culpa? – ela disse, sentada em uma das cadeiras de frente a poltrona vazia de Alberta. Eu evitava a todo custo sentar ali, não me sentia digna da posição que estava ocupando.

— Você sabe que Ana jamais perderia o controle se você não tivesse a provocado, Jessica.

— Ela jamais devia perder a cabeça de qualquer forma. Aquilo foi golpe baixo e ela tem problemas! Isso aqui é uma escola, ninguém tem culpa de na terra dela ela está acostumada a praticar luta livre.

Eu passei a mão no cabelo e respirei fundo.

— Para que você me trouxe aqui? Para falar dela? – ela perguntou.

— Eu te trouxe aqui para que as pessoas acreditem que você também levou uma bronca. – eu respondi e vi o quanto soou isso patético.

Ela bufou.

— E enquanto eu estou aqui o que vamos fazer na verdade? – ela disse e então se aproximou, colocando a mão em minha coxa.

Eu estava de pé, encostada a mesa e em frente a sua cadeira e então segurei sua mão e neguei com a cabeça.

— Estou cansada, Jessica. Eu estou cansada de inventar desculpas para o seu comportamento, de achar que você vai mudar, de esperar por você... Eu cheguei ao meu limite.

Isso fez com que ela recolhesse a mão e me encarasse.

— O que quer dizer com isso? – ela perguntou e eu percebi sua voz tremendo, ela estava prestes a chorar.

— Que seja lá o que nós temos, o que você considera que você e eu somos, isso acabou.

O pior do que eu estava dizendo era que eu não sentia raiva ou vontade de chorar, eu só me sentia cansada. Era como se tudo que eu estava dizendo, era apenas o meu modo de me libertar de algo. Eu sentia meu coração pesado e minha garganta fechando, mas cada palavra parecia necessária.

— Você tem certeza que é isso que você quer? – ela disse se levantando.

Eu respirei fundo antes de dizer:

— Sim.

E então ela confirmou com a cabeça e saiu, me deixando sozinha no escritório de Alberta, que era pequeno e tinha um mural igual ao que ela tinha me dado, com fotos de seus amigos e também as mesmas que eu tinha.

A sensação se estendeu enquanto eu analisava alguns documentos que tinham me ensinado antes de pegar o cargo e fechava o escritório, voltando para o meu dormitório.

Depois que vi Ana passar pela porta de meu quarto, fui até ela para pedir desculpas e ela foi gentil em me dizer que não guardava ressentimentos. Ela parecia exausta e eu me perguntei se era esse meu estado atual. Naquele dia eu dormir como se um peso tivesse sido tirado de dentro de mim e me dormi pensando nas mil e uma possibilidades que fazer isso tinha aberto.