Notas iniciais
OLÁÁÁ, então ... essa história surgiu a um tempo atrás quando eu estava tendo uma crise de insonia, mas eu estava com medo de postar, não sei por que. Agora espero desenvolver essa história e faze-la crescer com a ajuda de vocês

Fugir sempre fez parte da minha vida. Isso é frustrante. Ao invés de enfrentar o que quer me matar, eu me escondo. Mas não há escolha. Leroy diz que é preciso, e que somos os únicos que sobraram. Ele é o meu tutor, guardião e, ás vezes, um pai para mim. Mas principalmente, Leroy é meu amigo. E eu sou um alienígena. No caso, uma alienígena. Vim de um planeta chamado Lorien, que foi destruído pelos Mogadorians ou Mogaloides, que é como eu os chamo. Uma raça nojenta que tem a aparência de tubarões com braços e pernas.

Mais oito crianças conseguiram fugir, e agora lutamos pela vida e a salvação da nossa espécie. Mas o que adiantaria fugir, sendo que uma hora ou outra eles vão nos encontrar e não teremos para onde ir? Teremos que enfrentá-los antes que seja tarde demais, certo?

♦ ♦ ♦

Era uma trágica manhã de segunda-feira. Meu despertador tocava avisando que já estava na hora de levantar a bunda da cama e partir para mais um dia entediante de escola. Reclamar desse lugar nunca foi um costume para mim, afinal eu não queria ficar trancafiada em casa. Mas agora eu só não quero levantar tão cedo.

— ALEX, é melhor você descer ou irá se atrasar! — Leroy gritou do meu lado, como se eu fosse surda ou retardada.

— Já entendi. Sabia que se você continuar gritando assim do meu lado, pode prejudicar minha audição no futuro, assim como os fones de ouvidos muito altos e... — Ele rolou os olhos entediado e me interrompeu rudemente.

— Não pense em começar seus monólogos. Ainda está muito cedo para mim aguentar tamanha chatice — OK, essa me ofendeu. Abri minha boca para começar outro monólogo, mas antes mesmo de dizer qualquer coisa, Leroy saiu pela porta e desceu as escadas.

Não sei por que diabos eu ainda estava sentada na cama olhando para o teto. Meus olhos estavam pesados de sono, quase completamente fechados. Eu me preparava para deitar e me aconchegar de novo na cama quando Leroy gritou da cozinha para mim não demorar mais um segundo. Decidi finalmente me levantar. Liguei o rádio que estava em cima da escrivaninha. Ao lado jazia meu notebook que eu nunca sequer ligava. Eu sei, qualquer adolescente normal ligaria o notebook e abriria o iTunes com a sua playlist preferida, mas o fato é que eu não sou uma adolescente normal.

Liguei o chuveiro e entrei de baixo da água morna. Todo o sono que eu tinha escorreu pelo meu corpo e saiu diretamente pelo ralo. Finalmente despertada e disposta, desci as escadas já pronta para o colégio.

Me aproximei da cozinha e senti o cheiro de pão fresquinho. Minha barriga roncou no mesmo segundo que aquele cheiro dos deuses entrou pelas minha narinas.

— Parece que alguém está com fome — Leroy disse com um sorriso aberto. Merda, tinha coisa ali. — Sinto em lhe dizer que você não vai poder comer.

— E posso saber o por quê? — Será que é porque eu não devia ter enrolado muito para levantar, ou será que é por causa da demora no banho?

— Por que não dá tempo. Você demorou muito e acabei de descobrir que o carro quebrou — se ele não estivesse mastigando esse maldito pão, eu podia jurar que um sorriso sarcástico tomava conta de seus lábios.

— Ótimo! Então pode me dizer como eu vou para escola? — depois de engolir o resto do pão e tomar dois goles de café, ele saiu pela porta dos fundos e fez sinal para eu segui-lo.

O segui, mas antes peguei uma maçã que estava em cima da mesa. Me encostei na porta, dei uma mordida na maçã e vi Leroy trazendo meu novo meio de transporte.

— Não, não, não... — Resmunguei, abismada, enquanto olhava para a cara do meu “pai”.

— Qual o problema? Eu te ensinei a andar de bicicleta — Leroy passou a mão no banco tirando a poeira e se sentou.

— Me ensinou, quando ainda morávamos no Texas. A dez anos atrás! — Dei mais uma mordida na maçã e cruzei meus braços.

— Sinto muito, estrelinha, mas então você irá ter que ir a pé hoje — olhei para a bicicleta empoeirada e passei o olhar para Leroy.

Bufei, vencida, e segurei o guidão da bicicleta.

— É bom que você arrume logo esse carro. — Com isso eu subi na bicicleta, puxei minha mochila e saí pela rua comendo o resto de minha maçã.

♦ ♦ ♦

O vento batia no meu rosto e eu sorria em troca. Aquilo era muito bom. Se eu tivesse me lembrado antes que andar de bicicleta era tão tranquilizador, eu nem precisaria encher mais o tempo de Leroy. A escola já conseguia ser vista por mim e vários alunos ainda estavam espalhados pela entrada. Jogadores de futebol jogavam outros garotos na lata de lixo como se fossem um pedaço de papel inútil. Isso era ridículo. Simplesmente me tira do sério ver as pessoas maltratando as outras sem motivo nenhum. Eu com certeza daria uma lição nesse tipo de gente, mas se eu chamar atenção, Leroy me mata.

Faltava no mínimo 60 metros para chegar na escola. Pedalei mais um pouco, entrei no local onde podia deixar motos, carros e afins. Surpresa... só eu fui de bicicleta. Desci do meu meio de transporte e avistei alguns colegas da minha aula de inglês, única aula que eu realmente me interessava. Dei dois passos na direção deles quando, do nada, sinto um formigamento na minha perna direita. Andei mais um pouco e a dor ficou muito mais forte. Merda! O desespero estava tomando conta de mim e caí no chão apertando minha canela.

— ALEX! — Ouço minha colega, Lucy, gritar a alguns metros longe de mim. Ela correu para ver o que estava acontecendo comigo. Várias pessoas já estavam olhando estáticos para mim. Ah, isso não acabaria bem.

Eu gemia agoniada no chão e me espremia de dor. De repente uma bola de luz começou a brilhar na minha perna. Quando a dor se intensificou, só me lembro de ter sido puxada por alguém e de tudo ficando escuro.

♦ ♦ ♦

Dor e mais dor em todo o corpo, mas principalmente em minha perna e na cabeça. Me remexi desconfortável, seja lá aonde eu estava. Abri meus olhos na intenção de descobrir o que tinha acontecido. Minha visão estava embaçada. Esfreguei meus olhos com meus dedos e bocejei. Ouvi várias buzinas, som de motor de carro e Leroy cantarolando do meu lado.

— Pra onde estamos indo? — perguntei me espreguiçando do jeito que podia dentro do carro.

— Lima, Ohio.

— Não tinha um lugar pior?

— Você viu o que aconteceu? Talvez essa nova cicatriz na sua perna te lembre algo — ele disse apontando para minha perna. Bingo! Lá estava uma nova cicatriz que se juntou às outras duas.

— Sua nova identidade. — Leroy estendeu para mim a minha nova identidade e eu a agarrei para ver o nome que ele tinha colocado.

— Rachel Berry? Isso é sério?— franzi meu cenho e olhei para ele.

— Foi o nome mais discreto que eu inventei.

— E o seu?

— Ryan Berry. — Assenti. Me virei para olhar a estrada pela janela do carro.

Então era isso. O número três estava morto e eu me mudava de novo para um lugar completamente diferente. Não se tem noção da pressão que eu sinto quando algum dos nove morre. Os Mogadorians passam todos os dias do ano nos caçando por sequência. O número Um morreu quando eu tinha sete anos. Naquele tempo, eu morava no Texas e ganhei minha primeira cicatriz. Na época foi algo muito difícil para mim. Quando eu tinha treze anos, estava morando na Califórnia. Foi quando o número Dois morreu e eu ganhei a minha segunda cicatriz. Daquela vez eu já esperava o que iria acontecer e não foi tão difícil superar. Agora, acabo de ganhar minha terceira cicatriz. Se isso é ruim? Muito, por que eu sou a próxima, eu sou a número Quatro.

Notas finais
Mereço reviews?