Another Number Four
2 First Day
Notas iniciais
enjoy
Acordei cedo e caminhei até a janela do meu novo quarto. O dia estava lindo, o céu estava em um azul deslumbrante, não havia nenhuma nuvem, só os pássaros voando. Crianças brincavam de bola na calçada e se divertem como podem, eu gostaria de ter sido assim, uma criança como as outras. Fazia no mínimo três semanas que eu só ficava trancada dentro de casa, não pude nem sair para olhar a rua, Ryan estava mais insuportável do que de costume, se não fosse tão estranho, creio que ele dormiria na mesma cama que eu.Ficar trancada não vai pará-los e muito menos detê-los.
Desci as escadas e Ryan não estava acordado ainda, estranho, não me lembro de ter levantado tão cedo. Aproveitando que eu não tinha nenhum pai chato nas minhas costas, liguei o notebook e fiquei procurando uma escola pela região.
—“William Mckinley High School.”—Murmurei para mim e cliquei no link do site.
A homepage do site é igual a todas as homepage de um site escolar. Fotos da escola espalhadas pelo site, atividades extracurriculares, laboratório, como chegar... como chegar. Cliquei em como chegar e anotei o endereço, para minha sorte, a escola ficava a só duas quadras da minha casa, então eu não precisaria que Ryan me levasse. Preparei alguns documentos e arrumei minha mochila, por sorte Ryan ainda estava dormindo e pude colocar qualquer roupa que eu quisesse. Vesti uma saia, camiseta e sapatilhas, passei uma maquiagem leve e arrumei meus cabelos negros. Observei a bancada, peguei um dos celulares que estava em cima de uma pasta e fui rumo a escola.
Definitivamente o céu em Lima é lindo, talvez de noite eu aproveite e fique olhando as estrelas do meu telhado. Caminhei lentamente pela rua do bairro, e fiquei olhando as casas praticamente iguais as outras, dessa vez Ryan não tinha escolhido uma casa no meio do nada e sim uma em um bairro normal. A escola estava a poucos metros de mim, e pelo o que eu pude observar esses alunos são piores que os de Atlanta. Calouros em latões de lixo, alunos correndo dos jogadores de futebol, meninas chorando e cheerleaders rindo da cara delas, completamente ridículo.
Parei na entrada do corredor e muitos olhares se voltaram para mim. Engoli em seco e comecei andar. Pessoas sussurravam coisas maldosas sobre mim para as outras, coisas sobre minha estatura ou sobre meu nariz. A única coisa que eu queria nesse momento era encontrar a diretoria antes que eu fizesse alguma besteira.
Avistei a diretoria e corri para dentro da sala. Havia uma moça visualmente jovem na recepção e uma senhora ao seu lado dando algumas instruções que eu não consegui decifrar o que era.
—“VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE FAZER ISSO.”— O grito era abafado pela porta, uma mulher loira com moletom esportivo surtava dentro da sala do diretor.
—“Eu não tenho culpa Sue, estamos quase sem dinheiro, vou ter que cortar o orçamento das cheerios.”— Falou o homem com um sotaque engraçado, parecia o diretor
Não se ouviu mais nada do que gritos raivosos e xingamentos. Eu estava completamente aterrorizada, a mulher estava destruindo tudo, voava troféus para todos os lados, papeis eram rasgados e pisoteados, o que mais me surpreendia era o fato do diretor estar extremamente calmo e assistindo a cena sem falar nada.
—“Não fique assim criança, não é a primeira vez que isso acontece...”— Falou uma senhora observando a cena junto comigo. —“O que posso te ajudar?”
—“Ah sim... é.... eu vim me matricular.”— Disse desviando meu olhar para encarar a senhora do meu lado.
—“Claro, queira me acompanhar.”— Ela deu um sorriso simpático e eu não hesitei em devolver.
Fiz todo o processo para me matricular e eu poderia começar hoje mesmo. Tive que inventar muitas mentiras, mas não foi tão difícil, eu já estava acostumada em fazer aquilo. O sinal tocou, avisando que a primeira aula acaba de terminar e que a próxima logo começará. Andei pelo corredor encarando o papel na minha mão com os números do meu armário, número 44, que ironia não é? Ri com o pensamento e ergui meu olhar para o corredor, três garotas de uniforme vermelho andavam em minha direção com um ar de superioridade. A do lado esquerdo era uma morena com traços latinos e olhos negros, um sorriso diabólico pintava em seu rosto e ela me encarava sem piscar, devolvi o olhar com a mesma intensidade, do lado direito havia uma loira alta com um rosto angelical e olhos azuis transbordando inocência, ela parecia um unicórnio... Finalmente meu olhar se voltou para a garota do meio, seu cabelo loiro dourado se formava em um rabo de cavalo perfeito no topo de sua cabeça, pele pálida se misturava com o uniforme vermelho, parece que o rosto foi esculpido por anjos, meu olhos pousaram em suas pernas torneadas e encarei as curvas.... É... Eu não deveria estar olhando as pernas dela, foco Rachel. Agitei mentalmente minha cabeça e encarei seus olhos, os olhos eram verdes com tom avelã, eles expressavam a mais pura frieza, isso me intrigou, tentei olhar por traz de todo aquele gelo, mas não consegui ver nada além de um mar de água fria.
Me distrai tanto com aqueles olhos que não percebi que cada uma das garotas carregava um copo grande cheio com alguma coisa, tarde de mais, senti três impactos em meus rosto e um liquido extremamente gelado escorreu por todo meu corpo, meus olhos queimavam, eu podia ouvir as pessoas rindo e as risadas das garotas em minha frente. Eu tremia, não só de frio, como de raiva. Levei meus dedos aos meus olhos para tirar o excesso de slush que fazia meus olhos arderem, abri minha orbitas castanhas e encarei a garota dos olhos frios rindo de mim, cerrei meus punhos cravando minhas unhas na palma da minha mão o mais forte que consegui e senti o sangue começar a sair e a se misturar com o liquido meloso. O riso das garotas morreu quando viram o sangue de minha mão pingando no chão, ta talvez eu não devesse aperta tanto minha mão assim, mas é inevitável, não consigo ver o que estou fazendo quando estou com raiva. Minha respiração estava ofegante, eu ainda estava no meio do corredor e as três garotas estavam na minha frente sem expressão alguma. De repente minha mão começa a arder muito, comecei a gritar de dor, quando olhei paras minhas palmas elas acenderam como dois faróis de carro. Merda o que estava acontecendo? A dor continuava e eu tentava controlá-la como podia, olhei para as garotas que estavam aparentemente confusas e aterrorizadas, escondi minhas mãos dentro da minha camiseta e corri pelos corredores procurando qualquer sala, qualquer merda que eu possa me esconder e esperar isso passar.
O suor escorria pela minha testa, meu coração estava acelerado, minha mão ainda ardia e piscava constantemente. Eu estava dentro da sala do zelador, tentei ligar pro Ryan mas eu não tinha o número e essa droga de mão que não apaga, pra completar estou toda melada de raspadinha e suor, tem como piorar?
—“Aiiiiii.”—A dor se intensificou e eu me retorcia no chão, não tinha mais forças para aguentar, meus olhos estavam pesados e minha visão desfocada, a qualquer segundo eu iria apagar.
Mãos fortes chacoalhavam meus ombros na intenção de me acordar. Olhei para os lados e vi que ainda estava na sala do zelador.
—“Precisamos ir.”— Ryan disse e me ajudando a levantar, me apoiei em seus ombros e saímos da escola.
XXXXX
—“O que aconteceu?”— Ryan perguntou olhando pra mim e observou eu melando todo o estofamento do carro.
—“Umas garotas idiotas jogaram raspadinha em mim, obviamente eu fiquei com raiva, do nada minha mão começou a arder acender.”— Ryan pareceu pensar, ficamos em silencio de novo e isso já estava me incomodando.—“O que esta havendo comigo?”
—“Seus poderes, estão começando a dar as caras. Você vai precisar aprender a controlá-los. E quem mandou você ir pra escola? O que eu tinha dito mesmo?”
—“Não importa o que você disse, eu não ia ficar trancada em casa.”— Retruquei.
—“Não importa? Você viu o que aconteceu e mesmo assim não importa?”— Perguntou incrédulo.
—“Ok, me desculpe. Mas eu vou continuar indo para escola.”
—“Mais alguém viu?”— Perguntou.
—“Não”— Menti. Na verdade eu não sei se alguém viu, não me lembro.
—“Então tudo bem, mas seja mais discreta.”
—“Pode deixar pai.”— Ele riu e nós seguimos para casa.
Amanhã será um longo dia...
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