Notas iniciais
Yoo mina-san! Estou muito feliz porque a espetacular da anittachan deixou uma recomendação linda para a FIC. Linda, eu amei tudo o que você escreveu, só peço uma coisa, não troque seus momentos de estudo para ler essa FIC, por favor. Eu fico realmente assustada porque você não é a primeira pessoa que me diz isso. Sobre o que você escreveu nos favoritos, não aparece nada pra mim, se puder mande por MP ou nos reviews mesmo (estou super curiosa!). Só em um ponto vou ter que decepcioná-la: não te mais muita água pra rolar na FIC, ela está quase 100% concluída, só falta eu publicar :( É isso mesmo galera, tirei o dia de ontem para escrever e praticamente terminei a FIC. Chegarei até o cap. 50, 51 caso eu tenha uma boa idéia (que trocadilho infame!). No cap. de hoje o Sasuke volta da guerra e tem uma desagradável surpresa, a Sakura também vai ter uma. Hinata finalmente conseguirá se aproximar de Naruto, mas descobrirá algo que mudará tudo. Enjoy!

Sasuke, juntamente com outros ninjas, jounins e chuunins, derrotaram os inimigos que aliaram-se contra Konoha. Seu coração estava no pequeno Hitachi e em Hinata, não via a hora de voltar logo para casa e tê-los em seus braços. Dessa vez ele estava disposto a acabar de vez com o abismo que existia entre ele e a esposa e seriam de fato marido e mulher, seu corpo e seu coração pediam desesperadamente por isso. Ainda mais depois de uma batalha como aquela, onde viu muitos ninjas conhecidos de longa data morrerem. Não que ele se importasse com os companheiros mortos, via-os somente como recursos necessários para atingir um bem comum, mas pensava que se fosse ele o próprio a cair por uma espada inimiga, Hinata e Hitachi ficariam abandonados sem os seus cuidados, e isso ele não poderia permitir.

Chegou em Konoha ao cair da noite e ao invés de ir até o Hokage como era de se esperar, foi desesperado para casa, ao chegar chamou por Hinata mas não obteve resposta. Preocupado vasculhou os cômodos, mas não havia ninguém, nem os empregados. Já temeroso do que pudesse ter ocorrido, foi até o quarto de Hitachi e percebeu que este também estava silencioso. Rapidamente correu até o berço e o que viu fez um grito curto escapar da sua garganta.

Pálido, muito magro e respirando com dificuldade, Hitachi lutava pela sua vidinha. Ele estava sujo e claramente estava sem receber nenhum cuidado há vários dias. Odiando-se por ter partido naquela missão maldita e por ter confiado em Hinata, Sasuke tomou-o nos braços e analisando-o descobriu que ele não estava machucado, mas evidentemente estava doente e precisava de imediato atendimento médico. Correu até o hospital, na entrada, encontrou a última pessoa a quem pediria ajuda.

Sakura espantou-se quando viu Sasuke chegando no hospital. Sujo, coberto de sangue dos inimigos, com as roupas rasgadas, ele provavelmente estava de volta da missão que assegurava a paz de Konoha. No seu colo, um embrulho pálido e magro, ela se espantou em ver o estado em que o pequeno Uchiha se encontrava, parecia ter ido para a guerra junto com o pai. Mas não demonstrou qualquer sentimento empático por eles, pelo contrário continuou a conversar alegremente com a recepcionista. Sasuke olhou ao redor, muitos dos ninjas que partira em missão com ele estavam ali aguardando atendimento médico, além de civis e até mesmo prisioneiros escoltados por ninjas sãos, ou seja, o hospital estava lotado, o comum depois de uma guerra, enquanto a desgraçada da Sakura papeava à toa. O que ele não sabia é que Sakura estava somente pegando as fichas dos pacientes na recepção e aproveitara para cumprimentar a recepcionista, ela teria uma longa noite pela frente e não via mal algum em descontrair-se, afinal o que para alguns era o fim do mundo, para ela era a sua rotina.

Irado e cego disso tudo, Sasuke se aproximou exigindo atendimento médico imediato para o seu filho.

— Preencha a ficha e aguarde como todos os outros, Uchiha-san. – Sakura respondeu seca e profissionalmente.

— VOCÊ VAI ATENDÊ-LO AGORA! – Sasuke berrou a plenos pulmões chamando a atenção de todos ao redor.

— Sinto muito, Uchiha-san, mas existem casos mais graves do que o seu, eles têm por direito que ser atendidos primeiro que o seu filho. – Sakura não se abalou com os berros dele.

Sasuke perdeu a cabeça de vez com a falsa demonstração de segurança de Sakura. Segurando Hitachi só com um braço, usou a mão livre para pegá-la pelos colarinhos e trazendo o rosto dela para mais perto, gritou o mais alto que sua garganta permitiu.

VOCÊ VAI CUIDAR DELE AGORA MESMO SE NÃO EU TE MATO SUA VAGABUNDA!!!

Dessa vez Sakura ficou mesmo assustada e não conseguiu esconder. Além do susto, muitos sentimentos antigos e mal resolvidos vieram à tona. Sua voz saiu trêmula e algumas lágrimas surgiram em seus olhos ao pronunciar.

— Sasuke, tem outros pacientes e...

Forte, rápido, assustador e doloroso. Primeiro um tapa, depois outro deixaram o rosto delicado da médica marcado e inchado. A recepcionista chamou os seguranças, mas esses ao verem que se tratava do general não ousaram fazer nada para impedir. Os ninjas que aguardavam atendimento médico também não ousariam colocar-se no caminho do sanguinário Uchiha, que em batalha mostrou ser absurdamente violento assustando até mesmo os mais experientes ninjas.

Sakura já não conseguia manter a pose profissional e fria, suas lágrimas desciam abundantes, seria sempre assim, ela seria o saco de pancadas de Sasuke, recebendo dele o pior tratamento que uma mulher poderia receber de um homem e sem forças e vontade para revidar, ela caiu de joelhos diante dele, envergonhada demais com a própria situação. Sasuke a puxou pelos cabelos e chutando a porta de um dos consultórios, jogou-a para dentro enquanto trancava a porta atrás de si. Todos na sala estavam constrangidos demais para tentar qualquer coisa.

***

Dentro do consultório, Sasuke com a mão livre apertava o maxilar de Sakura usando o limite da sua força física, enquanto dizia numa voz baixa e mais assustadora ainda, que ela iria cuidar do filho dele sim. Sakura tentava de toda forma livrar-se do braço rígido do Uchiha, mas era em vão, ela queria ao menos que ele lhe desse a chance de dizer que iria cuidar do bebê, mas que pra isso ele precisava soltá-la. Só que Sasuke, munido do ódio que sentia pela situação, pela própria esposa por não ter cumprido o seu papel e por ele mesmo por ter sido tolo de ter acreditado nela, só queria algo para descontar a sua raiva e ninguém melhor do que a sua ex de cabeça rosa para ajudá-lo nisso. Continuou apertando o maxilar até sentir os ossos da garota se afrouxarem e um grito esganiçado fugir da sua garganta. Rapidamente passou a apertar-lhe a garganta, seu ódio fez o Sharingan ativar-se e essa era a única visão de Sakura, os traços negros no globo vermelho, sua visão estava começando a ficar turva, enquanto observava o sorriso diabólico e insano do Uchiha que um dia tanto amou, e que agora parecia divertir-se com o seu sofrimento. Há muito tempo, Sakura sabia que era assim, mas tê-lo ali mais uma vez a torturando e se divertindo com isso, era demais para ela, mais lágrimas, de revolta, rancor e ódio misturadas ao medo de perder a própria vida, porque Sasuke parecia mesmo querer acabar com a vida dela. Só quando a cor do rosto da médica começou a mudar ele a soltou, Sakura tossiu muito e respirou desesperada pelo ar. Alguns tapas na cabeça e no rosto, a maneira que Sasuke encontrou de “ajudá-la” a se recompor a trouxeram de volta.

— Desgraçado – Sakura sussurrou com o pouco de fôlego que ainda tinha.

Sasuke deu uma risada sinistra, o bebê desperto que se remexia fracamente no seu colo o trouxe à realidade, depois mais tarde ele talvez pudesse torturar aquele bichinho cor-de-rosa mais um pouco, mas por ora, seu filho era a sua prioridade absoluta. Pousou Hitachi com delicadeza sobre a maca e ordenou que Sakura o curasse.

Com um estetoscópio, Sakura ouviu as batidas do coração de Hitachi, estavam fracas mas dentro da normalidade, observou as pupilas, o ritmo da respiração, tudo ok. Despiu-o e teria lançado um olhar de censura ao pai por deixar o bebê sujo daquela maneira, mas não o faria se fosse para apanhar de novo. Não havia nenhuma marca de ferimento, hematoma ou qualquer abuso, Sakura era uma médica experiente e sabia muito bem o que faltava para aquela criança, um banho e uma bela mamadeira resolveriam os problemas do pequeno Hitachi, ao bebê só faltava isso, os cuidados mais básicos que os incompetentes pais não puderam proporcionar. Mas munida do ódio que sentia pelo Uchiha e revoltada pelas agressões que sofrera injustamente, Sakura resolveu que se vingaria de Sasuke de uma vez por todas e se fosse o inocente Hitachi quem tivesse que pagar, assim seria, ela faria e não se arrependeria.

— Seu filho está muito doente, Sasuke. Preciso fazer mais alguns exames, mas ele está muito fraco, não sei se aguentaria.

— FAÇA O QUE TIVER QUE SER FEITO! – Sasuke gritava, mas no íntimo ele estava com muito medo.

— Como quiser. – ela respondeu seriamente e embrulhando o bebê pegou-o no colo.

— Aonde vai com ele?

— Vou levá-lo á sala onde contém os equipamentos necessários para os exames.

— Eu vou junto.

— Fique à vontade, mas saiba que sua presença pode comprometer os resultados e com uma leitura inadequada o tratamento também será.

Sasuke resignou-se a ficar onde estava. Assim que a rosada voltasse com o seu bebê curado e feliz ele iria mostrar-lhe uma coisa, por enquanto ela ficaria inteira para cuidar dele, mas só por enquanto.

**************

Ao término daquela breve guerra e com a implacável vitória de Konoha, graças aos esforços e empenho de Sasuke e seu exército, Naruto imediatamente recebeu um enxurrada de trabalho, o dia todo recebendo relatórios e mais relatórios. O fim de uma guerra, mesmo que pequena trazia uma série de assuntos administrativos para ele tratar. Suprimentos que deveriam ser respostos, presos inimigos que ficaram sob a custódia de Konoha e um lista infindável de detalhes e situações que precisavam todas passar pela autorização do Hokage.

Ao cair da noite ele estava exausto, hoje mais do que nunca precisava da sua cereja para adoçar-lhe a boca. Assuntos pós-guerra sempre deixavam ele pra baixo porque ele não gostava de guerra, seu maior desejo como Hokage era que houvesse paz no mundo ninja, mas levaria um bom tempo até que ele pudesse conseguir isso, Naruto não tinha mais os sonhos tolos de que tudo se resolveria como num passe de mágica, esse trabalho de transformar o mundo ninja num mundo pacífico era algo que levaria muitas vidas para ser concluído, a dele e de seus filhos, mas pensou bem e analisando como as coisas estavam, ele temia que nunca teria um filho do jeito que as coisas estavam entre ele e a Sakura. Suspirando muito pensou que com a quantidade imensa de ninjas feridos, ela dificilmente o procuraria naquela noite e ele não tinha permissão para fazê-lo, o jeito era esperar e se contentar que ela viesse quando bem entendesse. Tomou seu banho e serviu-se de uma dose de uísque, com poucas doses conseguiria dormir.

Não muito depois disso, ouviu o som da maçaneta sendo destrancada. Somente a Sakura entrava em seus aposentos sem ser anunciada, então imediatamente seu sorriso cresceu de orelha a orelha. Porém quando levantou-se para ver, o sorriso morreu imediatamente.

— Hinata?

Pálida e com o aspecto meio doente, Hinata estava diante dele, trajava um vestido que parecia ser bem caro, mas não estava bonita, não com aquele aspecto radiante, juvenil e sedutor de antes. Naruto preocupou-se com o que ela pudesse fazer, considerando que ele havia sido muito cruel na última vez em que estiveram juntos. Mas para ele aquilo era um caso resolvido, ela agora era uma mulher casada e com um filho, não era possível que depois de tanto tempo ela ainda nutrisse algum sentimento por ele.

— Naruto-kun eu... na verdade eu só queria...

— Hinata o que faz aqui a essas horas? Está tarde, vá para a sua casa esperar o Sasuke, com o final da guerra ele deve estar voltando – Naruto tentava manter um tom de voz casual.

— Eu sei o que você está pensando, que eu vim aqui para implorar por você, mas na verdade eu queria que você me perdoasse.

— Não há nada a ser perdoado...

— Não! Tem sim, tem muitas coisas! – ela o interrompeu bruscamente – eu usei você Naruto, te seduzi e pensei que se engravidasse de você você me amaria, mas agora eu sei que é impossível.

Naruto suspirou pesadamente e levantando-se da cama, amarrou o robe. Indicou a poltrona para ela sentar e sentou na sua frente. Observou como ela estava abatida, pálida e mais magra, não era legal ver ela assim, afinal ele já havia esquecido completamente toda a malfadada história que tiveram, para ele aquilo era uma página virada, mas não queria ver a esposa do seu melhor amigo chorando por ele.

— Hinata, você não tem que se desculpar de nada, eu entendo. Na verdade eu que devo pedir desculpas à você por tudo o que te disse na última vez.

Hinata tinha os olhos cheios de lágrimas, mas não iria embora sem dizer e fazer tudo o que queria.

— Antes me deixe falar, por favor é importante.

Então Hinata iniciou sua narrativa, contou que certa vez ele foi até a sua casa e ofereceu-lhe flores e a convidou para um passeio. Naruto não entendeu absolutamente nada porque por mais burro que fosse ele não se lembrava daquilo, mas resolveu aguardar. Hinata prosseguiu dizendo que ele a beijou de maneira luxuriosa e disse que a encontraria naquela noite. Ela passou o resto do dia temerosa e excitada com o que pudesse acontecer. À noite como prometido, ele foi até ela e tiveram a primeira de uma série de tórridas noites de amor. Nesse ponto Naruto queria protestar que nunca havia feito nada daquilo, mas algo dentro dele o impediu de interromper o relato da garota.

Hinata contou se sempre foi apaixonada por ele, desde criança, o sentimento é claro floresceu mais na juventude e com o próprio incentivo dele, ela se tornou uma ninja forte e destemida, tanto que acabou se declarando abertamente, sem nunca ter sido retribuída. Então, quando ele mesmo demonstrou interesse por ela, ela ficou alucinada de tanta felicidade, nada mais importava a não ser recebê-lo toda a noite, o amor platônico e inocente transformou-se numa paixão quente e impossível de ser apagada, ele fora e sempre seria o seu primeiro e único homem, o único que amaria para o resto da vida.

Só que então, após ele ter sido preso e ficarem várias semanas sem se ver, Hinata recebeu novamente a visita calorosa do seu amante no mesmo dia em que foi liberto. Ela contou que naquela noite ele a amou como nunca e declarou o seu amor, ela estava em êxtase.

— Até o momento em que você falou que você não era você. Eu fiquei muito confusa Naruto-kun, mas antes que eu pudesse fazer mais perguntas, você desfez o jutsu e revelou-se. Na verdade era o Sasuke.

Naruto ficou tentando digerir aquela informação, parecia tudo muito bizarro demais, muito antinatural. Está certo que como ninjas, fazer um jutsu para se passar por outra pessoa era algo comum e corriqueiro, mas ele nunca tinha ouvido dizer de alguém fazer isso para transar com outra pessoa. Ainda mais o Sasuke, tão arrogante das suas conquistas e de como as mulheres se jogavam aos pés dele. Mas pela primeira vez aos olhos dele, Hinata parecia estar falando a verdade. De repente sua memória veio, o primeiro motivo de briga entre ele e a Sakura foi justamente por ela o ter visto aos beijos com a Hinata, e o que antes era algo sem pé nem cabeça, agora fazia todo sentido do mundo. Se Sasuke se passou por ele para se aproximar de Hinata, então quando a Sakura o viu a beijando, era ao Sasuke que ela viu e não à ele.

— Depois que ele me contou que o tempo todo eu estive com ele e não com você, eu me senti violada, suja, enganada. Comecei a pensar que seria muito injusto eu ter lembranças falsas de você e por fiz aquela bobagem de me passar pela Sakura-san. – ela fez uma pausa antes de concluir — Naruto, eu sei que você pode não estar acreditando em mim, mas...

— Pelo contrário, eu acredito sim.

Hinata o olhou espantada. Achou que o Hokage duvidaria dela, questionaria e até mesmo defenderia o Sasuke.

— Com isso muitas coisas que não faziam sentido, agora se encaixam perfeitamente.

Hinata continuava olhando para ele sem entender muito bem.

— Hinata, no início do meu namoro com a Sakura eu tive problemas, pois ela disse ter me visto aos beijos com você, na época nenhum de nós dois sequer cogitamos a possibilidade de que fosse o Sasuke. Agora com você contando isso, eu sou capaz de entender o que aconteceu.

— Você entende, Naruto?

— Entendo, o Sasuke te seduziu, de maneira baixa e mentirosa, provavelmente para atingir a Sakura e a mim.

— Sim ele me disse que na ocasião fez o que fez porque vocês o haviam traído, eu não entendi nada, mas estava tão transtornada com o que ele havia feito que não queria saber dos motivos dele.

— Entendo. Mas Hinata, eu conheço o Sasuke, ele pode ter usado esse método vulgar para se aproximar de você, mas eu não duvido que hoje ele te ama, não depois de tudo o que aconteceu.

— Ele me diz isso quase que diariamente.

— E então? Porque não dá uma chance sincera à ele?

— Eu não sei não Naruto... meus sentimentos são confusos, ainda tem uma parte de mim que te ama, mas agora com o Hitachi e depois de ter visto você e a Sakura-san novamente juntos, eu fico pensando se não está na hora de esquecê-lo de vez.

Naruto sentiu-se desconfortável em saber que ela sabia sobre ele e Sakura, não queria que sua intimidade com a mulher que amava se tornasse pública, não era pudor, era uma questão de respeito. Mas isso não vinha ao caso, naquele momento ele precisava ajudar a Hinata a enxergar que ficar com o seu marido seria o melhor para ela e para o seu filho, seria o melhor para todos. Hinata com aquele semblante entristecido e meigo e dizendo a verdade tocou o Hokage como há muito tempo não se sentia tocado. Não era dó, era a simples constatação de que ela fora usada e teve os sentimentos feridos como ele mesmo fora. Naruto sentiu-se igual à ela, sentiu que ela só esteve tentando se defender como podia e lutar pelo o que queria.

Ao revelar toda a verdade para Naruto, Hinata sentiu como se um peso fosse tirado das suas costas. No momento em que revelou a ele que todas as suas atitudes egoístas foram causadas pelo desespero de ter sido usada e iludida, ela sentiu-se livre. É claro que uma pessoa forte, convicta e madura não teria feito o mesmo que ela, mas quando se ama de maneira passional todas as pessoas perdem sua força, convicção e maturidade, ninguém poderia julgá-la, só se fosse alguém que nunca amou. Então, seu objeto de desejo, seu sonho de infância, sua inspiração e por muito tempo razão de viver já não era mais tão importante assim. Naruto momentaneamente se tornou comum aos olhos de Hinata, um rapaz simples e honesto, bonito e querido por todos, mas comum.

Ao contrário do Sasuke, que era um enigma, uma incógnita. Lembrou de cada momento em que esteve com ele, não com ele se passando por Naruto, mas ele com o rosto lindo dele, o sorriso de canto, o jeito sério que ele mantinha a maior parte do tempo, a maneira orgulhosa que ele olhava para Hitachi, como o erguia no colo e olhava fixamente por longos momentos, cheio de admiração e orgulho. Lembrou-se das inúmeras flores que ele deixou à mesa do café da manhã, em como passava horas escolhendo um novo vestido para presenteá-la que ela nunca usava, os olhares ternos, a maneira como ele falava “Hey Hina” toda vez que sentia-se seguro o suficiente para propor pela milionésima vez que ela lhe desse uma chance, os jantares que ele preparou somente para ela, os beijos que tentava roubar sem sucesso, as mãos que a segurava pelos ombros, braços, punhos toda vez que tinha que falar algo importante. Lembrou-se do cheiro dele, do kimono sujo de sangue, a espada que a defendia, as cicatrizes, os músculos, os cabelos, a boca, os olhos. Sua mente desenhou Sasuke como ele era, diante de si, ela nunca o achou tão querido e maravilhoso como ele parecia agora.

Hinata lembrava-se disso tudo, olhando para o nada. Naruto na sua frente achava que a garota olhava para ele, viu quando os olhos dela começaram a encher-se d’água ficando mais claros ainda, misturados com as lágrimas eles se tornavam quase brancos, brilhantes, etéreos.

— Eu estou apaixonada... – Hinata sussurrou olhando para ele.

— Hinata eu sei que... – Naruto disse estendendo a mão para tocar o rosto dela, mas ela o impediu antes que o fizesse.

— Não me toque... nunca mais.

Hinata não precisava dizer à ele por quem ela estava apaixonada, não tinha mais necessidade. Se havia uma pessoa que precisava ouvir era o Sasuke, ela saiu sem dizer mais nenhuma palavra. Naruto suspirou profundamente, era meio desolador não ser mais o objeto de desejo de alguém, mas no final das contas era melhor assim. Se Hinata virou a página então ele havia cumprido bem o seu papel.

**********

Sasuke já impaciente aguardava o retorno de Sakura, achou-se imbecil por deixar a rosada levar o seu filho para longe dele, mas ele não sabia direito onde era a tal sala de exames e não sabia onde procurar, o jeito era aguardar. Sentou-se em um dos bancos do consultório e aguardou, braços cruzados na altura do peito, o calcanhar direito repousando sobre o joelho esquerdo. Em silêncio Sasuke ouvia os barulhos característicos de um hospital lotado, passos, vozes, sons de equipamentos médicos, o apito do monitor cardíaco, aquela máquina fatal anunciando que mais uma pessoa não estava entre eles. Repentinamente estremeceu, pensou em quanto tempo Hitachi teria ficado sozinho antes de ele o encontrar, sentia-se amargurado ao pensar em Hinata, a paixão devotada que sentia estava aos poucos virando raiva, se bem se conhecia para passar a enojá-la faltava pouco. Claro que ansiava para que o filho retornasse são e salvo, mas mesmo assim Hinata não se livraria de uma bela conversa que teriam. Ele já estava cansado de ser pisado, mas isso ele podia aguentar. O que não poderia continuar era o desleixo dela para com o filho, um inocente que não tinha nada a ver com as confusões que ele aprontara. Sasuke pensou que Hinata provavelmente fazia tudo isso para machucá-lo, se fosse o caso ela era muito mais mesquinha e egoísta do que ele pensava e se o filho dele ficasse com qualquer sequela dos maus tratos ele pensava seriamente em punir a esposa. Depois de uma hora aguardando, Sasuke já estava mais do que impaciente, passou a andar pra lá e pra cá, alisando a espada, o aperto no peito crescendo, a sensação de gelo na barriga aumentando. Ele pensou que deveria ter pegado leve com a Sakura, ela tinha o seu filho nas mãos além de ser médica, ela bem que poderia... “Não, ela nunca faria isso! A Sakura é idiota mas ela não faria mal a um bebê”, pensou não crendo nas próprias palavras.

Antes que pudesse dar mais asas negras à sua imaginação, ouviu a maçaneta sendo girada e Sakura entrou, não tinha Hitachi nos braços e isso já deixou Sasuke desesperado.

— Onde ele está? – ele quase gritou.

— Me acompanhe, Sasuke – Sakura disse num tom de voz baixo e sentido, os olhos meio avermelhados.

“Se ela chorou... ai Kami-sama, não permita que eu perca meu filho”, Sasuke rezava em pensamento.

Caminharam por um corredor longo e estreito. Sakura andando na frente, sendo seguida por Sasuke, no caminho várias pessoas passaram esbarrando nele, correndo para salvar a própria vida ou a de alguém, mas para ele pareciam estar em câmera lenta. Ele sentia a visão turva, o estômago gelado as pernas frias e um peso sufocante no peito, queria gritar para aliviar o medo que sentia, mas ele ainda não sabia o que tinha acontecido, Sakura poderia muito bem ter chorado pelas agressões que sofrera. “Hitachi está bem, meu filho está bem”, Sasuke dizia a si mesmo. Entraram numa sala branca, quando Sakura abriu a porta, Sasuke vomitou. Ele não precisava de mais nenhuma explicação para entender o que havia acontecido.

Em uma maca no centro da sala, um volume pequeno estava completamente coberto por um lençol branco. Sasuke passou a mão pela boca suja de vômito e limpou na barra do kimono, aproximou-se lentamente e tocou onde deveria ser a face de Hitachi por cima do lençol. Sakura descobriu o corpo do bebê e Sasuke virou o rosto bruscamente, as lágrimas teimando em não sair queimavam-lhe os olhos. Pálido e com os lábios meio arroxeados, imóvel e sereno, Hitachi jazia sobre a maca.

— Sasuke, eu sinto muito. – voz de Sakura revelava uma dor que ela não sentia, mas Sasuke estava destruído demais para notar. – eu tentei de tudo e...

CALE-SE! – o grito antes preso finalmente saiu e junto com ele uma enxurrada de lágrimas.

Sakura viu Sasuke como desejava vê-lo: impotente, fraco e destruído. Não se incomodou com os gritos, porque ela estava vingada.

SAIA DAQUI, SAIA DAQUI!

Sakura obedeceu e saiu fechando a porta atrás de si. No corredor, as pessoas continuavam correndo para lá e para cá por suas vidas ou pela vida de alguém, nenhuma delas pareceu se atentar ao sorriso satisfeito que se formava no belo rosto da jovem médica.

Notas finais
Antes que vocês me costurem meu nome na boca do sapo, a Sakura NÃO matou o Hitachi, ela NÃO fez isso galera! Eu sei que ao dizer que ela faria mal para ele deu a entender que seria algo bem clichê como bater ou judiar fisicamente. A Sakura fez uma maldade extrema com o Hitachi, claro, visando ferir ao Sasuke, mas ela não matou o pobrezinho. Eu só tirei o sagrado direito da expectativa de vocês, porque sei que serei crucificada nos reviews, então antes que alguém possa dizer que eu voltei atrás por “medinho” da reação do povo, eu prefiro revelar logo que não foi nada disso. Mas para saber exatamente o que aconteceu, vocês vão ter que esperar o próximo cap (muahahahaha, sim eu sei, eu sou malvada)! Hinata do céu! Agora que você foi descobrir que ama o Sasuke??? OMG espero que ainda dê tempo minha filha... PS: PARABÉNS AO BLACK!!! Menino você me fez acordar cedo em pleno domingo só para publicar o cap. que te prometi... seja bonzinho comigo.