Ano Baka (Aquele Idiota)
47 Capítulo 47
Notas iniciais
Como informara ao Sasuke, Sakura foi realmente para a sala de exames, mas somente para despistá-lo. Lá tinha uma porta que dava saída para uma área restrita do hospital, uma espécie de casa que os médicos de plantão podiam usar. Era como uma casa comum, equipada com fogão, geladeira, camas, sofás, televisão, banheiro com chuveiro, ou seja, tudo o que eles precisavam para se ajeitar enquanto aguardavam os pacientes nos longos e cansativos plantões do hospital de Konoha. Sempre tinha alguém lá, mas naquela noite pós-guerra com o hospital lotado como estava, não havia ninguém e por tão cedo não haveria. Carregando o pequeno Hitachi, Sakura pegou alguns itens para cuidados com bebês e foi até o banheiro, usando um balde raso e água morna, banhou o bebezinho que mesmo fraquinho e pálido se animou com a água. Deixou-o bem limpo e cheiroso e vestiu-o com um macacãozinho branco sem identificação nenhuma. Preparou uma mamadeira reforçada e deu de mamar para o pequeno. Hitachi sugou a mamadeira com desespero e quando acabou queria mais. Sakura observava o mini Sasuke no seu colo, achou-o lindo, mas carente. Enquanto mamava, os olhinhos dele brilhavam para ela e todo o rancor que ela sentiu quando ele nasceu foi embora, quando se deu conta de que ele era inocente e não carregava culpa nenhuma pelo que o pai dele fez contra ela. Mas nem por isso não faria o que planejava.
***
Hinata correu em busca de Sasuke, estava feliz demais com a sua descoberta, precisava contar a ele que o aceitava, que o amava e que a partir de agora seria inteiramente dele. Mas no caminho lembrou-se que deixara Hitachi sozinho, uma onda de arrependimento bateu-lhe quando se lembrou que dispensara todos os empregados e que praticamente abandonara o menino à própria sorte. Correu para casa e a encontrou silenciosa e vazia, nem sinal de Hitachi, estremeceu pensando no que pudesse ter acontecido, em como fora irresponsável. Saiu para a rua sem rumo, e uma conhecida percebendo que ela estava bastante abalada disse ter visto Sasuke carregando Hitachi em direção ao hospital. As pernas dela gelaram e sem agradecer a informação da jovem, correu até o hospital de Konoha.
Ao chegar lá, encontrou o verdadeiro caos, ninjas gravemente feridos, civis com seus casos rotineiros, prisioneiros, soldados, policiais, enfermeiras, crianças chorando, procurou no meio de tantos e encontrou um rosto conhecido. Sakura tentou disfarçar o constrangimento quando a viu, mas Hinata ignorou e foi abordar a médica.
— Sakura-san, por favor eu gostaria de saber se viu o Sasuke.
Sakura não conseguia encará-la, não depois do que havia feito, mas tinha que manter seu segredo bem guardado, do contrário a pena de morte seria pouco para ela.
— Hinata-san, o hospital estava tentando contatá-la, mas como pode ver está um verdadeiro caos aqui.
— O que aconteceu? – Hinata perguntou aflita – onde está o Sasuke? O Hitachi?
— Venha comigo, por favor.
Sakura andou apressada se desviando das pessoas, Hinata seguiu-a de perto sem dificuldade. Sakura parou diante da porta de uma das salas e Hinata sentiu-se subitamente fraca.
— Hinata-san, eu realmente sinto muito, sinto muito mesmo.
Abriu a porta e Hinata viu Sasuke debruçado sobre um pequeno volume coberto por um lençol branco. Sakura não precisava dizer mais nada, pois Hinata havia entendido tudo, mas simplesmente não conseguia acreditar no que via. O marido clamava pelo filho morto, nunca vira o Sasuke tão aberto, com os sentimentos tão à mostra. Entrou e ouviu a porta sendo fechada atrás de si.
— EU MANDEI VOCÊ EMBORA! – Sasuke gritou pensando que se tratava de Sakura.
— Sasuke... – ela balbuciou incrédula.
Ele a olhou, os olhos vermelhos de chorar, o rosto contorcido pela dor, raiva, mágoa, ódio. Hinata olhou o pequeno corpo do seu filho inerte, havia algo muito estranho, ela não poderia acreditar que era ele mesmo. Mas era. Dolorosamente, o seu filho estava morto e a culpa era dela, por tê-lo deixado sozinho, por não ter cuidado dele, por não ter sido mãe.
Sasuke retesou-se, a imagem de Hinata que antes despertava-lhe os sentidos, agora causava-lhe nojo, sentiu uma vontade imensa de espancar aquele rostinho bonito dela até deformá-lo, queria arrastá-la pelas ruas de Konoha pelos cabelos e depois executá-la com o seu Chidori. Mas ciente que nada disso traria o seu filho de volta, ele aplacou o seu ódio e o jogou para segundo plano, a dor da perda do filho era maior.
— Saia daqui. – ele ordenou com a voz fria.
— Sasuke eu... o Hitachi? Não é possível.
— É claro que é possível. Uma criança precisa dos cuidados da mãe e se não os tem, ela pode morrer – ele disse sem conseguir ocultar a raiva.
— Mas eu... eu não sabia. O Naruto e eu nós...
Ao ouvir o nome do Hokage, Sasuke ficou cego de ódio, a vadia da sua própria esposa estava indo correr atrás do Hokage enquanto deixava o filho morrer? Com dois movimentos estava sobre ela, apertando-lhe o pescoço, o Sharingan já ativado.
— EU VOU MATAR VOCÊ! – ele gritou alucinado – COMO PÔDE, HINATA? COMO PÔDE? ABANDONOU SEU FILHO PRA IR ATRÁS DO NARUTO?!
Hinata não conseguia se soltar, usando somente um braço, Sasuke a imobilizou completamente, apertando o pescoço e impedindo o fluxo de ar. Hinata já estava quase perdendo os sentidos quando ele por fim a soltou, não queria mais uma morte naquela noite, não naquela noite. Ao se ver livre, Hinata tossiu e buscou o ar, a garganta dolorida pelo esforço. Ciente que estava tendo o que merecia por ter sido tão negligente a ponto de causar a morte do seu pequeno, Hinata caiu de joelhos e começou a chorar.
— Agora não adianta mais, ELE ESTÁ MORTO! ENTENDEU? ELE ESTÁ MORTO! – Sasuke gritava perto do ouvido dela. Hinata os tampava para não ouvir a dolorosa verdade.
Depois de observá-la por um tempo e concluir que ela era indigna dele, sempre fora, ele é que foi um retardado mental de correr atrás de uma mulher vazia e fraca como ela. Sasuke voltou a dar atenção ao corpo moribundo do filho. Lembrou-se de quando estava sob a tutela de Orochimaru e ele o ensinara vários jutsus proibidos, dentre eles um de ressuscitar os mortos, que foi a grande sensação da Quarta Grande Guerra Ninja. Para isso, precisava de um sacrífio, tinha um ali mesmo diante de si. Rapidamente, tomou a decisão, mataria Hinata e traria Hitachi através do corpo dela, ele não sabia se daria certo, pois nunca havia tentado o tal jutsu, e a diferença de idade, peso e altura entre Hinata e Hitachi era gritante, ela era adulta e ele um bebê.
“O que estou pensando? Fiquei louco de vez? Algo assim nunca funcionaria... e mais, no final não seria o meu filho, não de verdade”. Acabou abandonando a ideia antes mesmo de ela amadurecer. Recostou-se na parede, as últimas lágrimas escorriam da face, os olhos doloridos. A última vez que chorara foi quando matou Itachi, isso já tinha mais de 5 anos, antes disso a única vez que se lembrava de ter chorado, foi quando encontrou os pais mortos, isso já tinha quase 15 anos. “A minha vida é só desgraça”, ele setenciou a si mesmo.
Hinata, agarrada aos pés da maca, chorava compulsivamente. Ele achou-a tão ridícula, chorando, gritando e babando como estava, fingindo uma dor que não sentia. “Vou matar essa hipócrita... eu vou”, ele pensava enquanto a olhava com desprezo.
Do lado de fora, Sakura ouvia tudo e pensava triunfante que com um golpe só havia vingado-se do Uchiha e da Hyuuga, as duas pessoas que mais a atrapalharam na vida. “Ele vai acabar matando-a e será preso ou executado por isso... aí estarei livre definitivamente, eles nunca vão descobrir o que de fato aconteceu”. Saiu sorridente e foi terminar o seu plantão.
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Sasuke adormeceu sentado no chão usando a parede dura como encosto, ao acordar viu Hinata ainda caída aos pés da maca onde Hitachi jazia, o rosto marcado, os cabelos espalhados ao redor do corpo. Pensou em ir lá chutá-la, mas antes que o fizesse, alguns enfermeiros entraram na sala, já havia amanhecido e ele nem percebera.
— Uchiha-san, sinto muito mas precisamos cuidar do corpo.
Sasuke sentiu que desmaiaria, mas infelizmente com Hitachi morto ele teria que ser cremado ou enterrado. Levantou-se e foi até Hinata e a cutucou com o pé, logo ela se levantou também. Teve uma nova crise de choro quando foi informada que os enfermeiros estavam ali para cuidar do corpo. Sasuke a puxou violentamente pelo braço para fora da sala, deixando que os homens fizessem o seu trabalho. Lá fora, a família dela o aguardava, ao vê-los Sasuke sentiu um terrível desgosto, lembrou-se de tudo o que fizera, em como se humilhara pedindo a mão dela em casamento, em como se rastejou para o velho Hyashi, que agora o olhava como se ele fosse o culpado de tudo. Hanabi e a mãe a cercaram e choraram juntas abraçadas. Sasuke aproximou-se do sogro, ele estava um trapo, não tivera tempo de cuidar de si mesmo desde que voltara da guerra, enquanto o outro homem, vestido como um lorde o olhava como se ele fosse um lixo. Sasuke sustentou o olhar do velho e quando o mesmo fez menção de dizer algo, Sasuke o cortou.
— Eu te devolvo a sua filha. Ela não foi mãe e nem esposa, ela não passa de um lixo e não serve mais pra mim.
Hinata o ouviu dizer isso e afundou o rosto nos cabelos da mãe e chorou mais ainda.
— Temos um problema aqui Uchiha – Hyashi rebateu – ela não é bem vinda na minha casa também.
— Ótimo, então ela vai se foder sozinha a partir de agora. – e saiu sem dizer mais nenhuma palavra enquanto Hinata chorava junto com a mãe e a irmã.
***
Hinata chorou e chorou, a mãe implorou para que o marido a deixasse ir para a casa pelo menos naquele dia, mas Hyashi foi impassível. A filha ganhara a coroa de incompetência absoluta ao permitir que o neto dele morresse, então ele a repudiava total e completamente. Por fim foi deixada no hospital, onde as enfermeiras administraram alguns calmantes e ela permaneceu repousando. Por volta da hora do almoço, já estava fisicamente recuperada, mas emocionalmente destruída. Saiu da sala e no corredor foi informada de que como era a única parente de Hitachi presente, precisaria assinar alguns papéis para liberar o corpo. Aparentemente ninguém cuidara disso, então ela como mãe, para se redimir do mal que fizera ao próprio filho, resolveu que daria uma cerimônia decente ao menino, cuidaria de todos os detalhes já que era o seu desejo e responsabilidade. Após assinar a papelada, leu o atestado de óbito que dizia que a causa mortis era falência mútipla de orgãos, fez perguntas mas a enfermeira não soube responder, então chamou Sakura que como diretora do hospital precisaria esclarecer-lhe as dúvidas, como essa não estava, a médica assistente veio.
— Hinata-san – a jovem começou com a voz respeitosa – eu sinto muito por sua perda, sinto muito mesmo.
Hinata respondeu com um sorriso triste.
— Eu estava dando uma olhada nos papéis dele e preciso saber, o que causou a sua morte?
— Falência múltipla de órgãos – a médica respondeu mecanicamente.
— Causada pelo o quê?
— Hinata-san eu sei que é uma situação difícil e...
— Responda a minha pergunta.
— Inanição, Hitachi morreu de inanição e foi isso o que causou a falência dos órgãos vitais dele.
Hinata ponderou aquelas palavras: inanição. Ou ela era uma mãe muito desleixada mesmo ou Hitachi era muito fraco, para ter ficado apenas alguns dias sem a sua mamadeira e morrer literalmente de fome.
— Eu posso vê-lo? – Hinata perguntou.
— Claro.
A médica assistente saiu e Hinata foi até a sala do necrotério. Um enfermeiro com cara de pervertido olhou-a de cima abaixo e deu um sorriso sacana. Ela ignorou a falta de profissionalismo do mesmo e pediu para ver o corpo do filho. Ele puxou uma gaveta da geladeira, e o volume pequeno, já na lona foi aberto. Hinata analisou o corpo de Hitachi, ela era uma mãe desleixada, mas conhecia o próprio filho e aquele não era ele, na noite anterior, no calor da descoberta e com Sasuke chorando e sendo agressivo como estava, ela foi incapaz de verificar, mas agora mais calma, ela tiraria aquela dúvida. Fez alguns selos e passando a palma da mão sobre o corpo do menino fez uma leitura do seu chackra remanescente*. Quando uma pessoa morre, a assinatura do chackra dela permanece latente no corpo por algumas horas antes de esvair-se completamente. Com várias horas depois da morte, um ninja comum não consegue identificar, mas um Hyuuga, especialista em leitura de chackra conseguia fazer isso facilmente. Hinata ficou convicta que aquele não era mesmo o seu filho quando não encontrou chackra algum ali. “Se não há chackra, não é uma pessoa”. Para total espanto do homem que mantinha os olhos nos seios dela, Hinata golpeou o corpo com força e um pequeno tronco de madeira apareceu no lugar onde Hitachi estivera.
— Um kawarimi? Avise a todos que o enterro está cancelado – Hinata disse para o homem que a olhava atônito.
***
Hinata correu o mais que pôde em busca de Sasuke. Encontrou o ki dele perto do riacho e foi em busca dele. Sasuke já havia destruído boa parte das árvores do local. Ele se surpreendeu ao ver Hinata chegando, mas não demonstrou nada.
— Sasuke, não era ele! – Hinata chegou anunciando sem dar a ele a chance de entender qualquer coisa.
— Do que está falando?
— Hitachi! O nosso filho! Não era ele, ele não está morto!
— Claro... agora ficou louca, essa é a forma que a sua mente débil encontrou para não assumir a responsabilidade.
— Sasuke, eu falo sério. Era um kawarimi no jutsu.
— Hinata, suma da minha frente antes que eu perca a cabeça.
— Se não acredita venha ver.
Sasuke queria matá-la por fazer piada de algo tão sério como a morte do seu filho, mas uma ponta de esperança brilhava lá no fundo, e se fosse verdade? E se Hitahi estivesse vivo mesmo? Hinata já corria adiante e ele a seguiu com a esperança nascendo na sua alma.
Ao chegarem no hospital, o buzuzu do bebê morto que não estava morto, estava formado. O tal enfermeiro ficou tão espantado quando viu o corpo se desfazer e um tronco de árvore aparecer no local, que chamou a todos para mostrar. Estranhamente a diretora do hospital não estava presente para verificar algo de tamanha gravidade.
Ao vê-lo, Sasuke não quis acreditar, mas com o relato de Hinata sendo confirmado por diversas pessoas, conhecidas e desconhecidas ele não teve como negar. Sentiu-se revigorado, mas ao mesmo tempo preocupado. “Se Hitachi não está morto, onde ele está?”. Hinata crente que Hitachi estava em algum local dentro do hospital, já havia organizado uma pequena expedição, formada por enfermeiras, guardas e curiosos para procurar pelo bebê, estavam prestes a iniciar a busca entrando nos quartos, consultórios e salas de exame, mas Sasuke os impediu.
— Ele não está aqui.
— Sim, ele está, ele só pode estar aqui! – Hinata dizia esperançosa.
— Não está. Sakura não seria tão besta assim.
Hinata não entendia o que a Sakura podia ter a ver com aquilo. Mas Sasuke sabia que a rosada tinha todos os motivos do mundo para sumir com o filho dele. Agora sim, ele a mataria sem dó, sem piedade, sem deixar nem mesmo as cinzas ou sangue dela para trás. Ele a aniquilaria total e completamente. Mas se ela tinha sido esperta o suficiente para aplicar um golpe daqueles nele, ele seria esperto também.
— Sasuke, o que a Sakura tem a ver com isso? – Hinata insistiu.
Sasuke, olhou-a como se ela fosse uma cadela sarnenta e partiu, sendo seguido imediatamente por ela.
***
É claro que a notícia de que o filho do seu general estava morto já havia chegado até Naruto. Ele estava arrasado, só vira o menino uma única vez quando era recém-nascido, mas sentia-se ligado a ele de uma certa forma, por toda a expectativa antes do mesmo nascer e pela esperança de que ele próprio fosse o pai. Pensou desgostoso que agora que a Hinata e o Sasuke iriam se acertar, acontecia uma tragédia dessas. Ou eles se separariam definitivamente, ou se uniriam mais ainda. De qualquer forma, ele enviou pensamentos e orações silenciosas aos dois, só aguardava mais informações para aparecer no velório e enterro. Ficou muito surpreso quando viu justo os dois entrando sem prévio anúncio como duas balas na sua sala.
— Eu exijo a prisão imediata de Haruno Sakura – Sasuke anunciou sem cerimônia.
O filtro de Naruto ainda não estava habilitado, então ele não entendeu nada do que Sasuke falava.
— Sasuke eu sinto muito, eu soube do Hitachi. – Naruto respondeu automaticamente.
— Não ouviu nada do que eu disse, Naruto? Eu quero que Sakura seja presa.
— A Sakura? Mas por quê?
— Ela matou o meu filho.
— NANI? – Naruto gritou espantado.
— Isso mesmo, ela o matou.
— Sasuke, não era ele, você sabe... – Hinata tentou argumentar.
— Calada. – Sasuke a repreendeu severamente – Ou ela o matou ou ela fez algo tão terrível quanto, de qualquer forma minha queixa é genuína, eu exijo justiça.
— Sasuke, essa é uma acusação muito séria, eu precisaria investigar isso com calma.
— Claro, investigue. Enquanto isso eu vou achá-la e matá-la com as minhas próprias mãos. – ele ameaçou.
Naruto sabia que Sasuke falava sério, por muito menos ele mataria a Sakura e se ela tivesse mesmo envolvida em algo do tipo, nem ele como Hokage poderia salvá-la.
— Sasuke, fique tranquilo, eu cuido disso.
Sasuke o olhava duramente, já Naruto o olhava com um misto de piedade e medo. Ele lidaria pessoalmente com esse assunto, assim poupava sua cereja de ser esmagada pelo Uchiha.
***
Sakura acordou bem tarde, estendeu o plantão até não aguentar mais, mas uma hora o corpo já dolorido pelas quase 48 horas de plantão reclamou por descanso. Ciente que dali em diante só faria besteira se insistisse, resolveu ir descansar. Chegou em casa e o dia quase já raiava. Tomou um banho rápido, um leite quente e após cerrar as cortinas escuras rapidamente dormiu, logo estava em um sono bem pesado.
Horas haviam se passado quando ela ouviu batidas na porta, resmungando muito levantou-se enrolada nos cobertores para abrir. Deparou-se com Naruto, usava sua capa de Hokage e o chapéu característico que dava-lhe um ar de 30 anos mais velho.
— O que está fazendo aqui? – ela perguntou irritada.
— Posso entrar?
Sakura não estava a fim dele naquele momento, ainda dava pra esperar mais alguns dias antes de procurá-lo para se divertir um pouco.
— Naruto, eu não posso agora, preciso descansar.
— Não vim pra isso, Sakura.
— Então pra quê veio?
Naruto não queria ter que responder, não acreditava que sua cerejinha pudesse ter feito algo do tipo, mas com o depoimento de Sasuke, de Hinata e de outras pessoas que ele entrevistara no hospital, ele não tinha muito o que fazer.
— Sakura, você está presa.
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