Ano Baka (Aquele Idiota)
49 Capítulo 49
Notas iniciais
Naruto literalmente roía as unhas. Duas semanas do sumiço de Hitachi e a consequente condenação de Sakura haviam passado voando e ele não tinha encontrado um jeito de salvar a mulher que amava. Só de pensar que sua Sakura iria morrer e ele não poderia fazer nada, ele entrava em pânico. Queria parar o tempo, voltar atrás, qualquer coisa para impedir a morte dela. Sakura permanecia trancada nos seus aposentos, no início ela manteve a postura arrogante, mas quando soube que o conselho condenou-a à morte lentamente aquela máscara de ferro começou a cair. Naruto tentava animá-la de todas as maneiras, dizendo que encontraria um jeito de resolver aquilo, mas ele mesmo não tinha certeza das próprias palavras. Como Hokage, Naruto deveria fazer valer as leis de Konoha e nesse caso, Sakura realmente merecia pagar pelo que fez, mas como homem ele não poderia permitir que a mulher amada morresse, mesmo que o crime dela tenha sido monstruoso.
Naruto estava dividido. Em três pedaços e não somente dois. De um lado o dever, do outro o amor e do outro lado ainda, a amizade com Sasuke, que a essa altura estava quase se tornando inexistente, pois diariamente o general fazia questão de lembrá-lo que em mais tantos dias Sakura morreria. Sasuke fazia questão de dizer tudo muito friamente, com um brilho sádico no olhar, o que deixava Naruto em pânico, pois se ele encontrasse um jeito de salvar a Sakura da execução imposta pelo conselho, ele sabia que Sasuke iria arrumar um jeito de chegar até ela e matá-la. Então ele passou a manter seus aposentos inacessíveis até mesmo para a limpeza, ele próprio se encarregava de levar as refeições da Sakura e mantinha as portas e janelas trancadas por dentro e por fora com selos contendo chacka da kyuubi, ele e somente ele poderia abrí-las e enquanto ele não tivesse certeza que Sakura estava segura, ele não faria isso.
Sakura aguardava silenciosamente pelo seu fim. Todos os seus direitos mais básicos estavam revogados, ela agora era uma prisioneira e não via condições de se livrar na confusão em que se metera ela mesma. Não se arrependia em momento algum do que fez, mas não queria morrer por causa disso, não queria perder o direito de respirar, andar, lutar e ser tudo o que ela sempre foi por causa do seu erro. Ela queria uma chance de explicar seus motivos mas ninguém exceto o Naruto a ouvia. Embora ele estivesse ali ao seu lado o tempo todo, ela sentia que cada vez mais eles estavam distantes. Sentia saudade do tempo em que eram amigos, treinavam juntos e se divertiam, depois iam comer o rámen do Ichiraku, Naruto sempre cavalheiro, pagava e fazia tudo parecer um encontro. Ela lembrou sorrindo de quando algum rapaz a assediava, ele ficava muito bravo e chamava o cidadão para uma briga. Já naquela época ele demonstrava abertamente seus sentimentos por ela, não escondia que era ciumento e agia possessivamente em tudo o que se referia a ela. Naruto sempre esteve ao seu lado, mesmo quando ela não lhe dava nada em troca. Ele era o seu doce amigo e depois se tornou o seu doce amante. Mas agora eles aparentemente não eram mais nada um do outro. Ele era o Hokage e ela uma mera prisioneira que morreria brevemente. Sakura pensou que com o golpe que dera no melhor amigo dele, perdera também o seu amor, e isso fazia falta. Naruto mantinha-se distante, ela ocupava a cama dele enquanto ele se ajeitava no sofá, as tórridas noites de amor de antes foram trocadas por noites silenciosas, de um lado ele insone e do outro, ela chorando em silêncio.
Estavam nesse clima, Naruto temendo falar ou fazer qualquer coisa que machucasse mais ainda sua flor de cerejeira e Sakura sentindo-se miserável e indigna demais para se dirigir a ele. Numa noite, quando Sakura já havia contado que faltavam menos de uma semana para a sua execução, Naruto não pôde recolher-se de imediato, Sakura ouviu rumores somente pois do quarto onde estava não conseguia ouvir e entender o que as pessoas diziam, mas todos pareciam muito alterados e talvez Naruto tenha precisado ir resolver algo muito urgente, ela pensava, pois logo ouviu passos de todos saindo e o local voltou a ficar em silêncio. O relógio marcava mais de meia-noite, ela começava a se preocupar, não por ela, mas temendo que algo tivesse acontecido com ele, mas no fundo ela sentia mais saudade do que outra coisa qualquer. Lutando entre permanecer acordada para esperá-lo e o sono, Sakura acabou adormecendo, teve sonhos estranhos e confusos, onde no momento exato da sua execução, Naruto colocava-se na frente dela e recebia o golpe mortal, ao olhar para o carrasco era ele mesmo quem desferia o golpe, depois os rostos dele, do Sasuke e da Hinata misturavam-se num sorriso diabólico, ao fundo o choro de uma criança, ela via que era Hitachi coberto com o seu sangue. Nesse ponto, Sakura acordou sobressaltada, ofegante ela sentou-se na cama, mas deparou-se com algo que fez ela sentir mais medo ainda. O conhecido Sharingan ativado, vermelho como o sangue do seu sonho sobre ela.
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Sakura quis gritar, mas uma mão masculina tampou-lhe a boca. Em pânico pensou que Sasuke a mataria ali mesmo e ela não teria chance alguma de ver o Naruto pela última vez.
— Fica calma, sou eu.
O timbre já quase esquecido da voz do seu professor foi ouvido e Sakura sentiu-se subitamente aliviada.
— Kakashi-sensei!
— Sim, sou eu, fique calma. – ele a tranquilizou.
— O que aconteceu? Cadê o Naruto?
— Ele me pediu para vir ver se você estava tudo bem. Sofremos um ataque, mas agora já está tudo sobre controle.
A vila estava sendo atacada e ela não podia ajudar em nada, prisioneiros são inúteis em situações como essa.
— Mas onde ele está? Ele está bem?
— Está sim, mas precisou ir para o hospital, logo estará aqui.
— Mas... no hospital? Eu poderia...
— Sakura, ele me contou o que aconteceu. Você não pode mais exercer a medicina ninja, você sabe disso.
Sakura sentiu-se menor ainda diante daquilo. Então até o Kakashi sabia de tudo o que ela havia feito.
— Kakashi-sensei... eu, bem...
— Não precisa me explicar nada, Sakura. Eu não estou aqui para julgá-la, o conselho já fez isso.
Seco e direto, era assim que Kakashi agia, com todo mundo o tempo todo. Ela só recebeu uma atenção diferenciada por um breve momento quando esteve prestes a se tornar o prato principal no cardápio dele. “Como fui tola pensando que quando ele voltasse teríamos algo”, Sakura pensou. Mas agora isso já não fazia diferença, ela iria morrer e ao que ela sabia homem nenhum gostaria de ir pra cama com uma defunta. Kakashi permaneceu em silêncio, como que esperando, Sakura também estava calada e olhava aguardando, o constrangimento entre eles era visível. Depois de um tempo, as cartas do sensei cessaram e as dela também, eles tinham um caso mal resolvido e assim permaneceria para sempre, e o para sempre de Sakura seria bem breve. Ciente que aquela situação estava incômoda demais para continuar assim, Sakura quebrou o silêncio.
— Kakashi-sensei, eu estou bem, pode ir agora.
— Sakura, o Hokage me deu ordens de ficar te vigiando até que ele retorne.
— Não preciso ser vigiada! Não vou fugir se é o que estão pensando.
— Não é isso Sakura, as coisas estão perigosas lá fora, e bem, o Naruto teme que o Sasuke tente algo.
— Eu posso me defender do Sasuke!
— Pode mesmo? Se realmente pudesse ele não teria te estuprado e você não teria que tomar uma atitude vingativa que agora a levará a morte.
Sakura calou-se. Podia haver uma barreira entre eles, mas Kakashi ainda era o sensei que ensinou-a os primeiros passos no mundo ninja, ele a conhecia mais do que ela mesma. Constatar que tudo estava correndo como o Sasuke queria a fez ficar com raiva, no final das contas ela se vingou mas isso não trouxe nada de bom para ela, pelo contrário, ela estava mais fodida do que antes, teria sido melhor conviver para sempre com o gosto de ter sido usada e pisoteada do que dar o troco e ter que morrer por isso. No final, ele venceria de qualquer forma. Involuntariamente, algumas lágrimas começaram a escorrer dos seus olhos, não queria ter que morrer, não queria que a sua última visão fosse o sorriso cheio de escárnio dele. Não queria ter que ficar sem o amor de Naruto por causa do Sasuke.
—Isso é tão injusto, Kakashi-sensei! – ela finalmente liberou a raiva contida com choros e gritos abafados.
— Are, are. Fique calma – Kakashi a abraçou e tentou acalmá-la como pôde. Ver sua pupilinha rosa naquela situação não era nada agradável para ele.
Ficaram abraçados por um bom tempo, ela chorando e ele tentando consolá-la de maneira meio desajeitada. Por fim, Sakura se acalmou um pouco, somente o suficiente para levantar uma questão que era melhor deixar enterrada.
— Por que me abandonou, Kakashi? Eu te esperei de verdade.
Kakashi não queria ter que tocar naquele assunto, mas ele gostava muito de Sakura para deixá-la sem explicação, ela merecia isso. Então narrou que logo após ficarem juntos, Naruto providenciou para que ele entrasse em várias missões, uma atrás da outra, sem descanso. Isso ela já sabia, pois sempre que podia ele mandava alguma carta para ela. Porém no meio de uma dessas missões doidas do Hokage, que serviam somente para mantê-lo longe dela, ele acabou reencontrando uma antiga paixão. Hanare*, era uma conhecida ninja espiã, acusada de se inflitrar nas vilas disfarçada como artista de rua e assim obter informações que colocariam a sua própria vila em vantagem em diversas negociações. Hanare foi a única por quem Kakashi nutria um sentimento verdadeiro, muito mais do que o desejo carnal que tinha pela aluna. Atualmente ela ganhava a vida honestamente e estava livre de complicações e espionagem, então Kakashi fez a proposta e ela aceitou.
— VOCÊS VÃO SE CASAR?
— É bem... eu perguntei e ela disse que sim, então... acho que vamos – ele respondeu meio envergonhado.
Sakura sentiu uma ponta de ciúmes, mas por fim ficou feliz por ele. Uma coisa era certa, ela e Kakashi nunca dariam certo, não só pela diferença de idade, mas pelo fato de ela sentir-se sempre numa prova ou teste quando estava perto dele. A sensação de que ele sempre sabia mais e estava um passo adiante a deixava meio temerosa. Sem falar que ele era muito sério e distraído, nada parecia agradar ao sensei, exceto, claro, o sexo. Lembro-se de como ele agiu na noite em que ficaram juntos, provavelmente o relacionamento deles seria baseado em sexo e logo perderia a graça. Kakashi pareceu ler os pensamentos dela, o que reforçou a ideia de que tinha sido melhor assim, pricipalmente a maneira arrogante em que ele disse.
— Não precisa ficar com ciúmes, Sakura. Você é especial para mim, mas de um jeito diferente. Acho que no final eu confundi meus sentimentos, me desculpe. Ainda bem que não fizemos nada naquela noite, senão você ficaria irremediavelmente apaixonada por mim e isso seria um problema.
Sakura achou o seu sensei um perfeito idiota ao dizer isso, mas achou melhor ficar calada, pois se abrisse a boca, com certeza o desrespeitaria.
— Além do mais – ele continuou – naquela noite e nas suas cartas você só falava do Naruto, é ele quem você ama, dê uma nova chance ao garoto.
— Não precisa me dizer nada, Kakashi-sensei. Eu conheço meus sentimentos. Mas não vou ter tempo de dar outra chance a ele, eu vou morrer.
— O Naruto vai dar um jeito nisso, Sakura.
— Tem certeza?
— Eu conheço meus alunos.
********
Ao deixar o hospital, Naruto correu imediatamente para seus aposentos. Temia que algo tivesse acontecido à Sakura visto que todos estavam concentrados em eliminar os ninjas invasores, e não havia nenhum guarda para vigiar a segurança dela. Mas latente, estava o medo de que Kakashi, aproveitando que estava sozinho com ela, tivesse tentado alguma coisa e ela cedesse. Naruto sentiu-se egoísta porque ele não sabia muito bem qual era o tipo de relacionamento que ele a Sakura tinham agora, ele definitivamente não era mais namorado dela, mas a amava e não queria ter que dividi-la com ninguém, principalmente se fosse realmente os seus últimos dias.
Só de pensar isso, fez o estômago dele se revirar. Não queria e não permitiria que ela morresse, mas não conseguia encontrar uma maneira de fazer isso sem transgredir nenhuma lei de Konoha. Ele havia decidido que se até o momento da execução não encontrasse uma saída para aquela terrível situação, ele a raptaria, e fugiria de Konoha, abandonaria tudo, a posição de Hokage, riscaria o Hitaiate da vila que tanto amava, ele colocaria tudo a perder por ela e não se arrependeria. Se Konoha não era uma vila nobre o suficiente para perdoar um único erro de uma de suas mais dedicadas filhas, então Konoha não seria mais o lugar que ele se orgulharia em liderar. Pensando nisso e na dolorosa possibilidade de encontrar Sakura aos beijos com o antigo sensei, Naruto correu o mais que pôde e em poucos minutos adentrou em seus aposentos. Encontrou Sakura deitada na cama, dormia tranquilamente. Kakashi vigilante, olhava pela janela bem longe dela, aparentemente ele não havia tentado nada na sua ausência.
Naruto cumprimentou o sensei com um aceno de cabeça e debruçando-se sobre a cama, observou o rostinho delicado e um pouco pálido da moça, com delicadeza pousou um beijo sobre a face dela, o sono de Sakura estava tão leve que ela acordou só com isso. Encontrou dois brilhantes olhos azuis pousados nela, havia carinho e ternura ali.
— Naruto! – ela o abraçou com força, feliz que ele estivesse bem.
— Ai, ai Sakura não me aperta muito não, eu tô todo dolorido – ele reclamou, embora estivesse satisfeito com a demonstração de carinho dela.
Ela o soltou e ficaram se olhando intensamente, Naruto levou a mão até o rosto dela e a teve acariciada e beijada. Sakura o puxou com delicadeza, ele sentiu o leve roçar de lábios. A vontade de tocá-la era intensa, mas o medo de magoar mais aquele coração que ele tanto amava o impediu de ter tentado qualquer aproximação naqueles dias sombrios. O mundo não seria mais um lugar divertido e cheio de possibilidades se Sakura não estivesse nele. Ela insistia para que ele a beijasse, mas Naruto simplesmente não conseguia, não poderia tocá-la enquanto não fosse plenamente capaz de salvar a sua vida.
— Me beije, Naruto – ela pediu com a voz rouca.
— Não, Sakura.
— Um beijo... de despedida.
— Não! – ele protestou já com raiva. Só de pensar que ela havia desistido de lutar por sua vida, que ela também já não queria mais continuar, ele perdia toda vontade.
— Eu entendo, Naruto. Você não me ama mais, né? – os olhos dela começaram a se umedecer – Eu já estou condenada, a morte é só uma questão de tempo pra mim, eu sei disso. Só queria que você ficasse mais um pouco comigo antes que eu vá.
Naruto a pressionou pelos ombros, essa não era a Sakura forte e decidida que ele conhecia.
— Você não vai morrer! Eu não vou permitir isso de maneira alguma!
— Está feito Naruto. E dessa vez nem você como Hokage poderá me salvar.
Naruto paralizou-se com essa declaração. As leis de Konoha estavam acima do poder dele, aparentemente só transgredindo essas leis para conseguir salvar a mulher que amava. Sakura aproveitou a repentina quietude dele e começou a beijá-lo, enquanto dizia entre um gemido e outro que morreria, mas não sem antes tê-lo pela última vez. O corpo dele passou a responder involuntariamente e logo correspondeu aos beijos dela. As lágrimas de ambos misturavam-se com a saliva dando um gosto salgado ao sempre doce beijo que eles tanto precisavam.
— Eu ainda estou aqui – Kakashi declarou pigarreando.
Separaram-se com difilculdade e continuaram se olhando, havia muitas coisas que eles haviam feito de errado um para o outro, mas Naruto amava Sakura e os sentimentos dela não eram diferentes. Estar na eminência de perder um ao outro era doloroso demais, ambos pensaram que o Kakashi bem que poderia deixá-los curtindo a tristeza deles sozinhos.
— Vocês dois me escutem com atenção – Kakashi continuou.
Naruto reclamou em pensamento que o velho ainda estivesse por ali e ainda por cima exigindo atenção num momento tão delicado como aquele.
— Existe uma maneira de salvar Sakura.
— Como? – ambos perguntaram desesperados.
— Naruto, eu me admiro que seu conselheiro não tenha te orientado sobre isso.
— O Shikamaru está em Suna em uma missão diplomática.
— Sei – Kakashi respondeu pensando na diplomacia que o garoto deveria estar praticando. – De qualquer forma, acho que não é do interesse de mais ninguém que Sakura viva, por isso ninguém mais te falou sobre isso.
Sakura sentiu-se muito mal em ouvir isso. Na cabeça dela somente Sasuke e Hinata a estavam odiando, mas o que ela não sabia, pois Naruto a poupara disso também, é que a população apoiava a decisão do conselho de executá-la, todos consideravam o crime da moça odioso demais para deixá-la impune.
— Fala logo, Kakashi-sensei! – Naruto pediu já desesperado.
— Há uma antiga lei em Konoha que ainda não foi revogada, mas creio que foi feito muito pouco uso dessa lei.
Sakura aguardava ansiosa, Naruto não conseguia se conter. Kakashi aguardou um pouco antes de continuar.
— Um Hokage é capaz de salvar alguém de uma condenação por qualquer crime que seja, mas isso só pode ser feito uma vez e a decisão é irrevogável.
— Como assim Kakashi? O que quer dizer com isso?
— Fica calmo, Naruto e me deixe concluir. Um Hokage pode salvar da execução uma pessoa da sua família que tenha cometido um crime, qualquer que seja, mesmo o mais hediondo, mas só pode fazer isso uma vez e após decidido nem mesmo ele pode revogar a decisão.
— Mas porque eu revogaria?
— Porque para conseguir o direito de deixar a pessoa viva, você precisa renunciar ao posto de Hokage e nunca mais poderá governar a vila novamente.
Ambos pararam de pensar ao ouvir aquilo, a mente confusa de Naruto voltou a processar a informação, muitos pensamentos passaram como um raio na mente dele. “Eu posso salvá-la mas nunca mais serei Hokage? Mas o que vale mais? A vida dela ou esse maldito título? É claro que a vida dela vale muito mais que tudo isso!”
— Eu vou renunciar agora mesmo! – Naruto disse empolgado — Com quem eu tenho que falar para ela ficar livre?
— Peça uma audiência com o conselho e diga que você vai usar o seu direito de Chi no Jiyu**, eles provavelmente entenderão sem mais explicações, dada todas as circunstâncias. Você continuará sendo um ninja de Konoha, mas não poderá governar mais, nunca mais, além disso você precisa indicar um sucessor que poderá ou não ser aprovado pelo conselho. Se for aprovado essa pessoa assumirá imediatamente após a sua renúncia.
— E se não for?
— Se não for aprovado, o conselho se encarregará de escolher alguém.
— Mas isso impediria de esse tal de Chi no Jiyu ser aceito?
— De maneira alguma. Eles poderiam te negar qualquer coisa, menos o Chi no Jiyu. Isso é algo que não pode ser negado para Hokage algum.
— Então é perfeito! – O sorriso de Naruto cobria quase todo o rosto. – Ela está livre! Porque não me disse isso antes, Kakashi-sensei?
— Porque eu acabei de voltar de um longo exílio que você mesmo impôs e não fazia ideia do que vocês estavam aprontando sem as orientações do seu professor.
Naruto ficou meio sem jeito de ouvir ele falando assim. No final das contas, o seu ciúmes poderia ter causado a morte do seu amor e ele nem saberia que existia uma solução.
— Desculpe por isso Kakashi-sensei – ele coçou a nuca meio constrangido – eu vou lá, vou falar com eles agora mesmo!
— Fica calmo, Naruto. O conselho estará lá amanhã cedo, não precisa sair de madrugada para resolver isso. Além disso você precisa pensar em quem vai te suceder.
— Vai ser você! Eu vou indicá-lo para ser o Hokage!
Kakashi assustou-se com aquilo.
— Naruto, mas eu nem tive tempo de pensar nisso.
— Não precisa pensar, é só aceitar! E se eles não concordarem você fica livre! – ele disse empolgado, já abrindo a porta para sair.
— Isso não vai funcionar, Naruto. – Sakura o interrompeu, a voz séria.
— Mas claro que vai, é perfeito!
— Não! Você não ouviu o que o Kakashi-sensei falou? Isso só vale para parentes, não é mesmo Kakashi-sensei.
— Are, é verdade. Somente para parentes de primeiro grau do Hokage, tinha me esquecido disso. — Kakashi respondeu com o olhar apático.
Sakura lançou um olhar conciliatório ao antigo professor e um que dizia: “Viu? Eu te avisei” para o ex-namorado.
— Kakashi-sensei não me diga que não vou poder usar esse Chi não seu oquê para salvar a Sakura! Eu estava tão esperançoso! – ele disse choramingando.
— Desculpa Naruto, eu esqueci desse detalhe, a regra só vale para pais, irmãos e filhos do Hokage, só para quem tem o sangue dele. Ah! Cônjuges também.
— Cônjuge? Isso é marido e mulher, não é?
— É sim.
— Então tá resolvido! A Sakura vai se casar comigo e ficará tudo certo.
Kakashi permaneceu em silêncio enquanto Naruto tagarelava sobre todos os detalhes do casamento às pressas e depois de como livraria Sakura da execução e como tudo seria perfeito e de como ele era idiota de não ter pensado nisso antes.
— Só tem um problema, Naruto – Sakura o cortou – eu não vou me casar com você.
— Como não?
— Eu não vou... Isso é para sempre e você se esforçou tanto para ser Hokage, não quero que perca isso por minha culpa.
— Mas eu não ligo!
— Não haverá casamento algum, Naruto. Eu cometi um erro e vou pagar com ele. Se o conselho decidiu que será com a minha vida, eu não poderei fugir disso.
— Mas Sakura... – Naruto não conseguia entender como ela poderia se negar a algo que salvaria a sua vida.
— Pelo visto vocês tem muito o que conversar. – Kakashi disse e saiu rapidamente deixando-os.
Já sozinhos, Naruto aproximou-se de Sakura, ele teria que convencê-la a aceitá-lo como marido, a vida dela dependia disso e ele não permiria que um orgulho ou ressentimento bobo colocasse um fim a tudo.
—Sakura, você tem que aceitar! Esse é o único jeito de te livrar disso.
— Mas eu não quero que você deixe de ser Hokage por minha causa! Você sonhou tanto com isso! Não é justo!
— Eu não ligo Sakura, de verdade! Se for pra continuar sendo Hokage com você morta, eu prefiro não ser mais e que você possa viver.
— Mas Naruto... – algumas lágrimas já começaram a encher-lhe os olhos. – eu não queria que você se casasse comigo por caridade, por dó.
— Não é dó, Sakura. Eu te amo.
— Não. Eu não quero isso.
—Você prefere morrer do que se casar comigo?
— Sim, eu prefiro. Se for para você se casar por dó de mim eu não quero, eu sinto muito Naruto.
— Não Sakura, sou eu que sinto. Sinto que você vai morrer por ser tão tola.
— Eu não sou tola! Eu só queria mais pra mim, não queria que as coisas fossem sempre assim, como se eu não pudesse escolher.
— Você quer escolher outro, Sakura? Você quer o Kakashi? Vocês fizeram alguma coisa enquanto eu não estava? – o rosto dele se contraiu pelo ciúmes ao dizer essas palavras.
— É claro que não! Ninguém fez nada com ninguém! O Kakashi já era.
— Bom saber que eu voltei a ser o único a ocupar os seus pensamentos.
— Não, você ainda não é o único a ocupar a minha mente.
—E com quem mais eu tenho que te dividir, fale agora que vou lá quebrar a cara desse safado.
— O carrasco...
— Sakura, vamos fazer como o Kakashi falou. Vamos nos casar e aí ninguém vai poder fazer nada contra você.
— Naruto, se eu não estivesse no corredor da morte, você ainda iria querer se casar comigo? Mesmo depois do que fiz?
— Eu não sou ninguém para te julgar, você fez o que achou certo para dar o troco em pessoas que te machucaram. Eu deveria ter impedido que te machucassem, já que tenho muita culpa em tudo isso, mas não vou deixar de te amar por causa disso, acho que nem se eu quisesse eu conseguiria te esquecer.
Sakura ponderou as palavras dele, Naruto não se casaria só para salvá-la, mas porque a amava também, independente de tudo, ele ainda a amava.
— Então, Hokage-sama, já que me ama tanto vou realizar o sonho de se casar comigo – ela disse com um sorriso, enquanto o envolvia num abraço pelo pescoço.
— E eu vou te deixar me chamar de Hokage-sama por enquanto.
— Te amo, Naruto.
Naruto beijou Sakura pela última vez. Última vez como Hokage.
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