Ano Baka (Aquele Idiota)
43 Capítulo 43
Notas iniciais
O casamento aconteceu no templo budista de Konoha. Somente cinco membros presenciaram a união do Uchiha com a Hyuuga, os próprios noivos, o monje e a mãe e irmã de Hinata. Sasuke mandou encomendar um kimono especial para a ocasião, Hinata o usou e estava belíssima, mas qualquer um poderia ver a cara de desgosto da noiva. Após a cerimônia ele ofereceu um almoço em um restaurante local para os familiares da nova esposa. Hyuuga Hyashi não participou nem da cerimônia e muito menos do almoço. Ele não queria celebrar algo que considerava uma prova de vergonha para o seu clã. Hinata achou melhor mesmo que o pai não tenha ido, assim não precisaria sofrer com o olhar dele sobre ela.
Enquanto Hinata parecia estar voltando de um velório, Sasuke parecia ter ganho na loteria. Embora não estivesse cantarolando, mesmo com a cara fechada qualquer um poderia perceber o brilho nos seus olhos. Ele até estava interagindo muito bem com a sua sogra que não cansava de elogiar a maneira cuidadosa com que ele cuidou de tudo. Sasuke queria ir logo para casa e passar o resto da tarde transando com Hinata, mas achou melhor fazer um social com a família da sua esposa e assim consolidar as fortes aliadas que havia encontrado na sogra e na cunhada, porque ambas eram as únicas que apoiavam genuinamente esse casamento. Ao final do almoço eles se despediram delas e foram para casa. Hinata gostaria de ter prolongado a reunião por mais um pouco de tempo assim fugiria de qualquer contato que ela sabia que o Sasuke iria tentar.
Ao entrar na casa, ela correu para o quarto. A mãe e irmã haviam a ajudado a vestir o kimono tradicional que usava, pois havia uma série de dobras no tecido, além da faixa do obi e o próprio obi. Ela estava tentando desamarrar os nós atrás das costas mas era impossível, as mãos não alcançavam e o excesso de tecidos atrapalhavam. Hinata pensou seriamente em picotar o kimono com uma tesoura, mas seria um desperdício de dinheiro, ela tensionava vender o kimono e guardar o dinheiro para o seu filho.
— Eu te ajudo – Sasuke chegou por trás dela e já foi desamarrando o obi sem dar tempo de ela responder.
Em poucos minutos ele retirou todo o kimono dela, deixando-a totalmente nua diante dele. Ele ficou analisando suas curvas, ainda não havia sinal de que o corpo dela abrigava a vida de um Uchiha, Sasuke ficou rijo somente por vê-la nua. Levou as mãos aos cabelos dela que estavam presos em um coque elaborado, cheio de grampos e enfeites de flores. Hinata não queria aquele penteado, mas a mãe insistiu tanto que ela acabou deixando ela fazê-lo. Sasuke não teve muita dificuldade em desfazer o penteado, logo soltou os cabelos dela que caíram como uma cascata sobre suas costas. Ele ficou olhando para o contraste dos cabelos negros com a pele branca, ele sabia que ela havia falado sério sobre ele não tocá-la, mas agora que eram casados ele não estava mais tão disposto assim a continuar deixar ela mandar nele. Levou as mãos até os ombros dela e desceu pela curvatura das costas, parou no quadris e apertou firmemente, depois contornou as nádegas e as coxas. Apoiou um joelho no chão, e ficando na altura dos quadris dela, começou a passar a língua dor toda a extensão das nádegas, depois subiu para as costas, deixando um rastro de pele arrepiada por onde tocava. Subiu as mãos para a nuca dela, e prendendo os cabelos dela em uma mão, puxou de leve enquanto a pressionava. Virou ela de frente para ele, e lambeu suas coxas, afastou as pernas dela com cuidado, sentiu-a úmida por baixo da leve penugem negra. A língua de Sasuke invadiu a intimidade de Hinata, ele ficou passeando pelo clitóris e a abertura, fazia muito tempo que não sentia seu gosto, queria tomar daquele néctar sem pressa. Aprofundou o contato abrindo as pernas dela para que sua língua entrasse por toda a abertura e penetrou-a com a língua. Hinata tentava se equilibrar, mas suas pernas estavam bambas, mesmo contrariada o Uchiha estava despertando as vontades do seu corpo.
Sasuke continuou lambendo e beijando a fenda quente da sua esposa, com poucos e rápidos movimentos, despiu-se e levantou-se diante dela.
— Sasuke eu não...
Sasuke ignorou os lamentos de Hinata e pegando-a no colo, levou-a pra cama onde a pousou com delicadeza, depois deitou-se sobre ela. Ele queria virar a página de tudo o que acontecera antes de se casarem, as mentiras, as agressões, as ofensas, tudo isso deveria pertencer ao passado. Agora como marido ele queria fazê-la feliz e cuidar do desejado filhinho que estava por vir. Movido por esses sentimentos românticos, Sasuke começou a beijá-la, Hinata não fugiu mas não retribuiu, ele tocou de leve o ventre onde abrigava a vida do seu herdeiro, acariciou o corpo dela com desejo e devoção. Estava perdido num mundo de sonhos, onde tudo era a Hinata, sua branca e pura flor.
Então sentiu. Rasgando a pele do abdômen, profundamente. O sangue quente jorrou e sua branca flor fora tingida de rubro. Sasuke colocou a mão sobre o grave ferimento, olhou horrorizado a mão de Hinata segurando uma kunai coberta com o seu sangue.
— Hinata, por quê?
— Eu te disse para nunca mais me tocar, se não eu não responderia por mim.
— Maldita...
Hinata o empurrou e atirando a kunai longe foi limpar-se do sangue que sujava seu perfeito corpo.
**********
Os meses se passaram em Konoha. Depois de ter sido esfaqueado pela Hinata nas suas núpcias, Sasuke desistiu de tentar qualquer coisa romântica com ela. Aquela atitude violenta e sorrateira, mostrou que a mulher o odiava e falava sério sobre nunca terem nada. Já casado, Sasuke tomou posse da herança do seu clã. Os conselheiros chiaram, mas Naruto como Hokage concedeu de bom grado ao amigo, que parecia cada vez mais taciturno. Naruto pensou que depois de finalmente se casar, Sasuke iria relaxar um pouco, já que ele gostava tanto da Hinata. Mal ele sabia que o casamento era somente uma fachada.
De posse da herança, Sasuke mandou construir uma casa nova no local onde antes fora o seu clã. Hinata não participou nem opinou em nada na construção. Somente exigiu que tivesse um quarto só para si e que fosse bem longe do quarto dele. Se antes vivendo no pequeno apartamento eles mal se falavam, agora que moravam numa casa imensa, eles mal se viam. Sasuke contratou alguns empregados que faziam tudo para eles, desobrigando-a assim de qualquer aborrecimento. Quando ele voltava do trabalho, ela já havia se recolhido e lá ficava a noite toda. Era comum eles passarem vários dias ou até semanas sem se verem. Nas poucas vezes que se viam, Sasuke ficava encantado em como a beleza dela parecia mais reluzente agora que a gravidez estava evidente. O cabelo parecia mais brilhoso e abundante, a pele iluminada e o olhos com o perolado brilho etéreo, as formas redondas e desejáveis. Se ele pudesse ao menos tocá-la e não correr o risco de ter o braço decepado. Era lamentável a situação do Uchiha. Constantemente se tocava pensando nela, isso já tinha virado um vício. As vezes pensava em sair e conseguir uma mulher, mas não tinha mais disposição para isso, Hinata havia acabado com ele, levando-o a minguar e se desintegrar. Cada vez que ela o olhava com desprezo, ele sentia dúvidas sobre o que ele era de fato. Cada vez que ela ignorava qualquer tentativa de aproximação dele, ele sentia-se diminuto e inferior. Nunca pensou que outra pessoa pudesse fazer isso com ele. Mas lembrando de como as coisas eram com o seu irmão, pensou que Hinata era o novo Itachi na sua vida. Lembrando-o constantemente como ele era inadequado e fraco, que não podia contra ela. Mas Itachi morreu pelas mãos dele. Afastou rapidamente esse pensamento. Hinata não morreria nunca, nem pelas mãos dele e nem por ninguém, ele não permitiria. Se fosse pra viver daquele jeito para sempre, ele viveria, contanto que ela estivesse por perto e que ele pudesse olhá-la, nem que fosse de longe.
A rejeição absoluta dentro da própria casa, fizera do Uchiha um ser muito mais intragável do que ele já era. Quando saía em missões matava todos, mesmo que a ordem fosse somente para capturar e desarmar. Sai, que eventualmente fazia par com ele nas missões, já que Kakashi parecia um exilado numa missão que nunca terminava e que Naruto sempre arrumava um jeito de prolongar, temia que o companheiro estivesse louco e o matasse também, então cuidadosamente pediu que o Hokage não mais o mandasse em missões junto com o Uchiha. Sozinho, Sasuke produzia mais, era mais rápido, letal e não traria problemas para ninguém, exceto para os próprios oponentes. Temendo que o amigo pirasse de vez com tanta matança desnecessária, Naruto resolveu seguir os conselhos de Tsunade e colocou-o como seu braço direito. Ele agora tinha Shikamaru como seu conselheiro para assuntos políticos e Sasuke tornou-se o general, possuindo autoridade militar sobre toda Konoha. Obviamente isso desagradou o conselho, mas Naruto simplesmente ignorava os velhos, ele fazia o que queria ainda mais agora que havia conquistado definitivamente o amor e devoção da população de Konoha.
Os primeiros meses como Hokage foram penosos para ele, mas com o passar do tempo e com suas ideias malucas e nada ortodoxas, Naruto conseguiu excelentes resultados em tudo o que fez e isso deu a ele prestígio entre a população, que o julgavam não somente o Salvador, mas o Reformador das antigas e ineficientes tradições de Konoha. Essa popularidade trouxe muitas vantagens interessantes para o Hokage, outras nem tanto. Cada passo e atitude dele era analisado, comentado, copiado e só não virava regra porque ele proibia. Ele não tinha mais privacidade para nada, nunca mais soube o que era um momento de lazer com os amigos no bar e até treinar tornou-se um luxo. Sempre seguido de perto pelos guardas da ANBU que o protegiam, nem quando ele os mandavam embora eles iam. Parte das regras dos ANBUs consistia em declinar qualquer ordem do Hokage que colocasse a vida do próprio em perigo. Aos poucos Naruto acabou se resignando e passou a entender melhor os motivos da obaa-chan ao dar o fora.
Outra coisa que havia mudado, não necessariamente para melhor, foi o assédio feminino. Naruto sempre fora assediado, então sabia que não era só porque agora era o Hokage que a mulherada resolveu colocar os olhos nele, mas bonito, jovem e sendo o líder máximo da vila, ainda mais com a pressão do conselho para que tomasse logo uma esposa, todas as mulheres disponíveis queriam ocupar o lugar, e todas tinham chance, afinal ele era solteiro.
Sim, solteiro. Porque mesmo depois daquela noite com Sakura, eles não reataram o namoro. Sakura foi firme na sua decisão de esperar por Kakashi, e Naruto por sua vez, só de pirraça, mandou o sensei para os confins do mundo e quando recebia notícias de que a missão havia acabado, emendava outra. Com isso mantinha ele longe da Sakura e ía ganhando tempo para tentar reconquistá-la. Enquanto a mulherada corria atrás do Hokage, o Hokage corria atrás da Sakura, mas nada do que ele fazia ou dizia parecia afrouxar a decisão da moça em permanecer distante dele. Se nunca houvesse traição não haveria motivo algum para ela fugir dele, mas não dava pra apagar as memórias amargas de uma traição da pessoa mais doce e querida que ela nunca imaginou que pudesse magoá-la daquela maneira.
Sakura pensava nisso tudo, quando um burburinho na entrada do hospital chamou a sua atenção. Foi verificar do que se tratava e descobriu desgostosa, que Naruto provavelmente seria pai naquela tarde. Hinata, imensa e ofegante, era conduzida em uma cadeira de rodas por uma de suas empregadas.
— Haruno-sama – uma das enfermeiras cochichou no seu ouvido – estamos sem nenhuma parteira e ela já está bem dilatada, não vai conseguir aguentar por muito tempo.
Era só o que faltava, mesmo depois de tudo, Sakura ainda teria que fazer o parto da sua rival. Mas por pior que fosse, não poderia negar socorro médico seja lá quem fosse. Ordenou que a levasse à sala de parto e a preparassem, nos últimos meses no hospital acompanhou e fez vários partos, então aquilo não seria dificuldade alguma para ela, exceto que ajudaria a trazer ao mundo o motivo da sua eterna discórdia com o homem que amava. Depois de preparar-se a si própria para o parto, entrou na sala, onde Hinata, sua criada e alguns enfermeiros aguardavam.
— Somente equipe médica e a paciente, por favor. – Sakura ordenou seca, sem olhar para a jovem assustada que acompanhava a Hyuuga.
— Vá chamar o pai do meu filho – Hinata disse ofegante à sua criada.
— Claro, senhora. Vou chamar o senhor Uchiha agora mesmo.
— Não ele! O Hokage é o pai.
Todos se entreolharam confusos, Sakura revirou os olhos.
— Ninguém além da equipe poderá assistir ao parto.
Hinata sabia que Sakura agia assim por ciúmes.
— Chame-o mesmo assim – ela ordenou e sua criada saiu.
Sakura analisou a dilatação, estava pronta, seria um parto rápido e simples se ambas deixassem suas diferenças de lado e trabalhassem em conjunto.
— Hinata-san, por favor siga as minhas instruções e vamos acabar logo com isso.
Hinata concordou com a cabeça, ela também queria acabar com aquilo o mais rápido possível.
*********
Naruto e Sasuke dividiam a sala do Hokage, momentos antes eles e Shikamaru estiveram discutindo assuntos estratégicos e depois de resolverem o que tinham para resolver, Shikamaru deixou-os alegando que tinha uma visita importante vinda de Suna, todo mundo já sabia que era a Temari, embora Shikamaru insistisse em tentar ser reservado quanto aos seus sentimentos, ele mais do que nunca parecia ansioso por terminar logo o dia para ir vê-la. Ambos invejavam a felicidade amorosa do amigo, no final, os dois grandes galãs de Konoha tinham perdido para o apático, genial e preguiçoso Nara.
— E você, Dobe?
— Eu o quê?
— Não tá comendo ninguém?
— Cala a boca, Teme. Deixe de ser vulgar.
— Pra estar nervosinho assim não deve estar comendo ninguém.
— E você também não.
Para o Sasuke falar que o Naruto não estava comendo ninguém não era ofensivo, já que agora ele era solteiro, mas para ele dizer o mesmo do Sasuke, que era um homem casado, isso realmente ofendia.
Sasuke ficou resmungando enquanto Naruto sorria de maneira sarcástica. Todo dia era a mesma coisa, o dia terminava e Sasuke não ia imediatamente para casa, como era de se esperar de um homem recém casado. Ficava puxando conversa fiada durante um bom tempo. As vezes, Naruto tinha que dispensá-lo para tratar de seus assuntos pessoais, que nada mais eram do que correr atrás da Sakura, ele não queria que o Sasuke soubesse de qualquer assunto que envolvesse sua cereja rosada. A Hinata era um assunto proibido entre eles também. Mas pelas contas de Naruto, ela estava prestes a ter o bebê, ele sentia-se ansioso, mas como fora muito rude na última vez em que estiveram juntos, Hinata nunca mais o procurou como ele havia pedido, mas agora ele temia que ela o impedisse de ver o próprio filho. Porém considerando a cara mais infeliz do Sasuke desde que se casaram, era muito provável que os sentimentos da Hyuuga ainda não tivesse mudado. Naruto ria, mas no fundo se sentia muito mal pelo amigo, pensou em como tudo poderia ser diferente.
Continuou pensando nisso, quando ouviu batidas na porta.
— Entre.
Um dos guardas entrou anunciando a chegada de uma jovem. Sasuke a olhou e imediatamente reconheceu a própria empregada.
— Tomiko?
— Senhor Uchiha é a senhora, ela está dando a luz.
Sasuke deu um pulo da cadeira, Naruto imitou o seu gesto.
— Ela me pediu para chamar o pai da criança.
— Mas é claro, estou indo agora mesmo. – Sasuke respondeu entusiasmado.
— Ela me pediu para chamar o Hokage.
Todos se entreolharam constrangidos. Naruto quebrou o silêncio.
— Estou indo agora mesmo!
— Eu é que vou! Eu sou o pai!
— Não é não, você ouviu a moça. A própria Hinata mandou que chamassem o pai.
— Dobe!
— Teme!
Ambos saíram correndo em direção ao hospital. No caminho foram se golpeando, se estapeando, passando rasteira um no outro, fizeram jutsus de contenção, jogaram selos explosivos. Adentraram as portas do hospital golpeando-se, causando espanto nas pessoas que aguardavam atendimento médico. Empurrando-se e socando-se chegaram ao balcão de informações. A recepcionista os olhava em pânico.
— O meu filho está nascendo! – Naruto gritou desesperado para a moça.
— Não, é o meu filho! – Sasuke retrucou.
— Senhores, se acalmem – uma das enfermeiras que acompanhou o parto, pediu – é o filho da Senhora Hinata Hyuuga que se referem? Já nasceu, foi um parto rápido e tranquilo, agora ela está descansando, mas vocês podem ir vê-la e ao bebê.
Naruto e Sasuke se entreolharam e seguiram a enfermeira apressadamente. No lado de fora, Sakura olhava pela janela de vidro, os olhos vermelhos, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Dentro do quarto, Hinata deitada na cama, o semblante cansado e o rosto igualmente marcado pelas lágrimas. Nenhum dos dois estava entendendo nada, até que viram o pequeno ser embrulhado no cobertor macio ao lado da mãe. Então ficou claro para ambos o motivo de todo aquele choro.
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