Ano Baka (Aquele Idiota)
44 Capítulo 44
Notas iniciais
Sasuke olhou para o pequeno bebê embrulhado ao lado de Hinata e ele lutou muito consigo mesmo para não deixar que seus olhos enchessem de lágrimas. Abriu a porta e caminhou suavemente até ao lado da esposa. Perfeito e rosado, os cabelos negros e espetados como o seu, os olhos fechados, as mãozinhas pequenas também firmemente fechadas. O rostinho pequeno e delicado, já harmonioso mesmo que recém nascido. Parecia uma pequena cópia dele mesmo, um Uchiha. O filho era dele, e nem um cego poderia dizer o contrário.
— Ele é lindo. – Sasuke disse, a voz embargada, tentando conter o choro preso na garganta – é ele, não é?
— Sim — enfermeira respondeu – é um menino. Está perfeitamente saudável, com 3 quilos e 50 centímetros.
— Posso pegá-lo?
— É claro, ele é seu!
— Sim, ele é meu. – Sasuke respondeu e sua voz soou meio idiota.
Sasuke pegou o menino com cuidado, ao fazê-lo viu o olhar pesado de Hinata sobre ele. Ele entendia o motivo daquilo, mas resolveu ignorar. A única coisa que importava naquele momento era o seu filho, que tantos disseram que não era dele, mas ele não se importava em nada com a opinião alheia e eternecido por aquele momento, passou a ignorar todo o resto. Com o menino nos braços, Sasuke o trouxe para perto do rosto e o acariciou com a face, tinha medo de tocar naquela pele frágil e causar algum dano. Vendo que estava tudo sob controle, a enfermeira saiu deixando Sasuke e Hinata sozinhos com o seu filho.
O bebê se remexeu e tocou a bochecha de Sasuke com os dedinhos pequenos, Sasuke sorriu abertamente, aquele sorriso que Hinata viu só uma vez. Ele sentou-se na beirada da cama e ficou observando os traços do pequeno, parecia que se olhava num espelho.
— O nome dele vai ser Hitachi. – Sasuke declarou.
— Itachi? – Hinata perguntou sobressaltada – resolveu homenagear os mortos?
— Não é Itachi, é Hitachi, o nome dele é a junção do nome das duas pessoas mais importantes para mim, você e meu irmão.
Hinata calou-se, o Sasuke que desse o nome que quisesse àquela criança, pois sua atenção estava do lado de fora da sala, no olhar duro e frio que era dirigido à ela. Agora sim, não havia mais possibilidade alguma. Se antes acalentou esperanças pela possibilidade do bebê ser do Naruto, agora depois de nascido e evidentemente era do Sasuke, ela não poderia mais continuar nutrindo qualquer sentimento por ele, a não ser que chutasse a bunda do Uchiha e o deixasse sozinho para criar o filho que ele tanto queria. Mas não seria aceita na casa dos pais e não tinha condições de se sustentar sozinha. Viu quando Naruto saiu abraçando a Sakura, que até então ela não tinha entendido porque chorava tanto, ela deveria estar feliz, já que o filho não era do seu namorado.
Sakura secou as lágrimas e se desvencilhou do abraço de Naruto. Sentia-se miserável, com raiva, ódio, infeliz e acabada. Caminharam em silêncio para fora do hospital, a noite começava a cair, dando ao céu cores mescladas entre laranja e azul.
— Sakura-chan... porque você está assim? No final das contas o filho não era meu, você deveria estar feliz.
— Me deixa, Naruto.
— Não, Sakura – Naruto segurou pelo braço, impedindo-a de continuar a andar – me explica o que está acontecendo?
— Como você quer que eu esteja feliz, Naruto?
— Sakura, eu não estou entendendo.
— Eu estou com raiva, com muita raiva!
— De quem? Por quê?
— De você, da Hinata, do Sasuke e daquele bebê perfeitamente idiota que eu ajudei a nascer.
— Sakura... de mim, da Hinata e do Sasuke eu até entendo. Mas o que o bebê tem a ver com isso?
— Você nunca vai entender, Naruto, então não vou perder tempo tentando explicar.
— Eu quero saber, Sakura.
Sakura o ignorou e saiu andando, mas Naruto a seguiu e impediu que ela continuasse.
— Sakura, eu quero saber! Me diz o que é.
— É tudo, Naruto! Você não entende? Ele é exatamente como eu sonhei que seria, quando eu tivesse um filho dele...
— Sakura, não me diga que... você ainda gosta do Sasuke? Isso é possível?
— Não! Eu não gosto! Eu o odeio!
— Então?
— Mas eu o amei por muito tempo, e sonhava em ter um filho com ele. Quando eu vi aquele bebezinho, tão parecido com ele, eu me senti tão estranha, como se tudo tivesse voltado. Mas não era mais com ele que eu queria, era com você. Só que você foi um imbecil ao me trair com ela! Por isso eu odeio a todos vocês! Odeio!
Naruto a abraçou com força esperando que a raiva dela passasse ou que pelo menos ela se acalmasse. Mas dessa vez ela não se acalmou, o choro parecia vir do fundo da alma, de lugares e motivos escondidos e desconhecidos para ela mesma.
— Me solta, Naruto. Eu quero ir embora.
— Eu vou junto com você.
— Não! Me deixa em paz!
Sakura correu até sua casa e deixou o Hokage sozinho tentando processar tudo aquilo.
*****
Depois de observar Hitachi dormindo em seus braços pelo que pareceu ser horas para Hinata, mas alguns poucos minutos para o Sasuke, ele finalmente o colocou no berço e foi dar atenção à mãe. Estava tão feliz que até tinha se esquecido do que acontecera na última vez que a tocara. Aproximou-se do leito, Hinata mantinha os olhos fechados, mas estava acordada. Tocou suavemente o seu rosto e ela abriu os olhos para fitá-lo.
— Obrigado – Sasuke sussurrou.
— Pelo quê?
— Por ter me dado um filho tão lindo.
Hinata virou o rosto, as lágrimas voltaram a escorrer quentes e salgadas. Sasuke debruçou-se sobre a cama e pegou no seu queixo com delicadeza, trazendo o seu rosto para olhá-lo.
— Hey, Hina... não precisa chorar. Eu sei que as coisas não estão sendo fáceis para nós, mas podemos recomeçar. Já temos tudo o que precisamos para sermos felizes e agora com esse filho podemos ser mais ainda.
— Você pode ter tudo Uchiha, mas eu não tenho nada.
— Não diga isso, você é minha esposa, tudo o que eu tenho é seu também. Se você me der uma chance a sério nós podemos ter uma vida juntos.
Hinata o olhou com desprezo, ele provavelmente nunca entenderia que ela não o amaria nem que ele estivesse coberto de ouro ou de chocolate*. Seu pensamento e seu coração estavam no Naruto, ela queria que ele pelo menos a perdoasse e não a olhasse com ódio como olhou das últimas vezes que se encontraram.
— Só me deixe em paz, por favor.
— Hinata...
— Por favor Sasuke, eu estou exausta, preciso dormir um pouco.
Sasuke acariciou seus cabelos e deu um suave beijo na testa.
— Está certo, mas vou ficar aqui de olho em vocês dois. Não quero que nada aconteça.
— Faça o que quiser. – ela respondeu virando-se para o outro lado e em pouco tempo estava adormecida.
Sasuke ficou a observando por um pouco de tempo, agora suas esperanças estavam renovadas, tudo parecia ter ganhado um novo sentido e ele sentia-se energizado e forte. Para ele era só uma questão de tempo conquistá-la, aí sim tudo estaria perfeito na sua vida. Foi olhar novamente Hitachi no berço, ele dormia tranquilamente, o peito subindo e descendo suavemente, de vez em quando as pálpebras tremelicavam e seu rostinho se movia como um sorriso. Certo de que tudo estava bem, ele foi sentar-se na poltrona e acabou adormecendo.
****
De madrugada, Sasuke foi acordado com o choro agudo de Hitachi. Pulou sobressaltado do sofá e correu imediatamente para pegá-lo do berço. Aparentemente estava tudo ok, então ele deduziu que fosse fome. Hinata já desperta resmungava para que fizessem silêncio.
— Hinata, é o Hitachi, acho que ele está com fome, precisa mamar.
— Dê você de mamar para ele.
— Hinata...
— Caralho, Uchiha, me deixa dormir!
— O nosso filho precisa mamar... por favor.
Reclamando muito, Hinata sentou-se na cama e liberando os mais fartos ainda seios, colocou um dos bicos na boca dele com movimentos bruscos. Petrificado com a atitude violenta da esposa, Sasuke ficou alerta, caso ela fizesse algo de ruim para o seu anjo. Após alguns minutos, onde desajeitadamente Hitachi tentou mamar, sem conseguir de fato sorver o bico, Hinata largou-o de lado na cama, quase o derrubando no chão, Sasuke foi mais rápido e pegou-o antes que o pior acontecesse.
— Saia daqui com esse montro! – Hinata gritou.
Hitachi voltou a chorar e Sasuke, sem saber o que fazer para convencer Hinata a ter paciência com o próprio filho e deixá-lo mamar, acabou chamando uma das enfermeiras. Quando ela entrou no quarto, encontrou Hinata deitada com cara de poucos amigos, Sasuke, o típico pai de primeira viagem, perdido e com o olhar suplicante e o bebê esgoelando. Após um breve e atropelado relato de Sasuke, a enfermeira pegou a criança no colo e acalmou-a, então saiu do quarto com ele, sendo imediatamente seguido por Sasuke.
— Onde vai levá-lo?
— Acalme-se senhor Uchiha. Vou levá-lo ao berçário, não é seguro deixá-lo naquele quarto.
— Por que não?
— Sua esposa está com depressão pós-parto, então o melhor a fazer é ser compreensivo com ela e mantê-la longe do bebê, pois nesse momento, ela o enxerga como o causador de todos os seus males, ela pode até mesmo matá-lo.
Sasuke gaguejou qualquer coisa sem sentido.
— Mas fique tranquilo, isso é absolutamente normal e costuma passar em alguns dias.
— Mas ele vai ficar com fome até lá?
— É claro que não, senhor. – ela o olhou com espanto — O hospital sabe muito bem lidar com isso.
Sasuke observou a maneira segura e profissional com que a enfermeira colocou Hitachi no berço e em seguida foi preparar um mamadeira com um leite, que de acordo ela disse, era especial para recém nascidos e embora não subistituísse 100% o leite materno, sua composição era bem próxima desse. Voltou a pegar Hitachi no colo, e sentando-se com ele, começou a dar a mamadeira. Com dificuldade, Hitachi sugou o bico da mamadeira e depois de alguns minutos pareceu pegar o jeito. Como um idiota Sasuke observava a eficiência da enfermeira e a maneira desesperada que o bebê sorvia o líquido grosso. Ciente da proximidade e curiosidade do ninja à sua frente, a enfermeira ofereceu.
— Quer tentar, senhor?
— Eu posso? – Sasuke perguntou como uma criança que pede permissão a um adulto.
— É claro, não só pode como deve, já que sua esposa não vai poder fazer isso por enquanto.
Sasuke pegou Hitachi meio sem jeito, esse resmungou quando teve a mamadeira tirada de si, e rapidamente trocou de lugar com a enfermeira, sentando-se no lugar antes ocupado por ela. Desajeitadamente foi colocar a mamadeira na boquinha do bebê e acabou errando, colocou no nariz.
— Calma, senhor – a enfermeira riu – é assim – e com destreza e suavidade ajudou-o nessa tarefa tão simples.
Sasuke ficou observando Hitachi mamar, ele sorriu empolgado para a enfermeira que observava a cena com ternura. Todo pai de primeira viagem é fofo, mas aquele parecia mais fofo ainda aos seus olhos. Corria à boca pequena, que até o momento em que o bebê nasceu, a mãe gritava desesperada para que chamassem logo o pai dele, o Hokage. Assim que Haruno-sama que fazia o parto viu o rosto do bebê ao nascer e anunciou que o pai não era o Hokage e sim o seu general, a mãe começou a chorar descontroladamente e não era de emoção. A enfermeira que até então pensava que o general fosse algum velho com cara de catarro, espantou-se ao descobrir que era na verdade aquele semi-deus nipônico. “Essas mulheres de Konoha são muito trouxas”, a enfermeira pensou consigo mesma, e guardou para si a sua humilde e desprezível opinião.
Hitachi terminou de mamar e virando o rostinho de lado, livrou-se da mamadeira, em pouquíssimo tempo estava dormindo.
— Pronto. Daqui a 3 ou 4 horas ele vai querer mamar de novo – ela anunciou enquanto tirava a mamadeira da mão de Sasuke. – quando isso acontecer pode me chamar ou a qualquer uma das enfermeiras.
— Muito obrigado, vou chamar a senhora. A propósito, qual o seu nome?
— Akemi**.
— Obrigado novamente, Akemi-san.
— Não por isso, Uchiha-san.
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