Annie Carter E As Tribos Dos Elementos

3 Capítulo 3- Está me Seguindo?



Ah, finalmente o final de semana! Longe da Sra. Peterson, longe de Joe Clark, longe da Srta. Turner, e o melhor de tudo: eu não vou ficar longe da Sally, pois meu pai me deixou passar a tarde fora com as “amigas”, que no caso é só a Sally.


Fiquei muito feliz, pois normalmente Emma não me deixa sair de casa e papai faz tudo o que ela quer. Mas esse final de semana foi diferente! Tive um final de semana de uma garota normal, que pode sair e ser livre. Não tive que ficar trancada o dia todo em casa sem fazer nada. Normalmente, nesses dias, eu fico jogando vídeo-game, acesso a internet e como besteiras, mas raramente saio do meu quarto.


Pequenas poçinhas de sorvete se formavam no chão da sorveteria. Era o meu sorvete derretendo, eu estava bem pensativa. Pensava em tudo que me deixava confusa. Repentinamente, uma língua rouba meu sorvete, lambendo-o rapidamente. Era a língua da senhorita Sally Baker que educadamente resolveu filar meu sorvete também!


– Ei! Meu sorvete, Sally! — exclamei. – Você ainda não se cansou disso?


– Não. Eu tive que salvá-lo, porque você está tão atenta que seu sorvete iria virar suco gelado no chão!


Eu ri.


– Você não muda mesmo, Sally!


– Velhos hábitos não mudam! E você? Está no mundo da lua?


– Tecnicamente, a lua é o satélite natural da Terra, então, basicamente, a Lua não é um planeta e nem um mundo. — Sally simplesmente ignorou minha aula e prosseguiu:


– No que pensava?


– Sally, no dia da excursão ao museu, eu provoquei a queda de Joe. Eu o fiz quebrar os dentes...


– Você não se aproximou dele, Annie! Não fale bobagens.


– Eu sei, mas eu desejei que isso acontecesse! Desejei com todas as minhas forças, com tudo de mim!


– Isso é só coincidência, Annie. Simplesmente não é possível.


– Por favor, Sally! Coincidência demais, não acha?


Sally ficou sussurrando algo que eu não entendia. Nem parecia falar inglês! Não sei como, mas acabei entendendo algo parecido com “corremos perigo”.


– Sally? Você está bem?


Ela não me respondeu. Confesso que tive certo medo. Fiquei muito confusa!


Não tocamos mais no assunto, fomos ao cinema e nos divertimos. Assistimos a uma comédia muito boa! Foi o melhor dia da minha vida até que a sessão acabou e fomos caminhando à lanchonete. Conversamos sobre vários assuntos. O principal assunto foi Joe. Falamos muito mal dele e foi engraçado, contudo, comecei a pensar que seguiam-nos.


– Sally, está sentindo isso?


– Isso o quê?


– Parece que estão nos perseguindo.


– S-seguida? — Sally paralisou-se por uns instantes, depois disse algo muito estranho. Com certeza não era minha língua que ela falava.

Logo após, observei que havia alguns vultos ao longe e que se afastavam cada vez mais.


– O que foi que você disse? Que língua é essa? — indaguei.


– Pare, Annie! Há coisa que você não precisa saber, então, não me pressione!


– Desculpe-me! — eu disse isso revirando os olhos.


Continuamos o trajeto caladas. Toda hora eu queria perguntar algo, mas eu me segurava, afinal, não queria pressioná-la. Fiquei reparando em Sally, e ela estava nervosa, mordia os lábios enquanto uma gota de suor percorria desde a sua testa até a sobrancelha, suas mãos tremiam, podia escutar sua ofegante respiração, como se tivesse corrido uma maratona.

Ao longe, avistei Allison Turner. Será possível que Allison me iria inspecionar até no final de semana?


– Sally... Olha a Allison ali, cheia de livros nos braços.


– Estou vendo. Srta. Turner fora do colégio parece até com alguém que conheço... — disse Sally pensativa.


– Quem? — perguntei.


– Ninguém que conheça. O que será que ela faz aqui?


– Sei lá. — respondi.


Allison Turner se aproximava, reparei no livro em suas mãos, “O Mito das Tribos dos Elementos”. Ela estava ofegante e transpirava um pouco, parecia apressada. Apesar desses detalhes, a cientista foi muito educada!


– Oi meninas! Passeando?


–Sim, Srta. Turner. – Sally afirmou. – E a senhorita?


– Fui à biblioteca e estou voltando para casa... E você, Annie? Como vai?


– Bem, obrigada! — respondi. – Reparei no seu livro, gosta de mitos?


– Sou apaixonada por mitos na realidade!

– Meio estranho uma cientista gostar de mitos, não acha, Srta. Turner? — Comentei, na esperança que Allison confessasse que estava no colégio para ficar me espionando a mando da Sra. Peterson


– Annie... — Sally me repreendeu baixinho, quase sussurrando.


– Na verdade, — Allison disse — todo mito tem um fundo de verdade, Annie. Os mitos não são mentiras. São histórias que um povo de um determinado lugar realmente acreditam. Deveria saber disso, mocinha.


Primeiramente, enraiveci-me com Allison por me chamar de mocinha, é como se ela me chamasse de criança.


– Foi bom te ver, Srta. Turner. — Sally disse carinhosamente.


–Sim, Sally. Foi bom ver você também. Bem, meninas, eu vou indo!


– Até logo. — eu disse, soando mais seco do que eu esperava.


– Tchau. — Sally falou.


Depois que Allison Turner se foi, Sally me olhou como se eu fosse louca.


–Por que está me olhando assim?


–Por que você não gosta da Srta. Turner? — Sally indagou.


Eu não tinha comentado sobre minhas suspeitas em relação à Allison Turner com Sally, por isso achei melhor dar uma desculpa qualquer.


–Hã... Eu não fui com a cara dela. Apenas isso! — respondi.


Percebi que por causa de minha raiva passageira, não havia notado certas coisas, como, por exemplo, a coincidência de Allison aparecer ofegante logo após eu ter visto, ou imaginado, alguns vultos. E o fato de Sally gostar tanto da ruivinha. Ela não costuma ter uma boa impressão das ruivas.


– Pensei que achasse que normalmente as ruivas são nerds demais ou patricinhas demais. Por que gosta tanto da Srta. Turner? – Perguntei à Sally assim que entramos na lanchonete.


– A Allison é nerd demais! Ela é cientista, esqueceu? E eu não gosto dela, só tenho respeito. – Respondeu-me levantando as sobrancelhas e fechando os olhos. Depois saiu sorrindo, como quem está contente por ter achado a resposta perfeita.

Notas finais
comentem ;)