Annie Carter E As Tribos Dos Elementos

2 Capítulo 2- Um feito misterioso



Eu pensava em algo para dizer à Sally, não queria calar-me em meio à nossa conversa, afinal, Sally sempre me escutava quando eu precisava e tinha algo legal para dizer. Entretanto, Joe chegou repentinamente até mim, com seus amigos fedorentos e nojentos, gritando, rindo alto e dizendo:


- Ei, Carter, deu pra ser nerd, hein?


- Cale-se. — Eu disse.


- Carter virou nerd! — Joe gritava, melhor dizendo, aquele cavalo relinchava!


Quase não consegui me conter, parece bobagem ficar com raiva por Joe tem me chamado de nerd, mas ele estava caçoando de mim a excursão toda, fora os outro dias que eu conseguira aguentar sem bater nele. Entretanto, parece que meus pés enraizaram ou, então, parecia que a terra me segurava. Eu não conseguia sair do lugar, mas não me desesperei, apenas me concentrei em Joe. Pude sentir a presença de Sally um pouco atrás de mim, eu imaginava o semblante de preocupação dela, eu sentia que ela pensava que eu socaria Joe.


Estava a um metro de distância dele e mesmo assim era pouco para mim, estava furiosa.


Fechei meus olhos e comecei a desejar que ele tropeçasse e se machucasse! Era estranho, mas eu senti uma carga elétrica percorrer cada canto do meu corpo, fechei o punho e já ia partir pra briga, quando uma onda de ar suave e quente me atravessou.


Então, imaginei Joe quebrando os dentes da frente, ferido e xingando, na realidade, meus pensamentos se firmaram numa pedra brotando do chão, para fazer Joe tropeçar e, também, quase pude visualizar um vento o empurrando.


Assim que abri os meus olhos, Joe praguejava com a boca sangrando. O que eu desejara, de fato ocorreu, mesmo que eu não tivesse culpa, pelo menos não de forma direta.


Ainda sim ele dizia que eu o empurrei.


A Sra. Peterson se aproximou, analisou-me através de seus óculos grossos e me olhou como se fosse me atravessar com uma lança. Eu quase que podia senti-la perfurando-me. Sabia que a diretora não iria nem querer saber o meu lado da história e me acusaria.


-Sorte sua que você não encostou um dedo nele, Annie Carter. – Para minha surpresa, ela não me culpou.


- Queria que eu tivesse quebrado os dentes dele no soco? — resmunguei baixinho. Pode parecer horrível, mas confesso que eu gostei do Joe inovar o visual e apostar no estilo banguela!


- Eu escutei! Só por isso você vai ficar de castigo no ônibus. — A Sra. Peterson gritava.


Tive certo medo, não sabia o que me esperava, pensava nas inúmeras vezes em que ela repetia “Se sua mão doer, use a outra, querida!”.Provavelmente eu iria escrever uns 50 livros de 300 páginas dentro daquele ônibus.


Fui lentamente caminhando em direção ao ônibus escolar, queria adiar ao máximo meu completo sofrimento! (Está bem, sei que estou exagerando um pouquinho). Chegando lá, a Sra. Peterson me puniu impedindo-me de continuar com a excursão. Tive de permanecer lá dentro.


O tempo não passava nunca, mas pelo menos fui punida por respondê-la, e não por uma coisa que não fiz.


Depois do episódio ridículo da excursão, a Sra. Peterson ficou me mandando indiretas o tempo todo e lógico que ela colocou uma pessoa só para ficar de olho em mim, disfarçada de “cientista do colégio”. Allison, ou melhor, Srta. Turner.


Eu sei que era uma pessoa atrás de mim, porque a Allison Turner era uma ruivinha sardenta super indiscreta. Eu não conseguia deixar de notar que ela ficava me olhando por horas até “acordar” e perceber que eu também reparava nela. Acho que a Srta. Turner não sabia a diferença entre olhar disfarçadamente para trás e virar a cabeça igual à menina daquele filme de terror, O Exorcista.


Um dia, resolvi espreitar a Srta. Turner. Fui ao laboratório e resolvi fazer umas perguntinhas. Queria me certificar se ela seria uma ameaça ao meu tráfico de balas, ou seria mais uma pessoa que nem iria notar os meus feitos secretos no colégio.


-Srta. Turner? Sou Annie Carter, posso entrar?


-Annie C-Carter?


- Sim, Annie Carter, pode me chamar de Annie!


- Entre Annie. O que deseja comigo? Já faz umas semanas que trabalho aqui e você nunca me dirigiu à palavra!- comentou.


Acho que queria que eu me sentisse culpada. Não funcionou.


-Desculpe-me se causei uma má impressão, mas andei um pouco ocupada copiando uns livros. – a frase soou um pouco sarcástica.


- Não tem problema, se tudo ocorrer como eu espero, teremos muito tempo para nos conhecer. — Ela sorriu. Eu não entendi, a não ser que ela continuasse no colégio no próximo ano, e eu também. Afinal, o ano estava no fim.


- Isso deve ser ótimo, não é mesmo?


- Sim, é ótimo, Annie. – Ela sorriu, mostrando uma sujeirinha de batom no dente incisivo lateral. Pensei em avisá-la, mas decidi deixar para lá.


- Então, Srta. Turner, eu tenho algumas dúvidas...


- Quais?


Na realidade, não tinha a mínima ideia do que perguntar! Então olhei bem de pressa o laboratório a fim de encontrar algo que me fizesse pensar numa pergunta, então, lembrei-me da excursão, pensei que ela saberia responder, por ser cientista.


- Seria possível a existência de pessoas sobre-humanas, que tenham uma capacidade maior que as outras?


- Por que você está me perguntando isso?


- Porque, às vezes, desejos se tornam reais...


O.K. Você deve estar se perguntando por que eu estaria dizendo isso, na verdade, nem eu sei. Apenas sei que, quando ocorreu o fato na excursão, eu desejei que aquilo acontecesse e também pensei em como aconteceria e simplesmente aconteceu!

-Por que está falando assim, Annie? Algo aconteceu com você? Algo parecido?


Eu hesitei por alguns minutos, a Srta. Turner comprimiu os lábios e espreitou seus olhos verdes, pensava numa resposta enquanto analisava seu rosto, eu havia me esquecido da pergunta da Srta. Turner, mas ela me chamou mais uma vez:


- Annie! Está bem?


Não sabia por quanto tempo Allison me chamava, mas me lembrei da pergunta que me fizera quase que imediatamente.


- Sim, não, quero dizer... Mais ou menos... Hã...


-Annie, você quer alguma coisa?- Allison me olhava preocupada, como se eu estivesse doente, colocou a mão na minha testa, como se medisse minha temperatura, e franziu o cenho.


- Estou bem. – consegui dizer- Tenho que ir para a sala, até logo.


- Até logo. – A Srta. Turner me olhava, acho que pensando que eu era maluca, e eu não podia culpá-la.


Caminhei pelo corredor, pensativa, eu gostaria de saber alguma explicação científica para o que ocorrera na viagem, afinal, não tinha nexo! Mas eu não sei... Estava confusa e minha cabeça girava, isso me provocou uma tremenda enxaqueca.


Fiquei pensando dia e noite no que houvera na excursão. Eu sei que já estava ficando obcecada com esse incidente, tinha de esquecer, mas aquilo ficou rodando na minha mente e eu fazia de tudo para manter esse fato longe dos meus pensamentos.


Quando eu fui dormir, no mesmo dia em que falei com Allison Turner, fiquei pensando nos olhos dela, havia algo de diferente, assim como os de Sally, os meus, do papai ou até os de Emma... Olhando bem, dá uma impressão de que não são normais.


Emma White pode ser tudo, mas os olhos dela nem parecem humanos olhando com atenção. Nossos olhos têm algo de diferente em relação ao resto do mundo ou pelo menos às pessoas que conheço. Parecem meio... robóticos...


Acho que sou louca, onde já se viu pensar algo assim? Também não me saía da memória minha conversa com Sally, mas não queria tocar num assunto que era tão delicado, não queria vê-la triste. Mas da onde ela veio? Que propósito será esse tão importante?


Notas finais
comentem ;)