Anjos Perdidos

2 A Minha Vida Quer Me Matar


Notas iniciais
Então, eu provavelmente não teria tempo amanhã e tinha esquecido d escrever o capítulo, então escrevi tudo em menos de 1h (Orgulho), seria bem legal se não tivesse ficado chato, mas eu precisava deixar chato, explico no final se não dou spoiler.

Tínhamos acabado de chegar, a casa era grande, grande não, era enorme, gigante, uma mansão, não sei se me acostumei viver em casa pequena ou se realmente era muito grande, deveria ter muitos criados, como alguém com apenas 35 anos tinha isso tudo? Será que fazia mal perguntar? Eu espero que não, porque eu perguntei mesmo assim.

— Clarisse...

— Pode me chamar de Tia. — Ela pediu mais do que mandou.

— Clarisse, como conseguiu isso tudo? — Ela pareceu meio desapontada, não sei se foi pela pergunta ou pelo nome.

— Quando eu tiver tempo eu explico.

— Mas temos tempo.

— Mas eu não, Francisco, mostre a casa para elas, tenho uma reunião. — Ela parecia bem irritada, será que falei algo de errado ou ela estava nervosa com essa tal de reunião. Pelo visto só iria descobrir depois.

— Sim, Senhora. —Ela o olhou feio. — Sim, Clarisse. — Ela piscou e sorriu, então entrou no mesmo casso que estávamos e saiu. Eu queria tanto saber mais sobre ela, queria saber o que ela sabia sobre minha Mãe, ou sobre minha vida.

— Anne, você vem ou não? — Morg já estava em frente a porta.

— Ah, claro, vou sim. — Eu a segui, na verdade segui Francisco, ele nos mostrou a sala, que afinal era gigante e tinha tudo de perfeito, a cozinha que se tornou meu lugar favorito, depois banheiro, sala de jantar (Quem usa isso hoje em dia?), os banheiros (Ainda bem, tinha mais de 1), mostrou o andar de cima, não mostrou quarto de Clarisse e nem um outro quarto ao lado do dela, então paramos em uma porta com um “M” e um “A”, provavelmente eu iria dividir o quarto com Morg.

— Eu as deixo aqui, espero que gostem do quarto, tentamos procurar tudo para cada um, aproveitem, vou dar uma olhada para saber se o jantar está sendo preparado.

— Obrigada, Francisco. — Fiz um Hi-Five e ele não entendeu nada, depois riu e desceu as escadas.

— Sério? Um Hi-Five?

— O quê? Vai me dizer que não queria fazer isso?

— Você é idiota.

— Abre logo isso. — Morg obedeceu, acho que só obedeceu porque estava bem ansiosa também.

— Minha nossa. — Vamos dizer que era tudo azul, preto e branco de um lado e tudo roxo, lilás e branco da outra, sim, o quarto era dividido no meio, o que era novo, uma cada de cada lado, não muito distante, não era gigante o quarto, mas era enorme para nós duas, tinha tudo que um adolescente precisava, jogos, TV, livros, entre tudo que podia imaginar, realmente, o que Clarisse faz da vida?

— Sua Tia é demais.

— Ela também é sua Tia. — Morg deu um sorriso fraco, ela nem sempre aceitava fazer parte da minha família, as vezes ela se acha um fardo, mal sabe ela que sem ela eu não sei o que faria.

— Vamos desfazer as malas para podermos comer e descansar da viagem.

— Acha que eu vou dormir? — Ela me olhou com uma sobrancelha levantada, ela estava me desafiando, eu não acredito, ela estava fazendo isso mesmo?

— Apenas desfaça sua mala.

— Pode ser amanhã?

— Anne!

— Tá, já entendi.

Não vou negar que fiz tudo lentamente, na verdade, não fiz tudo, por que eu iria desfazer tudo se eu poderia estar jantando? Apenas escondi o resto embaixo da cama e fomos jantar, Clarisse não tinha chego ainda, a reunião deveria ser importante.
Francisco queria que comecemos na sala de jantar, mas acabei pedindo (Vulgo de joelho implorando) para comer na sala vendo TV, até me ligar que eu não sabia Frances e que não poderia ver nada de lá, apenas colocamos um filme com legenda em Português, acho que Clarisse gosta de casa ainda.

— Será que todos nessa casa falam em português? — Ela perguntava a Francisco que estava na sala tomando conta de nós como crianças.

— Sim, todos nessa casa falam a língua necessária.

— Como assim?

— Não é nada. — Ele se levantou e saiu.

— Isso foi meio estranho.

— Também acho.

O tempo passou bem rápido e nada de Clarisse chegar, eu comecei a me preocupar e Francisco disse que era normal, ele parou de nos vigiar, acho que percebeu que não somos crianças, ou apenas aparentamos não ser.

— Morg, eu estou com medo de dormir. — Me deitei em seu colo.

— Por que?

— No avião, nos 10 minutos que dormi..

— Nas 10h você quer dizer.

— Quase a mesma coisa.

— Claro.

— Deixa-me continuar.

— Continue.

— Foi um sonho um tanto esquisito, alguém... Eu não conseguia ver sua aparência, só via uma sombra, esse alguém me dizia que eu era só dele, que era meu destino.

— Calma, é só um sonho.

— Não, você não está entendendo, não é só um sonho, era real, ele é real, eu sei disso.

— Anne, ele quem?

— O cara, garoto, ele não era tão velho.

— Mas você disse que não conseguia vê-lo.

— E não conseguia, esse é o problema, eu não o conheço, mas sei coisas sobre ele e não sei como eu sei disso. — Ela me tirou de seu colo e me encarou.

— Anne, você está me assustando, é brincadeira, né?

— Não, não é, eu estou com medo, ele quer me buscar, eu não sei quem é, mas sei que ele logo chegará.

— Calma, ninguém vai vir, eu e Clarisse vamos estar aqui.

— Ele quer o mal de vocês.

— O que?

— Ele vem nos buscar.

— Anne?

— Ele está nos observando.

— Anne Chermont pare de brincar.

— Morg, ele que está falando isso.

— Mas como?

— Morg, ele está aqui.

— Anne, pare com isso.

Ele me fez falar aquelas coisas, como? Eu não sabia responder, mas sabia voltar a controlar o que falar, ele não estava querendo me assustar, ele estava me avisando que estava por perto, mas... Por que?

— Chame a Clarisse, rápido. — Me levantei e comecei a procurar o telefone, mas me lembrei que não tinha, mas Francisco tinha.

— Anne, espere, ela vai achar que é mentira.

— Chame a Clarisse, por favor.

— Não tem como.

— Chame... — Tudo foi ficando borrado e então tudo ficou preto, só escutava sua voz e então a de Clarisse, depois disso, escutava mais nada.

”Minha visão voltava, mas não era a sala, eu olhava o céu noturno, cheio de estrelas, tinha estrelas demais para ser na cidade, olhei em volta e via as coisas embaçadas ainda, mas conseguia ver que tinham três pessoas acorrentadas, mas não via o rosto delas, mas sabia que precisava ajudá-las. Eu gritava e não saia nada, eu tentava correr e não adiantava, e então apareceu uma quarta pessoa.

— Não adianta, você não vai conseguir salvá-las.

— Me ajude. — Minha voz saiu tão baixa que eu mal escutava.

— Eu queria, mas não posso, você sabe que não posso.

— Por favor.

— Eu preciso fazer isso. Eu preciso matar você.

— O quê?

— Eu ainda te amo.

— Quem é você?

— Sou sua vida, Anne Chermont.

— Minha vida quer me matar?

— Sou sua chance de viver.

— Então me ajude a poder viver.

— Não posso.

— Por que?

— Se eu fizer isso, eu morro.

—Eu...

— Venha. — Não via seu rosto ainda, estava fraca, mas você segurou minha mão e começou a subir, na verdade voar, mesmo tudo embaçado, eu conseguia ver asas, eu sabia que eram asas.

— O que está fazendo? — Você estava bem alto pelo tempo que eu não sentia mais o chão.

— Estou vivendo.

E então você me soltou, eu sentia o vendo gelado passando por mim depressa, eu deveria ficar desesperada, mas eu não via nada, eu apenas fechei os olhos e senti o vento gelado.

“Eu ainda te amo”

A frase estava em minha mente, minha vida me amava, minha vida tentou me proteger, minha vida me matou.”

Eu abri tentava abrir os olhos, mas uma luz forte me impedia, eu ouvia vozes, não reconhecia, apenas reconhecia meu pensamento, me perguntava o que tinha acontecido, nem eu entendi, eu devo ter dormido por horas novamente.

— Você está bem?

Era Morg, sua voz eu reconheci depois de segundos.

— Morg... — Só conseguia falar sue nome, minha garganta estava muito seca, ardia só de tentar falar.

— Ela acordou, finalmente. — Morg me abraçava e beijava minha bochecha desesperadamente como se eu tivesse sumido por dias.

— Água...

Pelo visto tinham entendido ao menos o que eu queria, porque logo alguém me dava água e me molhava toda, só queria bebê-la, mas tudo bem.
Conseguia enxergar tudo normalmente, olhei para Morg e Clarisse em um canto e um desconhecido em outro.

— Onde eu estou?

— Hospital.

— Por que?

— Você desmaiou e não acordava, então Clarisse chegou e te trouxe, pensávamos que logo iria acordar, mas você ficou dormindo por uns 5 dias.

Arregalei meus olhos e cuspi a água que bebia.

— Como?

— Sim, 5 dias seguidos, você também gritava de vez em quando, era assustador, ainda mais quando se movia.

Eu mesma fiquei assustada com o que aconteceu, mas só de lembrar do sonho, eu agradeço por finalmente ter acordado.

— O que eu gritava?

— Você as vezes gritava “Por favor” e outras você gritava “Vida”.

Eu fiquei paralisada, como aquele sonho durou 5 dias, por que eu gritava minha vida, porque aquilo estava acontecendo comigo?

— Pelo menos ela está bem, o outro garoto ficou mais tempo, chorava e berrava, era pior.

— Outro?

— Sim, temos um garoto que estava aqui antes de você, não é a primeira vez dele, então por isso soubemos cuidar de você para não ter tantos ataques ou se machucar dormindo.

— Isso é assustador.

— Sim, mas pelo menos está bem, preciso que fique só mais hoje e logo amanhã de manhã você está liberada.

— Podemos passar a noite aqui. — Clarisse finalmente falou algo, tinha até esquecido que ela estava no quarto.

— Sim, mas não a forcem a nada, ainda precisamos ter cuidado.

— Tudo bem.

— Volto daqui a pouco com o seu almoço.

— Espere — Gritei o médico.

—Sim?

— Posso andar um pouco? Só para esticar as pernas.

— Sim, mas aconselho a usar muletas, suas pernas deve estar fracas e é capaz de tocar o chão e cair.

— Tudo bem.

Pedi ajuda a Morg, primeiro ela me ajudou a pisar no chão e a andar, só para me acostumar antes e então comecei a andar com a muleta, era chato, mas eu realmente quase não sabia que meus pés estavam ali, formigava demais.

— Quer que eu vá? — Morg e Clarisse perguntaram juntas.

— Não, eu vou sozinha.

Eu precisava achar aquele outro garoto sozinha, elas iriam me impedir, com todas certeza iriam, então comecei a andar pelo corredor a procura de um médico para poder perguntar, começava a sentir meus pés, mas não arrisquei, parei um pouco e me apoiei na parede para não ter chances de cair, bati o pé no chão devagar algumas vezes, pois começava a doer, logo passaria, era normal, como se estivesse dormente, então voltei a andar (de muletas) a´t escutar alguém gritar no corredor.

— O ruiva, espera ai. — Eu entrei em pânico, olhei para trás e alguém vinha correndo atrás de mim, larguei as muletas e sai correndo, até me lembrar que não podia ainda, então eu certamente cai de cara no chão.

— Que porra.

— Garotas não deveriam falar palavrão.

— Quem é você para achar que tem direito de me dizer o que fazer? — Me sentei no chão e comecei a passar a mão no rosto.

— Nervosa.

— Abusado.

— Tanto faz, você está bem.

— Está doendo.

— E sangrando.

— Minha nossa, onde?

— Seu nariz.

Comecei a passar as costas da mão no nariz para tirar o sangue, mas provavelmente ia adiantar nada, então puxei a gola da camisa e limpei, não sei se limpei tudo, mas foi o suficiente.

— Sabe, em animes quando o nariz de alguém sangra quer dizer que...

— Eu sei o que quer dizer.

— Então seu nariz sangrou assim que me viu.

— Meu nariz sangraria para qualquer um, menos você.

— Mas ele está sangrando agora e só tem nós dois.

— Você é um imbecil assim sempre?

— Não, só com você.

— Então vamos fingir que não nos encontramos.

— Não, obrigada.

— Afinal, por que estava me gritando?

— Precisava falar com você.

— Para jogar essas cantadas baratas que faz qualquer mulher senti r nojo de homem?

— Pode parar de ofender os homens?

— Não estou ofendendo, estou falando algo que é verdade.

— Estou falando sério.

— E eu também, preciso defender meus direitos.

— Não é isso, estou falando de outro assunto sério.

— Sobre o que então?

— Sobre os seus pesadelos.

Notas finais
Sim, gente, a Anne é feminista, não, ela não ofende os homens, ela apenas não gosta de pessoas que jogam cantadas baratas, não a vejam como uma garota chata que acha que feminismo é só proteger o lado da mulher, ela ainda vai mostrar muito que luta pela igualdade, o que vai deixar bem legal a história. Foi mal por estar chatinha assim, é que eu precisava fazer ela e esse garoto se conhecerem, não tinha que ser desse modo, mas vamos combinar, em menos de 1h tinha que ficar chato, pois bem, até semana que vem e juro que vai começar a ficar bom agora.