Anjos Perdidos

3 O Começo de Uma Futura História


Notas iniciais
Eu sei, eu prometi que não iria atrasar, eu nem queria, mas estou em semana de prova, então eu virava a noite estudando e quando chegava tinha muito sono, está sendo bem difícil escrever, mas minhas provas acabam amanhã/hoje e voltarei ao normal, postando os fins de semana. Espero que gostem

Eu o olhava incrédula, me perguntei várias vezes como ele sabia que eu tinha esses pesadelos e como era logo eu que tinha, mas logo lembrei que o médico disse “— Sim, temos um garoto que estava aqui antes de você, não é a primeira vez dele, então por isso soubemos cuidar de você para não ter tantos ataques ou se machucar dormindo.” Então era ele, eu realmente não sabia como reagir e fiz a pergunta mais idiota que eu poderia fazer:

— Como você sabe sobre meus pesadelos?

— O Médico mencionou que você chegou e que ficou em pequeno coma pelos seus sonhos e etc.

— Ah, mas como sabia que era logo eu? — Falei apontando para o meu rosto.

— Exatamente isso que eu quero falar, Anne, eu venho tendo esses pesadelos faz tempos, eles são assustadores e podem ser reais...

Eu o cortei.

— Como sabe que podem ser reais?

— Anne, em todos os meus sonhos você estava, por isso sei quem é você e como se chamar, por isso sei que logo te encontraria Anne, isso é tudo real, aquelas pessoas estão nos ameaçando, aquelas pessoas existem.

Eu só o encarava esperando ele rir e mostrar que é pegadinha,a final, isso é impossível, ou não, eu apenas espero, realmente não quero encontrar a “Vida”, eu não quero morrer, não quero que seja real, se meus próximos sonhos forem piores, o que farei?

— Você está mentindo.

— Por que eu mentiria?

— Eu não sei, eu só não vou acreditar nisso.

— Quer que eu te prove?

— Como?

— Sei o suficiente da sua vida para lhe contar e sei como foram seus sonhos, pois eu estava em todos eles.

— Eu duvido.

— Seu nome é Anne Chermont, você se mudou faz nem uma semana, sua melhor amiga se chama Morgana e são quase irmãs e você mora com a sua Tia pelo o que aconteceu com os seus Pais. Em seu sonho o que mais te assustou foi o tal “Vida” que você ainda sente medo de encontrá-lo.

— Eu... isso... Você é um stalker?

— Apenas acredite no que eu te disse, precisamos descobrir o que pode acontecer.

— Mas eu ainda não confio em você. Nem sei quem você é.

— Prazer, eu sou John Lewis, deve ter percebido que sou brasileiro, mas não nasci no Brasil, tenho 17 e moro aqui faz alguns meses, vim morar aqui pelo trabalho da minha Mãe. — Achei coincidência ele vir morar aqui e começar ter pesadelos, o problema é aqui.

— Prazer, você já sabe minha vida toda.

Ele sorriu, ele sorriu. Eu não percebi como ele era, estava ocupada o achando estúpido não nego que o achei bonito, não sei se foi os cabelos pretos quase caindo nos olhos, a pele mais pálida que a minha, a boca fina, os olhos azul e verde, eu realmente acho que a última parte que o faz chamar mais atenção, ele tinha heterocromia.

— Seu olhos...

— Diferente, eu sei, nem gostava tanto, mas vi que isso era legal e que poucos tinham, fez eu me sentir especial.

— Igual meus cabelos, diferente, não é único, mas me torna diferente, gosto dele.

— Já temos duas coisas em comum.

— É.

Ficou um silêncio constrangedor, decidi que iria voltar para o meu quarto, mas ele falou primeiro.

— Então, eu tenho que voltar, mas ainda preciso falar mais sobre os sonhos, vou deixar meu número, tudo bem?

— Não tenho onde anotar.

— Eu tenho, pensei na possibilidade de te encontrar, então peguei um papel e caneta.

— Isso foi uma cantada?

Ele sorriu de novo.

— Dessa vez não.

— Ainda bem, se não eu seria obrigada a te agredir.

Ele sorriu de novo, você não parava de sorrir, isso estava irritando-me profundamente.

— Tome, assim que sair me liga para eu poder te encontrar.

— Claro que vou, espere a madrugada toda minha ligação, fique ansioso e comendo doce ao lado do telefone.

E ele sorriu mais uma vez e saiu de lá, queria te tacar a minha muleta por ficar rindo.

— Eu não vou ligar. — Levantei com dificuldade e voltei para meu quarto, só tinha Morg quase dormindo, cheguei perto e assoprei em sua orelha, ela levantou num pulo e me encarou furiosa.

— Qual o seu problema?

— Nada, só queria você acordada.

Sua expressão de raiva sumiu para uma de desespero.

— Seu nariz, ele... Está sangrando!

— Ainda?

— Como assim ainda?

— Eu caí e então meu nariz começou a sangrar, pensei que tinha parado. Aquele idiota podia ter avisado.

— Me explica isso.

— É uma longa história.

Ela se sentou perto da cama e cruzou as pernas.

— Temos bastante tempo, pode começar.

Suspirei e me sentei na cama.

— Vou contar tudo...

Fui cortada.

— Seu nariz está me dando nervoso. — Morg pegou uns papéis e molhou e limpou o sangue do meu nariz.

— Para de ser uma irmã mais velha cuidadosa.

— Conte logo.

Comecei desde o sonho do avião, demorou um pouco, mas consegui explicar, Morg apenas olhava e piscava, não dava opinião, as vezes fazia uma cara de preocupação, ela provavelmente está achando que sou louca, mas parece que errei.

— Isso é bem estranho.

— Você acredita?

— Acredito, você não mentiria sobre algo sério assim e pior é que algo me diz que isso é verdade e bem sério.

— Vai me ajudar a descobrir o que anda acontecendo?

— Sim, mas você vai ligar para o tal “Idiota”.

— Não, de jeito nenhum, não vou ligar, me viro sozinha.

— É só um garoto, Anne.

— Não vou ligar.

Logo estávamos em casa, Clarisse tinha saído de novo e sobrou eu e Morg vendo um dos filmes que Clarisse tinha guardado.

— Liga.

— Não vou ligar.

— Você vai.

— Quero ver me obrigar.

...

— Alô?

— Aqui é a Anne.

— Pensei que não ligaria e teria que te stalkear.

— E eu não ia ligar.

— Por que ligou então?

— Tem uma garota sentada nas minhas costas no meio d sala segurando minha pernas.

— Isso é estranho.

— Não importa, o que você quer?

Ele suspirou.

— Preciso te encontrar pessoalmente para conversar sobre isso.

— Você pode vir aqui, já que não faço a mínima idéia de como andar por aqui.

— Me passa o endereço por mensagem, pode ser hoje?

— Não... — Morg começou a puxar meu pé. — Pode sim, pode sim.

Ele riu... de novo.

— Passo mais de noite.

— Até mais tarde.

— Até.

Desliguei e continuei deitada, respirei fundo umas três vezes seguidas.

— O que houve, Anne?

— Você está me deixando sem ar.

— Ah, me desculpe. — Morg deu um pulo sentado nas minhas costas que me soltar um som estranho de dor e saiu.

— Idiota.

— Que horas seu amigo vem?

— Ele não é meu amigo e eu não sei.

Morg bateu na própria testa.

...

A Campainha tocou, fui abrir a porta e dei de cara com John, ele sorriu e foi entrando, coloquei a mão em seu peito e o empurrei pra fora indo junto e fechando a porta atrás de mim.

— Grossa.

— Tanto faz, prefiro conversar sobre isso aqui.

— Bem...

— Sério, não enrole, sou curiosa e estou ficando nervosa.

— Eu e você corremos perigo.

— Que?

— Tem alguém atrás da gente e da sua amiga também, pior que eu acho que sua Tia sabe de alguma coisa.

—Espera, o que?

—Eu já falei.

— Como ela pode saber de algo? Eu a conheci faz nem uma semana, ela mal me conhece, como vai saber sobre isso?

— Olha, eu não sei, só sei disso até agora, ela apenas sabe algo muito importante e está tentando esconder de nós quatro.

— Quatro?

— Esqueci dessa parte. Tem mais alguém que é importante nessa história e não conhecemos.

— Tem como piorar?

— A “Vida” está tentando te achar.

— É modo de falar, não precisava realmente piorar. Cara, que caos é esse? Não entendo mais nada.

— Eu também não.

— Droga.

— Se estamos correndo perigo é porque somos importantes para algo, temos que descobrir o que é isso e se é tão importante a ponto de quase morrermos. — John falou com uma calma assustadora.

— Eu mal te conheço, mas quero te bater por ter essa calma toda.

— Preciso ter calma, se eu surtar, vai saber o que acontece.

Sentei no primeiro degrau e ele fez o mesmo.

— Isso é tão estranho, a pouco tempo eu era apenas uma ninguém em um orfanato e agora sou um perigo em Paris.

Ele riu de novo.

— Pois é.

E ficou um silêncio constrangedor de novo, por uns 2 minutos, até Clarisse chegar.

— Tia, preciso falar com você.

— O que ele está fazendo aqui?

— Ele é meu amigo.

— Sou? — John riu sarcasticamente e dei uma cotovelada de leve na sua barriga.

— Como? Vocês não podia se conhecer, eu não acredito que deixei isso acontecer, bem que me disseram que eu só estava atrasando a profecia. — Clarisse falava enquanto balançava as mãos freneticamente.

— Profecia? — Perguntamos juntos.

— Não sei o que eu faço.

— Que tal começar a explicar, Clarisse? — Perguntei ficando nervosa, não com Clarisse, com tudo isso de uma hora para outra.

Ela suspirou, fechou os olhos, depois os abriu e olhou pro céu sussurrando algo.

— Precisamos entrar, vou contar tudo para vocês.

Ela entrou em casa e a seguimos, chamei Morg discretamente que começou a segui-la também, paramos na porta do quarto de Clarisse, ela entrou e fechou a porta, ficamos olhando para a porta esperando algo acontecer, então Clarisse saiu do quarto segurando um livro grande e dourado, era todo desenhado na capa, tinha um árvore com folhas na ponta de cada galho, era um livro muito bonito.

— Vou contar a história de vocês.

— Mas eu já sei da minha história.

— Não essa história.

— Então é qual história? — Perguntei com medo de saber.

— Eu vou contar a futura história de vocês.

Notas finais
Espero que tenham gostado e não me matem, tá meio chatinho ainda, mas a história vai começar ter o rumo divertido agora. Não prometo nada, mas se der esse fim de semana posto de novo pra recompensar, vou tentar, mas não prometo. Até o próximo ♥