Notas iniciais
Olá, gente. Essa é a minha primeira fanfiction, mas de um jeito ou de outro espero que gostem! Eu realmente estarei grato por críticas positivas, pois também quero saber no que eu preciso melhorar. Boa leitura!

Anjos Caídos

Capítulo 1 — Dor

Max

—Aqueles que não entendem a verdadeira dor nunca podem compreender a verdadeira paz, doutor. — Disse ao Dr. Thomas, um gato de pelugem loira e meu psicólogo, enquanto entrava na sala de terapia. Ficava em Mobius, bem longe de onde eu atuava, pois na região de Kin tudo estava fodido devido a guerra que ardia. Estou fazendo terapias com Thomas desde os meus 14 anos de idade, um pouco antes da guerra começar e eu me questionar porque os humanos sempre foram tão cruéis e insanos com nós, Mobians, que nada fizeram para sermos temidos e torturados. Kin, minha terra natal, ficava no extremo norte de Mobius, longe de tudo. Depois que Eggman Nega, o novo ditador, começou essa merda com nós em Kin e executou meu pai e minha mãe na frente de Rose e eu como inimigos do estado injustamente, eu comecei a odiá-lo. Com todo o ódio e rancor no meu coração, persegui ele e matei todo criminoso que visse em meu caminho, como um justiceiro.

—Que dor, Max? O que aconteceu dessa vez? É sobre sua irmã, pra variar? — Ele me perguntou, sabendo que por dentro de um coração frio e gelado como um inverno em Kin havia um ponto fraco: Sua irmã mais nova, Rose, que completara 19 anos ontem, e que daria sua vida para protegê-la. Sou um ano mais velho que Rose.

—Doutor, as coisas estão fodidas! Fodidas! — Exclamei a ele.

—Diga, Max. O que está pegando dessa vez? — Ele perguntou

—Você não vai acreditar, doutor. Sabe a minha irmã? — Eu disse.

—A Rose, então… Deixa eu fazer um chute, ela se mudou pra Mobius depois que seus pais morreram? — Ele disse, acertando parcialmente o que eu estava prestes a dizer naquele momento.

Dr. Thomas está comigo desde os meus 14 anos. Apenas eu e ele sabemos que eu estou tendo terapia. Nem mesmo Rose sabe disso, já que seguimos caminhos meio diferentes. Ela segue os mesmos princípios que os meus, e provavelmente está me procurando agora em algum lugar. Quem dera a minha irmã, uma menina bem mais séria e tímida do que os outros vá procurar por um idiota como eu. O amor é algo que mesmo me afetando quando estou perto dela, ainda não o entendo.

—Meio que isso. Mas o problema é que ela está na parte errada de Mobius! Eu estava fazendo uma pesquisa para localizá-la, que levou 3 meses até que consegui rastrear uma chamada de um telefone de uma tal de Rose Amberwood, ou seja, a minha irmã! E pelo visto ela está em Central City! O lugar onde fizeram a última intervenção militar! — Disse para Thomas enquanto mostrava a prova de que consegui o telefone de Rose.

Depois disso a sala ficou silenciosa por uns segundos, e então Thomas me disse:

—Sabe Max, larga dessa onda em que você está. Você não vai conseguir mudar o mundo sozinho desse jeito. Você era um bom menino, Max! Eu sei o que anda fazendo! — Ele disse, insinuando o fato de eu ser o infame justiceiro ‘Arcanjo’.

Dou um suspiro, jogo meu copo fora, e me levanto, abro a janela e começo a olhar lá fora, pensativo.

—Então você sabe, Thomas… Eu posso confiar em você, certo? — Questionei a ele, para confirmar se as coisas que conversássemos seriam confidenciais.

—Você pode, garoto. Tudo o que estamos falando aqui não sairá dessa sala, independente do que seja. — Thomas disse, soando confiável, e ao mesmo tempo triste, provavelmente pelo destino em que levei.

—Pois é Thomas, eu sou o Arcanjo, que a maioria considera um assassino sociopata. Mas você tem de saber de uma coisa antes de me julgar…. — Eu disse, segurando a raiva que sentia na hora.

—O que, garoto? Eu não estou te julgando…- Ele disse, tentando amenizar suas últimas palavras.

—Enquanto você não conhecer a dor de uma pessoa, não saberá quem ela é…. E ainda que a conheça, ainda não poderá compreender! — Quase gritando, disse isso a ele, pra ver se me entendia.

—Dor? Max, eu sei que sente a falta dos seus pais, mas não é pra tanto. Você colocou a sua vida em risco entrando em um ciclo de ódio sem fim! Você virou um vilão! Não importa o quanto tentei te converter para o caminho certo você ainda insistiu em ser um justiceiro! Porque fez isso, Max! Vingança?! — Ele disse, ainda tentando me convencer.

—Aqueles que não entendem a verdadeira dor nunca terão sequer uma chance de entender a verdadeira paz! A mesma coisa se aplica ao mundo inteiro, eles devem de conhecer a dor! Eu quero que os humanos sintam a dor, pensem na dor, aceitem a dor e conheçam a dor! A minha dor é fruto da maldade humana, a raiz da intolerância e crueldade que preenche o coração dos mais fracos com tristeza e ódio! Eu estou aqui neste mundo para combater a dor, mesmo que seja devolvendo com mais dor! A vingança me move sim, e eu sou um vingador dos fracos que perderam seus queridos como eu, e que perderam suas vidas nessa maldita guerra fodida que Nega começou! Eu estou aqui para terminá-la, nem que isso custe a minha vida! Vilões são feitos, e não nascidos! — Respondi, jogando o meu ponto de vista em sua face. Isso virou uma discussão, não uma terapia.

—Mas porque você não virou um herói?! Me responda, Max! Porque escolheu o caminho mais difícil?! — Ele disse, em um tom sério e agressivo, estávamos definitivamente em uma discussão entre dois pontos de vista completamente diferentes.

—Esse mundo só tem dois tipos de pessoas! Os vilões e os vilões sorridentes! Eu sou um vilão, que teve de aceitar a realidade dolorosa que me cercava! Sofrimento é escolha, dor é inevitável! Pelo amor de Deus, os humanos que são os vilões de verdade! Eles são os assassinos!- Gritei de volta a ele.

—Meu Deus, Max. O que aconteceu com você…. — Ele respondeu, triste.

—Você ou morre um herói, ou vive tempo suficiente para se tornar o vilão, Thomas! — Respondi, tentando por um fim na conversa.

—Se é assim que pensa, Max, tudo bem. Mas eu acho um desperdício um homem jovem como você odiar o mundo. Já deu o horário, Max. Sua consulta termina aqui. Estou preocupado com o que pode acontecer com você. Venha daqui dois dias. O preço total da consulta é de 18 dólares.

Peguei um maço de dinheiro e joguei na mesa de madeira que havia ao lado. Antes de abrir a porta, me despedi dele.

—Quer saber, doutor, eu nem me importo mais se eu vou morrer ou não. Eu não me importo em morrer, desde que eu morra fazendo algo que preste.-

Abro a porta e saio sorrateiramente de seu consultório, dando de cara com as ruas de Westopolis.

Pego o meu smartphone e o ligo, para continuar a minha busca por Rose.

—Eu vou te encontrar, Rose!- Disse para mim mesmo, enquanto revisava informações de Central City.

Pois é. Eu era o Arcanjo. O infame assassino sociopata que aterrorizava a cidade, de acordo com as redes de televisão. Estavam bem putos comigo depois que comecei a hackear as apresentações de notícias, e espalhar a palavra do anarquismo, e por incrível que pareça, há um bom número de pessoas que me seguem como um moralista, ou um ídolo. Sempre quando hackeava várias redes de televisão, usava uma mascára Mobian de um lobo-anjo totalmente preta, representando um anjo caído, um arcanjo do Diabo feito para trazer a paz pela dor. Alguns me chamam de ‘Ashura’, que representava o pecado do ódio de acordo com a bíblia. Já causei tanta turbulência no governo ditatorial de Nega e nas redes de televisão que sou considerado como uma ameaça pública já, de tanta merda que joguei no ventilador quando aparecia nas redes nacionais. Nunca imaginei que teria a porra de um exército apoiando as minhas causas. Os tantos de protestos que apoiavam o anarquismo, outros grupos anarquistas e pequenos justiceiros que estavam aparecendo por aí em Mobius.

Às vezes, Thomas me pergunta como eu fico vivo nessas tretas que me meto com a máfia, a polícia e até mesmo o exército. Depois que meus pais foram executados em praça pública, eu larguei mão da minha vida antiga e aprendi a me defender. Pratiquei artes marciais e aprendi a atirar sobre pressão. Comecei a ler mais do que lia antes, principalmente livros sobre filosofia e política. Roubava munições de corpos de membros da máfia local e da polícia. Matava sem piedade qualquer criminoso que ousasse aparecer em meu caminho. Aprendi a falar várias línguas estrangeiras e me adaptei em infiltração e táticas de espionagem avançadas. Virei uma máquina de morte, só que independente e com dois objetivos, proteger a minha irmã e derrubar o governo de Nega a todo custo.

Procuro minha irmã pois sei que ela está em perigo. A família Amberwood foi praticamente dizimada em Kin, e todos os civis que vieram de lá são caçados por Nega, que são considerados ‘impuros’, por todos serem Mobians. A minha irmã, aparentemente, está vivendo escondida em um subúrbio em Central City, e pela sua movimentação parece que está me procurando. Estou preocupado, e juro por Deus, que vou exterminar tudo o que ousar fazer mal a ela. Tenho que ser rápido, antes que encontrem ela primeiro do que eu!

Guardo meu smartphone em meu bolso, pego minha chave e abro o meu carro, um Dogde Challenger vermelho e preto, e entro nele.

Me sento no banco do motorista, coloco meu smartphone ao lado esquerdo do rádio, e confiro o porta-luvas para ver se minha M1911 A1 ainda está ali.

Coloco a chave na ignição, ligo o carro e coloco o rádio na News 11, a rede de televisão nacional de Mobius.

—O que estão falando de merda agora, hein, cuzões?— Falei consigo mesmo, enquanto ajustava a frequência do rádio.

‘Ontem um assalto ocorreu em um banco em Station Square. Testemunhas dizem que apenas um criminoso foi envolvido, e que ele era provavelmente o ‘Arcanjo’. Ocorreu um tiroteio, e 15 policiais e 12 membros da SWAT foram mortos. Mais de 20 unidades acabaram feridas, e o suspeito escapou com aproximadamente 2.000.000 em dinheiro vivo. A polícia está investigando contas bancárias no momento, mas até agora nada.’

—Contas bancárias fantasmas são realmente úteis. Idiotas.- Falei, ironizando o fato da polícia ser estúpida a esse ponto.

Piso no acelerador, e começo a ir em direção a Central City, que fica a 4 horas de distância de Westopolis, e o ronco do motor soa alto.

—Não se preocupe, Rose, não deixarei que a machuquem!- Disse enquanto acelerava em direção a uma rodovia.