Anjos Caídos
2 Reencontro
Notas iniciais
Anjos Caídos
Capítulo 2 – Reencontro
Rose, 19
Eles estavam me procurando. Tinha certeza de que a minha hora chegaria se não encontrasse Max rápido. Ele ainda está vivo. Pelo sinal de seus movimentos, parece que também está me procurando.
Estava em um esconderijo para desabrigados, em um subúrbio de Central City revisando as informações sobre onde Max poderia estar. Hoje estava tendo uma tempestade horrível, 135 mm de precipitação de acordo com a News 11, então o sinal do GPS estava muito fraco. Ele estava seguindo um padrão de movimento semelhante ao do ‘Arcanjo’, que sempre aparecia nas televisões, e tinha vários motivos pra ser ele também, como seu forte senso de justiça e sede de vingança por Nega.
Central City é o lugar mais oprimido pela ditadura atualmente. E ironicamente o lugar onde mais há protestos contra o governo e atentados anarquistas de justiceiros. Por algum motivo não me sinto com medo deles, os justiceiros. Eles apenas beneficiaram Mobius até agora.
Estava cansada, pois não dormi esta noite. Tive que sair para procurar uma torre de sinal, que no final foi até que útil para localizar Max.
Sento-me em uma poltrona, e ligo a única televisão que havia no esconderijo. Estavam falando sobre futebol. De repente, uma mensagem de um número desconhecido aparece, é também é impossível de rastreá-lo.
‘Rose, esteja no restaurante Acacia Saint, as 7:30 PM. Não esteja ausente. Estarei na mesa número 13.’
Fiquei com medo. Será que era uma armadilha? Podia muito bem ser a polícia, prestes a me matar. Não, a polícia não sabe o meu endereço ainda e muito menos meu número de telefone. Será que era Max? Podia muito bem ser ele. Bem, apenas descobrirei a verdade se for lá.
Acacia Saint era um restaurante bem popular, conhecido por sua comida italiana ótima e pelo Jazz de fundo que tocava todas as noites. Agora eram exatamente 7:00 PM. Tive que me apressar, pois Acacia Saint ficava meio longe. Me troquei rapidamente, e como estava frio, coloquei um casaco de lã branco, que apesar de ser meio velho, ficou bem em mim.
Saí do esconderijo e peguei o ônibus que levava dos subúrbios até a rua de Acacia.
Logo que entrei, perguntei ao cobrador qual era o preço da passagem
—Qual é o preço da passagem?-
—Quatro doláres.-
Entreguei uma nota de cinco dólares a ele, e então me devolveu o troco.
Me sentei em um banco na parte de trás do ônibus, e fiquei olhando lá fora pela janela.
Fiquei imaginando como estaria meu irmão depois de tanto tempo. Não o vejo desde que nossos pais morreram em Kin. Poxa, aquilo o deixou realmente transtornado. Senti pena dele, pois ele mudou muito depois daquilo. O garoto estúpido e brincalhão que eu costumava brigar com frequência, mas sempre quis por perto, decidiu partir de casa no mesmo dia em que a execução aconteceu para resolver uma espécie de Vendetta, eu acho. Temo que ele acabou por virar um justiceiro, mais especificamente o infame ‘Arcanjo’. Mas ele é meu irmão, e nunca iria o entregar pra polícia.
Decidi ler uma revista de moda, para ver se o tempo passava.
30 minutos depois
O ônibus parou bem na frente do restaurante, que foi onde desci. Ao entrar nele, procurei a mesa em que Max falou. Não conseguia achá-la.
Quando a encontrei, estava vazia. Me sentei nela do mesmo jeito, para esperar um pouco e ver o que aconteceria.
Já se passaram 10 minutos de atraso desde as 7:30 PM. Quando estava prestes a sair do restaurante, uma voz familiar disse:
—Desculpe, cheguei atrasado.-
Era Max! Estava feliz de poder reencontrá-lo novamente, mas triste por não poder ter ficado perto dele esse tempo todo.
—Então foi você que escreveu aquela mensagem?- Perguntei a ele, de forma ríspida.
—Sim. E precisamos conversar.- Ele disse, em um tom sério, enquanto se sentava.
Max cresceu. Virou um homem bonito, e parece ter amadurecido um pouco mais. Estava usando uma jaqueta de couro marrom-escuro, e uma calça jeans azul-escuro.
—Max, como você mudou….- Falei, o olhando da cabeça aos pés.
—Você também cresceu, Rose. Minha pequena irmã caçula agora virou uma linda mulher, pelo que vejo. Está com 19 anos, certo?- Ele perguntou, o que me deixou meio que envergonhada.
—Se você diz, Max, e sim, estou com 19. De qualquer forma, por que me chamou aqui?- Perguntei a ele.
—É que eu acho que você está em perigo, Rose. A polícia anda procurando por você, e você sabe o porque, né? — Ele me disse, achando que não estava ciente disto.
—Eu já sei, Max. Eu sei me virar! — Respondi em um tom firme.
—Contra a polícia local, não sabe mesmo. Eu sei que está morando em um subúrbio. Mas você sabe que a polícia já sabe que está lá, certo?- Ele me disse, me deixando preocupada.
—Como assim, Max? Eu não acredito nisso, não mesmo!
—Ah é, então olha isso!- Ele me disse enquanto mostrava documentos policiais que mostravam uma ficha de investigação em mim.
—Espera, de onde pegou isso?- Eu disse, assustada com o fato de ele ter acesso à informação restrita ao público.
—Depois eu te conto, agora vamos voltar ao que interessa. Você vai ter que morar comigo de agora em diante. Eu sei um lugar seguro para ficarmos.- Ele disse enquanto se levantava da mesa.
Hesitei em me levantar por um momento, mas então ele me deu um olhar meio que amedrontador e disse:
—Você vem ou não, docinho? Não tenho o dia inteiro!-
—Tá bom, tá bom, eu vou!- Disse, irritada com seu jeito irônico de falar, bem clássico dele.
Nós fomos até a saída do seu restaurante.
—Você tem um carro pelo menos?
—O que você acha?
Max então sacou um par de chaves, uma de alguma porta, e a outra de um veículo.
Apertou o botão de abrir, e as luzes piscaram para um carro potente clássico, de cores vermelha e preta.
Fiquei impressionada, e logo fui perguntar de onde ele conseguiu esse carro.
—Minha nossa, Max! De onde consegui esse carro?
—Sabia que ia dizer isso. Depois te conto.
Nós dois caminhamos até o veículo, e após entrar no carro e fechar as portas, Max disse:
—Ufa! Agora podemos conversar. Então, como andam as coisas?- Disse enquanto colocava o cinto de segurança e colocava a chave na ignição.
—Bem, a medida do possível. Por que demorou pra aparecer?-
—Ah, problemas.
—Que tipo de problemas?
—Por que quer saber?
—Por que está hesitando em me contar?
—Por que é pessoal.
—Então não vou insistir com você.
—Melhor assim. Agora, mudando de assunto, o que você andou fazendo esse tempo todo?
—Vivendo escondida. Não sei como estou viva.
—Bom saber. Sabe se defender?
—Como assim?
—Lutar contra a polícia e bandidos por aí.
—Claro que não!
—Então toma isso. Arrumei uma arma pra você.
Max me deu uma pistola de defesa pessoal pequena, e dois pentes.
—Isso é uma SW22 Victory. Depois te ensino a usá-la de forma eficiente.
—Espera um pouco… Você quer que atire em alguém?
—Se for necessário apenas. Estamos sendo caçados, Rose!
—Meu Deus, Max! Como que uso essa coisa?
—Vou te ensinar depois. Está com o cinto de segurança?
—Sim.
—Então se segura.
Max então me deu um baita susto com o ronco do motor, que provavelmente dava pra escutar de uns 500 metros de distância.
—Ah!
—Você tinha que ver a sua cara!- Disse enquanto ria
—É, vai se foder também!- Não costumava falar palavrões, mas Max realmente me tira do sério as vezes.
Ele continuou rindo por um tempo, depois voltou a se concentrar.
Fiquei quieta por alguns minutos, e até aí já estávamos em uma rodovia.
Estava querendo conversar com ele, adorava meu irmão. No momento em que o vi me entregando aquela arma, já sabia que era o ‘Arcanjo’.
—Max, posso te perguntar uma coisa só?
—Diga, Rose.
—Você que é o Arcanjo, não é?
Ele ficou quieto por alguns segundos, e então perguntou:
—Por que diz isso?
—Porque você está meio suspeito ultimamente. Começou a pegar em armas, agindo estranho, até mesmo comigo e também está vivendo escondido. Desembucha logo, Max. Eu não vou te entregar.
Ele ficou em silêncio por um tempo, e depois falou:
—Merda… Você andou seguindo meus movimentos, não é?
—Sim, Max. Não adianta mentir pra mim.
—Tudo bem, eu confesso! Mas eu estou fazendo algo para mudar a sociedade!
—Não tenho nada contra isso, Max. Por isso não vou te entregar. Mas me prometa uma coisa.
—O que?
—Não morra. Por favor. Você e nossa mãe foram as únicas pessoas que realmente se importaram comigo. E você é a única restante.
Pois é. Nosso pai era um lixo. Raramente aparecia em casa, e quando aparecia, batia na nossa mãe e às vezes a estuprava. Isso tudo na nossa frente. Nossa infância não foi fácil.
—Eu prometo. Afinal, só te chamei porque você é a última pessoa querida que tenho. É meu dever te proteger.
—Max… Eu sei me defender…
—Contra uma força policial inteira? Não mesmo.
—Se você diz, Max. Apenas não morra.
Passaram 15 minutos de silêncio, e então Max disse:
—Você realmente mudou, Rose. Nunca imaginei que iria ser uma mulher bonita assim.
Isso me deixou meio constrangida, e meio lisonjeada ao mesmo tempo.
—Obrigada, Max. Você também mudou desde a última vez em que nos vimos. Ficou um pouco mais maduro e virou um homem bonito também. Quando que nos vimos pela última vez mesmo?
—Faz 6 anos desde que nos separamos, certo?
—É, acho que sim. Nunca mais nos vimos desde então.
—Pois é. Senti sua falta, Rose.
—Igualmente, irmão. Vou dormir um pouco, ver se o tempo passa.
1 hora depois
—Rose, acorda! Rose! — Ele disse, enquanto me chacoalhava.
—Max? Que?
—Levanta, chegamos ao esconderijo.
—Ah, tudo bem.
Max tinha parado o carro ao lado de um bunker subterrâneo abandonado em Kin. Então era lá que ele estava esse tempo inteiro?
—Max, aonde estamos?
—Aonde acha? É aqui em que estou vivendo. Entra aí.
Max abriu o alçapão de ferro, e então pulou ali dentro, mesmo tendo uma escada para entrar.
Me levantei, e também entrei ali, só que pelas escadas.
O bunker dele era um lugar de tamanho largo, lotado de câmeras de segurança, caixas militares cheias de armamento, computadores de alta tecnologia e pra variar, uma tonelada de livros empilhados, a maioria de filosofia e política, e em outro canto alguns sobre manuseio de armas e artes marciais e ao lado dos livros duas camas e um abajur. Notei que havia uma porta ao lado direito das câmeras. Em um outro canto havia uma televisão de 42’’. E algo que me deixou realmente curiosa foi que havia uma cozinha também. Max aprendeu a cozinhar durante esse tempo todo?
—Santo Cristo, Max. Quanta coisa. Onde arrumou esse lugar?
—Foi abandonado pelas forças regionais de Kin. Me aproveitei disso e então estou morando escondido aqui. Dinheiro não está faltando, então arrumei várias coisas pra colocar aqui.
Tinha também uma porta que levava a algum lugar dentro do bunker.
—O que é aquela porta ali?- Disse enquanto apontava para ela.
—É um campo de tiro. Era oficialmente deles, mas retiraram todas as coisas que haviam lá quando largaram esse lugar. Tive que comprar vários alvos de papel e muita munição. Custou meio caro, mais valeu a pena. Vou te ensinar algumas coisas sobre armas, pois se quiser ficar viva vai ter que saber usar uma.
—Tá bom, Max.
—Vá dormir um pouco, você parece cansada.
—Tudo bem.
—Depois eu te acordo.
Me deitei em uma das suas camas, e dormi quase instantâneamente.
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