Animatronic's Saga - Foxy, the pirate
3 O primeiro "Freddy's"
Alguns anos depois, em 1977, finalmente a casa de festas infantis havia sido aberta. Ou também chamada de Restaurante Familiar FredBear. Mas não por nosso "pai", pois fora julgado por suspeita de assassinato de cinco crianças desaparecidas. Um dia antes de seu julgamento, ele se matou enforcado, mas essa informação não ficou aberta para a mídia. Quem abriu o estabelecimento foi seu neto , que tinha dito que seu pai lhe havia dado uma carta falando que o sonho de seu avô seria abrir o local para o lazer de toda família e toda essa bobeira que eles te obrigam a engolir. Eu realmente acho que se alguém considera-nos como "Atração familiar", provavelmente é mais doente que o próprio dono original.
Mesmo assim no início, não havia problema. De dia, como sabem, ficamos em um modo totalmente robótico, mas como era algo considerado novo, as crianças nos adoraram e sempre havia festinhas infantis animadas, com brincadeiras e músicas um tanto repetitivas. Era como um mundo de fantasia na vida real, tão mágico que era impossível explicar, aquele ar inocente de crianças nos olhando era tão agradável. E eu me sentia bem naquele ambiente, mesmo que não conseguisse distinguir o que ocorria. E com tempo, eu comecei até que gostar de ser "Foxy, o pirata", pois via crianças se aventurando pela "Caverna do Pirata" só para ouvir as "minhas" histórias. Claro que muitas crianças mais novas ficavam me mordiscando, por eu ser o mais próximo do alcance delas, já que os outros ficavam no palco. Mas eu sempre fui bastante paciente com elas, então eu de certo modo ignorava. Crianças muito pequenas tem essas coisas de morder tudo e as vezes não é como se elas conseguissem se segurar, pois ficam com nervoso na gengiva. As vezes me pergunto se eu sou uma criança.
Entretanto, quando o primeiro guarda noturno foi contratado, tudo mudou. Ele tinha uns 23 anos e parecia ser seu primeiro emprego. Não me lembro o nome dele direito, acho que era Richard-Alguma-Coisa, algo assim, mas todos o chamavam de "Rick". Todos nós o recebemos de bom grado, quer dizer, menos Freddy, que pareceu um pouco relutante em se aproximar dele. Apesar que de cara, Richard quis sair correndo, mas depois que Freddy o explicou o básico (Só Freddy consegue falar a "língua-humana", o motivo disso é o fato de nossa caixa de voz está meio velha, afinal, estamos sempre e sempre sendo usados), ele resolveu ficar mais um pouco e até se tornou nosso amigo. Eu me lembro que Chica me deu uma bronca, afirmando que eu assusto quando eu tento falar com alguém.
Foram os cinco melhores dias que eu já tive. Richard vigiava o local, falava sobre a "vida adulta" e coisas que eu nunca imaginaria na existência. Era tão incrível! Mas também era um pouco solitário... Rick mesmo que sorrisse para todos nós, era visível em seu rosto que ele era sozinho e que possivelmente não havia nenhum amigo. "Não, ele tem" Eu pensava as vezes "Eu sou amigo de Rick! E tem Chica e Bonnie também! Até mesmo Freddy, eu acho...".
Tudo estava ótimo, então a maldita quinta noite... Sempre na quinta noite... O modo mais animalesco de todos nós é ativado e sentimos uma vontade absurda e doentia por apenas uma coisa: Carne. Nas primeiras semanas dês que o "Freddy's" abriu, deu até para sobreviver comendo uns cinco ratos ou coisa do tipo, mas com o tempo, a fome aumentava mais e mais... E se não comêssemos nada, nossas peças começavam a rapidamente à apodrecer. Eu estava tentando me controlar, e Bonnie e Chica pareciam também, porém muito menos, mas eu ouvia completamente irritado, Freddy falando:
—Vocês vão se segurar por até quanto tempo? Eu sei que Richard é nosso "amigo", mas não podemos ficar com fome por causa dele, ele é só um humano...
—Ele é meu... Ele é nosso amigo, Freddy, não podemos... Você sabe...—Falei sentado no canto do palco, me levantando de um modo bruto. —Eu não iria querer perdê-lo, assim como não iria querer perder você, nem Chica e nem mesmo Bonnie.
—E-Ele está certo, Freddy... Ele tem sido muito gentil com todos nós...—Bonnie falou de um jeito levemente relutante.
—Ah, claro... Com toda certeza ele considerar-nos os "melhores amigos" deles, acorda, Foxy! Você é esperto o bastante para saber no que isso iria dar.—Ouvia Freddy resmungar alto.—Tsc. Eu odeio esse seu jeito.
—Esse "meu jeito"?—Ri, irritado.—O que seria "meu jeito"?
—Vocês dois, não briguem...—Chica se colocou entre nós.—Por favor... Papai não iria gostar que nós brigássemos, graças a ele estamos aqui!
—Isso Foxy, pode fechando o focinho.—Zombou Freddy, eu tenho certeza que se eu não tivesse preocupado com o fato de Chica estar ali, eu pulava em Freddy naquele minuto.
—Shessh... Que seja.—Cocei a orelha, ignorando-o.—Não vamos atacá-lo, Freddy, ponto final.
Freddy resmungou, mas não lutou muito. No início era assim, eu era respeitado por todos. Era algo bom, sabe? Eles não me odiavam e me olhavam com nojo. Eu ficava realmente feliz. E não era só isso, não existia um "líder" entre nós, todos eramos considerados iguais e todas nossas ideias poderiam ser ouvidas. Como isso tudo mudou? Bom, com apenas um grito que vinha do porão da Casa de Festas.
Todos se viraram para a porta. Era a voz de Rick. O porão... "Caramba! O porão! Por que eu não lembrei dessa droga de porão?" Eu tinha ido lá mais cedo para poder arrumar novas ferramentas, pois o meu braço vivia caindo. Mas lá havia algo que não podia ser visto por ninguém. Principalmente um humano. Corri na frente de todos (Sempre fora bem mais rápido que os outros, modéstia a parte) e fui descendo as escadas para o porão com passos apressados.
—Ah... Ah... Ah... Cadáveres... Cadáveres...—Ouvia ele dizendo, olhando para frente. Lá havia corpos, muitos deles. Quatro, pois o quinto corpo havia sumido.
Os corpos das crianças usadas para nos criar.
—"O que foi, Rick...?"—Perguntei, mas obviamente, ele não me entendeu.
Por que só Freddy consegue falar com os humanos?
—O que são vocês...? Vocês que fizeram isso?—Perguntou olhando para mim. Com desgosto, o que fez com que eu sentisse como uma facada forte e profunda.
Ouvia passos dos outros descendo a escada. "Essa não..." Eu pensei, quase chorando, isso é, se eu tivesse pálpebras... "Não, não, não..."
—Ah, olá, Richard.—A voz de Freddy tilintou, fazendo um pequno eco.—O que achou delas?
—Não...—Arquejou, chegando para trás.—Isso é horrível...—Olhou então para Freddy.—Vocês fizeram isso? Essas crianças...
—Nós? Não, não fizemos.—Ajeitou o corpo de um garoto ronchonchudo, virando-se para Richard.—Mas podemos fazer, se você abrir essa boca para o mundo a fora.
—Ele não irá, não é?—Chica deu uma risada, parcialmente agradável, mas com um toque de malícia.
—Você é nosso amigo, não é?—Bonnie disse puxando uma das orelhas, timidamente.
Sabia que ele só entendia o que Freddy falava, pois nossas vozes eram animalescas e a minha só se tornava humana quando estava contando histórias programadas para mim.
O som do relógio tocou, era seis horas da manhã. Sorte. Voltamos ao estado normal, caindo no chão como meros bonecos normais. Acho que formei um sorriso. Não sei. Mas eu confiava nele. "Ele não iria contar para ninguém sobre as crianças" eu pensava positivo. A quinta noite havia passado.
Sexta noite, Richard chegou atrasado pro trabalho e ele fedia. Parecia cansado também, "Será que ele dormiu bem?" Me perguntava curioso. Eu queria perguntar todas essas coisas para ele, mas o mesmo parecia nos evitar, o que estava acontecendo? Ele estava com medo de nós? Era isso? Sai da caverna do pirata, e corri como sempre na direção da sala do escritório"Olá!" clamei, mas como esperado saiu um rugido fraco.
—F-Foxy, ah, haha... Oi...—Disse num tom surpreso. Ele segurava alguma coisa, não era uma lanterna, era uma faca...? Mas por quê?
"Você quer nos matar? Não éramos amigos?" Queria perguntar, mas ele só se afastava. Sabia que não poderia morrer, as almas daquelas crianças estavam em cada um de nós. Era uma maldição. Mas só o fato dele pensar que poderia nos matar, era triste.
Ele bateu com as costas em Freddy, que havia entrado com os outros por um duto de ventilação. Richard deixou a faca cair e estalar no chão de uma maneira alta que pareceu ecoar, já que o local estava teoricamente vazio.
—Richard, é o seu sexto dia de trabalho, parabéns! Nos viemos o presenteá-lo como bons... "Amigos".—Falou Freddy com um forte cinismo em sua voz, afundando a pata grosseiramente em seu ombro.—Mas veja! O que é aquilo? É bem brilhante, uma faca, talvez? Que grosseiro, Rick... Se queria bolo para dividirmos era só pedir, Chica é uma boa cozinheira.
—Ah...Ah...—O fedor de sua pele ficou mais forte, o que significava que ele havia feito algo que os humanos chamam de "urinar". Coisas assim geralmente acontecem quando eles estão com medo. E acho que era compreensível o motivo de tanto medo.—N-não é o que vocês... Po-Por favor, deixem-me ir embora...
—Ai, ai... Cala a boca, um minutinho?—Chica aproximou-se dele de um modo como os humanos "beijam" outras pessoas, mas em vez disso mordeu-lhe a cara arrancando um pedaço enorme, deixando amostra a sua carne e muito sangue. Richard caiu então no chão. Tremendo.—Ótimo, ótimo, assim fica melhor!
Richard estava morrendo.
Por causa de nós.
O primeiro vigilante do local iria morrer. E infelizmente o primeiro de muitos outros.
—Comer?—Bonnie perguntou sem-graça, cutucando Freddy.
—Comer.—Afirmou, aproximando-se do corpo.
Todos se aproximavam um de cada vez, o corpo era dividido entre eles e sangue borrava aquela área. Os gritos dele me lembravam de Jimmy, que ecoam na minha mente (Eu tenho uma?) sempre que fecho os olhos. "Eu não quero ver" Pensava, tampando os olhos "Eu definitivamente não quero ver". Fiquei sentado no canto, observando todos eles e soluçando baixo. Freddy virou o rosto com a boca suja de sangue e pegou a faca no chão, jogando na minha frente.
—Está vendo?—Levantei o rosto, deprimido.—Era isso que ele queria fazer com todos nós. Ele ia nos desmontar. Grande amigo, esse Rick, até me emocionei!
Não falei nada, sabia que ele estava certo, pelo menos naquele instante.
—Você tem que parar de bancar o "humano", Foxy... Nós somos Animatrônicos, essa é a nossa VIDA. Fomos criados para isso, divertir crianças e comer. Se não for essas duas coisas, para que existimos?—Falou, levantando levemente o tom de voz.—Venha, Foxy, coma com a gente, você mesmo não querendo, ainda é nosso "irmão".
Me levantei. Segui Freddy e lá estava eu, me deliciando naquela "Festa da Carne" e ao mesmo tempo soluçando "Perdoe-me" baixo. Naquele momento, eu poderia ser comparado com todos eles, um assassino. É isso que eu sou, mesmo que eu não queira, sou um assassino. E infelizmente é a minha única opção de vida. Foi o que Freddy disse. Se não for por esses dois motivos, para que eu existo? Não seria mais fácil eu não existir de vez?
Eu não sou o mocinho da história, eu já havia dito isso antes. Eu estava lá com meus "irmãos", me divertindo e ao mesmo tempo agonizando de tristeza. Não queria que ele morresse, mas aquele gosto em meus dentes afiados, era tão bom que era impossível eu parar, além do fato de eu estar magoado. Perto pro amanhecer, o corpo de Richard era só restos distorcidos. Freddy deu logo a ideia doentia de enfiá-lo dentro um dos corpos faltando, e fizemos isso, junto com o corpo das outras crianças, que estavam em estado putrefato.
Outro vigilante foi contratado após Richard ser dado como desaparecido, e ele sobreviveu três noites. Como podem ver, eu disse "sobreviveu", pois depois que Rick foi morto, passamos (Sim, eu disse passamos, eu infelizmente era dessa "trupe") a devorar os vigilantes que se seguiam e depois o enfiarem dentro dos trajes de Freddy, os que sobreviviam ou ficavam em estado psicológico abalado, ou desapareciam. Não atacávamos as crianças. Elas eram nosso tesouro. Pelo menos para mim, elas eram um tesouro. Nunca que eu iria querer atacar uma criança.
E então... O ano de 1987 chegou...
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