Há! Antes de começar a contar minha história, vou falar a história de um jovem garoto que conheci. Seu nome era James, mas todos o chamavam de Jimmy. Ele era pobre e vivia com seus pais pela periferia. Fraco, perdeu um braço logo ao nascer, o garoto sempre fora incrivelmente otimista. Seus pais sempre o deram muito amor, e Jimmy cresceu com o pensamento ingênuo de uma criança: Todos são nossos amigos, inclusive aqueles mais suspeitos. Sei que isso é um pensamento de criança, vejo crianças com olhares admirados para Freddy quase todo dia.

Ainda assim, Jimmy era admirado não só pela sua beleza angelical, mas também por sua gentileza com todas as pessoas. Ele era sem dúvida, algum tipo de ser divino, muito evoluído para estar a terra. Pois, além de atrair bondade ao seu redor, haviam pessoas más no mundo, pessoas que queriam tirar essa celestialidade do garoto. Muitos tinham inveja de sua bondade que queriam "roubá-la". Então, de certo modo, o garoto sempre passava por situaçãos terríveis, mas ele nunca se demonstrou realmente triste com a situação. Não, não. Acho que era isso que eu mais me admirava em Jimmy. Eu, sinceramente, nunca teria a paciência em ser "bonzinho" o tempo inteiro. É tão irritante. Mas enfim...

Jimmy, certo dia, conheceu um homem de aparência bondosa. Já aparentava ter certa idade, e esse homem era conhecido como um ventríloquo, o que significava que muitas crianças gostavam dele. Esse idoso sempre chamava Jimmy para tomar café da manhã e lanche da tarde. O garoto contava animadamente sobre o que via e descobria. Dizia que seu maior sonho era ser um pirata, como Simbaud, que lera num livro infantil. O idoso quase nunca comentava, apenas o ouvia pacientemente. Era dito que ele ouvia quase todas as crianças e que poucas vezes falava. Talvez por sua voz ser meio fraca. Mas ainda assim, era incrivelmente bondoso com Jimmy, sempre ouvindo seus sonhos e locais a qual sempre quisera aventurar. Já dissera que queria ir para as Índias, mas ficava chateado por já terem descoberto o local. Também falou que queria ir para o Triângulo das Bermudas, ver se tinha realmente calções por lá. Era incrivelmente sonhador e ingênuo. Dois adjetivos que não caiem bem quando se vem ao mundo.

Como sempre, Jimmy fora chamado para tomar café da manhã pelo idoso. Mas ele estava diferente, mas sério e sem aquele ar bondoso que conhecia. Parecia até mesmo cínico. Mas James imaginava que ele apenas tinha tido um mal-dia e que logo ele ficaria com um bom humor.

Fora na casa do homem, e como sempre, reparou num restaurante fechado em eterna construção ao lado da casa. Fazia uns dez anos que aquele restaurante não abria finalmente. Se eu não me engano, aquele restaurante iria abrir para ser um restaurante e casa de festas. É, algo assim. Faz tantos anos que não me lembro claramente. Hoje, logo hoje, o pequeno resolveu perguntar, curioso.

—Senhor Ventríloquo... Por que o seu restaurante nunca abriu? Você sempre o manteve fechado...—Perguntou enquanto tomava o café da manhã na varanda daquele senhor.

—Oh... O restaurante?—Deu uma risada fraca, mas seu rosto não sorriu.—Ele está para abrir daqui a alguns dias.

—Sério?!—Os olhos do menino brilharam.—E o que vai ter lá? Terá uma caverna de piratas? Eu sempre quis ir numa... Ah, é... Eu... Eu não tenho dinheiro para ir num restaurante...—Encolheu-se, perdendo a animação em seguida.

—Sem problemas, Jimmy. O restaurante estará sempre aberto para visitas. E sim, estava pensando em ter uma caverna de pirata... Aliás, estava precisando de ajuda sobre uma coisinha... Mas não sei se eu conto...

—Conta! Conta!—O menino se animou novamente, não só com o fato de poder entrar no restaurante quando quisesse, mas principalmente com o possível grande segredo que o "Mestre das Marionetes" guadava. Era extremamente curioso, e o fato de ser o primeiro a saber alguma informalçao sobre o Restaurante.

—Tudo bem, eu conto.—Suspirou, olhando para o restaurante.—Eu descobri um modo de fazer bonecos que se mexem por conta própria. Não, mais que isso, bonecos que possuem sentimentos, personalidade, quase... Humanos. Se não fossem bonecos, lógico. Eles seriam um tipo de animatronicos atuais, só que melhorados, entenda. Mas ainda não sei como criar sua aparência e biotipo. Estava pensando em eles terem aparência de animais...

Obviamente, o garoto ficou admirado com o que o homem falava. Nada mais que uma reação de uma criança com por volta de dez anos. Eu imagino que se esse cara tivesse dito isso para um marmanjo de trinta e poucos anos iria chamá-lo de maluco. Afinal bonecos não foram criados para falar, não é?

—Como... Como... Uma raposa?—Falou o primeiro animal que lhe vinha na cabeça.—Ela poderia ser uma pirata, e ficar na caverna pirata contando histórias e falando coisas como "Yarr" ou "Ahoy"!

—Realmente, e você tem uma ideia para o nome da Raposa pirata?—Conteve o riso, enquanto observava as palavras do garoto.

—Simbaud, o pirata? Não, não... Não acho que Simbaud era uma raposa... Hum... Não...—Forçava a cabeça perauta, pensando fortemente num nome decente.—Fox... Fox... FoxY... Foxy! Isso! Foxy! Acho que Foxy ficaria legal, é como raposa, mas com o "Y" no final, além de também ter sentido de "Desbotado", e muitos piratas são largados. Isso! Foxy, o pirata! Yaar!

—Foxy... Realmente garoto, você tem talento para dar nomes.—Bagunçou os cabelos ruivos do garoto. —Acho que vou fazer sim essa raposa, obrigado pela ideia. Quer mais suco?

—Sim, senhor! Muito obrigado!—Sorriu para o ventríloquo, que levantava-se e entrava dentro de casa.
O garoto estava radiante, é claro. De tantas, ele soube sobre o restaurante que iria abrir antes de vários. E não era só isso! Ele descobriu uma criação mirabolante que nunca imaginou existir. E ele ajudou a criar um boneco. Isso era o que deixava-o mais animado.

Ouviu a porta da casa abrindo, uma bandeja de suco, pegou um copo. E o homem a sua frente pegou outro e deu alguns goles.

—Eu realmente estou animado para quando eu abrir o Restaurante... Principalmente pelas crianças, eu adoro quando vejo-as sorrindo. Enfim, você irá me visitar, pequeno aventureiro?

—Pode ter certeza!—Disse, dando um pequeno gole do suco.—Você pode...

Sua mente girou 360°, tudo ficava turvo e a sua cabeça parecia se aproximar da mesinha a sua frente. Sua audição parecia prejudicada e ouvia tudo como se fosse sussurros. Forçou deixar os olhos abertos. Queria dizer que estava passando mal, mas o velho acariciou sua orelha e logo o local de onde era para existir um braço.

—Eu sei que irá... Foxy.

Não sabia o que ocorreu no tempo que estava desacordado. Mas Jimmy ao abrir os olhos estava sob uma maca de hospital, e sua roupa estava a caratér de um doente. Tentou levantar-se, mas reparou que seu único braço estava preso a maca, suas pernas também e sua barriga. Tentou gritar, mas sua voz não saiu. Em outras palavras, suas cordas vocais estavam dormentes e mudas.

Ele não poderia gritar ou chorar, ninguém iria o ouvir. Estava com medo, e pela primeira vez, viu algo que nunca imaginou ver. Ao reparar melhor na sala, viu algum tipo de endo-esqueleto no canto da sala e algumas outras três crianças vendadas, suas vozes não haviam sido caladas e o grito de socorro delas eram evidentes. Estavam na mesma situação que ele, o que o fez pensar se tinha sido aquele homem. Havia uma menina do seu lado, não muito mais nova que ele; Um garoto que deveria ter uns cinco anos; E dois gêmeos, um parecia desesperado, mas o outro mal se movia. "Ele está dormindo?" Jimmy se perguntou tremendo.

Mas não poderia ser, não é, afinal aquele homem era uma pessoa boa. Ele sempre fora bom com as crianças, não poderia ser ele.

Passos lentos adentraram o local. Era um "urso", mas estava com um livro preto em mãos e kit de medicina avançada. Se fosse numa situação normal, Jimmy iria querer falar com o urso, mesmo com aquela aparência com um dourado desbotado. Observou o boneco e logo viu pares de olhos familiares, era o mestre de bonecos! "Não pode ser..." Colocou o livro num canto e sentou na cama onde James se debatia desesperado, tentando-se sentar e suas pernas lutavam, tentando o chutar. Pela primeira vez na vida, ele sentiu algo como "Perigo", as outras crianças pareciam ouvir o barulho de seu corpo frenético em movimento e quase todas se mostravam agitadas. Menos um garoto gorducho de cabeloiros aloirados, provavelmente o único que já parecia estar morto.

—Shh... Fique calmo, Jimmy, eu só vou fazer uma pequena operação em você, logo não sentirá mais dor.—Acariciou o rosto úmido em lágrimas do garoto.—E olha só, você terá logo um outro braço. Você não queria ter dois braços?

Pegou uma faca cirúrgico e levantou a roupa de Jimmy, mostrando a barriga gelada e nua do garoto. Começou a cortar-lhe o estômago lentamente. O garoto berrou, mas como o esperado, nenhum som foi reproduzido.

Viu o homem então puxando algo de sua barriga com suas mãos enluvadas. Era um pedaço de sua pele. Era assustador ver isso. O que Jimmy queria naquele momento era estar vendado como as outras crianças. A ignorância para Jimmy com toda certeza, seria uma benção. Pedaço após pedaço era jogado num balde. Via sangue, muito sangue escorrendo por seu corpo de um modo doentio e até mesmo cruel. Sua boca formava "Para!", mas não tinha como o homem o ouvir, logicamente. Aquilo não poderia ser real, só poderia ser um péssimo sonho ou brincadeira de mal-gosto. Depois que boa parte da pele de seu estômago havia sido arrancada, sentia cada vez mais fraco, e talvez estivesse morrendo.

—Não pode morrer ainda, preciso de mais uma coisa sua, tudo bem?—Apontou os longos e finos dedos para o olho esquerdo de Jimmy e então, pegou uma tesoura medicinal e afundou em seu olho.

Mesmo com a voz muda, algo como um grunhido escapou tão alto que as outras crianças no recinto se agitaram bruscamente, agora fazendo as macas de hospital baterem com força no chão. Sua visão esquerda ficava vermelha e sentia cuspir sangue, engasgando e grunhindo mais alto de dor, era agonizante, e o pior é que aquilo não parava de jeito nenhum. "As pessoas não são boas? Por quê?"

Pensava enquanto lágrimas sangrentas escapavam de seu olho danificado. "Eu... Eu ainda acredito na bondade... Esse homem que conheci... Eu tenho certeza que... Que... Ele ainda tem um lado bom. Ele disse que queria ver outras crianças felizes, não é...?"

E sua vida finalmente foi retirada completamente com um puxão rápido de seu olho, fazendo-o morrer de hemorragia. Ele acreditava que todos tinham seu lado bom... Um pensamento bonito, mas que eu não consigo compreender totalmente.

Só sei que, quando eu acordei, só tinha lembranças vagas desse garoto chamado James. Ele havia sido usado para que eu ganhasse vida... É triste, repulsivo e injusto... Mas era a verdade. De qualquer forma, o Mestre de Bonecos —Posteriormente chamado de "Pai"— cumpriu o que disse, eu havia ganhado um braço, e ele havia um gancho! O olho de Jimmy havia sido colocado na parte esquerda do meu rosto... Que havia sido envidraçado, para parecer falso, e coberto por um tapa-olho.

Se não me engano, parte do corpo foram usadas também para a pelugem parecer mais real, e como não havia local melhor para os restos das crianças, foram jogadas dentro do porão, a qual era fechado a sete chaves e quem tomava conta do local em especial era eu.

Apesar disso, mesmo ganhando algo como a "vida", eu era o único Animatronico que parecia odiar o "Pai", não só por ele ter dado vida a coisas terríveis, como nós, mas também por ter matado Jimmy e as outras crianças que depois seriam meus "irmãos", apenas três daqueles que estavam aprisionados juntos com o garoto, pois um deles não foi possível fazer transfusão de corpo, mas o motivo é desconhecido. Há lendas de que o boneco do "Quinto Animatronico" anda pelos corredores da Pizzaria, mas eu nunca cheguei a ver.

Bem, agora que eu contei a história de Jimmy, como a vida dele foi tirada injustamente e como eu nasci, não seria mais justo eu começar realmente a história, certo?