Animals
9 Capítulo 9
Notas iniciais
– Bom dia – Hermione puxou a coberta de Damon.
Ele segurou fortemente a coberta quando a sentiu escorregar pelo seu corpo e a olhou furioso.
– O que pensa que esta fazendo? – disse entre dentes.
– Levanta, vamos dar uma volta.
– Não – cobriu a cabeça.
– Damon. Vamos logo. Você não queria sair? Consegui autorização da Madame Pomfrey. Ela já veio te examinar e parece que esta tudo bem.
– Me deixa garota – segurava firmemente a coberta sobre a cabeça.
Hermione ficou quieta o olhando de cenho franzido.
– Tudo bem – disse ela.
Abrindo um sorriso maldoso ela segurou as pontas da coberta e puxou com toda a sua força. Damon que não esperava por isso viu a coberta voar para o outro lado.
– Agora levanta – ela disse, sem se importar que ele estivesse só de cueca em sua frente.
O rapaz bufou muito irritado e a olhou.
– Qual é a sua garota?
– Vamos sair. Suas roupas estão em cima da mesinha de cabeceira. Ande logo que eu tenho outras coisas para fazer e quanto mais cedo voltarmos melhor pra mim.
Resmungando ele pegou a muda de roupa e os tênis indo logo para o banheiro. Ao fechar a porta ele deu um sorrisinho.
– Parece que a gatinha tem personalidade forte.
Colocando a roupa sobre a pia ele se dirigiu ao chuveiro, retirando a cueca e entrando sobre a água quentinha.
Não demorou mais que meia hora. Secou-se vestiu a camisa branca e o conjunto de moletom preto que ele tinha lhe dado. Pegando a toalha começou a secar seu cabelo para retirar o excesso de água.
Percebeu que em um pote sobre a pia tinha uma escova de dente ainda encapada. Escovou os dentes e se olhou no espelho. Sua aparência estava diferente. Toda vez que se olhava no espelho, viu uma pessoa muito branca como se estivesse doente, não tinha cor alguma no rosto. Agora era completamente diferente. Seu rosto e sua pele tinham mais cor e parecia que estava vivo, diferente da sua aparência de semi-vivo como um vampiro.
Deu de ombros e saiu do banheiro. Escutava uma musica que não sabia de onde vinha. Viu que Hermione estava sentada na ponta de sua cama de costas para o banheiro. Ela também vestia um moletom e diferente do seu era vermelho. Tinha os cabelos cacheados presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça deixando à curva suave de seu pescoço a mostra.
Sentiu a mandíbula doer, mas ignorou. Sorrindo se aproximou silenciosamente dela como uma pantera atrás de sua presa. Então percebeu de onde vinha a musica. Hermione tinha fones de ouvido e se aproveitando disso colou seus lábios no pescoço dela que na ora enrijeceu. Começou a deslizá-los pela jugular dela, tinha uma vontade enorme de cravar os seus dentes ali. Deu um beijo e se afastou antes que fizesse uma besteira.
Percebeu que assim que se afastou dela ela voltou a respirar normalmente. Hermione retirou um dos fones e se virou para ele.
– Podemos ir? – perguntou como se nada tivesse acontecido.
– Claro – ele largou a toalha sobre a cama.
Hermione revirou os olhos e estendeu a mão entregando a ele um dos frasquinhos da poção. Franzindo os lábios Damon retirou a tampa e virou de uma vez o liquido contido ali. E dessa vez e sou sentiu a queimação, o cansaço não apareceu.
– Vamos até a cozinha tomar café – ela disse começando a caminhar sem esperar ser seguida por ele.
******
Damon olhava toda a cozinha da escola. Nunca tinha visto nada igual. Na verdade nunca soubera da existência de uma escola de bruxaria em toda a sua vida e percebeu que no mundo apesar de já ter uma idade muito alta havia coisas que ainda desconhecida. Ele achou o caminho ate a cozinha interessante. Afinal não era todo dia que você via quadro que se mexiam e falavam com você.
Ele tomou uma xícara de chocolate quente e comeu alguns pedaços de bolo. Ele não sabia por que estava agindo assim, ainda mais precisando de comida humana, já que as vezes ele comia para parecer humano em ocasiões humanas.
– Vamos?
Sem dizer nada ele se levantou e a acompanhou, vendo-a agradecer a alguns daqueles bichinhos estranhos (lê-se elfos). Com as mãos nos bolsos da blusa ele caminhava ao lado dela.
– Aonde vamos?
– Dar uma volta por ai.
– A maioria dos alunos saiu para uma vila que tem aqui perto para se divertir.
– E você foi à escolhida para ser a minha babá?
– Não eu quase não saio da escola. Não tem mais graça como antigamente – disse amargamente dando de ombros.
– Já que é a minha babá quero que me leve para um tour.
******
Andavam lado a lado completamente em silencio. Hermione cantarolava baixinho as musicas que ouvia em seus fones. E Damon se perguntava como ela conseguia usar esse aparelho eletrônico se ela disse que não existia naquele lugar.
Ela parou em frente a uma loja.
– Esse é o café da Madame Rosmerta o lugar mais legal para os jovens daqui – ela disse. – É bastante aconchegante é muito diferente dos locais badalados das cidades humanas.
– Acho que eu quero um café.
Hermione entrou e ele a seguiu.
– Bom dia Madame Rosmerta.
– Bom dia Senhorita Granger.
– Pode preparar dois cafés para a viagem por gentileza?
– Claro – ela olhou para Damon e deu um sorrisinho. – Bom dia meu jovem. Nunca vi você por aqui. De onde é?
– É um amigo meu. Veio de longe, mas temos muitas coisas para fazer. Pode trazer nossos cafés?
A senhora engoliu em seco e saiu apressada para a cozinha.
– Que malvada – disse Damon. – Eu gostei – sorriu passando a mãos pelos cabelos escuros, tirando os fios da frente dos olhos.
Hermione revirou os olhos ao ver algumas mulheres ao redor encararem ele com os olhos brilhando.
– Ela é uma fofoqueira de primeira. Então é melhor não dar muita bola pra ela – deu de ombros.
Minutos depois ambos saíram do café com seus copos fumegantes em mãos.
– Então quer dizer que somos amigos?
– Não – ela tomou um gole de café.
******
– Então. Outro dia você me perguntou a idade, agora é a minha vez. Qual a sua idade boneca?
Erguendo as sobrancelhas enquanto o encarava ao parar de andar.
– 18.
– E não era pra você estar na faculdade em vez de uma escola?
Hermione de ombros sem se importar.
– Por que sinto que você está me escondendo alguma coisa?
– Nem te conheço direito, como poderia estar escondendo algo de você?
Quem deu de ombros dessa vez foi ele.
– HERMIONE – ouviram a gritar de longe.
Ela apertou os olhos fortemente e depois olhou na direção da voz, vendo Gina acenando loucamente. A ruiva correu até eles.
– Onde você se meteu – disse pousando as mãos na cintura.
– Por ai Gina. Nada que seja de seu interesse – a morena deu de ombros.
– Por que esta falando assim comigo?
Damon olhava tudo.
– Hermione, onde você se meteu – disse Rony grosseiramente.
– Epa. Não fale assim com ela rapaz – se intrometeu e só assim se deram conta que Hermione não estava sozinha.
– Quem é você? – ele disse esticando a coluna para ficar mais alto tentando assim intimidar Damon.
Ele ergueu a sobrancelha se divertindo com a postura do ruivo em sua frente.
– Está querendo me intimidar garoto? – sorriu sarcástico.
– Desculpe o Rony, ele é meio impulsivo – disse Harry que apareceu logo atrás deles.
Mas nem isso fez com que os dois parassem de se encarar. Hermione entrou no meio dos dois e colocou a mão no peito de Damon o empurrando para trás.
– Vamos embora Damon.
Rony agarrou o braço da morena.
– Você não vai a lugar nenhum. Não até nos dizer por que esta nos ignorando.
– Eu não estou ignorando vocês. Vocês é que estão me ignorando há muito tempo. Agora me larga Ronald.
– Como assim Mione? Eu não entendo – disse Harry franzindo o cenho.
– Como vão entender se não se importam? Desde que toda aquela merda acabou vocês viraram outras pessoas. Não se parecem com os meus amigos de antes. E eu não iria ficar correndo atrás de vocês por migalhas de atenção. Eu não precisava disso. Poxa, vocês eram meus amigos.
– Você que mudou Hermione. E esse seu teatrinho é só pra chamar a nossa atenção. Você esta fazendo isso desde que seus pais...
– NÃO OUSE FALAR DELES RONALD – ela gritou transbordando de raiva. – Você não sabe o que aconteceu – sussurrou.
– E o que aconteceu Mione?
– Eles foram mortos. Tom os achou e os matou Harry.
– Quan...do? – perguntou a ruiva demonstrando a sua tristeza pela amiga.
– Há dois anos.
– Mas essa foi à época que...
– Exatamente. Eu achei que os tinha salvado quando apaguei a memória deles. Uma semana após eu os mandar para Austrália ele os matou.
– Porque não me contou Hermione.
– Porque não era importante – deu de ombros.
– Como não era importante? Eram seus pais. A gente podia ter ajudado.
– Não. Não podia Harry. Eles nem se lembravam de mim – apertou os olhos fortemente.
Rony ainda segurava o braço dela.
– Me solta Ronald – puxava o braço.
– A solte. Não ouviu ruivinho?
– Não te mete. Afinal ainda nem me disse quem é.
– Sou o novo amigo dela. E ela o quer bem longe – deu um passo em direção a ele – se ainda não percebeu.
– Já chega Damon – puxou o braço fortemente do agarre do ruivo e massageou o local. – Vamos embora.
E se virou voltando a andar. Damon encarava Rony mortalmente.
– Fique longe dela Tim-Tim – e começou a andar atrás de Hermione.
******
– Ei. Espere ai gatinha! – Damon estava a ponto de correr atrás de Hermione.
Mas ela fingia não ouvi-lo e continuava andando. Bufando irritado Damon utilizou de sua velocidade e parou em frente a ela. Hermione se assustou e trombou contra o tronco dele e foi de bunda ao chão. Damon ficou esperando que ela o xinga-se ou viesse com algum comentário ácido, mas nada disso aconteceu. Ela estava lá. Sentada e de cabeça baixa.
– Hermione? – chamou preocupado. – Você está bem?
E então ele pode sentir um cheiro salgado e percebeu gotas cristalinas pingarem sobre a calça dela. Ele se agachou em frente a ela ainda em silencio. Pegou suas mãos e a puxou para cima enquanto se erguia. E sem pensar duas vezes a abraçou. Essa era a única coisa que podia oferecer no momento.
E ela não disse nada. Ele só sentiu que ela apertava fortemente a blusa em suas costas tentando segurar os soluços sofridos que escapavam do fundo de sua garganta.
Ele admitia que não era bom em consolar os outros então a deixou chorar enquanto passava a mão nas costas dela. Não tinha nada a dizer, pois podia imaginar a dor que ela sentia. Parecia a mesma que ele um dia sentiu quando pensou que Katherine estava presa na tumba e descobriu ser enganado por ela a mais de 100 anos.
Depois de alguns minutos ela respirou fundo e soltou a blusa dele. Damon a soltou e ela se afastou.
– Er... Obrigada – disse passando as mãos pelas bochechas úmidas.
– Não há de que. Então podemos voltar ao meu tour?
Ela deu um leve sorriso agradecendo por ele não perguntar nada.
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