Animals
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Hermione saiu da enfermaria assim que constatou que Damon havia caído no sono e não tinha demorado muito, porque logo após ele comer toda a comida ele tinha ficado muito sonolento.
Ela estava estranhando muito como ele estava agindo depois que bebeu de seu sangue. Pelo que ela já tinha lido sobre vampiros eles tinham muito a aparência de “morto”. Eram muito frios e pálidos e depois que ele tinha bebido do seu sangue ela percebeu que ele tinha ficado muito mais corado do que antes e, além disso, ele teve fome de comida humana. Desde quando vampiros tinham fome de comida humana? Ela o observava comer e parecia que Damon não via comida há muito tempo.
Andando calmamente pelos corredores em direção ela pensava em tudo o que tinha acontecido desde que tinha encontrado Damon, mas não chegava a nenhuma conclusão. Estava muito cansada e precisava dormir um pouco e quem sabe assim não conseguiria pensar melhor.
******
– Bom dia dorminhoca – Hermione acordou com Gina alisando seus cabelos.
– Bom dia – disse sonolenta se espreguiçando.
– Você chegou bem tarde ontem heim? O que esta aprontando – perguntou brincalhona.
– Nada demais. Que horas são? – disse de olhos fechados com a intenção de voltar a dormir normalmente.
– Dez e meia.
– Obriga... Como assim dez e meia – disse já despertada e se levantando da cama jogando as cobertas para o lado. – Eu não acredito que perdi a prova de Porções – disse choramingando. – O Snape não vai me deixar fazer novamente. Minha média já era – sentou na cama derrotada.
– Calma querida. Converse com o morcegão. Ele com certeza vai relevar, alias você nunca perdeu uma prova e sua media é perfeita, então não reclama sua chata. E alem do mais ele esta bem mais fácil de conversar do que antigamente.
– Srta Granger – Lipsy, a elfa, aparatou no dormitório.
– Bom dia querida – sorriu docemente – o que foi?
– O diretor está te chamando lá na enfermaria.
– Sim. Já vou. Enquanto me arrumo poderia me trazer alguma coisa pra comer? Não tomei café.
– Sim Srta. Lipsy já volta – e aparatou.
– Porque o diretor quer que você vá a enfermaria?
– Não sei – mentiu dando de ombros e começando a se trocar. Vestiu um conjunto de moletom preto, calçou os tênis e foi ao banheiro realizar a sua higiene.
Hermione saiu do banheiro amarrando os cabelos cacheados em um rabo de cavalo no alto da cabeça. Lipsy aparatou novamente no quarto trazendo em suas mãos uma pequena bandeja. A morena sentou na cama e sorriu pegando a bandeja das mãozinhas da elfa.
– Obrigada – disse a ela que logo aparatou.
Comeu rapidamente enquanto trocava algumas palavras com Gina.
– Onde estão os meninos?
– Não sei. Aqueles dois idiotas somem o tempo todo – a ruiva deu de ombros.
– E como estão às coisas entre você e o Harry.
– Que coisas? Ele não toma atitude e cansei de correr atrás dele. Agora ele que venha atrás de mim – disse com raiva.
Hermione riu e terminou seu café.
– Você sabe como ele é. Harry e tímido por natureza. Uma hora ele toma coragem – disse em defesa do amigo.
– Eu sei como ele é e por isso eu o espero. Ele enfrenta Voldemort milhares de vezes e não tem coragem de chegar perto de mim – disse choramingando.
– Paciência amiga. Agora já vou. Mais tarde a gente se vê.
– Tudo bem.
Hermione caminhou rapidamente para a enfermaria e assim que entrou encontrou não só Dumbleadore e Madame Pomfrey, mas também Snape parados próximos a cama de Damon. Ao se aproximar ela percebeu que ele tinha voltado à cor pálida de doente de antes.
– Bom dia. O que está acontecendo Diretor?
– Bom dia Srta – disse o diretor e Snape só balançou a cabeça em comprimento. – Lembra-se que eu iria ter uma conversa com o Sr. Salvatore, quando eu cheguei aqui ele já estava assim de novo.
Ela se aproximou da cama e colocou a mão na testa dele, percebendo que ele estava ardendo em febre, mas estava consciente diferente das outras vezes.
– Bom dia Damon. Como se sente?
– Ótimo – disse sarcástico. – Você está vendo como eu estou então pra que pergunta garota – bufou.
– Ignorante – resmungou.
– A senhorita já sabe porque ele esta assim novamente não é? – Dumbleadore perguntou.
– Sim senhor. O sangue que eu dei a ele bloqueou os efeitos do veneno de lobisomem em seu organismo enquanto se encontrava circulando nele. Madame Pomfrey a senhora tem algum objeto cortante?
A enfermeira entregou a ela uma pequena adaga que tinha guardada em sua mesa. Hermione cortou novamente o pulso e o levou a boca de Damon. Ele sugou o sangue com vontade e parou depois de alguns goles. A enfermeira cuidou do ferimento rapidamente e Hermione se sentou em uma cadeira cansada.
– Severus e Papoula já sabem o que está acontecendo aqui. Chamei o Snape porque talvez vocês dois possam achar juntos uma porção para bloquear de vez a ação desse veneno no organismo dele.
Snape se aproximou dela e pegando um vidrinho disse:
– Se importa em me dar um pouquinho do seu sangue?
Sem nada dizer Hermione ergueu o braço e o professor abriu o vidro sob o sangue que pingava o enchendo até a metade. Quando ele se afastou a enfermeira tomou o lugar dele fazendo logo um curativo. A morena viu Snape se aproximar de Damon e pedir um pouco de sangue. Resmungando o vampiro cedeu, afinal sabia que isso era para seu próprio bem.
– Vou começar a fazer a pesquisa. Vemo-nos depois Senhorita Granger – acenou com a cabeça.
– Como se sente Sr. Salvatore? – Madame Pomfrey perguntou.
Ele deu de ombros.
– Não aguento mais ficar aqui dentro – disse já com a aparência um pouco melhor – me sinto preso e detesto me sentir assim só pra saberem.
– Pare de reclamar. É melhor estar aqui vivo do que lá fora morto. Então se comporte – disse Hermione cansada das reclamações do moreno.
– Sr. Salvatore, vamos esperar só mais um pouco. Amanha é sábado então a Senhorita Granger, dependendo da sua condição, poderá levá-lo para sair – Dumbleadore piscou para ele.
– Não preciso de babá – disse entre dentes.
Dumbleadore sorriu para os jovens e saiu da enfermaria.
– Então, Damon, a pesar de você ter ficado ruim novamente como se sente no geral?
Ele deu de ombros.
– Já estive bem pior acredite.
– Duvido que já esteve quase morrendo – ela disse ácida.
– Cala a boca.
– Então... Quer tomar um banho? – perguntou.
– Seria ótimo – ele se sentou e jogou as cobertas para longe e se sentou com as pernas para fora da cama.
Hermione sentiu o rosto esquentar quando percebeu que ele só usava uma calça fina.
– Aham – clareou a garganta – consegue ficar em pé?
– Acho que sim – disse a olhando e percebendo que ela estava se graça deu um sorriso sedutor.
Impulsionando o corpo para fora da cama, ao firmar os pés no chão, Damon perdeu o equilíbrio e antes que caísse Hermione o segurou pela cintura.
– Sabia que você queria me agarrar gatinha.
– Vá se ferrar. Se me encher o saco eu deixo você cair de cara no chão. Estamos entendidos?
– Você é bem difícil – rolou os olhos. Eu gosto. Agora me leve para o banheiro.
Ainda segurando ele pela cintura Hermione o guiou até uma porta ao fundo da enfermaria. Ela o deixou apoiado na pia e foi abrir o chuveiro. Quando se virou para ele seus olhos se arregalarem ao vê-lo retirando a calça.
– Epa. Espere que eu saia daqui primeiro – disse virando de costas rapidamente.
Ele fingiu que não a ouviu e sorriu por causa do embaraço dela. Se apoiando na parede ele caminhou lentamente até próximo a Hermione. A morena sentiu que ele estava próximo a si e ficou imóvel.
– Me ajude a entrar sob o chuveiro – ele disse com os lábios encostados na orelha dela.
Hermione estremeceu. O que ela mais queria era sair daquele banheiro. Engolindo em seco, se virou para ele e forçou que seus olhos não se desviassem para baixo e para que isso não acontecesse ela fixou o olhar por sobre o ombro dele na parede.
– Pode olhar se quiser boneca, não tenho vergonha – disse sedutor.
– Anda logo – disse entre dentes. – Me de sua mão.
– Você é difícil heim. Eu gosto. Fica tudo mais divertido.
Ela bufou de raiva e o ajudou a entrar no chuveiro.
– Pronto. Agora você se vira.
– Acho que preciso de uma mãozinha.
– Você tem duas. Use-as – e saiu do banheiro sorrindo triunfante.
Cerca de meia hora depois voltou à enfermaria trazendo em mãos uma muda de roupa que havia pegado nas coisas de Harry e Rony sem que eles percebessem e dessem falta é claro. Percebeu que Damon ainda não havia saído do banho.
Colocou a roupa sobre a cama dele e foi até a porta do banheiro. Bateu de leve com os nós dos dedos.
– Acho que já esta mais do que bom esse seu banho. Ou você quer virar um peixe?
– Preferia estar fazendo algo mais proveitoso sobre toda essa água, mais já que não tenho companhia me de uma toalha – ele respondeu a ela.
Depois de devidamente vestido ele se sentou na cama. Lipsy aparatou levando comida para eles. Hermione a agradeceu antes de sumir.
– Então, o professor Snape esta desenvolvendo uma poção que talvez te ajude.
– E você confia nele.
– Ele é o melhor no que faz – deu de ombros. – Não preciso confiar.
– Como não? E se ele me der veneno?
– O Snape é mal encarado e na dele. Mas ele não seria tão malvado a esse ponto, ainda mais que quem pediu para ele fazer a poção foi o diretor.
Damon terminou de comer.
– Certo o que eu posso fazer aqui para me distrair?
– Espero que goste de ler.
– Serio isso.
– Aqui na escola não e muito comum o uso de tecnologia, já que a maioria dos alunos são do mundo bruxo e nunca viram essas coisas – deu de ombros.
– E como você conhece?
– Eu nasci bruxa, mais meus pais são normais. Não há ninguém em toda a minha família parecido comigo. Sou a única. A minha infância até os meus dez anos foi no mundo “humano”. Quando completamos onze anos recebemos uma carta de ingresso para Hogwarts.
– Não sabia que isso era possível. A bruxa que eu conheço vem de uma longa linhagem de druidas.
– Então você já se teve contato com uma bruxa?
– Muito antes de eu ser transformado. A primeira que eu conheci era dama de companhia da vampira que me transformou.
– Quer ir à biblioteca procurar algo para ler?
Ele deu de ombros concordando.
******
A biblioteca ficava próxima a enfermaria, então Damon não pode ver muito da escola. Mais ficou impressionado com o tamanho da biblioteca.
Hermione o levou ate a seção de literatura trouxa. A maioria dos livros dali estavam cheios de poeira afinal os puro sangue não perdiam o seu tempo com esse tipo de leitura por puro preconceito.
– Fique a vontade – ela disse puxando uma cadeira e se sentando.
Damon caminhou ate as estantes e passava os dedos pelos livros. Puxou um sacudindo a poeira.
– Shakespeare? – perguntou erguendo uma sobrancelha.
– Quem diria você gosta desse autor? Impressionante.
– Não sabe nada sobre os meus gostos gatinha – piscou.
– Para de me chamar de gatinha. Meu nome é Hermione.
Ele deu de ombros e colocou o livro sobre a mesa, voltando logo para a estante.
– Então HERMIONE, de onde você é?
– Sou francesa, mas me mudei para Londres aos quatro anos. E você?
– Nasci e cresci em Mystic Falls, uma cidade da Virginia. Tenho um irmão mais novo. Stefan.
– Ele também é um vampiro?
– Sim.
– Vocês se dão bem?
– Mais ou menos. Sabe como são os irmãos.
– Não sei. Sou filha única.
– A minha relação com o Stefan é complicada – suspirou. – E eu queria que não fosse – sussurrou, mas Hermione ouviu.
– Mais uma curiosidade – disse mudando de assunto. – Qual sua idade?
– Que feio – estralou a língua – perguntando a idade dos outros.
– Deixe de ser sínico rapaz.
– 175.
– Que velho – riu.
Damon a olhou e viu que ela estava se divertindo.
– Pare de rir as minhas custas. Cadê o respeito? – disse tentando ficar sério.
– Claro vovô. Devo respeito aos mais velhos – e riu jogando a cabeça para trás.
Damon se aproximou dela silenciosamente e se curvou sobre ela.
– Parou? – disse divertido.
Na hora Hermione ficou imóvel e o encarou. Castanhos nos azuis.
– Você esta invadindo o meu espaço pessoal – disse tremula.
– Esse espaço pode ser meu também. Basta você querer – piscou sedutor e deu um selinho nela se afastando rapidamente.
Hermione o encarou com os olhos arregalados.
– Você é muito...
– Lindo? Gostoso? – disse jogando o cabelo para trás com a mão e se apoiando na mesa em frente a ela.
– Abusado – ela disse.
– Já ouvi muito isso boneca. E gosto de ser assim.
– Percebi – disse sarcástica. – Podemos ir?
– Vou levar só esse livro. Depois pego outro.
Ele a seguiu sorridente enquanto via a raiva dela por causa de sua ousadia. Voltaram para a enfermaria e ele se deitou na cama já arrumada e com os lençóis trocados.
Hermione se sentou na cadeira e pegou um livro sobre a mesinha de cabeceira passando assim a ignorar Damon. Ele ficou a olhando com um sorriso de canto e depois abriu o seu próprio livro.
******
Não era possível se dizer quanto tempo ficaram em silencio. Esse só foi quebrado quando a porta da enfermaria se abriu. A morena levantou a cabeça e viu que era o professor Snape.
– Boa tarde, professor – ela disse.
– Boa noite você quer dizer Senhorita.
Ela arregalou os olhos. Tinha passado tanto tempo que nem tinha percebido.
– Vim trazer a poção para o senhor Salvatore – disse erguendo um pote cheio de frasquinhos.
O moreno olhou por sobre o livro, já que estava deitado.
– Não vou beber isso. Vai que é veneno – resmungou.
– Se eu quisesse matá-lo era só deixá-lo do jeito que esta – disse Severus entre dentes.
Damon rolou os olhos e se sentou. Severus abriu o pote e pegou um dos frascos o entregando a ele.
– A algo que eu preciso saber antes de beber esse troço?
– Como é a primeira dose que você toma pode ficar um pouco sonolento e sentir uma leve dor de cabeça e nada mais.
O moreno o olhou desconfiado, abriu o frasco e o virou de uma vez na boca. Fez uma careta ao senti-lo descer queimando pela sua garganta.
– Senhorita Granger, deixo as outras doses sobre o seu cuidado. Ele deve tomar uma dose pela manha e uma a noite.
– Entendido – ela pegou o pote das mãos dele.
Sem mais nada a dizer, Snape saiu da enfermaria.
– Simpático ele não – disse Damon sarcástico.
– Acredite. Ele já foi muito pior – disse colocando o pote sobre a mesinha. – Me de esse frasco vazio.
Ele entregou a ela. Hermione foi ate uma lixeira e jogou o frasco fora. Quando voltou para perto de Damon viu que ele piscava lentamente enquanto tentava ler o livro.
– Parece que já começou os efeitos da poção. Acho melhor você dormir.
– Não até terminar esse pedaço – e bocejou.
– Me dá. Eu leio pra você. Então se deite logo.
Ele se enfiou sob a coberta enquanto a olhava cada vez mais sonolento. Hermione olhou para o livro e começou:
– “Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa – por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, podem ser a ultima vez que a veremos.
Aprende que as circunstancias e os ambientes tem influencia sobre nós, mas nos somos responsáveis por nos mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde chegou, mas onde esta indo, mas se você não sabe para onde esta indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita pratica.
Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que a maturidade tem mais a ver com o tipo de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer que a uma criança sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando esta com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá direito de ser cruel.”
Hermione deixou o livro sobre a cadeira na qual estava sentada e saiu da enfermaria.
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