Animal Instincts

2 Porque eu sou assim.


Notas iniciais
Olá! Voltei rápido não? xD Bom antes de mais nada quero agradecer muuuito os comentários de vocês no primeiro capítulo, confesso que fiquei receosa de vocês não gostarem da fic por ser demasiadamente violenta... Fiquei muito feliz que tenha tido uma boa aceitação e que vocês continuem comigo! Boa leitura.

Bem, vocês conhecem o meu pequeno prazer culposo, agora tenho que contar-lhes como eu me tornei o que sou hoje. Pois é, eu não sou o que sou hoje desde que nasci minhas experiências é que me transformaram nisso.
Começando pelo fato de eu sair com tantos caras, bonitos e até gentis, dos tipos para namorar, mas nunca me apaixonar. Há alguns anos atrás, enquanto eu estava na faculdade conheci Adam ainda no primeiro ano. Ele era perfeito, bonito, carinhoso, enfim um amor de pessoa, nós começamos a conversar sempre que nos esbarrávamos pelos corredores, já que éramos de cursos diferentes. Ele era do curso de artes dramáticas e eu fazia medicina. Depois essas esbarradas, viraram pequenas saídas para tomar um café, até que se tornaram verdadeiros encontros em restaurantes e enfim começamos a namorar e fomos morar juntos! Eu estava vivendo um verdadeiro paraíso.
Adam foi meu primeiro amor, nós éramos tão perfeitos juntos que causava inveja aos outros. Ficamos nesse mar de rosas uns dois anos e meio, por isso senti que nós estávamos prontos para levar nosso relacionamento mais a frente.

Um belo dia, saí bem cedo de casa e deixei Adam dormindo feito um perfeito anjo em nossa cama. Ele estava nu por conta da noite anterior que passamos fazendo amor e tinha suas costas e parte do bumbum a mostra, antes de ir fiquei admirando aquela bela cena do sol sob sua pele e pensei o quão sortudo e feliz eu era por estar com ele. Suspirei completamente apaixonado e fui até a rua. Fiz compras para fazer um jantar especial, comprei flores e velas para enfeitar a mesa, uma roupa nova e por fim uma aliança maravilhosa prateada. Aquele seria o grande dia!

Cheguei em casa já no final da tarde exausto, talvez pudesse dormir um pouco antes de começar a cozinhar o jantar e me arrumar. Entrei em nosso apartamento na ponta dos pés para ter tempo de esconder a aliança em algum lugar antes de procurar Adam pela casa. Estava tudo um completo silencio pela casa, por isso deduzi que ele devia ter saído para resolver alguma coisa.
Larguei as compras no sofá e caminhei em direção ao nosso quarto apenas com a pequena bolsinha da joalheria em mãos. Antes de abrir a porta, eu ouvi alguns gemidos abafados e pensei que Adam poderia estar assistindo algum filme pornô. Geez, como eu era ingênuo...

Quando abri a porta para brincar com ele por estar assistindo aqueles tipos de filmes, eu tive uma grande e desagradável surpresa. Vi Adam por cima de outro cara que nem me lembro mais do rosto ou de como ele era, pois minha visão escureceu por um instante. Deixei a bolsa da joalheria cair no chão fazendo um pequeno barulho e dei um grito estridente que poderia facilmente quebrar algumas taças se tivesse alguma por perto.
No mesmo instante Adam saiu de cima do outro cara e pôs-se de pé enquanto o outro se cobria com o lençol. Ah, aquele perfeito lençol branco que eu e Adam havíamos feito amor por toda a noite agora estava manchado por aquele ato nojento.

– K-kurt... – ele chegou perto de mim e tentou tocar meu braço, mas eu o empurrei.

– Nem ouse chegar perto de mim ou me tocar com essas mãos nojentas! – gritei com os olhos afogados em lágrimas, lágrimas de tristeza e ódio – Eu não acredito que você foi capaz de fazer isso comigo! Adam, estamos juntos há anos! Céus, há quanto tempo você está fazendo isso pelas minhas costas?! E-eu te amo... E-eu te amava... Droga, eu ia te pedir em casamento!

– Kurt, por favor, me deixe explicar...

– Explicar o que?! – continuei gritando – Eu te flagrei fudendo outro! E na nossa cama! Na mesma que nós dormíamos abraçados, na mesma que nós fizemos amor a noite toda ontem! Como você foi capaz de fazer isso?! – me virei – Quer saber? Não precisa me contar nada! Eu vou embora, fique e aproveite! Pode continuar a comer o rapaz ali! Depois ofereça um jantar à ele pelo menos, não seja um completo filho da puta e indelicado com ele – disse cheio de ironia e me dirigi ao garoto na cama completamente envergonhado, talvez ele não soubesse que Adam era comprometido – Aliás, cuidado garoto! Da próxima você pode não se dar tão bem...

Virei-me e saí do quarto completamente tomado pelo ódio. Eu nem sabia para onde ia, mas eu precisava sair dali. Caminhei sem rumo chorando muito pelas ruas, as pessoas passavam por mim e ficavam me encarando sem entender nada. Cheguei a um parque próximo dali e me sentei num banco qualquer, afundei meu rosto em minhas mãos e continuei a chorar de soluçar, era tanta a dor que eu sentia no meu coração que eu queria arrancá-lo do meu próprio corpo para que aquilo parasse. Sem eu perceber a noite caiu. Respirei fundo, enxuguei o resto das minhas lágrimas e caminhei de volta a minha casa. Eu ainda precisava fazer uma coisa.

Mais uma vez entrei em casa como se nada tivesse acontecido, encontrei Adam sentado no sofá com tudo apagado e ele com sua cabeça enterrada nas mãos. Ele se assustou quando eu entrei e me aproximei.

– Querido? – o chamei carinhosamente, mesmo sendo estudante de medicina sempre tive um excelente desempenho como ator – O que houve?

– K-kurt?! – ele me encarou assustado e eu estava sorrindo – Como assim o que houve?

– Você está aqui no escuro com a cabeça baixa... – sentei-me ao seu lado e o abracei – Apenas estou preocupado com o meu namorado.

– K-kurt, você bateu com a cabeça ou algo assim? Você não se lembra do que aconteceu mais cedo?

– Ah aquilo?! – soltei uma pequena risada – Não se preocupe, eu te entendo. Talvez eu não esteja fazendo o meu trabalho direito e nada mais justo do que você procurar alguém que possa suprir melhor seus desejos...

– Você está me assustando...

– Porque? – cheguei mais perto dele para sussurrar em seu ouvido – Não precisa ter medo, apenas quero outra chance para tentar fazer mais do que aquela criança fez. Garanto que não vai se arrepender...

Sentei no colo dele e comecei a beijá-lo com muito desejo. Por mais que eu estivesse enojado com Adam, eu precisava ter minha vingança! Quando me faltou o ar, desci meus beijos até o seu pescoço o mordendo ali. Às vezes mordia um pouco forte demais o fazendo gemer de dor e sempre que ele fazia isso eu sorria.

– Me leve pra cama...

Mais uma vez sussurrei ao pé do seu ouvido e no mesmo momento ele me pegou no colo apertando meu bumbum e eu entrelacei minhas pernas envolta da sua cintura ainda beijando seu pescoço e abrindo sua camisa.
Ele se sentou na beira da cama, eu o empurrei para deitá-lo e levantei sob o olhar confuso dele.

– O que você vai fazer?

– Quero brincar de uma coisa diferente hoje...

Voltei com algumas fronhas e sentei em cima dele. Amarrei seus braços e pernas nas pontas da cama e por fim o amordacei.

– Agora sim podemos começar... – sorri satisfeito e agora ele me olhava um pouco apavorado.

Voltei a levantar e fui pegar minha bolsa da faculdade. Lá encontrei minha pequena maleta com equipamentos médicos e Adam começou a se debater na cama.

– Adam querido, seja um bom namorado e me deixe estudar... Acabei de lembrar-me que tenho uma prova muito importante semana que vem e preciso da sua ajuda. Você mesmo disse que sempre me ajudaria a estudar quando eu precisasse...

Ele continuou a se debater e quando me viu indo em sua direção com uma injeção pronta em uma mão e um bisturi na outra ele arregalou os olhos e tentou soltar seus braços com todas as suas forças em vão. Apliquei uma anestesia regional, mesmo não sendo indicada para aquele tipo de procedimento, eu queria mantê-lo acordado, mas sem gritos de dor. Odiaria ser interrompido no meio dos meus estudos.

– Amor, não se preocupe que isso não vai doer tá?!

Beijei seus lábios amordaçados e posicionei o bisturi em seu peitoral, me senti um pouco desconfortável quando comecei a rasgar sua pele, mas logo depois me senti incrivelmente bem! Quando finalmente acabei o corte, me posicionei melhor para olhar aquela beleza. O coração dele batia de forma tão rápida que parecia que iria explodir a qualquer momento. Olhei para o seu rosto e ele chorava. Sorri.

– Agora sim me sinto vingado... – suspirei ainda olhando seu coração batendo – Mas fique tranquilo que eu não vou te matar, iria contra os meus princípios de médico, certo? Vamos fechar isso antes que passe o efeito da anestesia!

Peguei novamente minha pequena maleta e tirei de lá a agulha e a linha e voltei animado para ele que estava quase dormindo de fraqueza. Sentei-me outra vez em cima dele rápido o suficiente para acorda-lo assustado.

– Ah, não durma querido! Chegamos à parte que você vai gostar mais!

Costurei seu peito, fiz o devido curativo e cheguei bem perto dele para me despedir.

– Muito obrigado por me ajudar com os estudos. Agora eu vou embora e nunca mais você vai me ver na vida. – levantei e fui lavar meus utensílios – Ah, mais uma coisinha. – me aproximei outra vez para encara-lo — Se você por acaso contar isso pra alguém, me denunciar ou algo do tipo saiba que sou capaz de fazer algo bem pior... Eu nunca mais te procuro e você nunca mais me procura, estamos combinados assim? – sorri e ele assentiu com cara de cachorro acuado num canto – Bom menino! Agora eu vou te soltar, mas se eu fosse você não fazia movimentos bruscos por enquanto para não arrebentar os pontos! – soltei seus membros, tirei sua mordaça e o beijei mais uma vez – Adeus Adam.

Fiz minha mala e fui embora. Achei uma velha pousada para passar o resto da noite e no dia seguinte arrumei um novo apartamento. Desde aquele dia eu nunca mais ouvi falar sobre Adam, apenas que ele havia pedido transferência da faculdade.

Ao contrário do que você possa estar pensado, não foi por causa de Adam que eu despertei esse meu “amor” por corações. Como eu já disse, me formei em medicina, isso porque eu tenho esse fascínio por corações batendo desde adolescente quando em uma dessas aulas de biologia tivemos que dissecar um pobre e indefeso sapinho. Pobre animal.
Porém teve uma diferença, pois o sapo veio para nossas mãos ainda vivos e tínhamos que dopar o bicho para assim abrirmos e vermos seu coração ainda em funcionamento. Naquele dia ninguém teve coragem de fazer a lição, apenas eu que sempre tive sangue frio para esse tipo de coisa. Com todo o meu empenho, dopei meu pequeno sapo e o abri enquanto todos os outros alunos protestavam com a professora. Quando vi o minúsculo coração daquele animal batendo, foi a coisa mais incrível e bonita que eu já tinha visto em toda a minha vida e ali percebi o que eu queria ser no futuro. Desde aquele dia fiquei cada vez mais viciado em pesquisar em livros e internet sobre o funcionamento do coração e assistir vídeos e mais vídeos de operações cardíacas.
Então acho que juntei essa minha estranha paixão com meu coração partido e por isso enxergo o Adam em todos os homens que eu me relaciono.

Notas finais
Kurt ataca novamente! Mas dessa vez foi por um motivo nobre, certo? Bem gente espero que vocês tenham entendido porque o nosso porcelana ficou desse jeito... Me contem ai o que acharam, seus comentários são muito importantes para mim! Beijos e até o próximo!