Animal Instincts
3 Novos sabores.
Notas iniciais
Droga, já estou atrasado! Eu tenho que estar no hospital daqui a 5 minutos, terei que tomar café por lá mesmo. Dei um pulo da cama, tomei um banho, penteei meu cabelo agora sem o meu famoso topete, me vesti, peguei maleta, chave, jaleco e peguei meu carro saindo em disparada para meu local de trabalho. Por sorte, era bem próximo.
– Bom dia, bom dia, bom dia!
Passei pelas recepcionistas correndo cumprimentando-as com um breve sorriso e cheguei a minha sala. Eu sou obviamente o cardiologista cirurgião do hospital. Tenho 100% de sucesso em todas as cirurgias que faço e por isso sou o médico mais procurado da cidade na área de cardiologia.
Eu optei por não montar um consultório próprio, pois queria poder salvar as pessoas sem cobrar nada em troca. Por isso trabalho nesse hospital público. Eu simplesmente amo ser medico e me sinto um verdadeiro super herói quando salvo quadros considerados impossíveis.
Mesmo com o meu segredo, consigo separar perfeitamente bem o meu trabalho do meu lazer.
– Doutor Kurt?
Jane me chamou batendo na porta. Ela era uma das recepcionistas e uma grande amiga. Desde que cheguei aqui, ela sempre me ajudou muito.
– Sim, Jane?
– É para avisar que o senhor tem uma consulta marcada para daqui a meia hora...
– Ótimo!– olhei o relógio no meu pulso — Jane, será que você pode me fazer um favor e trazer um lanche pra mim? Saí atrasado de casa e não tive tempo de tomar café. Isso aqui está um caos e preciso arrumar tudo antes desse paciente chegar! Eu nem sei onde está a ficha dele!– eu estava começando a ficar acelerado demais, por isso Jane fechou a porta e se aproximou de mim.
– Ei Kurt, acalme-se!– ela pegou meu braço para me parar, já que eu estava andando pra lá e pra cá — Eu busco seu lanche, a ficha do paciente você não está achando porque é a primeira vez dele, então a ficha está comigo na recepção...
– Ah sim...– a abracei — Ás vezes eu não sei o que faria sem você aqui sempre me ajudando. Eu te namoraria se você não fosse uma mulher.
– Bobo! – ela saiu do meu abraço e bateu de leve no meu braço rindo – Nem que você quisesse, eu não poderia ser sua namorada. Eu sou comprometida agora lembra? – me mostrou a aliança.
– Perdoe-me senhora compromissada!
– Em falar em compromisso, vou buscar seu café e a ficha!
Ela saiu apressada da minha sala e eu fiquei rindo sozinho enquanto terminava de arrumar tudo.
Passaram-se uns cinco minutos e Jane estava de volta com um belo copo de café e um sanduíche de alface com peito de peru e molho parmesão, meu preferido.
– Muito obrigado Jane! Será que o paciente já chegou?
– Não, Kyra acabou de me avisar que ele desmarcou.
– Então tá. – dei de ombros – Que horas é o próximo?
– No final da tarde.
– Okay. Obrigado Jane.
Jane sorriu e retornou a recepção. Parece que estou com o dia tranquilo hoje e vou conseguir sair mais cedo, isso se não houver nenhuma emergência aqui.
–-----------------------------------------------------------------------------------
Passou a tarde e eu realmente consegui sair mais cedo, me despedi de Jane e as meninas com um incrível sorriso no rosto. Eu amo o meu trabalho, tanto que muitas vezes fico aqui até um pouco mais tarde para fazer consultas extras, mas hoje eu realmente precisava sair no meu horário. Faz mais ou menos uma semana que não saio e isso pode ser o motivo para eu estar um pouco tenso nesses últimos dias. Meu quarto já deve estar todo empoeirado por falta de uso.
–-----------------------------------------------------------------------------------
Depois de deixar meu quarto dos prazeres brilhando de tão limpo, me arrumei com uma das minhas melhores roupas e parti para a boate Angels. Gosto de variar meus locais de caça para diminuir um pouco as chances de reencontrar um coração já partido por mim, se é que me entendem.
Adentrei o lugar escuro com apenas algumas luzes piscando, e como de costume fui direto para o bar buscar uma bebida fraca apenas pra disfarçar.
Hoje a boate não está muito cheia e não por quanto não há ninguém que me atraia. Droga, parece que hoje vou de mãos vazias pra casa. Como não estou disposto para ir até outra boate, decido esperar mais um pouco pra ver se chega mais alguém interessante. Enquanto isso, os caras e o Barman me cantavam de diferentes formas. Eu podia estar louco para partir mais um coração, mas não precisava ser qualquer um!
Quando eu já estava terminando meu terceiro drink e começando a me ajeitar para ir embora, alguém finalmente chama a minha atenção. Um baixinho com sobrancelhas incrivelmente triangulares, uma gravata borboleta e tanto gel no cabelo que mais parecia um capacete chegou tímido, sem encarar ninguém parecia ser a primeira vez que ele frequentava esse tipo de lugar, por isso decidi ficar apenas o observando. Para minha sorte, ele veio até o bar e pediu a mesma bebida que a minha sentando um banco depois do meu. Eu fingi não reparar nele ali para deixa-lo bem à vontade.
– Boa noite... – ele puxou assunto e eu mais uma vez fingi surpresa.
– Boa noite... – lhe dei o sorriso mais educado que eu tinha – Tudo bem?
– Tudo e com você? – apenas assenti com o canudo na boca – Okay, eu devo estar sendo inconveniente... Desculpe.
– Não, está tudo bem! – eu devo ter exagerado um pouco fingindo que não estava interessado nele – Meu nome é Kurt. – me virei para ele estendendo minha mão sorrindo.
– Blaine. – ele apertou minha mão de volta – Tem certeza que não estou te incomodando? Quer dizer, você estava quieto apenas tomando seu drink, talvez não estivesse a fim de conversar.
– Não se preocupe, eu só estava quieto porque não havia ninguém pra conversar mesmo! Até apareceram algumas pessoas querendo “conversar” comigo – fiz aspas – mas, nenhum deles foram... Digamos, educados.
– Oh, entendo... Sabe, é a minha primeira vez aqui nessa boate. Eu sempre ia à outra próxima a minha casa, mas sabe já estava muito... Repetida. Sempre via as mesmas pessoas e é bom variar de vez em quando.
Confesso que fiquei um pouco desconfiado dessa última coisa que ele disse. Será que ele era como eu? Não, é coisa da minha cabeça!
– Engraçado, eu tenho o mesmo pensamento. Gosto de variar algumas coisas.
Um silêncio estranho se instalou entre nós de repente até que mais uma vez ele o quebrou.
– Quer dançar?
Ele deu de ombros, era óbvio que aquilo foi uma desculpa para continuar falando comigo, então eu acabei aceitando. Afinal, eu já estava cansado de ficar sentado naquele bar. Estava tocando “Restart” do Sam Smith e nós estávamos pulando e nos divertindo como há muito tempo eu não me divertia.
A música terminou e nós fomos para um canto descansar, já que o bar agora estava cheio e não teria como sentarmos. Encostamos nossos ombros na parede ficando um de frente pro outro, nos olhamos e caímos na gargalhada sem motivo algum. Até que alguém que provavelmente estava bêbado passou do meu lado esbarrando no meu outro ombro me fazendo cair em cima de Blaine que por sorte me segurou e não caímos no chão. Se caíssemos ali, seríamos pisoteados, já que a boate estava um pouco mais cheia que antes.
– Tá tudo bem? – Blaine perguntou comigo ainda nos braços. Não havia reparado antes, mas ele tem braços perfeitamente definidos.
– S-sim... – droga, não consigo parar de encarar a boca dele e porque eu estou gaguejando? – Obrigado.
– Não há de quê...
Ele agora também está encarando meus lábios e estamos perigosamente próximos um do outro. Pela primeira vez na minha vida não sei se tomo a iniciativa de beijá-lo ou se espero ele vir me beijar. Me levanto lentamente dos braços dele, mas sem parar de encará-lo. Eu o olho nos olhos e depois sua boca rosada como se desse sinal de que ele poderia me beijar se quisesse, ficamos assim uns instantes até que ele finalmente me beija agarrando imediatamente minha nuca. Sua mão quente sobre a minha nuca e agora com seus dedos entrelaçados em meu cabelo arrepiou toda a minha espinha. E como eu desconfiava, seus lábios eram os melhores que eu já havia provado em toda a minha vida! Nos beijamos até o ar acabar e quando terminamos o beijo, ele me puxou pela mão para fora da boate. Tudo parecia estar em câmera lenta ao meu redor, eu estava tonto com o beijo de Blaine.
– Eu precisava sair um pouco daquele lugar, as luzes estavam me deixando tonto!
Blaine disse depois de pararmos no muro atrás da boate. Ficamos em silêncio até que ele se aproximou de mim colocando uma mão em minha bochecha fazendo círculos com o polegar.
– Se importa se eu te beijar de novo?
Ele praticamente sussurrou me olhando nos olhos e eu não consegui ter outra reação a não ser atacar seus lábios rosados e extremamente viciantes outra vez. Se beijos fossem algum tipo de droga, com certeza os dele seriam classificados como o mais perigoso. Blaine era perfeito, eu precisava leva-lo pra minha casa e já! Se seus beijos são verdadeiras maravilhas, imagine seu sexo e principalmente seu coração batendo.
– Alguém já disse como seus beijos são perigosamente viciantes? – Blaine perguntou ofegante descendo até o meu pescoço.
– Nunca, mas com certeza já disseram pra você... – eu respondi também ofegante à beira do delírio – Vamos para minha casa? Eu quero você...
Felizmente, Blaine aceitou e eu o puxei pela mão como ele fez comigo antes. Por um momento achei que ele não aceitaria o meu convite. Antes de entrarmos no carro, eu o encostei no meu carro e o beijei mais uma vez. Depois entramos no carro e fizemos o caminho em silencio. Blaine foi com uma de suas mãos alisando minha coxa e aquilo estava me fazendo quase explodir de tesão, já estava quase impossível de dirigir. Quando avistei minha casa, agradeci aos céus mesmo não acreditando em nada disso.
Saí do carro um pouco apressado seguido por ele, apertei o controle do alarme o que fez todas as portas trancarem automaticamente e fui até a entrada da casa para destranca-la. Mal abri a porta e já puxei Blaine pra dentro o beijando novamente fechando a porta com o pé. Desci minhas mãos até seu bumbum e para minha surpresa ele agarrou minha cintura com suas pernas. Com isso aproveitei para leva-lo até o meu quarto especial. Entramos e eu o joguei na cama para tirar a minha calça e blusa. Ele aproveitou e fez o mesmo, logo em seguida me puxando sobre ele. Agora apenas de cuecas, nos beijávamos um pouco mais urgente já que nossas ereções estavam se chocando uma na outra, aquilo era a melhor sensação do mundo!
– K-kuuurt...
Ele gemeu meu nome puxando a barra da minha boxer enquanto eu atacava seu pescoço. Desci meus beijos até sua barriga e puxei sua boxer preta revelando enfim sua ereção. Beijei toda a sua extensão, depois me livrei da minha ultima peça de roupa restante e lentamente me deitei sobre ele o beijando calmamente. Logo em seguida o virei de costas, deixando-o de quatro, alcancei o lubrificante e o preservativo dentro da pequena gaveta do meu criado mudo ao lado da cama. Passei o lubrificante na entrada de Blaine que gemia outra vez meu nome, desenrolei o preservativo na minha ereção e finalmente o penetrei. Diferente do que fiz com Sebastian, eu comecei num ritmo mais devagar e depois fui aumentando a velocidade aos poucos.
Blaine gemia coisas incompreensíveis enquanto apertava o lençol, aquela visão era maravilhosa e me fazia acelerar cada vez mais. Ficamos assim até chegarmos ao nosso ápice. Deitei ao seu lado e ele virou de frente pra mim. Estávamos completamente suados e exaustos, ele me puxou mais uma vez para um beijo calmo.
– Eu acho que estou em algum tipo de paraíso...
Blaine comentou se separando do beijo com os olhos ainda fechados. Aquela cena dele sorrindo de olhos fechados e com seus cachos agora revelados me deixou comovido de alguma forma. Mas logo tratei de esquecer tudo aquilo, pois sabia muito bem onde aquilo poderia dar se eu ficasse dando muito ouvidos aos meus sentimentos. Foco, Kurt, foco!
– Eu preciso de um drink, você quer um?
– Tudo bem, aceito...
Me levantei enquanto Blaine ficou me acompanhando com os olhos se sentando na cama para encostar na cabeceira. Pinguei a droga em seu drink, misturei e levei nossos copos até o quarto.
– Espero que eu tenha acertado seu drink...
Estendi o copo pra ele e me sentei no lado oposto da cama tomando a minha bebida enquanto ele bebia a sua rapidamente. No mesmo instante, Blaine apertou os olhos algumas vezes e sorriu pra mim.
– Está tudo bem? – perguntei cínico.
– Está, fiquei apenas um pouco tonto por um instante, mas já passou! Agora me sinto estranhamente agitado!
– Hm, isso é ótimo! – peguei o copo da mão dele e coloquei sobre o criado mudo – Podemos continuar de onde paramos...
Sem aviso, capturei mais uma vez seus lábios enquanto o conduzia até a parede falsa. O encostei ali e sem ele perceber levantei seus braços e prendi seus pulsos. Depois de preso, me afastei e sorri o encarando.
– Oh, não me diga que...
Blaine abriu um sorriso safado como todos os outros enquanto eu procurava minha boxer para vesti-la de volta. Com aquela cena, ele me olhou um pouco confuso, mas ficou calado apenas esperando qual seria o meu próximo passo.
Me aproximei dele, prendi agora seus tornozelos e subi para beijar seu pescoço nu. Levei minha mão até seu tórax e comecei a arranha-lo ali com minhas afiadas unhas que até então não havia usado ainda.
– Suas unhas são realmente muito afiadas – ele sussurrou – Se as minhas mãos estivessem soltas, eu poderia te mostrar como as minhas também são...
Quando ele disse aquilo eu automaticamente parei de beijar seu pescoço e o encarei surpreso. Ele estranhou minha parada brusca e eu tentei disfarçar.
– Sério? Quero testar isso depois...
Voltei meus lábios ao seu pescoço e minhas unhas ao seu tórax. Decidi agora arranhá-lo um pouco mais forte. Eu sentia seu coração batendo acelerado, isso significava que estava na hora.
– Me responda uma coisa... Isso dói? – praticamente afundei minha unha em sua carne
– Não, nem um pouco...
Blaine respondeu frio. Agora sim eu estava achando tudo muito estranho, geralmente eles começam a se desesperar nesse momento e Blaine simplesmente respondeu como se fosse normal uma pessoa enfiar a unha em seu peito.
– Ótimo... Eu já volto.
Dei um selinho nele e fui até meu armário pegar meus famosos brinquedos e a toalha para aparar o sangue. Voltei onde ele estava preso e mesmo depois de amarrar a toalha em sua cintura e ele ver o bisturi em minhas mãos, continuou tranquilo.
– Vai brincar de médico comigo? – ele deu uma risadinha. Eu não acredito que ele esteja tão calmo com alguém segurando um bisturi enquanto ele está nu e amarrado. Será que eu dei a droga errada pra ele? – Gostei dessa brincadeira...
– Que bom que gostou, pois essa é a minha brincadeira preferida... – posicionei o bisturi em seu peito nu e dei um selinho nele – E essa é a melhor parte! Não se preocupe que não vai doer nadinha...
Abri seu peito e fiquei entorpecido com a visão. Seu coração batia num ritmo muito acelerado e era o mais brilhante que eu já tinha visto em toda a minha vida. Era o mais bonito.
– Como é lindo... – deixei escapar com a mão na boca, eu estava encantado.
– Nunca recebi um elogio desses, mas obrigado... – agora eu o encarei com as sobrancelhas franzidas e ele sorriu fraco – E-estou ficando tonto, acho que estou perdendo sangue demais já...
– Certo, hora de fechar isso... É uma pena, já que é tão bonito.
Deitei a parede e soltei os membros de Blaine. Ele ainda estava acordado quando o costurei e cicatrizei seus pontos. Logo depois injetei um calmante para fazê-lo dormir enquanto eu o limpava, fazia sua tatuagem e o vestia.
Procurei em sua carteira seu endereço, o coloquei nas costas e dirigi até sua casa deixando-o sentado na pequena escada que havia em frente a sua porta. Dei as costas e fui embora.
Havia conseguido matar mais uma vez meu desejo, mas dessa vez foi diferente. A imagem do coração de Blaine não saía da minha mente. Tão vibrante, tão vivo! Outra coisa que também me preocupava eram os beijos dele. Seu gosto maravilhoso teimava em não sair da minha memória. Bem, eu só preciso dormir e amanhã acordarei sem lembrar de nada disso!
Fale com o autor