Animal Instincts
7 O fim de um santuário.
Notas iniciais
No meio da noite, Kurt ouviu um barulho vindo da cozinha. Curioso ele resolveu sair de sua cama e ver do que se tratava, então abriu a porta de seu quarto cuidadosamente e foi na ponta dos pés até a cozinha que estava com a luz acesa. Quando entrou viu Blaine de costas em frente ao balcão.
– Blaine?
– Sim Kurt? – disse Blaine ainda de costas.
– O que você está fazendo? Perdeu o sono?
– Não, apenas precisava resolver uma coisa...
Blaine finalmente se virou para Kurt com as mãos atrás das costas e andou até ele sorrindo. Quando chegou bem próximo do castanho, o encostou na parede.
– Acho que é minha vez de brincar com teu coração não acha?– disse Blaine segurando uma faca.
– Blaine, o que você está fazendo? Não!
Blaine lhe apontou a faca enquanto Kurt gritava de pavor.
– Kurt! Kurt! Acorda!
Blaine balançava Kurt na cama enquanto ele se debatia dormindo. Quando o castanho finalmente acordou ainda confuso tentou se livrar das mãos do moreno que seguravam gentilmente seus ombros.
– Kurt, sou eu Blaine! Foi um pesadelo!
– B-blaine? O que você está fazendo aqui?– disse Kurt ofegante
– Eu estava dormindo no quarto ao lado e quando escutei você gritando, vim saber se estava tudo bem. Mas já estou saindo do seu quarto, não se preocupe…
– N-não, espera… Você pode ficar só um pouco aqui até passar o susto?
Blaine assentiu e sentou na cadeira ao lado da cama de Kurt. O castanho realmente odiava ter pesadelos. Depois de algum tempo em silêncio, Kurt resolveu falar.
– Você canta muito bem…
– Como?
– Você, canta muito bem. Eu te ouvi cantando baixinho as músicas do Rei Leão.
– O-obrigado.– Blaine corou — Fazia tempo que eu não cantava, não tinha muitos motivos pra isso.
– E hoje teve um motivo?– Blaine assentiu — E qual foi?
– Eu estava feliz outra vez…– Kurt ficou surpreso — Quer dizer, filmes da Disney sempre deixam qualquer um feliz, certo?
– C-certo…– Kurt suspirou aliviado — Fico feliz de ter lhe dado algum motivo pra cantar.
Blaine sorriu e Kurt levantou da cama. Porém quando o castanho desceu, um dos seus pés prendeu no lençol e ele acabou caindo nos braços de Blaine que o segurou rapidamente.
– Tá tudo bem?
– Sim, obrigado! Foi meu pé que prendeu no lençol.
Eles ainda estavam no chão quando os olhos de Kurt encontraram os de Blaine. Aquela mesma sensação de sempre atingiu outra vez os dois sempre que eles se olhavam.
Nenhum dos dois percebeu, mas quando se deram conta já estavam se beijando ardentemente. Blaine conseguiu conduzir Kurt até sua cama outra vez ficando em cima dele e beijando toda a extensão do seu pescoço.
– Cante outra vez…– Kurt sussurrou entre os suspiros causados pelos beijos e mordidas de Blaine contra sua pele - Aqui no meu ouvido.
Blaine ficou um pouco surpreso com o pedido do castanho, mas logo começou a cantar num ritmo bem lento e com sua voz mais rouca possível enquanto passava sua mão pelo corpo de Kurt ainda o beijando.
"Here we go again,
I kinda want to be more than friends
So take it easy on me, I'm afraid you're never satisfied
Here we go again, we're sick like animals, we play pretend
You're just a cannibal and I'm afraid I won't get out alive
No, I won't sleep tonight
Oh, oh, I want some more
Oh, oh, what are you waiting for?
Take a bite of my heart tonight…"
Quando Blaine terminou de cantar o trecho da música, Kurt conseguiu sair debaixo dele o empurrando e colocando-o embaixo dele. O moreno ficou surpreso e por um momento ele pensou que finalmente havia conseguido provocar aquele Kurt da primeira noite outra vez. O castanho estava tão concentrado em saciar seu desejo de beijar o moreno que nem ao menos se deu conta de onde estava.
– Droga, porque você tem que ser tão viciante?– disse Hummel recuperando o fôlego puxando e arrebentando todos os botões da camisa do moreno — E ter um corpo tão gostoso…
Ao ver novamente a tatuagem no peito de Blaine, Kurt teve que lutar para não cair na tentação de ver o coração de Anderson batendo mais uma vez. Percebendo que o castanho ficou algum tempo admirando seu peito, Blaine cantarolou outra vez.
– Take a bite of my heart tonight…
Kurt olhou pra ele rindo da letra da música, fazendo o moreno o acompanhar. Blaine nunca tinha visto aquele sorriso do castanho e quando viu seu coração disparou. Com Kurt ainda sentado em sua cintura, Blaine levantou se apoiando sobre seus cotovelos e apenas ficou observando o quão bonito Hummel era. Não que ele não havia visto antes, mas agora era diferente.
– O que foi?– Kurt corou desviando do olhar fixo de Blaine.
– Nada… Você é muito bonito.– Blaine sorriu — Nem parece que existe.
– Mas eu existo e estou aqui bem na sua frente...– Kurt corou mais ainda — Você também é muito bonito.
Blaine se sentou por completo e ajeitou Kurt em seu colo de frente pra si. O olhou dentro de seus olhos por alguns instantes, se aproximou esfregando as pontas de seus narizes, fechou os olhos e por fim selou seus lábios nos de Kurt num beijo calmo. Parecia que era a primeira vez que eles estavam se beijando. O castanho suspirava no meio do beijo, ninguém o havia beijado daquela forma, nem mesmo Adam. Kurt entrelaçou seus dedos entre os cachos de Blaine enquanto o mesmo tinha suas mãos nas laterais do rosto do castanho acariciando suas bochechas com seus polegares. Quando o ar se esgotou, Blaine desabotoou a camisa de Kurt com toda calma, sem tirar os olhos dele. Deslizou o tecido pelos braços musculosos do castanho, beijou cada parte recém nua e lentamente o deitou outra vez. Em seguida, Blaine tirou sua própria camisa e voltou a espalhar beijos pelo peito e barriga de Kurt que apenas tinha seus olhos fechados aproveitando a sensação. Anderson voltou ao pescoço de Kurt, chupando ali fazendo uma marca provocando um gemido do castanho.
Depois, Blaine foi descendo seus beijos até perto da calça do homem embaixo de si parando ali para desabotoar a peça e se livrar dela deixando-o apenas com sua boxer. O moreno tirou sua própria roupa em seguida ficando na mesma situação que o castanho. Um novo beijo lento e prazeroso começou enquanto Blaine segurava os pulsos de Kurt acima de sua cabeça e suas ereções se tocavam arrancando alguns gemidos dos dois.
– B-Blaine, você está querendo me torturar desse jeito…– Kurt só conseguia sussurrar.
– Talvez sim...
Blaine sorriu maliciosamente e desceu até a barra da cueca de Kurt que mordeu o lábio com aquela maravilhosa visão do moreno. Lentamente Blaine se livrou da última peça do castanho e trilhou um caminho de beijos na parte interna da coxa subindo até a virilha de Kurt, enfim chegando a sua ereção e beijando-a sem tirar os olhos de Kurt.
Era muito prazeroso para o moreno ver cada expressão diferente que Hummel fazia a cada movimento seu.
– Blaine…– Kurt estava praticamente em êxtase.
Blaine que agora estava masturbando o castanho, acelerou o ritmo fazendo o mesmo chegar ao seu ápice dando um alto gemido.
– Essa foi a melhor visão que eu poderia ter, você se desfazendo em minhas mãos…
Kurt não conseguia formar nenhuma palavra no estado em que ele estava. Ninguém nunca havia conseguido fazê-lo chegar a um orgasmo daquela maneira. Naquele momento, ele apenas conseguiu ficar alguns minutos com olhos fechados e tentando regular a sua respiração até que finalmente ele resolveu falar ainda ofegante.
– Eu nunca me senti tão bem…
Blaine apenas abriu um sorriso orgulhoso por ter dado tanto prazer a Kurt.
– Eu também estou me sentindo ótimo, mas posso me sentir melhor ainda se você me ajudar…
Kurt olhou com desejo para Blaine e atacou seus lábios, virando-o de costas pra si e o penetrando-o acelerando o ritmo aos poucos.
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Depois da longa noite, Kurt e Blaine amanheceram abraçados um ao outro ainda na cama do castanho que foi o primeiro a acordar abrindo os olhos preguiçosamente e tendo suas narinas invadidas pelo cheiro do moreno nu em seus braços.
Kurt ficou um tempo observando Blaine dormir e depois olhou em volta, se dando conta finalmente de onde ele estava. Seu quarto sagrado, onde ele havia prometido pra si mesmo que nunca levaria ninguém para aquela cama imaculada, pois ela era apenas dele, onde ele imaginava que ao repousar sua cabeça ali, de alguma forma era purificado de qualquer coisa que ele tenha feito de ruim durante o dia. Agora aquele santuário estava de certa forma arruinado. Hummel suspirou chateado e culpado por ter se deixado levar pelo moreno, mas antes que pudesse se sentir pior lembrou-se da noite maravilhosa que ele havia tido com Blaine. Foi como se fosse a sua primeira vez de novo. Com as lembranças, o castanho deu outro suspiro agora um pouco mais conformado. Talvez se ele pintasse o quarto, trocasse os móveis de lugar pudesse ter seu santuário de volta.
Em meio a tantos suspiros do castanho em seu pescoço, Blaine acordou sentindo logo os braços fortes envolta de si o que provocou um belo sorriso nele.
– Bom dia…– Blaine se virou para Kurt sem sair dos braços dele — Dormiu bem?
– Bom dia, dormi e você?
– Como se estivesse nos braços de um anjo…
Kurt achou aquilo lindo, porém aquelas palavras e as atitudes de Blaine estavam o deixando um pouco preocupado com o rumo que tudo aquilo poderia levar.
– Ótimo…– Kurt tirou seus braços de Blaine e levantou da cama — Vou preparar um café da manhã, se quiser o banheiro é bem ali…
Hummel vestiu seu robe de seda e foi até a cozinha preparar tradicionais bacon com ovos e alguns waffles com mel, pôs a mesa e foi até o outro banheiro no fim do corredor. Enquanto isso, Blaine chegou até a mesa muito bem arrumada e decidiu se sentar para esperar Kurt para começar o desjejum.
– Porque ainda não tocou na comida?– Kurt perguntou chegando de calça moletom e uma camiseta — Não gosta dessas coisas?
– Eu estava esperando você para começar…– Blaine lançou um sorriso — Está com um cheiro maravilhoso!
Os dois começaram a comer e depois de um longo silêncio, Kurt resolveu falar.
– Blaine, posso te perguntar uma coisa?– o moreno assentiu curioso — Porque você insiste tanto para eu ver seu coração outra vez?
– Porque… porque eu vi que você gostou tanto que eu queria te dar o prazer de ver outra vez.
– Péssima desculpa…
– Okay…– Blaine suspirou derrotado — Eu conto desde que você me conte depois o seu motivo para ver corações. E se vier com desculpas que é apenas um fetiche seu, não adianta que eu não acredito!
– Okay, você conta o seu e eu conto o meu…
Kurt estendeu a mão fazendo Blaine apertar fechando um tipo de acordo.
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