Animal Instincts
4 Mais uma noite.
Notas iniciais
– Blaine? Blaine acorda!
– O que foi? Quinn, porque você está gritando desse jeito?
– Pelo simples fato que você sumiu ontem o dia todo e quando aparece está dormindo na porta de casa todo bagunçado! Até sem gel você está, pensei que estava morto!
– Que morto o que! E você estava aonde pra chegar a essa hora em casa? – disse me levantando — Aposto que você estava enfiada na casa daquele cara de novo! Não vou com a cara dele!
– Sim, eu estava na casa dele e eu já disse que Puck não é desses tipos que você pensa...
– Sei... Se um dia aquele idiota te fizer algum mal, eu juro que mato ele da forma mais dolorosa possível!
– Cruzes, Blaine às vezes você me assusta...
Quinn era a minha melhor amiga desde que eu cheguei à Nova York. Eu vim para Big Apple assim que terminei meus estudos na Dalton, um colégio apenas para garotos onde eu era a estrela do coral. Por isso, meu sonho era ser um grande cantor e ator, mas como não consegui passar para NYADA acabei em bares tocando a noite. Um dia me cansei daquilo tudo, decidi que era melhor desistir da fama e cursar psicologia.
Lá eu conheci Quinn Fabray, uma linda jovem loira completamente apaixonada por um badboy chamado Noah Puckerman no qual não suporto.
– Você ainda não me disse por onde andou o dia todo ontem!– Quinn gritou da cozinha enquanto eu estava no banheiro olhando checando meu estado no espelho.
– Eu fui dar uma volta, Quinnie...– disse examinando algumas marcas roxas que tinham espalhadas pelo meu pescoço que iam descendo até meu tórax como dava pra ver pelos dois primeiros botões abertos e por isso abri um sorriso — E quando vi já era muito tarde...
– E porque então você estava jogado na porta de casa?
– Como estava tarde pensei que você estivesse dormindo e o barulho da porta poderia te acordar...
– Isso está muito mal contado Anderson...
Eu ainda estava parado me olhando no espelho, tirei minha camisa para analisar os outros chupões que tinha por ali e então achei além das marcas roxas uma tatuagem de um coração com uma flecha atravessada e algumas gostas de sangue escorrendo. Foi aí então que eu realmente me lembrei de tudo da noite passada. Por mais bizarra que tivesse sido, eu achei aquilo tudo maravilhoso e havia sido a melhor transa da minha vida. Tanto que eu queria fazer tudo àquilo de novo, cada detalhe.
– Blaine! – Ouvi Quinn encostando-se à porta do banheiro e eu entrei no chuveiro - B?
– Fala!
– Meus pais querem vir me visitar aqui final de semana, tudo bem pra você?
– Claro! Pode convidá-los!– enfim abri a porta do banheiro com o corpo molhado apenas com uma toalha na cintura — Se quiser eu posso sair enquanto você fica com eles aqui...
– N-não B, você pode ficar...– a loira não conseguiu parar de encarar minha tatuagem e as marcas — Blaine, desde quando você tem uma tatuagem no peito?
– Ah... Desde sempre.– desconversei — Porque, não gostou dela?
– Nem vem Anderson, eu já te vi sem camisa antes e eu acho que eu tinha reparado se você tivesse um enorme coração sangrando desenhado no corpo!
– Okay... Eu a fiz essa semana.
– Então você some o dia inteiro, quando aparece está na porta de casa largado e agora com tatuagem e chupões por toda parte. Acho que eu não fui a única que foi se divertir ontem...
– Deixe de besteira!– me desvencilhei dela e fui até meu quarto pegar alguma roupa para vestir.
– Okay. Você pelo menos foi ao cardiologista que te marquei ontem?– neguei com a cabeça — Blaine! Era pra você ter ido! Você tá reclamou de uma dor estranha há dias!
– Quinnie, meu coração está ótimo, acredite em mim! Aquela dor deveria ser apenas falta de sexo! – pisquei.
– Ah engraçadinho, então realmente a noite foi boa ontem...– dei de ombros — Mesmo assim o senhor vai hoje ao médico comigo, eu estou marcada e vou tentar te encaixar junto comigo!
– Céus você parece que é minha mãe!
– B, por falar em mães... Porque você não chama os seus pais pra vir aqui também, assim poderíamos fazer um grande almoço em família!
– Não dá... Meus pais estão mortos.
Eu disse indiferente dando de ombros e Quinn ficou me encarando boquiaberta com a minha naturalidade em dizer aquilo.
– B, me perdoe, eu não sabia...
– Ei, não precisa se desculpar. Isso faz anos, eu tinha oito anos. E eu deveria ter te contado antes.
– Mas Blaine, você não sente, sei lá, falta deles? Você fala de uma forma tão fria...
– Ah Quinnie, eu nunca gostei muito dos meus pais. Meu pai maltratava meu irmão mais velho e eu por sermos gays, minha mãe não fazia nada nem para nos defender, pois tinha medo dele. Então quando ele morreu, minha mãe entrou numa depressão tão profunda que acabou morrendo também. Com tudo isso, ficamos apenas eu e Coop até ele ser preso e eu parar na casa da minha tia.
– Preso?– Quinn ficou abismada.
– Okay, longa história. Você não está atrasada para o médico?
Quinn olhou o relógio e saiu correndo para tomar um banho e se arrumar enquanto eu apenas fiquei no sofá com a cabeça jogada pra trás me lembrando do castanho com quem havia passado a noite anterior. Eu não conseguia tirar aquelas imagens do pensamento.
– Eu vou te achar outra vez, Kurt...
– Estou pronta, vamos?!
Levantei-me do sofá para pegar meu carro e levar Quinnie até o médico.
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– Dr. Kurt?
– Pode entrar Kyra!
– Apenas para avisar que a próxima paciente ligou avisando que já está a caminho e pediu para encaixar seu amigo junto com ela e como o senhor não tinha outras pessoas para atender depois dela, eu permiti. Tudo bem?
– Okay! Qual o nome deles?– disse ainda sem tirar o olho dos papeis que eu estava assinando – E já te disse que não precisa me chamar de senhor, me sinto velho!
– Okay, desculpe. Deixe-me ver...– Kyra conferiu a prancheta em suas mãos — Aqui! Quinn e Blaine.
Nesse mesmo instante a olhei pela primeira vez com cara de quem acabara de ver um fantasma. Isso não pode estar acontecendo! Eu sempre fui a boates bem longes do hospital para justamente não correr esse risco de pegar caras que poderiam se consultar comigo. E agora um deles está quase aqui! Preciso sair daqui o mais rápido possível!
– Dr. Kurt?– Kyra me chamou — Tá tudo bem, o senhor, quer dizer, você está pálido!
– Nã-não... Err, ahn Kyra eu preciso ir embora! Não estou me sentindo muito bem...
– O-okay... Você não quer ir na Dra. Julianne antes? Ela pode dar uma olhada em você...
Tudo bem, um médico dizer que está passando mal em pleno hospital foi a pior desculpa da história que eu podia inventar...
– N-não precisa Kyra, muito obrigado! Deve ser porque não dormi direito noite passada...– peguei minha pasta e chaves do carro e corri pra porta — Para os pacientes não perderem a viagem, peça para a Dra. Julianne os atender! É bom que eles passem por uma clinica geral, às vezes nem é caso para cardiologia... Obrigada Kyra, beijos!
Deixei a porta aberta mesmo com uma secretária confusa e saí em disparada para o estacionamento sob olhares das pessoas na recepção. Quando finalmente cheguei ao meu carro senti que estava sendo observado, mas acabei ignorando e pisando fundo para sumir logo dali.
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– Quinnie... Qual era o nome do médico mesmo?
– Kurt, por quê?
– Por nada.
Eu o achei outra vez, mais rápido que eu pensava.
– Vamos Blaine, você está mais esquisito que antes!
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– Infelizmente o Dr. Kurt teve um imprevisto e foi embora, mas se a senhora não se incomoda a Dra. Julianne vai atendê-los, ela é clinica geral.
– Tudo bem então. Blaine tem problema?
– Eu realmente queria o cardiologista,– fingi um desapontamento — Prefiro marcar para amanhã, ou melhor, nem precisa me marcar eu venho no último horário. Até que horas ele fica aqui?
– Até às 18 horas...
– Ótimo! Quinnie, vou estar aqui na recepção te esperando.
Sorri pra ela que estava me olhando com uma cara confusa e dei meia volta sentando em uma das cadeiras pegando meu celular para me distrair.
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– Olá meninas... – encostei-me ao balcão das recepcionistas, o hospital estava vazio – Tudo bem?
– Você melhorou Kurt?
– Sim Kyra, obrigado... – suspirei entediado – Tem mais alguém para chegar?
– Não... Ah, na verdade tem sim, um encaixe...
– Okay... Então vou esperar lá no consultório, pode mandar entrar direto.
Voltei a minha cadeira confortável e foquei em alguns papéis aleatórios que tinha em cima da minha mesa. Eu realmente não sei de onde aparecem tantos, parece que nunca acabam! Dez minutinhos depois, Jane bateu na minha porta.
– Entra!
– Por aqui senhor...
– Obrigado.
Espera, eu conheço essa voz. Quando eu ouço a porta fechando, levanto a cabeça e minhas suspeitas são confirmadas. Blaine está sentado a minha frente.
– Boa noite... – ele se pronuncia e eu estou estático, não sei o que fazer – Tá tudo bem doutor?
– T-tá... – Será que ele não se lembra de mim?!
– Bem, meu nome é Blaine... – ele estendeu a mão, se apresentou, ele não se lembra. Apertei sua mão de volta.
– Então, qual sua reclamação?
– Há umas duas semanas, eu sinto uma dor estranha aqui no peito e minha amiga insistiu que eu viesse ver o senhor...
– N-não precisa me chamar de senhor... – me levantei e peguei o estetoscópio na mesa – Sente-se aqui nessa maca, vou ouvir seu coração.
Ele se sentou e ficou me olhando enquanto eu fiquei parado na frente dele.
– Me perdoe, esqueci de te pedir pra abrir um pouco a sua camisa...
– Tudo bem...
Blaine acabou que tirou a camisa por completo e eu tentei disfarçar um suspiro ao ver outra vez aquela tatuagem.
– Gostou da minha tatuagem doutor?
– Interessante...– não acredito que ele me perguntou isso...
– Eu a fiz ontem e adorei! Foi o tatuador que escolheu esse desenho.
– Bem, eu já terminei e está tudo em ordem com seu coração... Está liberado!
Sentei-me outra vez atrás da minha mesa para evitar olhar outra vez para Blaine que por sua vez desceu da maca e trancou a porta. No mesmo minuto eu levantei a cabeça e o vi encostado na porta me encarando. Ele ainda tinha a maldita camisa aberta. Aos poucos ele foi se aproximando até chegar ao lado da minha cadeira, me puxou pelo braço e me beijou profundamente enquanto abria meu jaleco e colocava suas mãos quentes por debaixo da minha camisa arranhando lentamente minha barriga.
De repente, sem deixar de me beijar, ele me pôs sentado na mesa e quando eu estava a ponto de perder o controle, o empurrei interrompendo finalmente o beijo.
– Blaine, o que você está fazendo?! – eu estava literalmente sem ar – Enlouqueceu?
– Se enlouqueci a culpa é sua... – ele começou a me beijar outra vez, mas o afastei novamente.
– Aqui é o meu trabalho, não é lugar para coisas desse tipo! Vai embora e me esquece!
– Tudo bem...
Ele simplesmente abotoou sua camisa outra vez, arrumou seu cabelo, destrancou a porta e saiu sem olhar pra trás ou protestar alguma coisa. Eu achei aquilo muito estranho, mas ao mesmo tempo fiquei aliviado. Respirei fundo e fui ver como eu estava no espelho. Meus lábios estavam mais vermelhos que o normal e meu cabelo bagunçado assim como as minhas roupas. Me arrumei outra vez, peguei minhas coisas e saí, Blaine já deveria estar longe.
Desativei o alarme do carro o destrancando e entrei, joguei minha pasta pra trás e quando ia colocar a chave na ignição, Blaine entra e fica me encarando com um largo sorriso no rosto o que me deixa assustado.
– Blaine, eu não já te disse pra ir embora e me esquecer?! – tentei parecer calmo, mas era quase impossível.
– Eu prometo que vou embora e te esqueço... – ele se aproximou de mim sussurrando que me fez fechar os olhos sentindo sua respiração próxima demais – Se você me der mais uma noite como aquela... – agora ele chegou ao pé do meu ouvido – Você marcou meu coração, Kurt...
Essa foi a gota d’água pra mim, agarrei os cachos dele e o beijei enquanto ele subia no meu colo.
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