Animal Instincts
5 Até um dia, Kurt.
Notas iniciais
O som vindo do meu celular tocando jogado em algum lugar me despertou assustado. Ainda tonto olhei em volta e tomei um susto ao perceber que eu estava nu e no meu quarto de diversões. Eu nunca dormi nesse quarto. Quando olho do outro lado da minha cama, vejo uma folha de papel dobrada ao meio com meu nome. No mesmo instante a pego para ler.
"Sinto dizer que com uma noite perfeita como aquela de ontem, não poderei cumprir nosso trato de lhe esquecer. Será impossível. A única coisa que lamentei é de não ter conseguido outra tatuagem, eu insisti, mas parece que isso vai contra as suas regras. Então já que você marcou minha pele, meu coração e parte da minha mente, nada mais justo do que fazer o mesmo com você. É pequena, mas é algo que levará para sempre no lado esquerdo do peito.
Até um dia,
Blaine"
Céus, eu não acredito! O que ele fez comigo? Corri para o espelho procurando alguma cicatriz, qualquer coisa no meu corpo, mas assim que vi minha imagem refletida achei um pequeno "B" acompanhado de um coração flechado do lado esquerdo do meu peito como ele disse na carta. Suspirei aliviado por não ser nenhuma cicatriz ou talvez uma tatuagem maior.
Porém, me lembrei da parte que ele disse que não iria me esquecer e a despedida com "até algum dia". Não acredito que ficarei o resto da minha vida com a sensação de que estou sendo observado.
Meu celular tocou outra vez, alguém estava me ligando. Procurei por toda parte e achei no bolso de trás da minha calça que estava jogada num canto completamente aleatório.
– Alô!– esqueci de olhar o visor do celular.
– Kurt? Kurt, você está bem?!
– Oi Jane! Estou sim, porque?
– Kurt, são onze horas da manhã! Você está muito atrasado, era para estar aqui há duas horas atrás!
– Céus! Me perdoe, e-eu dormir demais!
– Tudo bem, acalme-se! Sua primeira consulta é às onze e meia. Tome um banho tranquilo para despertar e venha.
– Okay! Me desculpe Jane...
Desliguei a ligação e corri para o banheiro tomar uma ducha. Como eu estava com uma dor muito estranha no corpo, tratei de colocar a água na temperatura mais quente que achei. Deixei aquela água quente escorrer por todo o meu corpo me relaxando e com isso finalmente me veio à memória da noite passada.
"Depois de Blaine e Kurt ficarem um bom tempo aos amassos dentro do carro no estacionamento do hospital, o castanho interrompeu.
– Aqui não! Odeio sexo no carro e se você quer realmente uma noite como aquela, terá que ser na minha casa!
– Tem razão...
Blaine roubou mais um beijo demorado de Kurt e saiu do colo dele enquanto o castanho se ajeitava e saia em disparada pra casa.
Hummel destrancou sua porta e antes mesmo de conseguir fechá-la, o moreno já o agarrava por trás beijando sua nuca. Blaine chutou a porta com o pé e com pressa se livrou da camisa de Kurt e da sua. Depois disso, Kurt puxou o quadril de Anderson com mais força conforme o beijava com vontade. Kurt foi conduzindo o outro homem até seu quarto especial. Blaine conseguiu se desvencilhar dele e jogou Kurt na cama, se jogando em cima dele logo em seguida. Anderson beijou os lábios de Kurt enquanto tirava habilidosamente seu cinto e abria sua calça arrancando-a. Desceu mais os beijos até seu pescoço, peito, barriga, até chegar à barra da boxer do castanho. Quando chegou ali, lançou um sorriso sacana e puxou de uma vez a última peça restante. Masturbou o castanho que já não conseguia formar qualquer palavra compreensível.
Enquanto Kurt tentava respirar regularmente, Blaine se levantou e foi buscar os preservativos e o lubrificante no criado mudo ao lado da cama. Quando menos se esperava, o moreno já estava subindo e descendo em Kurt que agora masturbava o moreno. Nesse momento, o castanho agradeceu aos céus por esse quarto ter paredes à prova de som senão com certeza a polícia já estaria batendo na porta a mando dos vizinhos pelos gritos obscenos que os dois estavam fazendo. Quando chegaram ao ápice, Blaine levantou pegou alguns lenços que ele havia reparado na gaveta que ele mexeu antes, limpou Kurt e começou a beijá-lo outra vez, porém devido ao cansaço dos dois, sem pressa alguma. Hummel estava tão envolvido no beijo que nem se deu conta que estava sendo conduzido até sua parede falsa.
– O que?! Blaine não faça isso!
– Fazer o que?
– O que está pensando em fazer! Eu deveria desconfiar que você queria vingança!
– Vingança?– Blaine riu - Eu não farei nada demais, pode confiar em mim. Aliás...– o moreno começou a arranhar o peito de Kurt enquanto sussurrava em seu ouvido — Se você quiser pode ver meu coração outra vez...
– Não! E-eu não posso!
– Porque não?
– Porque eu não gosto de ver o mesmo coração duas vezes, não teria a mesma graça...– Kurt deu de ombros.
– Tem certeza? O meu foi o melhor que viu em toda sua vida, você mesmo disse isso...
– Sim foi, mas não quero vê-lo outra vez!
– Okay.
Blaine deu de ombros e abaixou a parede fazendo Kurt deitar e foi até os armários. Depois de alguns minutos, o moreno voltou com uma seringa lendo seu rótulo o que fez o castanho se bater tentando se soltar em vão.
Sem hesitar, o moreno aplicou o liquido na veia de Kurt que na mesma hora começou a ficar tonto.
– Não se preocupe, você só vai dormir...– disse Blaine enquanto Kurt começava a fechar os olhos — Até um dia, Kurt..."
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– Até amanhã meninas...
– Até Kurt!
Sábado e mais um dia de trabalho concluído com sucesso. E como não sou nenhuma máquina, finalmente iria a alguma boate hoje para me divertir um pouco. Eu não saio com ninguém desde aquela noite com Blaine há um mês atrás, pois fiquei um pouco receoso dele estar me perseguindo.
Cheguei em casa, tomei uma demorada ducha, coloquei uma calça bem apertada, uma camisa com os primeiros botões abertos e meu topete e parti para Scandals.
Não muito tempo depois que cheguei lá, consegui um cara perfeito com músculos definidos, tão bonito que parecia ter saído direto de algum anúncio de moda. A essa altura já estávamos em algum canto nos beijando, eu nem ao menos perguntei o nome dele. Estávamos indo bem até eu senti uma coisa.
– Espera...
Eu interrompi nosso beijo do nada para recurar o fôlego e olhar em volta. Aquela sensação de estar sendo observado voltou.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não! – tornei a olhar para o cara que eu estava beijando e lhe dei um sorriso fraco – Onde paramos mesmo?
Capturei os lábios dele outra vez, mas novamente me veio aquela sensação fazendo com que eu interrompa o beijo de novo.
– Qual é, o que houve agora? – perguntou o garoto já impaciente.
– E-eu acho que não estou me sentindo muito bem...
Eu simplesmente dei meia volta e fui embora da boate, olhei para todos os lados e o estacionamento estava um completo deserto, o único barulho que se ouvia era os dos meus passos. Apertei o controle do alarme destrancando as portas do meu carro e me acomodei atrás do volante. Assim que bati a minha porta, alguém sentou no carona e eu senti minha espinha congelar.
– Boa noite.
– Blaine! O que você está fazendo aqui?! Sai do meu carro, agora!
– Hey, calma! Eu não vou te agarrar okay?
– Sai do meu carro, Blaine!
– Só se você aceitar o meu convite...
– Convite de que? Blaine, você é algum tipo de tarado ou é ninfomaníaco?
– Não é isso o que você está pensando...
– Então é o que? Que eu me lembre da última vez que você invadiu o meu carro num estacionamento deserto, eu acabei com uma tatuagem no peito!
– Eu só quero que você jante comigo amanhã...
– O que?! – por essa eu não esperava – Que eu saiba o jantar era pra ser antes de me levar pra cama... – eu ri.
– Primeiro, foi você que me levou pra cama da primeira vez! Segundo, não vejo nada de errado em um simples jantar...
– Então nós saímos pra jantar e no final eu serei a sobremesa? – falei sarcástico.
– Não! Kurt, agora é você que parece um ninfomaníaco... Eu não penso só em sexo, okay? Nós vamos jantar no restaurante que você escolher e por minha conta já que o convite é meu. Aceita?
– Tá bom... – suspirei derrotado – Gosta de comida japonesa? – ele assentiu com um sorriso bobo no rosto que eu achei a coisa mais linda do mundo – Então vamos ao Kuroshitsuji*, sabe onde fica?
– Sei! Te busco amanhã às oito! Já sei o endereço da sua casa...
Ele me lançou uma piscadela e saiu do carro praticamente pulando de alegria e com um grande sorriso estampando no rosto. Observei aquela cena de dentro do carro e aquilo me encantou de uma maneira estranha, mas logo tratei de voltar minha atenção ao meu volante e pegar o caminho de volta pra casa.
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