Animal Instincts
6 Jantar.
Notas iniciais
Depois do convite na noite passada Kurt e Blaine foram para casa com seus respectivos sorrisos estampados no rosto. Na manhã seguinte, Blaine acordou bem cedo cantarolando pela casa despertando a curiosidade de Quinn.
– Blaine?– a loira chegou à porta da cozinha onde o moreno estava preparando o café — Blaine!
– Ah, oi Quinnie...– o moreno se virou para a amiga e deu um sorriso — Bom dia!
– Bom dia... O que você está fazendo acordado a essa hora e cantando?
– Eu tenho um encontro hoje à noite!
– Sério?! Que ótimo B! E quem é o sortudo, eu conheço?
– Não...– mentiu Blaine — Eu o conheci há alguns dias atrás. O café está pronto, eu vou tomar o meu no quarto enquanto escolho minha roupa para mais tarde.
Blaine passou pela amiga lhe dando um beijo em sua bochecha e foi para o quarto, colocou sua xícara de café sob o criado mudo e jogou sobre a cama algumas roupas.
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Enquanto Blaine teve o dia inteiro resumido em fazer todas as combinações possíveis que suas roupas permitiam, Kurt teve um dia movimentado em seu plantão no hospital com uma cirurgia cardíaca de emergência em uma menina de apenas sete anos de idade. A cirurgia levou horas, mas foi um sucesso como todas as outras que ele já havia feito em sua carreira médica.
Ao final do dia exaustivo, Kurt foi pra casa e só no caminho ele lembrou que faltavam apenas duas horas para Blaine chegar. Hummel até pensou em ligar para Anderson e adiar o jantar, mas lembrou de que eles nem sequer havia trocado seus números. O castanho definitivamente não estava com disposição para ir até um restaurante, ouvir falatórios, ele queria tranquilidade e o máximo de silêncio possível. Foi então que ele teve uma ideia, só não sabia se Blaine aceitaria.
~Duas horas mais tarde~
Quando a campainha do castanho tocou, ele já estava arrumado, penteado e perfumado.
– Uau, você está incrível!– Blaine disse assim que viu Kurt — Claro que eu prefiro você sem roupa, mas...
– Blaine...
– Desculpe, foi impulso. Então vamos?
– Antes eu tenho uma proposta a fazer...– Blaine assentiu para Kurt continuar — Eu estava pensando em fazer um jantar aqui em casa para nós dois ou então pedir alguma comida. O que acha?
– Tudo bem, o que você preferir...– Kurt deu espaço para Blaine entrar — Mas o que te fez mudar de ideia?
– Eu tive um dia cheio no hospital hoje, uma cirurgia às pressas em uma criança. Então eu não estou com cabeça pra ouvir falatório, confusão...
– Olha Kurt, se quiser eu posso ir embora e voltar outro dia-
– Não precisa Blaine, fica.– Kurt disse num tom de voz suplicante demais para o gosto dele.
– Então tudo bem. Se me permite, deixa que eu assumo o fogão e você senta aqui.
Kurt sorriu e se acomodou em um dos bancos do balcão da cozinha como Blaine havia pedido enquanto o moreno vestiu o avental que estava pendurado.
– E então, onde ficam as coisas?– Blaine perguntou.
– Naquele armário tem panelas, naquela gaveta os talheres– Kurt foi apontando e Blaine buscando as coisas que ele queria — Naquele outro armário são temperos de todos os tipos...
– Nossa, você gosta de colecionar temperos é isso?
– Eu apenas gosto de cozinhar...– Kurt deu de ombros.
– Já que você tem tudo aqui,– o moreno colocou os ingredientes sobre a pia — Irei fazer Fettuccine com camarão e molho branco.
– Nunca comi camarão na massa...
– Pra tudo tem uma primeira vez.
Blaine lançou uma piscadela para o castanho que sem perceber corou furiosamente.
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– Blaine isso está divino!– Kurt disse empolgado enquanto enrolava o macarrão no garfo — Você é chefe de cozinha por acaso?
– Não, apenas gosto de cozinhar, mas preciso confessar que os seus temperos me ajudaram um pouco...– Blaine abriu um sorriso tímido — Então, me conte mais sobre você. Já sei que você é cardiologista, gosta de cozinhar, tem uma coleção de temperos, uma paixão por corações e tem um corpo maravilhoso...
– Você já sabe tudo sobre mim...– o castanho tentou desconversar.
– Não! Eu não sei sua idade, seu número, de onde você veio e o que eu mais tenho curiosidade... Porque esse fetiche por ver corações batendo de rapazes indefesos como eu!
– Okay, eu tenho 26 anos, meu número depois te dou e eu sou de Lima, Ohio...
– Ohio?
– Sim, Ohio. Por quê?
– Eu também sou de lá, mas não de Lima, sou de Westerville! Mas falta você me contar a última coisa que perguntei...
– Ah, é uma longa história... Outro dia te conto.
– Então quer dizer que terá outro dia?
– E-eu acho que sim...– Kurt corou e Blaine sorriu satisfeito — Agora é sua vez de me contar sobre você!
– Eu tenho 25 anos, estou terminando uma faculdade de psicologia, mas na verdade eu queria ser cantor, por isso eu fazia parte dos Warblers e vim para Nova York...
– Você fazia parte dos Warblers?– o moreno assentiu confuso — Warblers, Blaine, claro! Você é Blaine Anderson!
– Eu era tão famoso assim?
– Não, eu te conheço porque eu também fazia parte do coral na minha escola. Eu era dos New Directions, mas você não devia conhecer.
– Como não? Vocês ficaram na história depois daquele campeonato em que os solistas se beijaram na frente de todos no meio da música autoral. Os Warblers não foram classificados para aquela fase, mas eu fui para assistir. Foi lindo.
– Eram o Finn e a Rachel...– disse Kurt nostálgico — Eles estavam separados e a Rach fez aquela música pensando nele, aí uma coisa juntou na outra e deu no que você viu. Foi lindo, mas nos fez perder o campeonato.
– Isso mesmo Finn e Rachel, eu me lembro de ver no blog dos corais...– Kurt arqueou uma sobrancelha — Que foi? Eu era apaixonado pelo o que eu fazia... Eu até sabia os nomes de todos os componentes dos corais da área.
– Eu duvido...– Kurt sorriu travesso.
– Eu sabia sim, Kurt Elizabeth Hummel...
– Okay, me convenceu!
Eles gargalharam e depois de um tempo ficaram olhando um para o outro em silêncio.
– Err... Eu nem fiz um bolo pra sobremesa.– disse Blaine quebrando o silêncio.
– Eu tenho uma ideia! Tem mistura para bolo de caneca de chocolate e sorvete de creme. Se quiser são três minutinhos no microondas, quer?
– Me parece delicioso! Mas deixe que eu lavo a louça!
– Eu te ajudo.
Kurt colocou os bolinhos para fazer e depois se juntou a Blaine na louça. Eles terminaram de lavar tudo e foram para o sofá com um prato com uma bola de sorvete e a caneca de bolo.
– Quer olhar um filme?
– Vai me dizer agora que você tem uma coleção de filmes em casa?
– Não, apenas musicais, filmes da Disney e todos os Harry Potter. São poucos...
– Filmes da Disney? Você tem o Rei Leão?– Kurt assentiu - Então vamos assistir esse!
Kurt colocou o filme e pegou um cobertor para cobrir suas pernas e a de Blaine. O filme foi passando e Kurt prestava mais atenção no moreno do que na TV. A cada cena do filme, Blaine tinha uma reação diferente, ele também sabia todas as músicas e cantava junto. Na parte em que Simba percebe que Mufasa está morto, Blaine começou a chorar. Ele tentou disfarçar, porém foi tarde demais.
– Você deve estar achando que eu sou idiota agora...– disse Blaine secando uma lágrima e rindo sem graça.
– Na verdade eu só estou surpreso. Não sabia que você era do tipo que chorava com filmes.
– Te decepcionei?
– Não, pelo contrário, achei lindo esse seu lado sensível...
Kurt voltou à atenção ao filme enquanto terminava de comer uma segunda bola de sorvete, de repente Blaine olhou para o castanho e achou uma desculpa perfeita para se aproximar dele.
– Kurt?– o castanho olhou pra ele — Tem um pouquinho de sorvete no canto da sua boca...
– Oh obrigado...
Kurt pegou um guardanapo e limpou.
– Saiu?
– N-não...– Blaine já estava ficando nervoso vendo Kurt passando o papel outra vez com um pouco mais de força deixando seus lábios ligeiramente avermelhados — P-posso te ajudar?
Kurt lhe entregou o papel e Blaine o pegou chegando mais perto dele. O moreno passou o guardanapo lentamente pela boca do castanho que enfim percebeu as intenções de Anderson pelos seus olhos fixos em seus lábios.
– Pronto saiu...– Blaine disse quase que num sussurro.
– Tem certeza?– Kurt resolveu entrar no jogo — Mas eu estou vendo que a sua boca também está um pouco suja de sorvete.
– Você pode me ajudar se quiser...
Kurt enfim se aproximou de Blaine vencendo a distância entre eles com um beijo sem a mínima pressa, cada um explorando cada extensão da boca um do outro. O mundo ao redor de Blaine e Kurt parecia ter parado no tempo. Quando precisaram de ar, eles se separam completamente desnorteados, com seus lábios vermelhos e inchados.
– E-eu preciso ir...
– Por quê?– Kurt estava confuso.
– J-já está tarde, você deve ter plantão amanhã...
Blaine começou a calçar seu sapato de volta, ele sabia que se ficasse ali mais um instante acabaria levando o castanho outra vez para cama e o moreno não queria que Kurt pensasse que a relação deles se resumisse em apenas sexo e nada mais. Quando Blaine se despediu de Kurt que ainda estava confuso, o barulho forte de um trovão ecoou fazendo o moreno pular de susto e se agarrar no castanho que agora estava de pé próximo dele.
– Blaine acalme-se, foi apenas um trovão!
– Desculpe,– Blaine soltou Kurt corado de vergonha – É que o barulho me pegou de surpresa. Agora eu vou embora.
Outro trovão fazendo Blaine ficar mais nervoso ainda. Kurt foi até a janela e pela fresta da cortina viu o temporal que caía na rua.
– Blaine, eu acho melhor você não sair daqui agora, você pode dormir aqui.
Blaine se deu por vencido e aceitou voltando para o sofá. Agora ele teria que lutar consigo mesmo contra a tentação que era Kurt.
– Você não tem plantão amanhã?
– Não... – o castanho se juntou ao moreno no sofá – Como hoje eu tive um dia cheio, tive o direito de tirar uma folga. Só vou pra lá se tiver alguma emergência muito grande.
– Então se importa de olharmos mais um filme?
– Tudo bem, não precisa fazer essa carinha de cachorro pidão. – Kurt riu – Quer ver qual?
– Harry Potter, pode ser?
– Claro!
O castanho colocou o filme, foi até a cozinha fazer pipoca e voltou para a sala. No meio do filme, Kurt acabou adormecendo com a cabeça sobre o ombro do moreno que achou a cena mais linda do mundo.
Como ele estava todo torto, o moreno com todo cuidado levantou-se do sofá segurando a cabeça de Kurt e foi procurar onde era o quarto dele para coloca-lo em sua cama. Afinal ele só sabia onde era o quarto onde ele havia dormido com Kurt antes, mas imaginou que o castanho não dormia ali todas as noites. Então Anderson abriu a porta ao lado e finalmente achou outro quarto que diferente do outro, este possuía uma decoração mais clara, com cortinas e paredes brancas e o perfume de Kurt estava por toda parte. Blaine sorriu ao sentir aquele cheiro e retornou a sala, pegou Kurt em seus braços e o colocou sobre a cama perfeitamente arrumada retirando apenas os sapatos dele. O moreno o cobriu e não pôde evitar depositar um beijo na testa do castanho.
Lentamente ele deixou o quarto, apagando a luz e fechando a porta. Assim que fechou, ele suspirou e retornou ao cômodo onde ele e Kurt se divertiram em outras noites. Como a cama estava arrumada, ele não viu problema em dormir ali mesmo onde tinha o perfume bem fraco de Kurt no travesseiro. Blaine agarrou o travesseiro e adormeceu.
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