Notas iniciais
Ufa,consegui terminar esse chap. a tempo.
hum...não se preocupem se vcs soltarem uma lágrima ou outra nesse chap,até eu chorei nele!
caso queiram me xingar pela minha crueldade ou compartilhar desabafos relacionados ao Axel e Roxas,me mandem uma review!Leio e respondo imediatamente!
Bjos e boa leitura.

Ambos estavam num dos braços que levava ao corredor central, iluminado pelas luzes do teto, meio fracas, mas forte o bastante para ver o que o homem maltrapilho fazia. Axel e Roxas estavam escondidos, juntos a parede, espionando o homem que tirava um embrulho pesado de dentro do casaco e o prendia debaixo das tubulações que atravessavam o lado esquerdo da parede do corredor central, com fita adesiva, aonde ninguém veria se passasse por ali.

O estranho objeto então começou a emitir um estranho barulho agudo e imediatamente o homem saiu dali, atravessando a porta do lado oposto ao de Axel e de Roxas. Uma vez que o homem estava longe, o ruivo se aproximou do embrulho, retirando-o para ver o que era, com o loiro atrás de si, curioso.

Confirmando suas suspeitas de forma nefasta, Axel notou que aquele embrulho era uma bomba. Sim, uma bomba verdadeira, com dinamites e outros explosivos presos a um visor com números vermelhos diminuindo pouco a pouco.

-Axel... –Roxas murmurou, assustado conforme nunca esteve antes na vida.

-Calma, ok?É só achar o fio principal. -O ruivo disse, examinando a bomba, que já marcava 03h09min e só tendia a diminuir.

-Era o Zé da Bomba!Ele está aqui!Precisamos chamar a polícia, Axel!

-Não dá tempo!Vai explodir antes que um daqueles desarmadores de bombas venha aqui.

-Ai meu deus, Axel!

-Nada de pânico, ok?Você tem alguma tesoura ou alicate aí?

Roxas tirou de um dos bolsos uma tesourinha de unhas que costumava a carregar. Era um estranho hábito que tinha desde que era criança, quando tinha mania de achar que suas unhas sempre estavam grandes e que precisava cortá-las todos os dias. Claro que quando cresceu superou essa mania, mas tinha ficado acostumado em sentir a tesourinha no seu bolso, então continuou levando-a sempre que saia.

Axel tomou a tesourinha em mãos e voltou a analisar os fios. Como estava tudo emaranhado, era difícil perceber aonde cada fio ia, apesar de que eram todos de cores diferentes, azul, vermelho e amarelo.

O tempo agora estava em 02h15min e Axel hesitava na hora de cortar. Se errasse, tudo explodiria de uma vez, mas se acertasse a bomba parava. Só tinha uma chance. Vidas de milhares de pessoas estavam em suas mãos, e essa pressão não ajudava nem um pouco. O bom era que, se conseguisse, sua dívida com o céu estaria paga, pois tinha certeza que, só naquele andar, haviam mais de 800 pessoas, então imagine o que o resto do impacto faria com a estrutura do prédio. Isso não seria nada bonito.

Mas era agora ou nunca. Segurou a tesourinha com tanta força que seus dedos ficaram brancos. Na hora que ia cortar o fio, Roxas, que estava ao seu lado, disse:

-Aconteça o que acontecer, Axel, saiba que a melhor coisa na minha vida foi ter te conhecido.

O ruivo sorriu e olhando para o loiro, disse:

-Você me salvou, Roxas. O que posso dizer mais?

Então cortou o fio.

Roxas fechou os olhos com força e sentiu ser abraçado por Axel, numa ação instintiva de tentar proteger o menor. Esperaram o impacto vir, apreensivos.

Mas não veio. Tudo estava silencioso, e até o barulho agudo que o visor emitia tinha parado. Haviam conseguido. Afastaram-se e olharam a bomba só para ter certeza. Os números agora estavam imóveis, inofensivos.

Roxas sorriu e Axel começou a rir, voltando a abraçar o menor, desta vez não com força, mas com carinho. Então o loiro tomou coragem para dizer aquilo que tinha descoberto no mesmo dia. Não dissera antes de o ruivo cortar o fio porque aquilo poderia distraí-lo, mas agora era a hora perfeita.

-Axel, eu...

-SEU FILHO DA MÃE DESGRAÇADO!-Gritou uma voz grossa, rouca, velha, vindo do outro lado do corredor, atraindo os olhares de ambos, que viram o mesmo homem maltrapilho, que passara esse tempo todo observando sua bomba, para que ninguém ousasse mexer nela. Antes pretendia morrer junto com todos, na explosão do prédio, mas quase desistiu, então de repente o contador portátil que segurava na mão, mostrando o tempo exato que a bomba marcava, parou. O homem estranhou, pois estivera observando o garoto e não o tinha visto tocar na bomba, aliás, só a via agora, quando já não tocava mais Axel, pois assim que entrou em contato com o anjo, ela tinha desaparecido, ficando a vista somente do ruivo e do loiro.

Agora o homem estava com raiva, e mesmo que não tivesse provas concretas de que tinha sido Roxas a desarmar a bomba, queria descontar em alguém o fracasso do seu plano.

O homem se aproximou dos dois, sacando uma arma de dentro do casaco e a apontando para Roxas, que voltava a ficar assustado, segurando a mão de Axel com força.

-Maldito moleque!Agora você vai morrer!

Então o homem atirou. Axel tentou, com todas as forças que tinha, ao menos se colocar na frente de Roxas, mas não conseguiu, não fora rápido o bastante. Tudo que viu foi Roxas, caído no chão, colocando a mão sobre uma enorme macha vermelha que agora aparecia em seu ombro, o alvo da bala.

A primeira coisa que fez foi correr para o menor, que tentava falar, mas sem conseguir, pois o ar começava a escapar dos pulmões.

-Roxas, olhe para mim. Vai ficar tudo, ok?Você vai sobreviver, não tenha medo. -Falava Axel, sentindo lágrimas escorrerem em seu rosto.

Ouviu o homem se aproximar, ainda segurando a arma, pretendendo terminar de matar Roxas, já que o primeiro tiro não tinha feito o trabalho. Axel levantou-se e, com um simples estalar de dedos, chamas rubras envolveram o homem e começaram a tocar sua pele, o queimando vivo. O ruivo já voltava sua atenção para Roxas, enquanto tentava estancar o sangramento com um pedaço de tecido que tinha rasgado da sua blusa. Vasculhou o bolso do menor em busca do seu celular e o achou.

Ligou o aparelho e discou o número da mãe de Roxas, que sem demora atendeu. Axel, que tinha permitido que a mulher conseguisse escutá-lo, disse:

-Aqui é o Axel. Roxas acabou de levar um tiro, estamos na área restrita do andar dos eletrônicos, venha o mais rápido que puder, por favor. -Então desligou o telefone e ligou para a polícia, também falando com eles e comunicando o ocorrido, ligando depois para a ambulância.

A verdade é que grande parte das pessoas ali perto escutaram o barulho do tiro, e agora um grande número de viaturas se encaminhava para o local.

O homem, que tinha ficado agonizando pelo corredor sem conseguir apagar as chamas, finalmente caiu, morto, na mesma hora em que Marye entrava no corredor, junto com policias e médicos. Axel tinha quebrado as Três Leis novamente.

-Roxas, vai ficar tudo bem, ok? Eu quero dizer que eu te amo e que sempre estaremos juntos. -O ruivo disse, voltando a chorar. -Ouviu? Eu te amo, Roxas!

-Axel... Eu... -Roxas tentou falar, mas então tudo aconteceu.

Axel sentiu uma enorme força lhe puxar para cima. Ele sabia o que era. Estava sendo chamado pelos Superiores mais uma vez. Tudo que Roxas viu foi uma enorme luz branca envolver Axel, e no outro instante, ele já não estava mais ali.

Policiais correram para o corpo do homem morto, queimado. Médicos foram até Roxas e o colocaram numa maca, levando-o ao hospital mais próximo, pois os consultórios do centro comercial não poderiam tratar de ferimentos graves como tiros. Marye ficou ao lado do filho durante todo o tempo que lhe foi permitido. Roxas passou por uma cirurgia que durou mais de 4 horas, sendo depois levado ao seu quarto para ficar em observação. Durante todos os míseros minutos que tinha ficado consciente, só uma palavra pairava em sua cabeça: Axel.

Axel acordou, mas recusou-se a abrir os olhos, temendo encontrar a face acusadora de dezenas de anjos que assistiam a seu julgamento como se ele não passasse de um criminoso condenado a forca. Mas não importava. A culpa já dilacerava seu peito de uma forma tão dolorosa que o ruivo tinha vontade de gritar até que a voz desaparecesse de sua garganta.

A face agonizante de Roxas estava presa em suas pálpebras, impossível de esquecer. Aquele suspense estava acabando com Axel. Não sabia se seu protegido estava bem, se estava internado, se sentia dor ou se ainda conseguia usar o braço, ou pior, se ainda estava vivo.

Aquele pensamento fez o ruivo estremecer. Não, Roxas tinha que estar vivo. Não agüentaria passar por aquilo de novo, não iria sofrer a mesma dor que sofreu no passado, não iria perder mais um. Mas mesmo assim, se seu protegido estivesse... morto, seria tudo culpa de Axel. Por que não aceitou sua punição desde o começo? Se tivesse aceitado sua sina, jamais teria posto Roxas em perigo e ele ainda estaria bem. Mas não. Por causa de razões egoístas, Axel influenciou o garoto a libertá-lo e desde então estavam juntos.

O único problema era que não contava que ia se apaixonar pelo menor. Sim, amava aquele loirinho de corpo e alma, talvez até mais do que amara Sora, e só em saber que estava longe dele, a inquietação tomava conta de seu corpo e a agonia, da sua alma. Se é que depois de prejudicar tanto o loirinho assim, ainda tinha uma alma.

“Roxas, eu te amo!”, foram suas últimas palavras para ele, e agora refletia se tinham sido as certas. Mas Axel tinha que contar a verdade, tinha que se expressar, pois talvez não houvesse outro momento para dizer aquilo. Talvez nunca mais fosse ver o loiro novamente, e aquilo apertava-lhe o coração.

Roxas.

Abriu os olhos então, e seus olhos encontraram aquilo que já esperava ver. Estava na sala de julgamentos dos céus, uma espécie de anfiteatro, onde o réu ficava na plataforma mais baixa e o júri ficava nas plataformas mais elevadas. O lugar estava repleto de anjos de todas as raças, com rostos, asas e até formas diferentes, pois nem todos tinham uma fisionomia humana, mas todos ansiavam conhecer aquele que quebrara as regras inquebráveis, duas vezes, coisa que ninguém nunca se atreveu a fazer.

Axel reconheceu alguns, mas sorriu maliciosamente quando seus olhos pairaram sobre aqueles que mais queria rever: Os Arcanjos, os mesmos que o mandaram para a Campina onde passou séculos preso.

Estavam sentados em altas cadeiras, uma ao lado da outra, demonstrando força, poder e justiça apenas no modo rígido de sentar. No entanto, o grupo estava incompleto, pois estava faltando um dos Arcanjos do qual Axel não se recordava bem, de modo que só havia três juízes ali.

Quando todos perceberam que finalmente Axel estava apto a falar, um dos Arcanjos, Thor, estendeu um braço, fazendo com que todo o júri ficasse de pé.

-O julgamento começou. -Soou sua voz autoritária, então o júri voltou a se sentar. — Anjo Axel, A Agitação Das Chamas Dançantes, você foi acusado de quebrar as Três Leis novamente, de revelar sua identidade para mais de uma pessoa, de informar seu protegido sobre informações sigilosas a nosso respeito e de demonstrar seu afeto com palavras a um simples humano. Nega qualquer uma das acusações?

-Não, Excelência, exceto a parte em que o senhor diz que Roxas é apenas um “simples humano”. -Diz Axel, sorrindo para si próprio de maneira amarga.

-E ele não é?

-Para mim ele é muito mais que isso. E quer você goste ou não, eu o amo.

Houve um burburinho entre o júri, que tinha ouvido as palavras de Axel, o primeiro anjo a realmente admitir seu amor por um humano. Thor então abaixou o braço, dando a vez a outro Arcanjo, Thielyn.

-Você não se culpa por ter infringido tantas regras?

-Nem um pouco, Excelência. -Assegurou Axel, convencido. — A única coisa que me culpo no momento é de ter tido tão pouco tempo com Roxas e de não ter-lhe dito mais cedo que eu o amava.

-Anjo Axel, creio que você esteja ciente de que poderá ir para o Inferno caso a justiça fique contra você neste tribunal.

-Sim, eu estou ciente, sempre estive.

-Então por que cometeu os mesmo erros? Por que quebrou as Três Leis novamente?

-Eu não sei, Excelência. Só sei que quando me dei conta, já era tarde demais.

Thielyn abaixou o braço e o outro Arcanjo, Sail, levantou o seu, dizendo:

-Anjo Axel, apesar de toda as suas falhas, você conseguiu pagar sua dívida de 1000 vidas, e mais, conseguiu salvar mais de 3000 pessoas desarmando aquela bomba, mas matar o humano foi errado, e por isso, nós devemos conversar ao seu respeito e decidir o seu futuro.

-Tudo bem, só não demorem muito, está bem?

-Como?

-Ah, qualé, eu sei que vocês sabem que aqui o tempo passa muito mais rápido que na Terra. Eu fiz as contas, um minuto aqui equivale a um dia lá, então por favor, não demorem, sim?

Os Arcanjos se aproximaram uns dos outros e começaram a cochichar entre si. Aquele maldito suspense acabava com Axel. Tudo que queria era voltar para seu loirinho o mais depressa possível. Mas e se fosse para o Inferno? Bem, queria ao menos poder se despedir dele, de dar-lhe um beijo de adeus.

Os minutos passaram se arrastando, e para Axel, pareceu mais um século. Quinze minutos depois, os Arcanjos se afastaram. Thor levantou um dos braços e anunciou:

-Anjo Axel, você foi condenado a passar o resto da eternidade sofrendo no Inferno por razões que já foram citadas aqui.

Axel perdeu o fôlego e caiu de joelhos no chão da plataforma. Mas que droga! Será que nunca ia encontrar a paz naquele mundo?! Desesperado, recorreu a mais uma tentativa:

-Vocês não podem me julgar desse modo, pois do que eu saiba, todos os Arcanjos devem estar presentes na hora de julgar alguém, e pelo que vejo, um de vocês está ausente.

-Seu destino seria igual, mesmo que nosso irmão estivesse aqui, pois são três contra um, nós aqui representamos a unanimidade. Está pronto para partir, Anjo Axel?

-Me deixe apenas ver Roxas mais uma vez.

-Não podemos, é contra as Leis.

-Do que adianta eu ter salvado 3000 pessoas se não posso nem me despedir daquele que amo?!-Gritou Axel. Já não agüentava mais. Tentara ser forte, tentara não chorar diante deles, mas já era tarde.

Ainda de joelhos, desabou em prantos, batendo as mãos naquele chão duro e branco do tribunal, ferindo-as, manchando o piso com gotas de sangue.

-Posso ao menos saber se ele está bem?-Murmurou Axel, certo de que os Arcanjos podiam ouvi-lo.

-Tudo que podemos dizer é que seu garoto está vivo.

Aquilo não bastava. Roxas podia estar em coma, ter perdido um braço, perdido a memória ou coisa pior. Saber que o garoto estava vivo só acalentava seu coração, mas pouco servia de consolo.

-Anjo Axel, deve partir agora. -Falou Thielyn.

-Que escolha tenho eu?

Então os três Arcanjos levantaram seus braços ao mesmo tempo, fazendo um enorme portão aparecer, uma construção de ferro negro, entalhada com cenas horríveis de dor e sofrimento, trazendo gritos e lamúrias que nem o pior dos seres iria querer ouvir.

Axel levantou-se e caminhou lentamente até ao portão, movendo as pernas com grande dificuldade, pois elas se recusavam a sair do lugar. A medida que se aproximava, pôde sentir um vento quente vindo do portão, entreaberto agora, quente demais para ser agradável. Aquele vento machucava-lhe as asas, mas nada machucava mais do que a sensação de saber que nunca mais ia ver seu protegido, seu amigo, seu amor.

Gostaria de ter lhe dado um último abraço, de ter lhe dito que o amava e de ter dado conselhos sobre a vida, como todo bom amigo faria. Quem dera fossem apenas amigos. Axel riu consigo, limpando os caminhos úmidos que as lágrimas tinham feito quando desceram por seu rosto.

Agora estava a poucos passos do enorme portão. Todo o tribunal atrás de si estava silencioso, como se estivessem assistindo a um enterro de alguém muito querido. Querido? Nunca fora querido por ninguém ali no céu, pois como estão nas Leis, anjos não podem se relacionar, ou seja, ninguém ama ninguém. Ninguém iria sentir sua falta, exceto o seu loirinho.

Agora faltavam menos de dois passos do portão. Encobriu essa distância, sentindo o vento quente fazer seus olhos lacrimejarem, como se fosse o bafo de uma grande fera esperando para devorá-lo assim que entrasse em seu domínio.

Quando Axel tinha posto metade de seu corpo na estreita entrada entreaberta do portão, alguém gritou:

-PAREM!

Notas finais
Ai,sei que quem leu até o final deve estar roendo as unhas,mas não se preocupem,daki pra domingo eu termino a fic.
Sim,caros leitores,este é o penultimo chap,por isso aproveitem.
bjos e reviews,please!