Angels In My Life

8 Capítulo 8: The Final Chapter.


Notas iniciais
Finalmente o ultimo chap!
Tudo bem,não é algo pra comemorar,mas pelo menos chegamos ao final e vamos descobrir cm a fic termina.
Espero que tenham gostado.
Bjos e boa leitura.

Roxas acordou, e como nas outras manhãs, se levantou da cama, ainda de pijamas, e levando o edredom consigo, desceu as escadas e foi até o quintal. Nevava naquela manhã, assim como nas passadas, dando a tudo um clima mais frio, mais silencioso, mais morto.

Mas também, desde que Axel se fora, tudo, para Roxas, assumira aquele aspecto doentio. Só agora se tocava de quanto sua vida era miserável sem o ruivo. Mas como fazia falta! Sentia falta das brincadeiras do ruivo, dos seus apelidos, das confusões que o fazia passar, e principalmente de seu toque caloroso que o acalentava toda noite, quando tinha pesadelos assustadores, que ficaram piores desde que o anjo partira.

Já fazia um mês que não via Axel. Um infeliz mês que passou se arrastando de forma triste e melancólica. Não tinha ido ao colégio desde que saíra do hospital, pois recebera uma licença médica de quase seis meses. A bala que o atingira quase encostara em seu coração, mas os maiores estragos foram nos músculos e ossos do ombro e do braço, que ficaram dilacerados e demorariam meses senão anos para serem o que eram.

No entanto, a dor física não se comparava a culpa que Roxas tinha. Como queria ter pronunciado aquelas palavras a Axel! “Eu também te amo!”, ele diria. Mas não, estava fraco demais, e tudo que pôde fazer foi ver o ruivo desaparecer diante de seus olhos sem saber se o veria novamente. Isso atormentava o loiro de uma forma tão terrível que já tinha considerado a idéia de acabar com a própria vida. Mas não era uma idéia tão ruim. Se Axel era um anjo, com certeza estaria no céu, e se Roxas morresse, iria para o céu, ou pelo menos esperava.

Mas não podia fazer aquilo. Algo o impedia de continuar sempre que pegava uma faca e a levava de encontro ao pulso esquerdo. Talvez fosse o instinto de auto-sobrevivência, o amor pela mãe e o medo de deixá-la só ou talvez a mais ínfima esperança que o levava a acreditar que um dia Axel voltaria para ele.

Mas sabia que um dia o seu ruivo voltaria, e quando o visse, iria dizer o que naquele dia esteve preso em sua garganta: “Eu te amo, Axel”.

Marye acordou, sonolenta. Não tinha conseguido dormir bem desde que o filho fora baleado. Levantou-se da cama e saiu do quarto, indo até o do filho, coisa que tinha virado hábito após saírem do hospital, pois os médicos alertaram-na para informá-los caso ocorresse alguma infecção ou algo parecido, então toda manhã ela ia checar o filho, mas já não o encontrava lá.

Desceu as escadas e foi até a cozinha, já sabendo onde Roxas estava. O menor tinha mudado desde o ocorrido no centro comercial. Tudo bem que o loiro nunca tivesse sido a pessoa mais risonha do mundo, mas desde que chegaram aquela casa, ele tinha parecido mais feliz, mais sorridente. Tudo por causa do tal Axel. Então, de repente, ele parou de sorrir. Já não ria mais, e várias vezes ela o pegara chorando pelos cantos da casa, quando acreditava estar sozinho. Acordava toda manhã e sentava nas escadas do quintal, sem trocar de roupa ou tomar café.

Um dia a mãe perguntou por que ele fazia isso. Ele respondeu: “Vou esperar o Axel voltar. Quero estar aqui quando ele chegar, para eu poder dá-lo um bom abraço e dizer o quanto ele significa para mim”. Ah é, o Axel de novo. Não que Marye estivesse com ciúmes, só achava aquilo tudo muito estranho.

Lembrava-se perfeitamente quando o filho dizia que o Axel era seu anjo da guarda e também seu melhor amigo. Claro que nunca chegara a acreditar realmente. Pensava que era coisa da idade, uma fase, pois ela acabara de se separar do marido, estavam numa cidade nova com pessoas novas... Achava que era algo normal. Mas aí ela recebeu aquela ligação. “Aqui é o Axel”, ele disse. Nunca tinha ouvido aquela voz. Era melodiosa, bela, agradável de ouvir, lembrando perfeitamente como a voz de um anjo deveria ser. Aquilo lhe valeu como prova de que Axel não era somente um amigo imaginário ou algo criado a partir da consciência do filho. Mas o que quer que fosse, a ausência dele tinha feito seu filho entrar em depressão profunda.

Roxas mal comia, e tudo que fazia o dia inteiro era ficar sentado na varanda, esperando Axel voltar, enrolado em seu edredom. Claro que Marye já tentara fazer alguma coisa a respeito, mas nada adiantava. Roxas se negava a sair daquele lugar, indo até ele de manhã e só saindo de noite, quando o sono lhe abatia.

A noite, escutava o filho gritar pelo nome de Axel sem parar. Seu tormento maior era ter que ver e ouvir tudo sem poder fazer nada. “Ah, Axel, onde você está?”, Marye se perguntava.

-PAREM!-gritou uma voz, feminina, fina, melodiosa. Aquela simples palavra atraiu os olhares de todo o Tribunal Celestial, onde ocorria o julgamento de Axel, inclusive o dos Arcanjos, que ficaram surpresos ao constatar que era ninguém mais ninguém menos que Naminé, o quarto Arcanjo, ausente até aquele momento.

Levantando o braço direito, Naminé fez com que o portão do Inferno simplesmente desaparecesse diante dos olhos verdes de Axel, que a observava, de volta ao seu lugar na sua plataforma.

No começo, aquela voz lhe parecera estranhamente familiar, mas depois que vira a garota, ou melhor, a Arcanjo, tivera a absoluta certeza que era a mesma amiga de Roxas, aquela que não tinha um anjo da guarda. Agora tudo fazia sentido, Naminé não tinha um anjo da guarda porque ela própria era um!

A “menina”, com seu corpo miúdo e cabelos loiros, asas brancas bem maiores que seu corpo, vestindo nada mais que um simples vestido branco, caminhou pelo tribunal, indo se postar ao lado de Axel.

-Caros anjos aqui presentes, vim dizer-lhes que o Anjo Axel não é culpado. — Sua voz ecoou por todo o lugar. Um burburinho alto tomou conta do júri, e imediatamente, um dos Arcanjos, Thor, levantou a voz:

-Por que diz isso? Tem provas, irmã?

-Tenho sim. Como alguns de vocês sabem, estive analisando os humanos de perto, me infiltrando em suas vidas e tentando descobrir o que os fazem felizes. Afinal, este é nosso objetivo, não é? Fazer os humanos felizes.

-E o que isso tem haver com Axel e com o humano?

-Se me deixar terminar de falar, caro Thor, tenho certeza de que explicarei. Enfim, escolhi um lugar pequeno e pacato para começar a minha pesquisa, Traverse Town, e por acaso, era lá que o humano Roxas tinha ido morar com sua mãe. Imediatamente aquele garoto me intrigou, pois ele não tinha um anjo da guarda, se excluía de todos e vivia com um ar melancólico em sua volta. Aproximei-me dele, ou pelo menos tentei, mas no segundo dia ele foi suspenso e desde então eu não o vi mais na minha forma humana. No entanto, eu o espionava sempre que tinha tempo, e acabei descobrindo que ele tinha encontrado nosso “pior” anjo, nossa ovelha negra, Axel.

“Inicialmente eu achei que aquilo fosse causar problemas, mas aconteceu o contrário. Desde que Axel ingressara na vida de Roxas, o garoto sorriu bem mais, e posso confirmar com toda a certeza que o humano ficou mais feliz. E ainda por cima, Axel conseguiu pagar sua dívida com muito mais êxito que pensávamos, salvando mais vidas do que lhe foi mandado. O que quero que vocês entendam aqui é que este anjo não merece ser condenado a uma eternidade no Inferno quando cometeu um erro, mas fez mil acertos”.

-Mas irmã, ele quebrou as Três Leis duas vezes!Não merece ser perdoado!-Anunciou Thielyn, com uma voz acusadora.

-Aliás, irmão, bom que tenha tocado no assunto. As Três Leis devem ser reavaliadas, reescritas e reaplicadas conforme os novos tempos. Muitos anjos hoje são infelizes por não poderem se relacionar com seus humanos, além de que, para toda regra, há uma exceção.

-Não permitirei que este anjo saia impune daqui!-Gritou Sail, batendo o punho no braço da sua alta cadeira.

-Não?Tudo bem, se é assim. Eu não queria lhes mostrar isso, mas vocês me obrigaram. Todos nós, anjos e Arcanjos, nascemos e vivemos com um lema: Fazer os humanos felizes e protegê-los. Pois bem. Roxas não tinha um anjo e ganhou um. Roxas não tinha um amigo e ganhou um. Roxas não tinha felicidade e a ganhou. Agora vamos ver como Roxas está sem Axel.

Naminé voltou a erguer o braço direito, fazendo uma espécie de mesa lisa e plana aparecer no chão, prateada, refletindo tudo como se fosse um espelho. Abrindo a palma da mão, a Arcanjo fez com que na parte plana da mesa aparecesse uma imagem vista de cima, mostrando uma casa, e sentado na varanda, estava um rapaz.

Axel achou que seu coração ia explodir em seu peito. Era Roxas, mas ao mesmo tempo, não era. Estava com um olhar perdido, desolado, morto, expressando uma extrema melancolia no rosto. Todo tribunal ficou em silêncio, comovidos pelo estado de Roxas. Até os Arcanjos se calaram, revelando uma enorme compaixão por aquele garoto que mais parecia um cadáver sem vida.

-Isso, caros presentes, foi o que restou do humano Roxas desde que Axel foi embora. Ele sofre com sua ausência de uma maneira que não podemos imaginar.

Mas Axel imaginava, pois no exato momento em que viu seu loirinho daquela forma, sentiu um aperto no coração tão grande que achou que morreria sem ar. Lágrimas desceram por seu rosto sem parar, mas também, Axel não fez questão de pará-las. Agora mais do que nunca, queria voltar para seu protegido, confortá-lo, dizer que estava tudo bem e que jamais voltaria a sair do seu lado.

-Nós não imaginávamos que o caso fosse tão grave. -Falou Thielyn, com a voz condoída.

-Acreditam em mim quando digo que Axel não é culpado?-Naminé falou, cruzando os braços.

Os Arcanjos trocaram olhares, e com vozes pesadas, todos declararam ao mesmo tempo:

-Axel, sua dívida foi paga, seus erros foram perdoados e você continuará na Terra, com o humano que tanto preza. No entanto, não podemos mais mantê-lo anjo. Estaria disposto a abdicar da imortalidade, do poder e das próprias asas para se tornar um simples humano?

-Sim, com certeza, sim. -Axel disse, levantando o rosto ainda úmido.

-Pois bem.

-Pode deixar que eu mesma me encarrego de levar Axel de volta para Terra.-Falou Naminé, puxando Axel pelo braço até a saída do tribunal, parando na porta, quando ninguém mais podia ouvi-los.

-Não sei se isso é relevante, Axel, mas eu descobri porque Roxas não tem um anjo da guarda.

-Por quê?-Axel perguntou, curioso e interessado.

-Porque ele é a reencarnação do Sora, ou seja, desde o começo, quem deveria protegê-lo era você, mas como você estava preso na Campina Esquecida, ele ficou sem anjo.

-Mas e agora? Ele não tem um anjo, e se vou me tornar um humano, também preciso de um.

-Não se preocupe com isso, pode deixar que eu resolvo. Mas agora você tem que ir, ele está esperando por você.

Axel abriu um enorme sorriso.

-Sim, ele está.

Roxas continuava sentado na varanda. Sua mãe cozinhava alguma coisa na cozinha, que exalava um cheiro agradável e quente, mas pensando bem, aquilo não fazia mais diferença para Roxas.

Encostou sua cabeça nos joelhos, se cobrindo ainda mais com o edredom, procurando sentir o calor que sentia nos braços de Axel. Sem sucesso. Axel. Só a menção do seu nome já fazia o nó na garganta aparecer e os olhos lacrimejarem.

Ainda nevava bastante. Os flocos de neve caindo no chão já branco impediam os sensíveis olhos de Roxas ver mais além do que quinze metros. Como queria que seu anjo aparecesse ali, sorrindo, de braços abertos, sem se importar com o frio ou com os flocos de neve que iriam cair em suas mechas rubras, deixando-as molhadas mais tarde.

Roxas sorriu consigo, amargamente, esfregando os olhos para retirar os resquícios de lágrimas. Foi aí que viu.

Não, não podia ser. Talvez fosse uma ilusão. Deveria estar tendo alucinações, pois por um momento pensara ter visto uma silhueta alta, lutando contra os flocos de neve e o vento frio, indo até a casa. Roxas esfregou os olhos com força, certificando-se que não havia nada sujando seus olhos e que estava devidamente são.

O viu de novo, dessa vez com um pouco mais de detalhes. Era alto e tinha cabelos escuros, talvez ruivos, espichados para diversas direções. Não, não podia ser, no entanto, se levantou, deixando o edredom cair, e correu em direção a silhueta, esbarrando-se nela logo em seguida.

Sentiu aquele cheiro de queimado misturado com incenso, inconfundível, inesquecível. Abraçou a silhueta com força, já chorando.

-Axel!É você?!

-Quem mais?-Brincou Axel, sorrindo, apesar de também estar chorando.

Como se fosse a coisa mais comum do mundo, algo que já deveria ter feito há muito tempo, Axel levantou Roxas, sem esforço, alto o bastante para que pudesse beijá-lo. Seus lábios se tocaram num beijo apaixonado, demonstrando tanto carinho quanto o mais puro amor.

Só se separaram minutos depois, pois afinal, precisavam respirar.

-Axel, eu senti tanto a sua falta!-Murmurou Roxas, abraçando o ruivo mais uma vez, enterrando seu rosto em seu peito.

-Não mais que eu, tenho certeza. Ei, você está bem?Como está seu braço?

-Eu que pergunto. Onde esteve?Por que foi embora?Axel, eu tenho algo muito importante para te dizer, sabe?

-Sim, eu sei. Eu já sei o que é. Sempre soube que ia acabar nisso desde o momento que você me seduziu dando uma carente que precisava de uma abraço após ter tido um pesadelo.

-Eu?!Seduzi?!Quem me prendia contra a parede e sussurrava no meu ouvido era você!

-É porque eu nunca consegui resistir a esse seu jeito inocente. -Axel disse, dando um sorriso malicioso enquanto ambos caminhavam para a varanda, com o maior tendo o braço em volta da cintura do loiro.

-Eu te amo, Axel.

-Eu te amo mais.

-Não, não ama.

-Amo sim.

-Não, não ama.

-Amo sim.

-Ah, cala a boca. -Roxas resmungou, dando outro beijo em Axel, tendo que se apoiar nas pontas dos pés, recebendo ajuda dos braços do ruivo, que o levantavam e o colavam ao seu corpo.

Foi nessa hora que Marye apareceu. Tinha ido chamar o filho para dentro para que não pegasse um resfriado, mas agora o encontrava ali, se agarrando com um completo estranho.

-Quem é você?!-Ela gritou, levando um susto.

Roxas continuou abraçado a Axel, mas o ruivo o abaixou e sorriu para a mulher, que o fitava incrédula.

-Ora, quem sou eu? O Axel, claro!

-Então você é o Axel?

-Aham.

-O mesmo amigo-anjo-da-guarda do meu filho?

-Ex-anjo pra falar a verdade.

-Foi você que me ligou naquele dia?

-Eu mesmo, dona.

-Céus. Olha, Roxas, eu vou dar uma saída pra comprar umas coisas, então por que você não entra e chama seu amigo com você também?

-Ok. -O loiro respondeu, já entrando em casa e levando o ruivo consigo, satisfeito.

Minutos depois, Marye saia no carro, estranhamente calma. Acabara de conhecer o tal Axel, no entanto, já confiava totalmente nele. Sorriu. Parecia que finalmente as coisas iam melhorar.

Axel, mais tarde naquela noite, contou tudo a Roxas, inclusive sobre Naminé. Roxas, em contrapartida, contou tudo que ocorrera em sua ausência, e também de como os pesadelos haviam ficados piores desde que partira.

-Sério?-O ruivo perguntou, segurando Roxas em seu colo, sentado naquela mesma poltrona aonde costumava dormir.

-Aham, e tenho que dizer que simples abraços não vão fazer os pesadelos irem embora. -Assegurou o loiro, sorrindo maliciosamente enquanto brincava com as mechas do cabelo do mais velho.

-O que quer dizer? Que vou ter que dar uma de pedófilo agora?

-Aham, toda noite, aliás.

-Roxas, você não era pervertido assim. O que aconteceu?

-Aprendi com o melhor.

Então voltou a beijar Axel. Marye se lembra de quando tinha saído do seu quarto para beber água e passou pelo quarto do filho, ouvindo altos gemidos. Mas achou melhor ter fingido que não ouviu e passou adiante.

Axel, como um humano normal, cursou a faculdade e viveu sua própria vida, mas sempre ao lado de Roxas. E então, o loirinho que fingia ser emo acabou virando a alma-gêmea do anjo mais errado de todos os tempos.

Os anjos tiveram suas Três Leis reescritas, deixando possível agora que alguns anjos se relacionassem com humanos. O pai insensível de Roxas bateu sua Ferrari numa delegacia enquanto dirigia bêbado. Tá, ele ficou vivo, mas foi preso e teve que pagar uma multa enorme.

Marye ganhou o Nobel da Ciência por ter descoberto uma planta que garantia a cura do câncer. Jumas, aquele garoto que tinha implicado com Roxas em seu primeiro dia de aula, nunca passou em nenhuma faculdade e hoje é camelô. O psiquiatra de Roxas ficou traumatizado por razões aparentemente desconhecidas.

Enfim, este o final da história.

Fim.

Notas finais
Ai céus,chego fico triste com o final,vou sentir falta dessa fic.
Espero q tenham gostado,reviews,please!
bjos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!