Angel without wings 2.0
5 Nova Vida
Notas iniciais
Rachel acordou ainda mais cedo que o de costume no sábado. Estava ansiosa para buscar Quinn. Tomou um banho rápido, se trocou e desceu para tomar café. Encontrou Leroy lendo o jornal. Jo, a governanta da casa, já tinha arrumado a mesa.
— Bom dia, papai. Bom dia, Jo – desejou, animada.
— Bom dia, estrelinha – o homem respondeu, divertindo-se – Caiu da cama?
— Muitas coisas para fazer.
— Estou sabendo.
Kurt e Mercedes entraram na cozinha sonolentos. Deram um bom dia silencioso e começaram a comer um pouco sem vontade.
— Nossa que caras são essas, crianças? – Jo perguntou.
— Rachel derrubou a gente da cama – Mercedes resmungou.
— De um jeito nada sutil, devo acrescentar – Kurt completou.
Rachel sorriu culpada. Queria que tudo estivesse perfeito quando chegasse com Quinn em casa. Ela merecia.
— Desculpem por isso. Prometo recompensa-los.
— É o que esperamos, Berry – Kurt a fuzilou.
— O pai ainda está dormindo, papai? – Rachel mudou de assunto.
— Não, ele foi para o campus. Disse que tinha algumas coisas para resolver, mas prometeu estar aqui quando vocês chegarem.
— Ok – concordou – Kurt, será que pode me emprestar seu carro? Pode usar o meu se precisar.
O rapaz apenas concordou com a cabeça. Mercedes prometeu fazer o bolo assim que acordasse de verdade.
Rachel pegou o carro e saiu. Tinha marcado com Quinn na hora do almoço, mas não aguentava mais esperar. Iria até ela e a ajudaria caso precisasse. Qualquer coisa para estar perto da garota.
Quinn estava terminando de encaixotar suas coisas. Não tinha muito o que levar. Em uma caixa colocou seus livros, em outra objetos trazidos de casa. Estava fechando a última mala quando o celular tocou.
— Bom dia, Quinn.
— Bom dia, Rachel – a loira sorriu ao ouvi-la.
— Sei que ainda está cedo, mas já estou aqui embaixo. Precisa de ajuda?
— Acabei de fechar a última mala. Só falta lacrar as caixas. Pode subir – abriu o portão pelo interfone – Segundo andar, apartamento 202.
Rachel observou o pequeno dormitório. Duas camas de solteiro, uma de cada lado, um guarda-roupa e uma escrivaninha.
— Algo me diz que vai adorar seu novo quarto – comentou.
— Tenho certeza que sim – adiantou-se — Oi – abraçou Rachel, demorando um pouco para solta-la.
— Hei você – a segurou forte entre seus braços – Senti sua falta.
— Eu também – se afastou – Só falta lacrar essas duas caixas — apontou.
Desceram as coisas de Quinn e arrumaram na caminhonete. A loira tinha três malas e quatro caixas com suas coisas. Rachel fechou a caçamba e bateu as mãos na perna, as limpando.
— Pronta para ir para casa?
A pergunta da morena pegou Quinn em cheio. Casa. Aquela palavra de quatro letras nunca soara tão bem como agora. Pela primeira vez na vida sentia-se bem-vinda em um lugar que, em breve, chamaria de lar. E Rachel nunca entenderia o bem enorme que estava fazendo a ela.
Quinn ficou impressionada com o tamanho da mansão Berry. O portão preto alto se abriu, dando uma vista melhor do sobrado de três andares. Tinham mais quatro carros parados no jardim, além do Lexus de Rachel. Era possível ver uma parte da piscina que ficava nos fundos do terreno. Os muros envolta da propriedade eram imponentes. Rachel desceu do carro e abriu a porta para Quinn, lhe oferecendo a mão.
— Seja bem-vinda, senhorita Fabray – Jo a recepcionou.
A governanta causou-lhe uma ótima impressão. Era morena, robusta, da altura de Rachel. Lembrava-lhe muito a senhora que tomara conta dela quando criança.
— Quinn, esta é a Jo. Nossa governanta e anjo da guarda – as apresentou.
— Se precisar de qualquer coisa é só me chamar – sorriu – Rachel, seus pais e as crianças estão esperando na sala de estar.
Rachel agradeceu e guiou Quinn para dentro da casa.
— Crianças? – perguntou, curiosa.
— Kurt e Mercedes. Logo vai perceber que ela nos trata como crianças. E o quanto isso é bom – sorriu.
Passaram pelo hall e entraram na sala de estar. Os Berry, Kurt e Mercedes sorriam para as duas. Quinn sentiu-se intimidada diante de tantos olhares.
— Seja bem-vinda, Quinn – Hiram se adiantou – Este é Leroy, meu marido – apresentou.
— É um prazer conhece-lo, senhor Berry.
— Somente Leroy, Quinn. Sinta-se em casa – pediu.
Quinn sentiu-se em casa no mesmo instante. As pessoas lhe sorriam e pareciam muito amáveis.
— Rachel, já podem subir – Jo apareceu na sala, os chamando.
— Obrigada, Jo.
A morena a pegou pela mão a levando pelas escadas. Subiram correndo, Kurt e Mercedes iam logo atrás. Só pararam em frente à porta com o nome de Quinn. Rachel estava com o seu sorriso mais iluminado.
— Espero que goste, Q.
Quinn ficou de queixo caído quando entrou no quarto. A cama de casal era enorme, o abajur no criado mudo ao lado era lindo, tinha um guarda-roupa só para ela. A escrivaninha era perfeita com estantes instaladas em cima. Suas coisas já tinham sido deixadas ao lado da porta.
— É incrível, Rachel – afirmou sorrindo.
— Você gostou? – a garota suspirou aliviada.
— É perfeito. Obrigada.
— Foi o Kurt quem arrumou tudo.
— Ficou lindo, Kurt – Quinn sorriu para o rapaz.
— Que bom que gostou, Quinn.
— E tem mais uma coisinha – Mercedes cantarolou.
Hiram e Leroy apareceram atrás da menina com um bolo enorme, cheio de chantili e confeitos coloridos por cima.
— Seja muito bem-vinda, Quinn – Mercedes desejou – Aproveite seu bolo, eu mesma fiz.
— Espero que seja muito feliz aqui, princesa – Rachel desejou, olhando-a carinhosamente.
Quinn sentia-se realmente desejada naquela casa. Nunca fora tratada tão bem em um lugar, em tão pouco tempo. Tentava entender como desconhecidos podiam lhe querer tão bem e seus próprios pais não se importarem com seu bem-estar.
— Corta o bolo, Quinn. E faz um pedido – Rachel a chamou.
A loira pegou o cortador da mão dela, respirou fundo e, sem pensar muito, sabia exatamente o que desejava naquele momento.
Depois que todos se serviram e conversaram mais um pouco, deixaram a nova moradora a sós para que se instalasse com calma.
Quinn já tinha organizado suas roupas e sapatos no armário quando Rachel bateu à porta, pedindo permissão para entrar.
— Nossa, já está quase tudo no lugar – a morena se surpreendeu.
— Não tinha muito o que guardar, na verdade – Quinn comentou – Só falta aquela caixa – apontou – Quer me ajudar?
— Claro.
Rachel se sentou na cama e abriu a caixa entregando o que tinha dentro para Quinn colocar no lugar.
A morena deteve-se em um porta-retrato. Olhava da foto para Quinn e de novo para a foto.
— Quem é? – perguntou curiosa.
— É minha filha.
— Oi? Você tem uma filha?
— Sim. O nome dela é Beth.
— Ela é linda. Se parece muito com você.
Quinn pegou o retrato da mão de Rachel e sentou-se ao seu lado. Sentiu uma pontada no peito, sentia falta de Beth de uma forma que não sabia como explicar.
— Beth já está com quase dois anos. Ela faz dois anos uma semana depois do meu aniversario. – comentou distraída.
— Onde ela está agora?
— Em Lima. A entreguei para adoção – explicou – A Shelby é mãe dela agora. Ela era nossa professora no ensino médio e é a pessoa mais incrível e bondosa que já conheci. Mesmo perdendo todos os direitos legais da bebê, ela permite que acompanhemos seu crescimento – continuou desabafando – Mesmo depois de a entregar, ela fez questão que estivéssemos por perto. E nuca vou ter como agradece-la.
— Sente saudades?
— O tempo todo. Mas sei que ela está sendo muito bem cuidada.
— Quinn, você é tão corajosa.
A loira colocou a foto sob o criado mudo e as duas terminaram de arrumar o quarto. Quinn olhou ao redor, gostando do que via.
— Está perfeito.
Rachel sorriu. Estava encantada com a garra da mais nova e queria saber mais sobre ela. Tudo em Quinn a encantava. Notou que a porto lateral do quarto ainda estava trancada e sorriu.
— Quinn, por que não abriu a porta da sacada?
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