Angel without wings 2.0
6 Melhor lugar do mundo
Notas iniciais
— Quinn, por que não abiu a porta da sacada?
— Sacada? – perguntou confusa.
Rachel foi até a porta e a abiu, a puxando junto. A vista não poderia ser mais incrível: dava para ver toda a piscina e a área arborizada localizada no fundo da mansão. Imaginou quão incrível deveria ser o nascer do sol ali.
— É lindo, Rachel.
— E tem mais uma coisa. Essa porta – apontou – Dá direto no meu quarto. E está sempre aberta.
Quinn sentiu algo a mais no tom de voz da morena que fez com que seu corpo todo tremesse.
— Vem, vou te mostrar o resto da casa.
Rachel e Quinn estavam na sala, assistindo um programa qualquer sendo observadas por dois pares de olhos atentos.
Era fim de tarde, Kurt e Mercedes estavam tomando chá perto da piscina enquanto conversavam.
— O que achou da Quinn, Cedes?
— Além de incrivelmente linda? – brincou – Parece ser uma pessoa muito interessante. E é tão meiga.
— Verdade. Não consigo imaginar essa garota levantando a voz para alguém – comentou – E notou como a Rachel está encanta por ela?
— Se notei? Estou quase indo até lá entregar um babador para ela – riu.
— E Quinn a olha de um jeito tão doce.
— Elas ficam tão lindas juntas. Não acha? – Mercedes falou em tom conspiratório.
— Sim, elas ficam – Kurt sussurrou – Está pensando o mesmo que eu?
Os dois trocaram um olhar e, em um impulso, levantaram indo em direção às duas. Quinn parecia realmente interessada no que estava passando na televisão, mas Rachel não conseguia ficar quieta. Olhava para a loira a todo instante, puxava a manta que as cobria, arrumando sob os pés de Quinn. Os dois amigos se sentaram no outro sofá e continuaram a observar.
Rachel estava cada vez mais interessada em Quinn. O modo como confiara nela, lhe contando sobre a filha e tudo o que deixará para trás. Por mais meiga que pudesse parecer, sabia o quão forte era. Mais forte do que podia imaginar. Queria saber mais sobre ela, conhece-la o máximo possível. Queria... cuidar dela?
Hiram entrou na sala pouco depois. Achou graça na agitação da filha, mas achou melhor não dizer nada a respeito.
— Hei – pigarreou, chamando a atenção dos quatro – Se não me engano, hoje é a noite do piano.
— Por acaso é sim, Hiram – Mercedes confirmou.
— Noite do piano? – Quinn perguntou para Rachel.
— Isso. Pelo menos uma vez no mês, nós largamos tudo o que temos para fazer, nos reunimos e passamos a noite comendo, bebendo e cantando – explicou – Você canta, Q?
— No chuveiro conta?
— Serve – divertiu-se – Vai ser minha dupla hoje. Vamos acabar com eles – falou séria.
— É uma competição? – a loira achou graça.
— Sempre é. Para a Berry – Kurt riu da cara da amiga, que ficou vermelha.
— Legal.
— Ótimo. Vocês começam a organizar tudo por aqui – Hiram pediu – Quinn, pode vir até a biblioteca comigo?
— Claro – levantou, o seguindo.
— Rach, chame seu pai para ajudar. Nós voltamos logo – pediu – Vem Quinn.
Os dois saíram da sala, deixando uma Rachel extremamente curiosa para trás.
— Levanta logo daí, Rachel. Seu pai não vai chicotear sua garota – Kurt brincou.
A morena piscou desconcertada e olhou para os amigos. Os dois a olhavam com um sorriso debochado. Tinha medo daqueles olhares.
— Primeiro, ela não é MINHA garota. Segundo, nenhum dos dois me disse o que achou dela – sorriu acanhada.
— Ela parece ser bastante interessante – Kurt opinou.
— Meiga. Além de sexy – Mercedes provocou, esperando a reação da amiga.
— Sexy? – a morena pareceu confusa com o comentário.
— Você não acha? – Kurt cutucou.
— Claro, mas... – Rachel sentia as bochechas queimarem.
— Relaxe, Rach. A gente só está curtindo com a sua cara. Anda, vamos arrumar as coisas antes que seu pai volte – Mercedes a abraçou pelos ombros.
Quinn estava sentada na biblioteca, de frente para Hiram, curiosa. Não se sentia mais tão assustada na presença do médico.
— Conseguiu se instalar no seu quarto, querida? – Hiram puxou assunto.
— Sim, senhor. Obrigada – respondeu séria.
— Me chame apenas de Hiram, Quinn – pediu simpático e ela concordou –Te chamei aqui para que possamos conversar sobre seus horários na universidade a partir de segunda.
— Ok.
— Aqui – lhe entregou um papel impresso – Estão todos os seus horários, com as alterações que precisaram ser feitas. A maior parte das suas aulas ficaram para o período da manhã. Terá sua hora de almoço, depois mais duas aulas. De acordo?
— Tudo bem.
— Irá trabalhar no projeto comigo das três às seis da tarde. Apenas durante a semana. Pode acontecer de estendermos o horário em algum momento, mas será avisado com antecedência. Tudo bem até aqui?
— Cada vez melhor.
— Suponho que esteja curiosa para saber o que vai fazer enquanto estiver conosco.
— Para falar a verdade, estou sim – Quinn sentia as mãos úmidas.
— Vou resumir então – Hiram estava tão empolgado quanto a garota – A universidade está patrocinando a reedição do meu primeiro livro sobre neurocirurgia pediátrica. Uma edição revisada e atualizada.
— Isso é incrível – os olhos da loira brilhavam.
— É nisso que quero que trabalhe comigo e minha equipe. O que acha?
— É sério? – Quinn estava eufórica – Vai ser um prazer.
— Fico feliz que esteja animada. Temos bastante trabalho a fazer.
— Pode contar comigo, Hiram.
— Ah, mais uma coisa que esqueci de mencionar. Quando o trabalho estiver concluído, seu nome e o de toda a equipe constara na publicação.
— Onde eu assino? – Quinn brincou.
— Gosto da sua atitude – comentou – Agora vamos voltar para a sala. Se conheço minha filha, ela está roendo as unhas de tanta curiosidade.
Rachel estava quase tendo um colapso. Fazia quase meia hora que Quinn e Hiram tinha saindo. Estava a ponto de invadir a biblioteca quando os dois apareceram.
— Até que enfim – reclamou, balançando os braços.
— Eu não disse? – Hiram piscou para Quinn, se afastando.
— Disse o que? – a morena quis saber.
— Nada de mais, morena – respondeu – Nós estávamos conversando sobre as mudanças na minha grade e outras coisas sobre meus horários.
— Já vai escravizar a loirinha, Hiram? – Kurt debochou.
Rachel o fuzilou com os olhos. Todas na sala riram, inclusive Quinn. Nervosa, a morena a pegou pelo braço e se afastou do resto da família.
— E então? O que meu pai disse? – Rachel perguntou.
— Você é mesmo curiosa, meu anjo – Quinn gracejou, batendo na ponta do nariz da morena – Mas admito que estou animada, Rach.
— Me conta.
— Seu pai me chamou para fazer parte da reedição de um dos livros dele. Não é incrível? – a loira estava quase pulando.
—É incrível mesmo, Q – Rachel a olhava admirada.
— E, como se não pudesse ficar melhor, meu nome sairá junto com o de Hiram na publicação. Sabe o peso que isso vai ter no meu currículo?
— Não exatamente... – admitiu.
— É como... seu nome ao lado do de Barbra Streisand em um cartaz da Broadway.
— Ah meu deus, Quinn – Rachel pulou animada junto com a loira.
Rachel não se conteve e a puxou para um abraço. Sentia-se tão bem ao ver o sorriso que não deixava os lábios de Quinn por nada, em saber que tinha feito certo ao ajuda-la.
Quinn foi pega de surpresa, mas aquele abraço não poderia ter surgido em melhor momento. Sentir o quão bem o corpo da morena se encaixava com o seu a fez arrepiar. A cabeça da garota aninhava-se perfeitamente na curva de seu pescoço.
Mas tão rápido quanto começou, o abraço se desfez. Rachel sentia o rosto queimar e Quinn percebeu quatro pares de olhos nelas.
Rachel apenas a pegou pela mão e a levou de volta para o centro da sala. Kurt e Mercedes sorriram um para o outro, cumplices.
— Podemos começar? – Leroy perguntou.
Ele e Hiram foram os primeiros. Seguidos por Kurt e Mercedes. Quando os dois terminaram, Rachel sentou-se ao piano.
— O que quer cantar, princesa? – perguntou a Quinn.
— Não sei...
Mercedes e Kurt entreolharam-se.
— Conhecem Keep Holding On, da Avril? – Kurt perguntou.
— Sei tocar e conheço a letra – Rachel respondeu – O que acha, Quinn?
— Por mim, tudo bem.
Quinn nunca tinha cantado na frente de ninguém. Respirou fundo e aceitou o mico que iria pagar.
Rachel tocou a primeira nota. Quinn estava de cabeça baixa, o rosto vermelho. Sua voz saiu fraca quando começou a cantar.
[QUINN]
Você não está sozinho
Juntos nós ficaremos de pé
Estarei ao seu lado
Você sabe que segurarei sua mão
Rachel ficou surpresa com a voz da garota. Era doce e um pouco rouca. Sentiu o coração acelerar.
[RACHEL]
Quando fizer frio
E parecer ser o fim
E não tiver para onde ir
Você sabe que não desistirei
Não, eu não desistirei
Ao ouvir a voz da morena, Quinn ergueu a cabeça e a fitou. Era a voz de um anjo. A voz mais linda que já tinha ouvido na vida. Sentiu seu corpo ser puxado para perto dela. Apoiou-se no piano, olhando nos olhos de Rachel, enquanto cantavam o refrão.
[RACHEL E QUINN]
Continue aguentando
Porque você sabe que conseguiremos
Conseguiremos
Apenas seja forte
Pois você sabe que estou aqui por você
Estou aqui por você
Não há nada que possa dizer
Nada que possa fazer
Não há outro jeito em se tratando da verdade
Então continue aguentando
Porque você sabe que conseguiremos
Nós conseguiremos
As quatro pessoas na sala estavam de boca aberta. A voz das duas meninas juntas se encaixava lindamente. E a interação delas era hipnotizante.
[QUINN]
Tão longe
Eu gostaria que estivesse aqui
Antes que seja tarde demais
Isso tudo poderá desaparecer
[RACHEL]
Antes que as portas se fechem
E chegue ao fim
Com você ao meu lado
Eu lutarei e defenderei
Eu lutarei e defenderei
[RACHEL E QUINN]
Escute quando eu digo
Quando digo que acredito
Nada irá mudar
Nada irá mudar
O destino
O que quer que seja
Nós resolveremos perfeitamente
Quando a música acabou, as duas ainda se olhavam fixamente, como se não existisse mais ninguém. Naquele milésimo de segundo eram só as duas. A loira estava extasiada, tinha sido divertido cantar com Rachel.
— Isso foi... lindo demais – Leroy elogiou, com lagrimas nos olhos.
— Você canta muito bem, Quinn – Rachel elogiou – Sua voz é linda.
— Obrigada – agradeceu, um pouco sem jeito.
Jo entrou na sala os chamando para comer. O restante da noite foi tranquilo, todos em volta da mesa conversando e rindo até tarde.
Quinn sentia-se bem. Sentia-se mais em casa do que nunca antes na vida. Já passava das duas da manhã quando resolveram ir para a cama.
Rachel parou na porta do quarto de Quinn, esperou que Kurt e Mercedes passassem por elas.
— Boa noite, princesa – desejou.
— Boa noite, meu anjo – Quinn lhe deu um beijo demorado no rosto.
— Se precisar de algo é só me chamar. Estou aqui do lado – a morena devolveu o beijo.
— Obrigada.
Quinn sorriu e fechou a porta atrás de si. Não podia mais negar que Rachel mexia com ela. E muito. Sentia-se flutuar enquanto ia até o banheiro. Precisava de um banho. Ajudaria a acalmar os nervos.
Ainda não tinha entrado no banheiro de sua suíte desde que chegara e sorriu quando viu o roupão pendurado ao lado do box. Era todo branco com fios dourados e, na altura do peito, tinha seu nome bordado em letras bem desenhadas.
Tomou seu banho mais rápido do que previa, vestiu seu novo roupão e saiu do quarto pela sacada.
Rachel estava deitada, olhando para o teto, tentando organizar os próprios pensamentos quando ouviu uma batida leve na porta. Sorriu ao ouvir os passos vacilantes de Quinn indo em sua direção.
— Tudo bem, princesa. Ainda estou acordada – sussurrou, para não a assustar.
— Desculpe invadir seu quarto.
— Pode vir quando quiser – respondeu.
Rachel se sentou devagar na cama, ficando de frente para Quinn. E perdeu o ar ao ver a loira só de roupão.
— Só vim agradecer pela delicadeza. Sei que foi você.
— Ficou perfeito em você.
Rachel continuava sussurrando e Quinn estava adorando o quão sexy a voz da morena soava em seus ouvidos.
A loira ainda estava parada no meio do quarto, a alguns passos de distância de Rachel.
— Será que pode ficar aqui mais um pouco? – pediu – Estou sem sono.
— Claro.
Rachel se arrumou, esperando que a loira se aproximasse. A cama era grande, mas Quinn queria ficar o mais perto possível, então se sentou com as costas apoiadas no peito de Rachel, entre suas pernas.
A morena a abraçou de imediato, a mantendo colada ao seu corpo, sentido o perfume da loira tomar conta do cômodo. Ficaram em silencio por um tempo.
— No que está pensando? – Rachel perguntou, de olhos fechados, quebrando o silencio.
— Se eu disser, promete que não vai se assustar? – Quinn pediu.
— Prometo.
— A única coisa que passa pela minha cabeça agora é que teu abraço é o melhor lugar no mundo.
— Bom saber. Porque eu não queria estar em nenhum outro lugar agora.
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