Angel without wings 2.0
3 Nos trilhos
Notas iniciais
Hiram a observava curioso. A menor estava sentada na poltrona a sua frente, esperando que ele fizesse o mesmo.
— Por que a pergunta, estrelinha?
Rachel não respondeu, continuou esperando uma resposta, com um sorriso maroto nos lábios. O homem não teve escolha.
— É uma das melhores alunas do curso de medicina na última década pelo que ouvi – explicou – Até onde sei, todos os professores estão surpresos com a capacidade da garota. Mesmo estando no segundo semestre, Quinn já provou que tem habilidades acima da média.
— Era tudo o que esperava ouvir – bateu na mesa, animada.
— Você a conhece, Rach? – Hiram estava ficando curioso.
— A conheci ontem à noite – explicou – Não me olhe assim – ralhou – Não é nada disse que está pensando. Vou te contar.
Rachel inclinou o corpo na direção do pai e lhe contou a história de Quinn. Não deixou nada de fora, desde o momento que a encontrou até deixa-la na porta da faculdade. Hiram ouviu tudo atentamente, tentando entender onde a filha queria chegar.
— Você pode ajuda-la? A vida que ela está disposta a viver... Não é para ela.
— A conheceu ontem, Rachel – ponderou – Mas confio na sua intuição e a garota tem mesmo muito potencial para ser desperdiçado dessa forma.
— Então existe mesmo uma maneira de ajuda-la? Você é o reitor afinal.
Hiram Berry era o reitor do curso de medicina de Columbia. Era reconhecido em sua área de atuação, tinha vários artigos e livros publicados. Já estava no cargo há quase uma década.
— Sim, sou. E acredito que possa fazer algo. Tenho meus contatos e as opiniões sobre o potencial dela com certeza falam por si – falou pensativo – Vá para sua aula e deixe que eu faça minha mágica. Entro em contato assim que puder.
Rachel estava extremamente satisfeita. Só tinha mais uma coisa para pedir ao pai antes de ir embora.
Quinn estava a caminho do laboratório de anatomia quando ouviu o celular tocando. Não conteve um sorriso ao ver a foto de Rachel na tela.
— Oi, meu anjo.
— Atrapalho, princesa?
— Não mesmo. Estou indo para a aula de anatomia do outro lado do campus. Tenho alguns minutos de caminhada – brincou – O que posso fazer por você?
— Que bom que perguntou – dava para sentir a ansiedade na voz da morena – Estou ligando para te convidar para almoçar comigo. Temos alguns assuntos para discutir.
Quinn achou estranho, mal se conheciam, não entendia que assunto teriam para discutir. Ficou curiosa.
— Não estou entendendo, Rachel.
— Confie em mim, princesa. Só quero conversar.
E, por mais estranho que ainda parecesse, Quinn confiava em Rachel. Aqueles olhos castanhos e o sorriso mais iluminado que ela já conhecera a fazia se sentir bem.
— Está bem. Onde te encontro?
— Te espero na porta do seu dormitório, onde te deixei mais cedo. Uma da tarde. Não se atrase – Rachel respirou aliviada.
— Até daqui a pouco então.
Rachel foi para casa trocar de roupa e pegar suas coisas para as aulas que teria no período da tarde. No caminho, mandou mensagem para Kurt explicando por alto o que estava acontecendo e o que precisava que ele fizesse. Não demorou para receber uma resposta animada do garoto. Era bom saber que podia contar com ele. Pela primeira vez em muito tempo estava se sentindo feliz e tinha a sensação de que, de alguma forma, Quinn mudaria sua vida.
Uma hora em ponto Rachel estacionou e Quinn já a esperava. Lhe deu um beijo no rosto assim que a loira se sentou ao seu lado.
— Tudo bem, Quinn?
— Sim e você?
— Melhor agora. Vamos? – Quinn concordou.
A morena saiu com o carro. Dirigiu por alguns minutos até chegar ao seu restaurante preferido. Era rústico e perdido no meio da cidade, a comida era ótima, mas nunca estava cheio demais. Rachel já tinha reservado uma mesa para as duas, no fundo do salão. Fizeram seus pedidos e a morena achou que seria bom colocar suas cartas na mesa.
— Acho que está curiosa para saber por que te chamei aqui.
— Para ser honesta, estou. Não que sua companhia seja ruim – brincou – Aceitaria almoçar com você de qualquer forma, mas estou curiosa.
— Vamos do começo então – respirou fundo – O nome Hiram Berry lhe diz alguma coisa?
Quinn se engasgou com o suco.
— Se diz alguma coisa? Ele é reitor de Columbia, o neurocirurgião mais conceituado do país. Já li todas as publicações dele.
Rachel sorriu, aquilo seria ainda mais interessante e divertido do que imaginou.
— Você é praticamente uma fã enlouquecida dele? – brincou.
— Algo do tipo – respondeu tímida – Ele é brilhante. Mas por que a pergunta?
— Talvez não tenha me apresentado adequadamente ontem, Quinn – a morena estendeu a mão para ela – Rachel Barbra Berry, é um prazer conhece-la.
— B-berry? Vo-você...
— Hiram é meu pai, Quinn – Rachel confessou.
— Ah meu... Meu Deus – Quinn estava branca como cera.
Rachel notou que Quinn estava prestes a surtar e não da maneira que ela esperava.
— Quinn, por favor, respira. Toma um pouco – lhe entregou o suco – Quero que me escute com atenção, está bem?
Quinn não conseguia falar. Estava com a filha de Hiram Berry, tinha passado a noite com ela. E a forma como tinha acontecido não era das mais apropriadas. Sentiu o corpo enfraquecer.
— É o seguinte... Ontem, quando me contou sobre seu sonho e onde estudava, quase surtei. Quer dizer – a morena pontuava – Quais as probabilidades, certo? E te achei tão encantadora, Quinn. Quando foi tomar banho, admito que mexi no seu casaco e vi sua habilitação.
— Rachel, o que... Só vá direto ao ponto. Estou quase tendo um colapso e correndo daqui de tanta vergonha.
A diva segurou firme as mãos de Quinn por cima da mesa, com medo da loira sair mesmo correndo dali.
— Não precisa sentir vergonha. Só me escute e prometo que vai ficar tudo bem.
Quinn respirou fundo, apertando a mão de Rachel com força. Podia sentir o corpo tremer, mas continuou onde estava.
— Então, depois que te deixei hoje cedo, fui até o escritório do meu pai – Rachel continuou – O questionei sobre você e só ouvi elogios.
— Ele sabe quem eu sou? – perguntou surpresa.
— Mais que isso, Q. Parece que você é a aluna mais promissora a aparecer em Columbia na última década. E todos os seus professores te acham brilhante – Rachel exibia seu melhor sorriso – E alguma coisa sobre você ter um Q.I acima da média.
— Algo assim – concordou tímida.
— Expliquei para ele o que aconteceu com você, sobre o que seus pais fizeram, e...
Rachel foi interrompida pelo toque de seu celular. Era Hiram.
— E por falar nele – sorriu – Me dá um minuto? – pediu, levantando-se.
Quinn assentiu. Ficou tentando adivinhar onde Rachel queria chegar com toda aquela conversa. Um pouco depois a morena voltou, ainda mais radiante.
— Era meu pai. Pediu para você passar no escritório dele assim que voltarmos do almoço.
— Por quê? – perguntou assustada.
— Não entendi muito bem, mas é sobre sua bolsa de estudos. Parece que vai ter que estagiar em Columbia ou algo do tipo.
— Bolsa? Estágio? Rachel, do que você está falando? – Quinn tinha um meio sorriso no rosto, incrédula.
— Você é boa demais para desperdiçar seu tempo... fazendo o que estava disposta a fazer ontem à noite, Quinn.
— Não sei como agradecer, Rachel.
— Você merece. E tem mais uma coisa.
— O que?
— Vai se mudar lá para casa. Tem um quarto sobrando e você precisa de um lugar tranquilo para estudar e descansar.
— Como assim, Rachel? – Quinn estava surpresa.
— Nossa casa é grande. Kurt e Mercedes, meus amigos, moram com a gente também. Meus pais adoram a casa cheia – a morena estava animada – Então pensei... Você precisa de um lugar para ficar, nós temos espaço. O que me diz? – pediu esperançosa.
— Rachel, não sei. Não sei o que dizer – Quinn estava tonta com tanta informação.
— Só precisa dizer sim. Vai ser divertido, prometo – sorriu – E, se todos os meus argumentos ainda não te convenceram, meu pai vai estar lá.
— Está bem. Me convenceu – se acalmou – Sim, Rachel.
Rachel ficou tão animada que pulou da cadeira e abraçou Quinn. A loira mal conseguia absorver tudo o que estava acontecendo. Em um dia sua vida estava uma completa bagunça e no outro uma bela morena aparecia e colocava tudo de volta aos trilhos. Só podia ser um sonho, e se fosse, ela não queria mais acordar.
Terminaram de almoçar e saíram do restaurante. Quinn estava tensa, eram muitas mudanças para assimilar tão rápido. Rachel parou em frente ao escritório do pai para deixar Quinn.
— Sabe onde fica o escritório do reitor. É só subir as escadas e pedir para que a secretaria o chame. Ele já está a sua espera.
— Não vai subir comigo?
— Não, mas não se preocupe. Hiram é legal – riu – Preciso ir para minha aula. Sábado de manhã passo aqui para te levar para casa. Deixe tudo arrumado.
Rachel deu um beijo demorado no rosto da garota. Já sentia falta de estar com ela.
— Te ligo mais tarde para saber como foi. Tenha um ótimo dia.
Quinn ficou parada por um instante. Seu dia já estava perfeito, como poderia melhorar? Era surreal o que a pequena diva a fazia sentir em tão pouco tempo. Respirou fundo, retomando o controle de suas ações e entrou.
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