Angel without wings 2.0
2 Destino
Notas iniciais
— Toma uma taça de vinho comigo? – Rachel pediu.
— Claro.
A diva serviu duas taças e ofereceu um brinde à Quinn. Notou o quão lindo eram seus olhos, de um castanho esverdeado desconsertante.
Comiam em silencio. Era realmente incrível a beleza daquela garota. Prestava atenção a cada pequeno movimento.
— Então, você estuda em Columbia. Mora no campus?
— Sim. Desde que meus pais pararam de mandar dinheiro, foi o que coube no orçamento – explicou – Mas minha colega de quarto é um pesadelo – riu – E você?
— Sou daqui mesmo. Moro com meus dois pais. As vezes acabo vindo para cá...
— Acho que não sou a primeira – Quinn brincou.
— É a primeira a sentar para jantar e conversar – respondeu, um pouco maliciosa – Gosto disso.
Quinn corou. Ficou imaginando o que aconteceria e, sendo honesta consigo mesma, Rachel a instigava. Não seria nenhum sacrifício passar a noite com ela.
— Rachel, você disse que era diferente. O que quis dizer? – questionou.
— Você prestou mesmo atenção ao que eu disse – riu – Certo – respirou fundo – Minha mãe biológica teve algumas complicações durante minha gestação. Quando eu nasci, meus pais perceberam que eu era diferente.
— Você é intersexual? – Quinn perguntou, tentando ajuda-la.
— Sim – sorriu envergonhada, tentando ler a expressão no rosto da loira.
— Interessante. É a primeira vez que conheço alguém como você – sorriu.
— Não me acha uma aberração? – Rachel franziu a testa, surpresa.
— Claro que não – Quinn respondeu horrorizada – Como alguém tão linda como você poderia ser uma aberração? Você só é diferente. E não tem nada de errado em ser diferente.
— Quinn, você é a garota mais encantadora que já tive o prazer de conhecer.
Rachel estava encantada com a reação da loira. Normalmente as garotas com quem ficava a olhavam com nojo e só faziam o que ela queria porque estavam sendo pagas.
Mas Quinn era diferente. O modo como a olhava naquele instante, com os olhos brilhando de curiosidade e entendimento, aqueceu seu coração.
Quinn gostava cada minuto mais da morena. Era segura de si e ao mesmo tempo, parecia tão frágil. Como um bichinho de estimação. Notou que apesar da força que demonstrava, Rachel precisava de alguém que cuidasse dela. E, por um segundo, quis muito ser esse alguém.
Terminaram o jantar em silencio, apenas observando uma a outra. Sentiam-se em paz ali.
Rachel levantou e puxou a cadeira de Quinn para trás, estendeu a mão e levou o corpo da garota para perto do seu com delicadeza. Por um breve momento, Quinn sentiu o hálito quente da menor em seu pescoço e sentiu o corpo todo arrepiar.
— Está gelada, Quinn – a diva comentou – Tome um banho quente para relaxar. Vou pedir para tirarem a louça suja do quarto enquanto isso – sorriu – Pode usar o roupão que está pendurado no banheiro, está limpo – deu-lhe um beijo leve no rosto e se afastou.
Quinn ficou parada no mesmo lugar, sem ação. Tentava absorver o que estava acontecendo. Sua noite com toda a certeza estava sendo incrível. Respirou fundo e foi para o banho. A água quente realmente ajudou-a a relaxar.
Aproveitou para colocar os pensamentos no lugar. Era a primeira vez, em quase dois meses, que não sentia medo. Rachel, praticamente uma estranha, lhe passava mais segurança do que seu pais jamais passaram. Eles a abandonaram outra vez. Não cuidaram dela como, supostamente, pais deveriam cuidar. E aquilo a deixava com muita raiva. Respirou fundo e voltou seus pensamentos para a bela morena que a esperava no quarto. Se a situação não fosse tão absurda seria incrível passar mais tempo com Rachel.
Rachel estava sentada na cama, perdida em seus próprios pensamentos. Parecia que pela primeira vez em sua curta vida, tinha a chance de fazer algo por alguém. Alguém que realmente merecia. Se a situação toda não fosse tão surreal, adoraria ter Quinn presente em sua vida.
Sem tentar frear seu impulso, a morena levantou e pegou o casaco que a loira tinha deixado em cima da poltrona. Procurou rapidamente pelos bolsos até encontrar o documento de Quinn. Tirou uma foto com o celular e devolveu tudo para o lugar bem a tempo de ouvir o chuveiro ser desligado.
Quinn saiu do banheiro vestindo um roupão branco, secando os cabelos com uma toalha.
— Quinn, com todo o respeito, você está deslumbrante.
O comentário a fez corar. Agradeceu em silencio e sentou-se ao lado de Rachel na cama, sem saber como agir. Notando seu desconforto, a morena se levantou.
— Vou me arrumar, já voltou.
Levou quase vinte minutos para trocar a roupa e fazer sua higiene. Quando retornou, Quinn estava exatamente no mesmo lugar, fitando os próprios pés, distraída.
— Está tudo bem, Quinn? – Rachel perguntou.
A garota voltou sua atenção para ela e ficou boquiaberta com o que viu. Rachel vestia bermuda preta larga e uma regata branca colada ao corpo. Notou os seios perfeitos e as coxas bem torneadas, a visão mais perfeita do mundo. Sentiu sua respiração pesar e o coração acelerar um pouco. Não conseguia dizer nada coerente naquele momento.
Rachel achou fofo o modo com a outra lhe analisava. Quinn analisava cada centímetro de seu corpo e parecia gostar do que via. Voltou a se sentar na cama.
— Não precisa babar, princesa – brincou.
— Ow, me desculpe. Eu... – Quinn gaguejou, sentindo o rosto queimar de vergonha.
— Tudo bem. Estamos empatadas. Você já me viu babar por você agora a pouco – sorriu, tentando acalma-la – O que acha de nos deitarmos para descansar? Se não me engano, nós duas temos aula bem cedo amanhã.
— Acho que tem razão. E bem cedo – respondeu.
— Fique à vontade – Rachel apontou para a cama, deixando que a loira escolhesse onde queria ficar.
Quinn não se opôs, sentindo-se exausta de repente. A morena se deitou ao seu lado, a puxando contra o próprio corpo, fazendo com que descansasse a cabeça em seu peito. Pode ouvir o coração da morena batendo contra o ouvido.
— Tudo bem se te abraçar assim, Quinn? – pediu permissão.
— Assim está ótimo – respondeu, se ajeitando melhor ao corpo da morena.
— Boa noite, Q – deu um beijo na testa da menina fechando os olhos.
— Boa noite, meu anjo.
E foi a noite mais tranquila de sono das duas em muito tempo.
O celular de Rachel tocou exatamente às seis da manhã. Ela abriu os olhos devagar, observando a garota ao seu lado, ainda estavam na mesma posição. Sorriu ao perceber o quão em paz Quinn dormia. Sentiu a respiração dela em seu pescoço e arrepiou.
Levantou o mais devagar e silenciosamente que pode para não a acordar e foi para o banheiro se arrumar. Deixou que dormisse mais um pouco enquanto pedia o café da manhã. Vestiu-se e foi até a loira, a chamando baixinho.
— Quinn, acorde. Já clareou, princesa.
A loira se espreguiçou sem abrir os olhos. Rachel sorriu a achando perfeita mesmo com o rosto amassado de sono.
— Bom dia, princesa. Dormiu bem? – perguntou.
— Melhor impossível, meu anjo – respondeu sentando-se devagar.
Rachel parecia mesmo um anjo ali ao seu lado. Um anjo pronto para sair. Quinn sentiu uma pontada de tristeza lhe atingir. Eram os últimos minutos que passava com a morena. Queria ter o poder de prolongar aqueles instantes para sempre.
— Já pedi para trazerem nosso café. Melhor se apressar se não quiser chegar atrasada para sua aula.
— Que horas são?
— Quase sete. Eu te deixo no campus, não se preocupe.
Quinn respirou fundo e foi se arrumar. Tomaram o café em silencio, mas não se sentiam desconfortáveis, pelo contrário. Rachel aproveitava para repassar em sua mente o que precisava fazer. Perderia suas aulas da manhã, mas seria por um ótimo motivo. Precisava agir o quanto antes.
Quarenta minutos depois, Rachel parava o carro em frente ao prédio de dormitórios de Columbia. Quinn desceu, deu a volta e parou na janela do motorista.
— Obrigada por tudo, Rachel. A noite foi muito agradável – não pode evitar que um sorriso triste tomasse seu rosto – Foi um prazer te conhecer.
— Foi incrível, princesa. Será que podemos nos ver de novo? – pediu, quase implorando.
— Eu adoraria – Quinn respondeu animada.
Rachel anotou seu número no celular da loira e Quinn fez o mesmo no dela.
— Eu te ligo mais tarde. Não fuja de mim, ok?
— Essa possibilidade não passou por minha cabeça – respondeu brincando – Mesmo porque você sabe onde eu moro.
Rachel ficou observando a loira entrar no prédio. Sentiu uma pontada no peito. Precisava resolver logo as coisas para poder encontrar Quinn novamente. Pegou o celular e ligou para o pai.
— Pai, já está no escritório?
— Acabei de chegar. Onde passou a noite, Rachel Berry? – perguntou sério.
— Precisamos conversar. Chego aí em dez minutos.
Não esperou por uma resposta, jogou o celular no banco do passageiro e saiu cantando pneu. Estacionou em frente ao escritório e só lembrou de travar as portas do carro antes de correr pelas escadas.
Hiram Berry a esperava na porta da sala. Notou a agitação da filha, o brilho no olhar e soube que algo tinha mudado em sua pequena estrela. A garota o abraçou animada.
— Pai, o que sabe sobre Lucy Quinn Fabray? – disparou sem rodeios.
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