Angel
1 Caindo, queimando, esquecendo.
Notas iniciais
No início, era apenas eu. Eu descendo rapidamente, alcançando a velocidade da luz. Meus cabelos imensamente grandes pegavam fogo e consequentemente diminuíam. Minha pele extremamente branca corava e se bronzeava. Eu estava pegando fogo, e descendo imparavelmente. No momento em que atravessei a última camada rarefeita da atmosfera, eu pude perceber. O fogo queima, e muito. Dando de cabeça em uma calçada qualquer, minhas chamas azuis se espalharam para todos os lugares, e uma fumaça subiu. Sorte minha que a rua estava vazia. Eu olhei para o céu, vi cinzas caindo. Meus amigos pareciam poeira dessa distância.
Depois disso eu adormeci, sentindo meu corpo esfriando, e em seguida sentindo muito frio pelo clima no local. Sonhei com um lugar que parecia muito com a minha casa: Era um amontoado de nada. As diferenças, é que ele era branco, e não tinha ninguém. Eu corria para os lados, eu sentia... desespero? medo? total solidão?
"Eu não consigo mais... eu não consigo bater minhas... A pancada foi forte assim? Eu não consigo lembrar mais de..."
E assim eu perdi a memória em meio o sonho. Eu acordei e várias perguntas ecoaram em minha cabeça. Quem era eu? De onde vim? Porque eu estava sentada em uma calçada e encostada em um poste de luz?
Já era de dia, haviam pessoas andando de um lado pro outro, ignorando todos os meus cortes, queimaduras e feridas, desviavam seus olhares e as vezes até riam. Eu tentei me levantar, completamente fraca, até que me acertaram uma pedra na cabeça, e eu caí de volta. Um bando de crianças mal educadas vieram me chutar, e me bater, até duas pessoas chegarem.
—Saiam daqui! deixem a garota! — Um senhor de aproximadamente 40 anos, e um garoto atrás dele, vieram espantando as crianças— Você está bem, senhorita? —Ele estendeu a sua mão para me levantar, e eu assustada engatinhei para trás do poste.
— A gente não vai te machucar, não precisa ter medo —Disse o garoto do lado dele. Fui me aproximando até pegar na mão do senhor, que olhou perplexo pro meu braço.
—Meu santo deus! Você está toda mutilada! Venha conosco menina, vamos cuidar destas tuas feridas. Diga-me seu nome!
—Meu nome...? Eu... deveria ter um? — Eu não me lembrava nem do meu nome, a situação tava feia mesmo.
—Meu nome...? Eu... deveria ter um? — Eu não me lembrava nem do meu nome, a situação tava feia mesmo.
—A situação está pior que eu pensava! Victor, pode continuar indo ao mercado? Sua mãe não me perdoa por nada se eu esquecer essas compras.
— Mamãe não vai te perdoar por estar te levando uma mendiga para casa!— Disse o garoto já indo.
—Eu sei...— O velho disse pra si mesmo — Venha cá garota, nós vamos cuidar da sua memória, da sua pele e consertar esses trapos que veste — Ele me pegou no colo, e me levou rua afora.
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