Angel
2 Conhecendo novas pessoas
Notas iniciais
Chegando em frente a uma grande casa, o senhor me pôs encostado a cerca, e procurou as chaves no bolso. Eu parei pra observar aquela casa. Tinha um belo jardim, com flores bem ornamentadas e uma macieira de causar... inveja? Não sei. Ela tinha 3 andares e algumas janelas. Ela tinha cor cinza, como todo o clima do lugar: Nublado, frio e solitário. A única coisa marcante ali, era aquele jardim.
—Ah, achei a chave. Vamos, entre! —Ele abriu o portãozinho e me guiou até a porta de entrada da casa, onde abriu e me colocou sentada em um sofá vermelho. Não passou muitos segundos e ouvi gritos vindo do que parecia ser a cozinha.
—Oque? Você enlouqueceu de vez Antônio? Não temos nem a comida de hoje, que aliás, eu pedi pra você comprar, como você acha que vamos sustentar mais uma boca? E prejudicada ainda! —Parecia voz de uma velha mulher. “Antônio deve ser o senhor que me trouxe até aqui” pensei.
—São cinco filhos Rosália! Acho que não temos problema em sustentar temporariamente mais alguém. Tente pelo menos conhecer ela! —Antônio tentou me defender.
Em seguida apareceu na minha frente, uma mulher aparentemente nervosa, tão velha quanto Antônio. Ela tinha os cabelos brancos, presos em um coque, e um vestido azul com alguns retalhes de renda.
—Então garotinha. Nome, idade e de onde veio, agora. — Ela realmente não parecia nada feliz com minha presença— Anda, estou esperando!
—Eu não sei...
—Oh, quem me garante que você não é apenas uma pequena marginal? — “Ai! Isso machucou!”
—Me desculpe mas, eu não sei.
—Oh, Rosália, por deus! Encontramos a menina na rua apanhando! Não acredita mesmo que ela é uma marginal, não? —Antônio continua me defendendo.
—Eu só estava test... Nosso filho Antônio! Onde você deixou Vitor? — Ela entrou em raiva intensa, estava completamente vermelha!
—Ele foi comprar os ingredientes pro almoço. Eu sei que você ficaria nervosa se nós não comprássemos.
—Ainda bem que você me conhece nisso... Pode levar essa rapariga para o nosso quarto, mais tarde damos um jeito nela. — Que intenso... talvez seja a primeira vez que eu esteja sentindo vergonha, talvez?
Antônio me levou no colo escadas acima, onde abriu uma porta no 2º andar que deu em um quarto (aparentemente o quarto dele com Rosália). Ele me pôs em cima da cama, me cobriu com dois cobertores e foi em direção a porta.
—Volto já com um kit de primeiros socorros, aguenta aí! —E foi.
Estranho. O que é estranho? Toda essa série de emoções que eu não havia identificado. Digo... Vamos fazer uma retrospectiva até aqui: Eu apanhei, fui acudida por um senhor de cabelo e bigode branco chamado Antônio, e um garoto magro, moreno chamado Victor. Cheguei carregada até aqui, onde fui interrogada por uma mulher e... agora eu estou aqui. Tudo aconteceu tão rápido, mas tão detalhadamente ao mesmo tempo. Do lado de fora da janela atrás da cama, eu posso ver aquele belo jardim... Queria ficar observando ele por um tempo.
—Oi? —Uma garotinha, bem menor do que eu, estava ali na porta. Ela tinha cabelos vermelhos, e olhos castanhos. Carregava uma chupeta na boca, e um ursinho de lacinho verde nos braços. E por incrível que pareça, estava usando roupas muito curtas para o clima frio dali. — Qual o seu nome? — Eu dei de ombros —Não sabe o seu nome? —Ela chegou mais perto, e sentou na ponta da cama.
—Desculpa, eu não me lembro. —Eu falei meio vermelha.
—Então você fala? São duas revelações em menos de 2 minutos! Vai devagar! —Meu primeiro contato com a ironia depois de acordar.
—Hey, é claro que eu falo... eu sou estou com.... vergonha?
—Porque falou como se fosse uma pergunta?
—Eu acabei de acordar... não sei bem quem eu sou, não sei de onde vim, da minha idade... não sei o que sinto, afinal. —Ela fez uma cara de surpresa.
—Mas isso é uma ótima oportunidade! Você pode se redimir dos seus erros! Ter um nome que escolheu! Ser uma pessoa nova! —Nem parecia uma garotinha falando— Então, eu sou melissa, e você?
—Eu continuo não sabendo, melissa.
—Então vamos te dar um nome... que tal Maria?
—Como mãe de Jesus? É muito peso pra um nome só. Eu posso ter sido uma pessoa horrível para carregar esse nome.
—E que tal... Ma... Ma... Madeline?
—É um nome lindo! Fique à vontade se você quiser me chamar assim! —Nesse momento, Senhor Antônio entrou com a caixa de socorros no quarto, assustando um pouco melissa.
—Parece que você já conheceu nossa nova amiga, Melissa! —Ele começou a desenroscar uns frascos marrons.
—O nome dela agora é Madeline, Papai! —Eles sorriram pra mim— E a sua idade? Você tem cara de ter uns...
— 15 anos! —Interrompeu Antônio — Você tem a mesma estrutura de Victor, mas parece ser mais baixa.
E assim a manhã foi. Eram mais ou menos umas 9 horas quando isso tudo aconteceu. E bem... Foi simplesmente eu, Antônio, e Melissa conversando e rindo sobre mim, e tentando descobrir minha história, enquanto Antônio me enchia de curativos e pomadas. Não mudou muita coisa a partir de 12:00 também. Digo, tive que comer sopa na cama, e eles se juntaram a mim, até que melissa teve a ideia de apresentar as pessoas da família, apenas conversando.
Ela me ‘Apresentou’ Rosália, ou Rosa, como quiser chamar (Embora eu já tenha conhecido ela). Ela é algo como a mãe das 5 crianças da casa, e é casada com Antônio. Melissa disse pra e não me assustar com seu jeito bruto, ela passou por muitas coisas, e a amargura a deixou assim. Mas melissa é uma criança ingênua, e enxerga os doces e comidas que ela faz como uma boa parte de ter uma mãe como Rosália.
Apresentou-me Armim e Nicole, que são irmãos gêmeos. Os gostos são os mesmos: Rock, Jogos, Séries, Filmes e etc. Mas hoje eles são totalmente diferentes um do outro na aparência, pois eles tiveram modas iguais, mas estilos diferentes. Por exemplo, Armin Tem um cabelo azul escuro fixo, e usa roupas de bandas, e além de rock, curte também indie. Já Nicole, tem um cabelo de cor diferente a cada 1 mês. Ela tem roupas dignas de uma daminha vitoriana, e curte além de rock, pop coreano, japonês e americano. Melissa reclama que ela passa metade da vida dela presa no quarto jogando jogos que ela não entende o que são.
Disse também de Victor. Ela reclamou que ele é outro que vive dentro do quarto jogando coisas, e que ele e Nicole ficam se falando via chat. Eu me lembrava dele, é o garoto que me socorreu junto com Antônio. Ele era meio magro, tinha cabelos castanhos e olhos também. Melissa disse que ele era uma pessoa feliz, mas de uns tempos pra cá ele veio se tornando mal humorado e se trancado mais ainda em sua fortaleza.
Apresentou Antônio, que no momento ainda estava me enfaixando e enrolando em pomadas cicatrizantes. Ela disse que ele era uma pessoa muito solidária e sempre faz o possível pra deixar as pessoas felizes. Completo oposto de Rosália. Ele é baixinho, e tem um bigodinho simpático! Melissa me contou que ele trabalha com jardinagem e ornamentação, talvez o motivo de aquele jardim ser tão chamativo seja esse.
Ela apenas não se apresentou, mas acho que é o bastante pra saber que ela é uma pessoa sociável e muito simpática! Digo, é uma boa companhia para dias chuvosos e... o que eu estou falando? Conversamos até o momento ouvimos uma porta bater.
—Acho que Victor chegou com as compras, eu vou lá ajudar ele, já que acabei de te ajudar com as feridas —Disse seu Antônio indo em direção a porta.
— Eu vou também, vou voltar a ver meu desenho... você quer ver Madeline? —Melissa me perguntou antes de ir embora.
—Não, obrigado... prefiro só ficar aqui.
—Pode descansar Madeline... Eu vou estar lá embaixo. Vai demorar, pois vamos organizar as compras, fazer comida, almoçar e depois eu venho aqui trazer um pouco pra você! —Antônio disse, e em seguida eles foram.
Nada de errado, eu iria apenas dormir, não? Não. Eu demorei pra pegar no sono. Fiquei pensando em coisas como “Não vou poder ficar aqui para sempre”, “Rosália me desaprovou completamente” e por último “Que diabos é um jogo?”. Esse não eram os piores problemas que eu podia ter. O pior problema era: Eu tive um sonho... E meu amigo... foi o sonho.
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