Angel
6 You're Back!
Notas iniciais

{Pov Angel}
Meu nariz voltou a sangrar no meio da noite, fiquei um bom tempo sentada no chão com a cabeça baixa mirando no pequeno balde. Legal, tudo o que eu precisava á essa hora da noite era de um nariz sangrando. Eu já podia sentir minha força me invadindo novamente, mais da metade dos meus cabelos já estavam brancos, meu olho já recebia um vulto como campo de visão.
Mas isso me preocupava de certa forma, porque toda vez que eu me transformava eu não tinha consciência dos meus atos, eu nunca me lembro com clareza de nada do que fiz quando estava assim, e isso me preocupava muito.
Assoei o nariz para ver se parava mas só piorou, e então algo estranho aconteceu, num impulso eu recebi toda a força que me restava, e meu nariz parou de sangrar. Encostei na parede e fiquei olhando o teto, de uma coisa eu tinha certeza, essa forma não me deixaria dormir tão cedo.
Mas algo bem mais estranho aconteceu logo em seguida, minha preocupação de ficar naquela forma foi tamanha que com um estalar de dedos eu estava normal de novo. Aquilo fez meu estômago revirar, e eu só não vomitei porque não tinha mais nada no estômago. Respirei fundo enquanto tentava processar tudo o que havia acabado de acontecer. Será que então eu posso controlar isso?
Respirei fundo e mentalizei que queria me transformar, mas nada aconteceu, pensei numa serie de coisas e nada. Bufei e tudo o que tive pra fazer foi apenas dormir.
{Terceira pessoa }
Já fazia algumas semanas desde que os dois haviam se encontrado, Bucky já estava pronto para sair da cidade, já que percebeu que ninguém havia seguido a garota, e percebeu também que ela estava bem segura sem ele. Ele partiria á noite, quando haviam apenas poucas pessoas nas ruas, ele não queria ser visto.
Angel estava faminta, dois dias sem comer era muito pra ela, e desde aquele incidente ela não se transformou mais, ela teria que dar seu jeito nessa forma mesmo, ela estava na cidade, pedindo esmolas para as pessoas, com medo de que a policia a visse. Já era bem tarde quando ela conseguiu alguns trocados, mas foi o suficiente para que ela comprasse um lanche.
Ela caminhou até a velha estrada, ela adorava aquele lugar, ninguém mais usava a estrada antiga, então era apenas um lugar vazio e solitário, onde, sem as luzes da cidade, ela podia observar a infinidade do céu, e apreciar a lua.
Ela se sentou no meio da estrada para comer, sentindo a leve brisa que ameaçava chuva.
Assim que ela terminou de comer se deitou e ficou observando o céu, sem as luzes da cidade ele ficava ainda mais lindo, e a lua estava gigantesca.
Angel ouviu alguns passos andando em sua direção, e se levantou rapidamente, com medo de quem poderia ser, já que ali era quase inabitável.
Quando ela se virou se assustou, era um homem bem grande, e tinha um sorriso estranho no rosto.
–Não é meio tarde para uma garotinha como você estar por aqui? –Ele perguntou se aproximando dela, Angel dava passos para trás, analisando por onde correria.
–Estou esperando meus pais, eles, estão chegando aqui. –Ela disse com a voz falhando, o homem riu.
–Se eu fosse seus pais eu nunca deixaria você assim, tão sozinha, vulnerável.
Angel tropeçou em uma pedra e caiu para trás, batendo a cabeça no chão com força. Ela ficou tonta na hora, sua visão turva, já não tinha mais poder sobre seu corpo, e por mais que ela tentasse ela não conseguia se transformar, como se seu corpo tivesse bloqueado aquilo, criado algum tipo de imunidade. Ela começou a chorar e tentou gritar, mas sua cabeça doía muito.
Alguns flashes estranhos a invadiram, lembranças talvez, mas quanto mais ela tentava se concentrar naquilo mais sua cabeça doía. Angel então acordou para a realidade quando sentiu sua blusa sendo rasgada. A vista continuava ainda turva, ela havia batido a cabeça com força em uma pedra.
–Socorro. –Ela gritou a pleno pulmões, mas sabia que ninguém iria a ouvir.
–Pode gritar o quanto quiser docinho.
Mas ela estava enganada, o soldado estava por perto, pronto para ir embora, mas ele reconheceu aquela voz, e saiu correndo, tentando acertar de que local vinha o grito, implorando mentalmente para que ela gritasse de novo, ajudando-o a achar o caminho certo.
O homem acariciou o corpo da garota com certa violência, apertando-a. Em seguida ela sentiu sua calça sendo puxada, e suas pernas sendo obrigadas a serem abertas, ela tentou levantar, mas não conseguiu se mexer, sua cabeça doía tanto. Ela soluçava de tanto chorar, e tentava novamente gritar, mas sua voz não saía dessa vez.
O soldado corria desesperado por entre a floresta de árvores, tentando achar a garota, mas nada.
–Angel? –Ele gritou e esperou por resposta. Ela o ouviu, e com toda a força que lhe restava gritou por ele.
–Bucky, por favor... –O homem não pode ouvir, ele não tinha uma audição tão boa quanto a dos dois, ele achou que a garota estava delirando e continuou ali.
Mas Angel não se deixaria vencer tão fácil, por mais que estivesse fraca, tonta, ela chutou o meio das pernas do homem e virando de costas arrastou o corpo sentindo a floresta de árvores, a voz do soldado havia vindo de lá, ou ela estava apenas delirando?
Quanto mais ela se arrastava, mais se machucava, a única peça de roupa que havia sobrado por enquanto era sua calcinha. Foi quando Bucky ouviu um urro de dor, e correu o mais rápido que pode. O homem havia puxado o cabelo da garota com violência, dando um forte tapa no bumbum da mesma.
–Então você gosta de violência? -Ele perguntou puxando mais ainda o cabelo da garota, e sua calcinha foi rasgada.
–Não, por favor, nãaao... -Ela gritava desesperada enquanto tentava escapar.
O homem estava distraído demais que não percebeu o soldado se aproximando. Angel sorriu ao avistar ele aparecendo pelas árvores.
–Você voltou. -Foi a última coisa que ela disse antes de desmaiar.
–Hey, porque não pega alguém do seu tamanho? -O soldado despertou a atenção do homem e sorriu, ele estava mesmo com vontade de matar alguém.
–Quem...o que é você? -O homem perguntou o fitando com medo, agora era ele quem dava passos para trás, pensando por onde fugir.
O soldado invernal andou calmamente até ele, e quanto chegou perto o suficiente acertou um soco em cheio no rosto do homem, fazendo-o cambalear a cair no chão.
Ele era muito forte, quebrou com facilidade alguns ossos no rosto do homem, que agora urrava de dor.
–Eu não ia fazer nada, eu juro, por favor não me mate. -O homem implorava.
–Ela pediu pra você parar, não pediu? E você não parou... -A arma foi apontada diretamente na cabeça do homem caído no chão.
Um disparo foi o suficiente para puxar Angel de volta a realidade, ela acordou puxando o ar com força, sentindo-se dolorida, tentou levantar, mas seu corpo todo doía.
Angel permaneceu caída no chão, estava acordada mas ainda estava distante, tentando focar a imagem do soldado que caminhava com passos firmes até ela. Tentou forçar um sorriso, mas sentia tanta dor por seu corpo que a única coisa que conseguia era chorar. Ele tirou a jaqueta de moletom, que estava ficando molhada pela fina chuva que caía e envolveu a menina, pegando-a no colo com cuidado.
–O que você estava fazendo aqui? -Ele perguntou respirando fundo.
–Você... voltou. –Ela disse lentamente, se engasgando com a própria saliva.
–Eu nunca fui embora. –Ele disse a fitando brevemente.
Só então ele percebeu a cicatriz no rosto da garota, e aquilo o invadiu como u choque, no mesmo instante o soldado caiu de joelhos no chão, e ficou fitando-a com o olhar distante, seu rosto encheu de água, e ele ficou preso em uma antiga memória.
Angel apenas o observava, tentando entender o que estava acontecendo, chamou ele duas vezes, mas nada, decidiu ficar em silêncio, esperando pelo que iria acontecer em seguida.
{ Flashback On }
Mais uma missão havia sido designada para o soldado, mais uma tarefa a ser cumprida com êxito, matar o primeiro ministro e toda sua família, isso era fácil para ele, apenas mais uma missão na sua lista, havia mesmo sido criado para matar.
Quando ele chegou na enorme mansão do primeiro ministro matou qualquer um que o impedira de entrar na enorme casa, os seguranças, as empregadas. E quando entrou percebeu que o ministro corria para o final de um enorme corredor, o seguiu, e ao abrir a última porta se deparou com a família unida.
O primeiro ministro, a esposa, e uma pequena garotinha, que de tão inocente sorriu ao fita-lo, ela deu um passo a frente, curiosa pelo jeito que ele se vestia, por aquele braço.
–Seu braço é engraçado. –Ela disse sorrindo e pronta para tocar o braço do mesmo, mas o pai da garota a empurrou bruscamente para o chão, quando percebeu que o soldado iria atirar, e um tiro acertou em cheio o pai, que morreu na hora.
Os gritos que se seguiram foram da mãe, a garota ficou tão chocada com aquela cena que não conseguiu nem ao menos se mover, ela ficou caída no chão, olhando chocada para o homem que tinha metade do rosto coberto. A mulher gritava e chacoalhava o corpo do marido morto, então outro disparo, e a mulher estava morta.
Ele tirou uma faca do bolso e caminhou lentamente até a garota que estava no chão, acertou em cheio o rosto dela, quase toda a face esquerda, só então a garotinha voltou a realidade e começou a chorar, tentou correr, sem nem ao menos saber para onde. O soldado a pegou pelo pescoço, e quando os olhares se fixaram ele não conseguiu fazer aquilo, não podia, soltou a garota, e ela saiu correndo, quando ele percebeu não conseguiu acha-la mais, onde quer que ela tivesse ido, ele esperava nunca mais vê-la. Pela primeira vez ele mentiu sobre uma missão, dando todos como mortos.
{ Flashback Off }
Fale com o autor