Angel
1 Who are you?
Notas iniciais
Os passos pesados deixavam marca naquele chão barroso, o corpo levemente ferido estremecia cada vez que as gotas de chuva chegavam até a pele ferida, sua visão estava turva, ele estava cansado, não sabia quanto mais aguentava, não sabia mais se estava sonhando, ou se aquilo realmente havia acontecido, resultado das tantas lavagens celebrais, ele não conseguia mais discernir realidade de memória.
Respirou fundo, se arrependendo logo em seguida, o ar gélido pareceu congelar seus pulmões. Ao longe, percebeu um grande tambor, de dentro do mesmo uma enorme chama amarelo avermelhada saía faiscante, aquecendo algumas pessoas que estavam ao redor, por um segundo teve um leve devaneio, achou que estava em alguma missão e teria de matar todos, mas antes que ele tivesse qualquer reação, sua consciência o abandonou, tornando tudo escuro, e seu corpo caiu no chão, sem mais forças.
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-Quem é você? –A pequena garota perguntou baixo enquanto observava o que parecia ser um soldado caído á sua frente.
Ela pegou todas as armas que encontrou com ele e as guardou na mochila velha, certificando-se de que ninguém mais havia o visto ali.
Angel respirou fundo, não queria juntar curiosos ali, não queria chamar a polícia, por causa das armas. Olhou em volta novamente, a maioria dos moradores de rua já estavam dormindo em seus cantos, e os que ainda estavam despertos, viajavam em suas alucinações devido aos entorpecentes usados.
-Você parece tão pesado. –Ela disse respirando fundo novamente. –Mas, vamos lá.
Angel começou a puxa-lo pela gola da roupa, descendo o barranco lamacento, ele era mesmo muito pesado, qualquer garota normal da sua idade não conseguiria nem tira-lo no lugar.
Angel tinha dezessete anos, era bem pequena pra sua idade, mas isso não importava pra ela. Seus cabelos eram tão brancos quanto algodão, ela não sabia por que, na verdade, na vida de Angel havia muitos “porquês” que ela desejava saber. Seus cabelos chegavam até a cintura, e sua grande franja cobria todo o olho esquerdo, como se fosse uma fortaleza para o mesmo, o único olho que ficava á mostra era de um tom azul quase branco, quem á via achava que ela era cega.
Angel nunca teve uma família, pelo menos ela não se lembrava de ter uma, ela não se lembrava de quase nada, apenas de acordar na “velha cabana” que era bem afastada da cidade, único lugar ao qual ela pode chamar de lar, não se lembra de como aprendeu tudo o que ela sabe, apenas vive seus dias assim, enquanto a luz do sol reina, ela fica na cabana, e á noite ela sai sem rumo, roubando o que consegue para sobreviver.
Algumas vezes ela impede alguns assaltos, não acha certo ladrões roubando de senhoras indefesas pela rua. Super heroína? Não eu acho que não, ela apenas não tem nada mais interessante a que fazer, e ela sempre ganha algum trocado das senhoras, ou roubando dos ladrões o que eles roubaram. Afinal de contas, ela precisa de dinheiro para se alimentar.
-Droga, o que você come? –Ela perguntou ao nada, já que o soldado que ela carregava ainda continuava desacordado.
Quando finalmente atravessou o milharal enorme ela avistou a cabana, e se empolgou em apertar o passo, não estava mais aguentando arrastar o corpo tão pesado.
Angel não tinha força assim o tempo todo, esse dom a abandonava sempre, e ela voltava a ser uma garotinha normal de dezessete anos com olhos cor de mel e cabelos ruivos.
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To be continued...
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