Angel
2 Wake up!
Notas iniciais

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O rádio velho estava ligado, Angel o havia deixado ligado, capturando o sinal da policia, como sempre, ficando ligada em tudo o que acontecia na cidade, era um dos seus passatempos favoritos, já que ela não tinha muita opção do que fazer. Angel até tinha uma lista de criminosos que ela gostaria de dar uma surra.
A cabana onde morava era muito simples, e estava quase caindo aos pedaços, era dividida em três cômodos, o maior, era seu quarto, onde havia um colchão velho e uma maca de aço com amarras, ela nunca entendeu o porque daquilo estar ali, mas nesse momento agradeceu mentalmente, pelo menos poderia deixar o homem tão misterioso preso ali. Havia também uma cômoda que ela mesma havia feito, pegando várias madeiras que achava no caminho, e esse era o local onde ela guardava as poucas roupas que tinha.
Na cabana também havia um pequeno banheiro, o qual para a sorte dela funcionava até que bem, mas não havia chuveiros, ela tinha de tomar banho no lago que ficava perto da cabana, as roupas também eram lavadas lá.
E o outro cômodo ela usava como cozinha, havia roubado uma mesa de plástico uma vez, e as cadeiras quebradas ela encontrou na rua, e deu seu jeito de concertar. E a cozinha também era seu “posto de trabalho” onde ela ouvia atenta a rádio da polícia, pegando tudo o que sabia dos ladrões, correndo atrás dele, roubando o que eles tinham roubado, e os deixando presos para que a polícia os encontrasse.
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Quando finalmente Angel entrou dentro da cabana, ela arrastou o homem até seu quarto. Com um pouco de dificuldade conseguiu tirar as roupas dele, já que em algumas partes o sangue havia secado e grudado à roupa aos ferimentos. Ela jogou as roupas em um canto qualquer, depois ela daria um jeito.
Angel encheu um pequeno balde de água, e com ajuda de um paninho velho começou a cuidar do homem estranho, só então ela percebeu que seu braço era de metal, biônico, observou aquilo por alguns segundos, quem poderia ser ele? Ela se perguntava o tempo todo, porque um homem com uma face tão calma, tão angelical estava portando tantas armas, estava lutando pelo que?
Ela molhou um pouco os cabelos dele, com medo de que isso o fizesse despertar, limpou bem o rosto que estava cheio de lama e sangue, a boca inchada e cortada, um dos olhos levemente arroxeado.
Angel respirou fundo, e ao terminar, dessa vez com um pouco mais de dificuldade, conseguiu colocar o mesmo na maca de aço. Não viu necessidade em amarrar os pés, apenas passou a grossa pulseira de couro nos braços e barriga dele. E colocou um lençol sobre a cintura do mesmo.
Angel então saiu, deixando-o sozinho na cabana, foi até o lago, lavou as roupas dele como pode, lavou as dela, tomou um banho e caminhou novamente até a cidade, precisava comprar alguns medicamentos para ele, pelo menos alguma coisa para dor, e também precisava comprar comida.
Respirou fundo, não tinha muito dinheiro, e não poderia roubar, ela sentia sua força a abandonando aos poucos, a raiz dos cabelos brancos já começavam a ficar em um tom avermelhado. Com tudo o que tinha comprou uma sopa pronta e alguns analgésicos.
O vento gelado da noite cortava suas bochechas, já era madrugada, e o chuvisco novamente caía, ela apertou o passo, tinha certo medo de chegar em casa e ele não estar mais lá.
Angel foi embora brincando com a fumaça que saía de sua boca, era alguns dos únicos momentos em que ela era apenas uma garota normal, pelo menos ela se sentia assim, fantasiava em sua cabeça que estava indo para casa, onde lá haveriam pais preocupados a esperando, uma cama aconchegante, carinho, calor, comida. Uma lágrima escapou de seus olhos, ela secou rapidamente, não se permitia chorar, respirou fundo e adentrou o milharal.
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Á noite não havia energia na cabana, era tudo escuro, ela sempre improvisava uma pequena fogueira dentro do quarto, mas temendo que a fumaça fizesse mal ao homem ela ligou a lanterna que usava só em ocasiões especiais, não podia se dar ao luxo de deixar as pilhas acabarem tão rápido. A lanterna era grande, e iluminava bem o quarto. O homem continuava ali, do mesmo jeito que ela havia deixado, a respiração parecia voltar cada vez mais ao normal. Ela deixou a sopa e os medicamentos num canto, esperando que ele acordasse logo. Se deitou no colchão velho e tentou dormir, mas não iria conseguir isso com tanto sucesso, estava faminta, e o cheiro da sopa só fazia isso aumentar. Ela então ligou o rádio velho, sintonizando em uma frequência de músicas clássicas, deixando todos os seus pensamentos sumirem.
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Porque falavam tão alto? As vozes ecoavam em sua cabeça, fazendo-a latejar mais ainda, incomodando-o, e a música nem estava tão alta assim.
Ele tentava abrir os olhos, mas a luz que atingia em cheio sua face o impedia, a sensação era de que sua retina seria derretida se o fizesse.
O aço embaixo de si era tão gelado que parecia queimar suas costas, ele tentou se mexer, mas estava preso, as mãos e a barriga.
“Minhas roupas, minhas armas...O que está acontecendo?” –Ele se perguntou mentalmente, percebendo que um fino pano era á única coisa que preservava sua intimidade.
Com o braço de metal ele conseguiu se soltar, fazendo Angel acordar assustada e se levantar rapidamente.
–Você acordou. –Ela disse sorrindo empolgada, tinha medo de que ele morresse, devido aos tantos ferimentos.
Novamente ele tentou abrir os olhos, mas era quase impossível fazer isso, Angel percebeu e abaixou um pouco a luz da lanterna, se aproximando lentamente dele.
Ele tentava soltar o outro braço, a barriga, mas não conseguia se movimentar muito.
–Pode abrir os olhos agora. –A voz doce de Angel o fez parar e fita-la.
Ele abriu os olhos lentamente, e tentou focar a visão, mas tudo o que ele via era um borrão, ele estava muito fraco. Seu corpo caiu novamente para trás, a respiração ficando cada vez mais ansiosa, e uma dor forte atingindo em cheio seu corpo.
Angel acordou de seu devaneio e correu até os medicamentos e a sopa, enfiou um comprimido na boca dele, antes mesmo que ele questionasse e o obrigou a tomar água logo em seguida. Ele ainda não tinha forças para impedir tal ato, ele estava tão fora de si que nem sabia ao certo se estava sonhando, relembrando, vivendo.
–Você vai ficar bem. Agora precisa se esforçar para comer isso. –Ela disse enquanto com dificuldade fazia ele comer a sopa.
–Que, lugar... é esse? Quem é você? –Ele perguntou com dificuldade.
–Bom, isso é o que eu chamo de lar, e meu nome é Angel. Você vai ficar bem, agora coma isso. –Ela insistiu.
Assim que ele comeu tudo Angel ficou o observando, além de gemer pela dor ele começou a balbuciar coisas desconexas, deixando Angel curiosa.
–Bucky, eu não... minha missão... eu tinha... mata-lo... quem... Bucky...Bucky... –Ele dizia freneticamente, repetindo aquele nome sem parar.
Até que finalmente o silêncio reinou e ele pareceu pegar no sono, só então Angel também dormiu.
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