Angel
3 Strange!
Notas iniciais

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A claridade que invadia o cômodo agora não era mais da lanterna e sim do sol, que reinava com força no céu, mudanças climáticas que estavam deixando Angel nervosa, hora era sol, hora chuva. Ela respirou fundo e levantou com preguiça, a claridade era algo que a acordava com facilidade. Os cabelos já estavam ruivos até a metade, e os olhos metade cor de mel, metade azul claro.
Ela tomou um copo de água e seu estômago reclamou de fome, não estava sendo fácil ficar tantos dias assim sem comer. Passou as mãos pelo cabelo, arrumando-os e saiu, rumo ao lago.
Quando chegou pegou as roupas e sapatos do homem, que á essa altura já estavam secas, e encheu o balde de água. O sol fazia sua cabeça latejar, ela respirou fundo e caminhou preguiçosa até a cabana.
Quando chegou, ele estava do mesmo jeito, pegou o paninho e novamente o limpou, assim que acabou ela saiu a caminho da cidade, iria tentar ganhar alguma coisa de comer, ou tentar assaltar alguém bem indefeso, estava com muita fome, precisava de roupas para o homem, já que as dele não estavam numa situação muito boa, ela pensou mais no fato de esconder aquele braço.
Angel entrou numa loja, e sem que ninguém percebesse conseguiu roubar algumas roupas, enfiou tudo dentro da mochila e correu o máximo que pode. Parou no fundo de um restaurante, esperando que alguém jogasse comida fora, muita coisa dava pra se aproveitar. Quando o homem abriu a porta e viu que ela esperava por restos de comida ele sorriu.
–Vou arrumar uma coisa melhor que isso pra você. –Ele disse sorrindo, Angel sorriu de volta.
–Por favor, meu pai está machucado, se puder arrumar algo pra ele também. –Ela pediu manhosa, sabia ser convincente quando queria.
Depois de alguns minutos o homem apareceu com duas marmitas bem grandes de comida, aquilo pra ela daria para pelo menos dois dias, ficou bem feliz.
–Muito obrigada. –Ela agradeceu e enfiou na mochila com cuidado, deixando junto com as roupas que havia roubado.
Angel andou com calma até sua casa, não podia gastar muito suas energias, ela ainda precisava do pouco poder que a restava, afinal de contas o homem não iria conseguir se vestir sozinho.
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Já fazia um tempo que ele havia acordado, mas não conseguiu se mexer, nem abrir os olhos, estava paralisado, mergulhado em lembranças que estavam o invadindo, fazendo sua cabeça latejar.
Ele gritou, e mexeu seu corpo de forma tão brusca que seu outro braço se soltou das amarras. Só então ele acordou de seus devaneios, olhando novamente o lugar ao redor. Recordava pouco da noite passada, lembrava-se de uma voz doce falando com ele, um nome, Angel. Recordava-se brevemente de ser obrigado a comer e então apagou, com aquele nome na cabeça, Bucky.
Ele respirou fundo e tentou se levantar uma vez, sem sucesso, seu corpo doía muito. Tentou novamente e com o braço de metal arrancou com facilidade a fita de couro que prendia sua barriga. Ficou sentado um tempo, esperando a tontura passar, olhou ao redor, procurando por suas roupas, mas nem sinal delas, desceu da maca com dificuldade, e soltou um urro de dor quando se esticou, suas costelas pareciam ter sido moídas, reduzidas a nada, nesse momento até respirar doía. Mas ele era forte, não se entregava assim tão facilmente, se recompôs e caminhou lentamente, apoiando na parede.
Foi quando Angel chegou na cabana, e assim que entrou percebeu a sombra do homem refletindo no chão do quarto, ela colocou a bolsa no chão e caminhou lentamente até ele, com medo, sem saber o que esperar.
–Você precisa descansar. –Ela disse fazendo-o se assustar.
Ele a encarou com um misto de curiosidade, medo, receio. Pela primeira vez não sabia o que fazer, não sabia de mais nada, não sabia quem era. Ele cambaleou pra trás e caiu no chão, suas costelas estavam o matando.
Angel correu até ele e caiu ajoelhada ao seu lado, colocou a mão sobre o rosto dele, ele estava com febre.
–Você não pode ficar se mexendo assim. –Ela disse enquanto procurava um remédio.
Novamente enfiou o remédio na boca dele, obrigando-o a tomar água por cima, sem nem ao menos dar tempo para que ele raciocinasse.
–Quem é você? –Ele perguntou de novo, mas ela não respondeu dessa vez.
Com muita dificuldade Angel o arrastou até o colchão e o deitou lá. Ele tentou levantar de novo, mas ela o impediu. Pegou seu único cobertor bom, que ela usava só em ocasiões extremas, mais uma das coisas que ela não podia dar ao luxo de perder. Cobriu-o e ajeitou um travesseiro sobre sua cabeça.
–Fique quieto, eu trouxe comida.
Angel buscou comida para o mesmo, mas ele já havia apagado novamente, ela então deixou a comida ao lado da cama, e se sentou na cozinha, para comer um pouco a dela, estava faminta.
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