Angel
4 Scar!
Notas iniciais
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Assim que terminou de comer ela ligou o pequeno rádio, novamente música clássica, e se sentou do lado de fora da cabana, o sol ainda estava forte, mas uma árvore grande fazia sombra nela, e uma leve brisa tocava seu rosto, fazendo seus cabelos dançarem desengonçados. Ela respirou fundo, observando a imensidão do céu, e sorriu que nem uma boba quando viu dois pássaros brincando.
Angel ás vezes tentava lembrar seu passado, lembrar como foi parar ali naquela cabana, mas tudo o que ela conseguia era uma dor de cabeça forte. Ela se perguntava todos os dias se por um acaso ela tinha pais, e se eles estariam preocupados com ela agora, se eles estavam a esperando em algum lugar, se estavam a procurando, ou se eles simplesmente a abandonaram, por ela ser assim, estranha, por não ser perfeita como as outras pessoas.
Tudo o que ela carregava do seu passado era a cicatriz do lado esquerdo do rosto, uma enorme linha que começava na testa, passava pelo olho, até a bochecha, e ela escondia aquilo muito bem com os cabelos. Ela tinha perdido toda a visão, o olho esquerdo era apenas um globo branco com um borrão azul, mas quando ela se transformava, sua visão voltava, ficava normal, apenas a cicatriz permanecia.
Esse era outro fato que ela gostaria de entender, porque ela se transformava? Porque ela deixava de ser uma menina normal para ter uma super força? Porque não conseguia controlar aquilo?
Ela respirou fundo, saindo de seus devaneios, mal percebeu quanto tempo ficou sentada ali, foi quando ela ouviu um barulho vindo do quarto, e correu até lá, fazendo menos barulho quando chegou perto do quarto.
Ela encostou no portal que dava acesso ao quarto e ficou o observando, o homem estava sentado, com o cobertor enrolado na cintura, e atacando a marmita de comida que ela havia deixado para ele, ele comia com certa pressa, deveria estar faminto.
O olhar de Angel analisou cada parte do corpo dele, muitos de seus ferimentos haviam sumido, e outros pareciam bem melhores, rápido demais, quem quer que ele fosse ele também não era uma pessoa normal. Angel ficou feliz por um momento, por saber que não era a única estranha no mundo. Silenciosamente ela voltou para a cozinha, juntou as roupas e entrou no quarto, fazendo ele a fitar, mas logo em seguida ele voltou a comer, ignorando-a completamente.
Ela se sentou ao lado dele e o observou curiosa, isso estava incomodando-o, a mão dela foi de encontro direto com o rosto dele, na tentativa de saber se a febre tinha passado, ou ao menos diminuído um pouco, mas ele recuou, Angel insistiu, e num ato instintivo, o braço biônico segurou o pulso dela, Angel soltou um baixo gemido de dor e tentou se soltar dele, demorou um pouco para que ele percebesse que estava a machucando, e então soltou o braço da mesma.
–Eu estou bem. –Ele disse voltando a comer.
–Quem é você? –Ela perguntou enquanto massageava o próprio pulso.
Pela primeira vez um sorriso se esboçou no rosto dele, talvez porque essa era a mesma pergunta que ele se fazia. Mas logo o sorriso sumiu e ele nada respondeu, ficou em silêncio, não sabia nem mesmo o motivo de ainda permanecer ali, não sabia por que ainda não havia matado a garota e procurado sozinho o caminho de sua “casa”, seus criadores, os únicos que ele normalmente via e não tinha que matar.
Ele respirou fundo e olhou ao redor, fitou a garota brevemente e colocou a marmita no chão, ele estava mesmo perdido.
–Onde estão minhas roupas? –Ele perguntou olhando fixo para o chão, como se estivesse preso em uma memória distante.
E realmente estava, o nome Bucky ecoava em sua mente, e flashes o invadiam sem parar. Num ato instintivo ele começou a bater com a mão na cabeça, como se quisesse afastar aqueles pensamentos.
–Aqui. Bom, não dava pra salvar muita aquilo que você estava vestindo, então eu, peguei isso emprestado, espero que sirva. –Ela entregou as roupas para ele e permaneceu sentada o fitando, estava atenta aos seus movimentos.
–Quem é Bucky? Droga. –Ele pensou alto enquanto ainda batia na própria cabeça.
–Você repetiu esse nome à noite toda. Qual seu nome? –Ela perguntou curiosa, ele novamente riu.
–Meu nome, segundo meus... –Houve uma longa pausa, novamente parecia que ele estava preso em uma espécie de transe. – Soldado Invernal. –Ele deu um sorriso insano logo em seguida e se levantou.
Angel continuou o fitando, as sobrancelhas arqueadas, não sabia por que, mas esse nome a deixou muito desconfortável, fez sua cicatriz latejar.
–Imaginei que essa cueca ficaria apertada, por isso trouxe essa. –Ela disse jogando outra peça para ele.
Ele pegou a peça no ar e terminou de se vestir, tudo o que conseguiu salvar de suas roupas antigas foi o coturno, uma das luvas e a máscara, o resto estava mesmo bem rasgado. Colocou uma camisa preta de manga longa, perfeito para esconder o braço, e colocou a luva logo em seguida.
–Onde estão minhas armas? –Ele perguntou olhando ao redor.
–Gua- guardadas. –Ela gaguejou.
Ele respirou fundo e ficou de frente pra garota, ela se levantou num pulo, e foi dando passos para trás enquanto ele se aproximava. Foi quando suas costas bateram com força na parede, e ela não tinha mais para onde ir. O braço de metal envolveu o pescoço dela, exercendo muita força, poderia ter quebrado com mais apenas um movimento, mas ele não o fez, apenas ficou observando-a lutar pelo ar. Mas assim que os olhares se encontraram ele foi impedido de continuar, não conseguiu, não podia fazer aquilo, pela primeira vez não queria fazer aquilo. Ele a soltou, e ela caiu no chão, puxando o ar com dificuldade, seu organismo sentindo o perigo começou a se transformar, os cabelos lentamente voltando a ficarem brancos, a força a invadindo. Mas era uma coisa demorada, não acontecia de uma hora pra outra com um estalar de dedos. Mas o pouco de força que a atingira foi o suficiente para ela lhe dar uma rasteira, e o mesmo cair no chão com força. Angel tentou correr, mas o braço de metal grudou na perna dela com força, fazendo-a cair de cara no chão, Angel bateu o nariz com força, e não demorou para que seu nariz começasse a sangrar. Ela tentava chuta-lo, mas ele era muito forte. Ele a virou, como se ela fosse feita de papel, e prendeu a cintura dela em meio suas pernas, e novamente o braço de metal grudou no pescoço da mesma.
–Por...por favor...não...só quero ajudar... –Ela falava com dificuldade.
Ela se debatia, procurando por ar, a mão acertou em cheio o rosto dele, e como se tivesse o acordado ele parou, e se jogou para trás, saindo de cima dela, e a fitou com espanto. Angel novamente procurou por ar, mas dessa vez o nariz sangrando a impediu, ela se engasgou com o próprio sangue e desmaiou, seu corpo ficou ali, caído no chão, completamente imóvel, nem sinal de respiração.
O homem então correu até ela, e pegando-a pela cintura apertou com força a barriga dela, fazendo-a vomitar todo o sangue que a impedia de respirar, mas ela permaneceu inconsciente.
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