Angel
5 Goodbye!
Notas iniciais
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O soldado respirou fundo, observando-a, tentando acorda-la, mas Angel nem ao menos ameaçava abrir os olhos. Ele não sabia o que fazer, ele não havia sido programado para aquilo, não para salvar ou ajudar, e sim para matar, acabar com o serviço, nada de fazer pela metade, nunca fazer pela metade. Mas todas aquelas lembranças o invadindo, toda aquela sensação, aquele misto de sentimentos, estava o confundindo.
Depois do homem tê-lo chamado de Bucky, tanta coisa invadiu sua mente, como se aquilo fosse uma palavra chave para sua memória voltar, lenta e dolorosamente. Ele respirou fundo e deitou Angel no colchão, olhou para trás uma última vez e saiu da cabana, com o pequeno balde que Angel tanto usou para mantê-lo limpo.
Quando ele chegou perto do lago sentiu um misto de preocupação, a HIDRA poderia estar atrás dele, poderiam ter seguido a garota, quem sabe. Ele respirou fundo, não queria voltar a servir eles, ele queria apenas seguir seu caminho, sozinho, tentando descobrir seu passado, sem ter de obedecer a mais ninguém.
Bucky encheu o pequeno balde de água, e voltou com certa pressa para a cabana. No meio do caminho ele percebeu que havia uma falha no chão, e por cima uma pedra grande, provavelmente suas armas estavam ali, ele tirou a pedra com facilidade e ficou tentando imaginar como Angel conseguiu colocar aquilo ali. Ele ainda não havia percebido as mudanças da garota. Pegou todas as armas que conseguia esconder naquela roupa e deixou o resto ali, colocando novamente a pedra por cima.
Quando entrou no quarto, Angel já estava acordada. Ela estava sentada no colchão, o corpo apoiado na parede e abraçando as próprias pernas, ela estava chorando, assustada, e quando percebeu a presença dele ali ela chorou mais ainda.
Por favor, não me mate. Ela pediu enquanto abaixava a cabeça.
Ele respirou fundo e se aproximou dela com cautela, não queria assusta-la mais do que já havia assustado. Pegou o pedaço de pano e molhou na água, torcendo-o um pouco em seguida, ele então levantou o rosto dela pelo queixo, e cuidadosamente passou o pano sobre o nariz dela, limpando o sangue.
Angel ainda chorava, agora mais ainda, nunca ninguém havia cuidado dela. Angel não sabia se sentia medo, se sentia-se segura, feliz, ela o fitava nos olhos, vez ou outra seus olhares se encontravam, mas ele não mantinha contato por muito tempo. Para ele era difícil expressar qualquer tipo de sentimento, já que ele não tinha muito disso, raramente quando alguma lembrança o invadia ele sentia algo parecido à compaixão.
Ele respirou fundo, e quando ameaçou tirar o cabelo que caía sobre o olho esquerdo de Angel ela segurou a mão dele com força.
Por favor, aqui não. Ela pediu sem fita-lo.
Ele obedeceu, um pouco curioso. Ele queria dizer alguma coisa, talvez um obrigado por ela tê-lo salvado, talvez pedir desculpas, mas ele era frio demais para conseguir se quer balbuciar isso.
Você vai embora soldado? Ela perguntou manhosa, metade de seus cabelos já estavam novamente brancos.
Sim. Ele respondeu ríspido, frio.
Mas, você ainda não melhorou, devia ficar mais um pouco.
Todas as esperanças de Angel ter alguém pra chamar de família foram por água abaixo, ele não era a primeira pessoa que ela ajudava, e também não era o primeiro que ia embora.
Eu estou ótimo. Ele respondeu se levantando e jogando a água fora pela janela. Parecia analisar o local meticulosamente.
Não, não está. Você acha que está.
Ele riu pelo nariz e a fitou brevemente, era realmente a primeira vez que alguém conseguia fazer ele rir.
Eu estou ótimo, descanse um pouco. Ele disse enquanto ia para a cozinha.
Ela levantou correndo e o seguiu, percebeu que ele havia recuperado suas armas, ele pegou uma Magnum 22 e escondeu embaixo de uma das cadeiras, de um jeito simples e imperceptível.
Se alguém vier aqui e te ameaçar, use isso. Ele disse enquanto colocava a máscara no rosto.
Não vá embora. Ela pediu novamente.
Vá descansar. Ele insistiu, agora com mais firmeza na voz, assustando-a novamente.
Angel obedeceu e se deitou no colchão, mas não quis fechar os olhos, nem muito menos conseguiu dormir.
Não me siga. É sério, não me siga. Foi à última coisa que ela ouviu.
Angel respirou fundo e voltou a chorar, então era isso, era só ela novamente, sozinha. Ela queria tanto segui-lo, saber pelo menos aonde ele iria, saber se ele ficaria pelo menos bem, mas ela tinha medo, não sabia mesmo nada da vida dele.
Angel não demorou a pegar no sono, a luta com ele havia cansado seu corpo que ainda estava passando por mais uma transição. Ele ainda não havia ido embora, ficou ali até ela pegar no sono, apenas para constar que ela estaria bem, sem segui-lo, pois ele não queria que ela se machucasse, ficar perto dele não era nem de longe uma boa ideia. Bucky queria poder ficar, queria poder ter alguém para pedir ajuda, para tentar descobrir quem ele era, mas ele era perigoso demais.
Assim que ele viu a garota dormindo, saiu caminhando pelo enorme milharal, ele teria de ser cauteloso, ainda mais agora. Depois de muito andar achou uma casa abandonada, bem longe da cabana, e parou ali, ficaria por uns dias, até ter certeza de que Angel ficaria bem, até ter certeza de que a HIDRA não havia a seguido.
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