Angel
16 Runaway! Again...
Notas iniciais
Angel corria desesperada, sem nunca olhar para trás. Já era difícil enxergar com um olho, com aquela chuva caindo grossa se tornava mais difícil ainda. Ela tropeçou, uma, duas, três vezes. Caía no chão, se assustava e levantava o mais rápido que conseguia.
Ela não tinha ideia de onde iria, do que faria, tinha tanta coisa na cabeça, tantos pensamentos, memórias, perguntas. Respirou fundo, cansada, e se encostou numa enorme árvore. Percebeu a silhueta de Lili correndo, seguindo em frente, sorte não tê-la visto, e então, correu para o lado onde Lili não foi, pelo menos agora tinha certeza de que não seria mais perseguida.
Angel ouviu um barulho forte, parecia o mar, andou mais um pouco e avistou uma enorme praia, sorriu ao perceber um amontoado de pedras que fazia uma pequena caverna. Correu até lá, se escondendo da chuva na pequena gruta que as pedras formavam.
Ela não estava com tanto frio por causa de ter corrido, mas o calor do corpo diminuía aos poucos, dando lugar á um frio cortante. Angel dobrou as pernas e as enfiou dentro do moletom, olhando atenta em toda sua volta, pronta para correr se fosse necessário.
Mais um flash a atingiu, ela via o soldado com ela no colo, o mesmo frio cortante, e ele chorava enquanto olhava para sua cicatriz, e ela o observava, com muitas perguntas em mente. A dor de cabeça voltou e a memória se foi, sendo bloqueada novamente.
Angel passou a mão na nuca, e sentiu uma coisa grudava na cabeça dela. Puxou com força, e mesmo sentindo muita dor consegui tirar. Parecia algum tipo de dispositivo. Angel pegou um pequeno pedaço de pedra, e destruiu o pequeno aparelho, jogando-o longe em seguida.
E permaneceu ali, fitando o nada, esperando a chuva parar.
O soldado permanecia desacordado, Willian tentava auscultar o coração do mesmo, mas parecia tão fraco. Levou um susto ao ver Lili entrando no laboratório, ela estava ensopada e suja.
–O soldado ainda não acordou, isso não é um bom sinal.
Ela respirou fundo, e pegando uma seringa de adrenalina caminhou até ele, sorrindo.
–Senhora eu acho que isso não é uma boa ideia, isso pode ser letal, vai mata-lo. –Willian disse se levantando.
–Não me importa se ele morrer, eu precisava mais da garota do que dele. –Ela disse aplicando aquilo no soldado.
Willian respirou fundo e ficou observando atento o soldado, os dedos estavam no pescoço do mesmo, esperando por batimentos, ou então pela ausência deles. Olhou atento no relógio, contando quantos batimentos por minuto, cada vez diminuindo mais.
–Estamos o perdendo, preciso fazer alguma coisa. –Ele disse pronto para fazer uma massagem cardíaca.
A adrenalina em contato com o soro que ela fez poderia sim fazer o coração do soldado parar, e ela sabia disso, queria o matar, estava com raiva por ter perdido a garota, por ele preferir Angel ao invés dela, ela sorria ao ver a cena.
–Não Willian, você não irá fazer nada. –Ela disse arqueando uma sobrancelha e fitando o corpo do soldado, que lentamente parecia parar de respirar.
Ela sorriu ao ver a cena, então esse era o fim, estavam predestinados á isso desde o momento em que se encontraram pela primeira vez, ela havia dito isso a ele, ela seria a causadora de sua morte, apenas ela poderia mata-lo, conhecia-o tão bem quanto qualquer um. Lili deu as costas e subiu as escadas lentamente.
–Livre-se do corpo, queime-o, não deixe sobrar nem as cinzas. –Ela disse parando e olhando para trás brevemente, Willian ainda parecia assustado.
–Sim senhora. –Ele disse enquanto desamarrava o soldado e desconectava o dispositivo da nuca dele.
Quando Lili estava no último degrau ouviu Willian a chamando, voltou imediatamente.
–O coração está voltando. –Willian disse e ela se retirou, sem dizer nenhuma palavra.
Lentamente o coração dele começava a se normalizar, e depois de longos minutos o soldado abriu os olhos, piscou algumas vezes, um clarão em sua mente, não sabia quem era, não sabia onde estava, fitou Willian e piscou novamente algumas vezes, a voz feminina o despertou.
–Seu nome é Soldado Invernal. –E então, como uma palavra chave ele se lembrou pra quem servia e porque, ele sorriu.
–Estamos em alguma base secreta da HIDRA? –Perguntou em russo, a voz rouca fez Lili arrepiar.
–Você não trabalha para a HIDRA mais, agora trabalha pra mim. –Ela respondeu também em russo.
–Pra você? Por quê? –Perguntou um pouco desconfiado, ele entregou um uniforme novo para ele, idêntico ao de sempre.
–Eu comprei você da HIDRA soldado, sem perguntas, apenas vai fazer o que eu mandar, vista isso.
Lili pegou uma pasta, onde ela mesma havia feito várias anotações, pegou três fotos, e esperou o soldado se vestir, Willian o ajudava, o homem sentia pena do rapaz.
Assim que ele estava vestido permaneceu de pé, a fitando, esperando por suas missões, ela lhe entregou a primeira foto, e ele analisou com cuidado, guardava rostos com facilidade.
–Esse é John Wayne, está numa cidade aqui perto, preciso que o traga com vida. –Ela disse e entregou outra foto. –Esse é o parceiro dele, Gordon, mate-o quando avista-lo, e traga-me o corpo como prova. Eles estarão juntos amanhã no aeroporto, não os perca, tenho alguns soldados que lhe acompanharão, essa noite eles estarão aqui. E por último... –Ela disse enquanto entregava a última foto, tinha um sorriso perverso no rosto.
O soldado analisou a foto com cuidado, aquele rosto era bem familiar, familiar demais. Respirou fundo e sentiu-se um pouco incomodado com aquela cicatriz, quem poderia ter feito aquilo com uma garota de rosto tão angelical? Ele fitou Lili, sem entender.
–O que quer com essa garota? Ela parece não apresentar nenhuma ameaça. –Ele disse devolvendo a foto.
–Mas é. Mate-a soldado, você já a deixou escapar uma vez, não deixe agora. –Ela disse se retirando.
Willian fitou o soldado e esticou a mão, sorrindo.
–Sua faca soldado, não se esqueça de proteger a bainha. –Willian sorriu e se retirou, deixando-o ali.
O soldado colocou a máscara, se sentia melhor com ela, e as palavras de Willian ficaram ecoando em sua cabeça, como se tivessem atingindo algum botão no cérebro dele, que quisesse pensar nisso, saber disso.
Pegou a bainha e a fitou por alguns minutos, girando-a entre as duas mãos. Respirou fundo e a guardou de novo, seja lá o que for ele não queria saber agora. Apenas se deitou na cadeira e ficou fitando o teto, como de costume.
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