Angel
15 Runaway!
Notas iniciais

Willian, o cientista parceiro de Lili, injetou novamente mais um liquido incolor no braço do soldado, que se remexeu e fitou aquilo com certo medo, pensando no que eles estavam fazendo agora. Fitava Angel a todo minuto, tramando como sair dessa contenção e em como ele iria tira-la dali, respirou fundo e sentiu o braço queimar.
–O que é isso? –Ele perguntou cerrando os olhos.
–Lili criou um novo soro, tão poderoso quanto o que ela usou em você da última vez. Isso é o futuro, se criarmos um exercito de super soldados com isso, mandaremos até em organizações como a HIDRA e a SHIELD. –Willian cochichou, havia sido alertado para não falar sobre o soro.
–Solte a garota, por favor. –O soldado pediu enquanto abria os olhos, o ardor estava passando.
–Eu não posso, Lady Lili tem tanto poder em você quanto em mim. –Ele disse se virando e mostrando para o soldado um dispositivo cravado na nuca.
–Você não é um cara mal Willian, deve haver alguma coisa que você pode fazer por mim. –O soldado insistiu, olhando atendo a todo momento se Lili estava perto.
–Olha soldado, eu não queria estar nessa, fui tão capturado quanto você. Eu tinha uma família e me lembro vagamente de ama-los, ela também apagou minha memória. Eu vou te ajudar, mas tome muito cuidado, ela está mais poderosa que antes. Quando eu for apagar sua memória vou criar uma palavra, ou uma frase, o que você preferir, e quando isso for dito, acionará acesso á suas lembranças, vai ser dolorido, mas é tudo o que posso fazer por você. –O cientista disse enquanto dava os últimos reparos no braço biônico.
–Bucky. –Ele sussurrou olhando brevemente para o cientista.
–Perdão? –Willian disse sem entender.
–A palavra, Bucky.
Willian sorriu e anotou num papel, dobrando-o meticulosamente. Ficou pensando por alguns segundos onde poderia esconder aquilo, e então fitou o soldado, esperando por resposta.
–Ela vai me dar um uniforme novo, eu tenho certeza, faz o estilo dela essas coisas. Quando isso acontecer o esconda-o na bainha de minha faca. Doutor, não se esqueça de me deixar com essa lembrança. –O soldado praticamente implorava.
–Tudo bem, confie em mim. –O cientista sorriu e se levantou, saindo da sala.
O soldado respirou fundo e ficou observando Angel, ele iria fazer alguma coisa pelo menos, precisava tentar, ela não iria ficar ali, presa, ele já havia estragado a vida dela uma vez, não ia permitir que acontecesse novamente.
Ele fechou os olhos e respirou fundo, mas algo chamou sua atenção, os monitores cardíacos que estavam ligados em Angel começaram a acelerar, e ela começou a se mexer de forma descontrolada, tentando se soltar, ela fitava o teto, estava acordada.
Suas lembranças a atingiram em cheio, a última coisa da qual se lembrava era de fugir do soldado com braço de metal, que além de tê-la deixado cega, matou toda sua família. Ela respirava desesperada com medo de olhar em volta, se lembrava de Lili querendo ajuda-la, do chá que tomou, de desmaiar, depois disso tudo era breu, ela não se lembrava de ter salvado o soldado, ou da cabana, mas algo tentava invadir a memória dela, ela estava caída no chão e chorando, o corpo todo doendo e sentia muito frio, e ela viu o soldado aparecendo entre as árvores, e então ela fechou os olhos subitamente, gritando tanto que fez o soldado se preocupar excessivamente com aquilo, e ele começou a tentar se soltar novamente.
–Angel, Angel... Olha pra mim, vai ficar tudo bem. –Ele falou com certo tom de desespero.
A mente de Angel bloqueou o que vinha a seguir, ela achou que o soldado queria a matar de novo naquela lembrança, mas aquilo, nada mais era do que ele a salvando, talvez tudo o que ela precisasse para confiar nele.
Angel seguiu curiosa de onde a voz vinha, e quando seus olhos encontraram com os dele, seu coração acelerou mais, junto á ele, a respiração tornou-se descompassada, desesperada. Ela começou a se debater, tentando se soltar daquelas infernais contenções que a apertavam tanto.
–Por favor não me mate, por favor... –Ela agora chorava, soluçando entre o choro.
A força que ela fazia para se soltar era tanta que o couro da contenção começou a machucar seus pulsos e canelas, o sangue escorria dos cortes, mas ela nem se importava com a dor, precisava fugir logo dali.
–Eu não vou te machucar Angel. Me escuta, você vai ficar bem, se acalme. –Ele pediu enquanto usava toda a força que tinha no braço biônico, tentando estourar a contenção.
–Não, não, não, socorro, socorro. –Ela gritava desesperada.
O soldado conseguiu se soltar, e puxou o resto da contenção com o braço biônico, levou instintivamente a mão atrás da nuca, um dispositivo estava lá, ligado á um fio, ele tentou puxar o fio, se soltar dele, mas recebeu um choque muito forte, que o deixou tonto. Ele respirou fundo e puxou o fio pra ver até onde ele ia, conseguiu o esticar e caminhou até a maca onde Angel estava.
Ela parou na hora, ficou estática, não sabia o que fazer, queria correr, fugir, morrer logo, ela o olhava fixamente nos olhos, o corpo tremia de medo, ela prendeu a respiração.
–Me desculpe, por tudo que eu fiz. –Ele sussurrou, deixando algumas lágrimas rolarem.
Lentamente soltou as mãos dela, depois os pés, e a fitou, ela permaneceu parada.
–Eu não me lembrava o que era se importar com alguém, até você cuidar de mim. –Ele disse a ajudando a se levantar, ela simplesmente não tinha reação.
“Do que ele estava falando?” –Ela pensava.
Então sua cabeça doeu, e ela teve mais um flash da floresta. O soldado caminhava até ela, mas não era ela quem ele queria, era quem machucava ela. Mas sua mente logo bloqueou a lembrança novamente, deixando-a extremamente confusa.
–Angel, ouça-me, você vai fugir por aquela janela ali, corra o mais rápido que puder, você vai achar uma casa destruída, passe por ela e continue a correr, logo você chegará á cidade, procure a polícia e diga que você se perdeu, não conte sobre esse lugar nem mais nada, eles irão te ajudar. –O soldado falou enquanto observava a pequena janela que tinha perto do teto.
Ele era alto, conseguiria empurra-la fácil, por ali, mas teria de ser rápido, puxou toda e qualquer coisa que prendia a menina ainda ali e a pegou no colo, ela continuava com o mesmo moletom, do mesmo jeito. Ele a levantou na altura da janela e ela empurrou com as duas mãos, era uma janela pesada, velha, parecia nunca ter sido aberta. Como o laboratório era no subsolo da casa, a janela ficava na base da casa, perto do chão, então, depois que Angel saísse era só ela correr.
Ela começou a tentar sair, mas o chão barroso do lado de fora estava escorregadio, e ele não conseguia se esticar mais do que isso. A chuva ainda caía forte do lado de fora. Foi quando Lili apareceu na sala e sorriu ao ver a cena, batendo palmas logo em seguida. O cientista logo atrás dela.
–O soldado de chumbinho sempre tentando salvar a sua nova dama. –Lili revirou os olhos, e uma descarga elétrica atingiu em cheio a nuca do soldado, fazendo-o cair ajoelhado no chão, gritando desesperado, a dor o consumindo da forma mais dolorosa possível, pior do que qualquer coisa que ele já tenha passado até hoje.
Uma sorte, Angel conseguiu se virar sozinha, e quando Lili percebeu ela saiu correndo, deixando apenas o soldado e o Willian.
–Apague-o. –Foi à última ordem de Lili.
–Sim senhora. –Willian respondeu enquanto desligava o choque.
O corpo do soldado tremia no chão, desmaiou por alguns segundos. Tempo suficiente para que Willian o prendesse na cabeça e começasse o procedimento. Colocou um protetor na boca do soldado, e assim que o mesmo abriu os olhos, a dor o invadiu novamente, ele apertou os braços da cadeira, vendo por uma última vez todas as lembranças que tinha de Angel, o sorriso, a risada, ele gritou alto, e adormeceu.
{ ... }
"Rastejando dentro da minha pele
Estas feridas, eles não curarão
Medo é o que me derruba
Confundindo o que é real
Há algo em mim que me puxa pra baixo da superfície
Consumindo, confundindo
Esta falta de auto-controle eu temo que nunca acabe
Controlando
Parece que não consigo
Me achar novamente
Minhas paredes estão se fechando
(Sem um senso de confiança
estou convencido que há muita pressão para aguentar)
Eu me senti desse jeito antes
Tão inseguro..."
–Linkin Park, Crawling.
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